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	<title>Aviso em Dois &#187; plano real</title>
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	<description>ALEA JACTA EST</description>
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		<title>Real – 15 anos de um plano. Que plano?</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 13:02:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[15 anos de um plano]]></category>
		<category><![CDATA[âncora cambial]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje, 1º de julho de 2009, faz quinze anos que o chamado “Plano Real” foi lançado para combater a inflação e criar um ambiente de estabilidade na economia brasileira.
Seguem uma reflexão e um questionamento de quem viveu intensamente o “Plano Real” e todos os momentos econômicos anteriores e posteriores a este chamado plano.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, 1º de julho de 2009, faz quinze anos que o chamado “Plano Real” foi lançado para combater a inflação e criar um ambiente de estabilidade na economia brasileira.<br />
Seguem uma reflexão e um questionamento de quem viveu intensamente o “Plano Real” e todos os momentos econômicos anteriores e posteriores a este chamado plano.</p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>O “Plano”</strong></p>
<p>Depois do fracasso de seis planos econômicos anteriores (Plano Cruzado, Plano Cruzado II, Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor I e Plano Collor II), em 01/03/94 foi instituída a Unidade Real de Valor (URV) com o valor de CR$ 647,50 e com o objetivo de quebrar a inércia inflacionária e medir a inflação corrente. No entanto, a indexação aumentou e ao contrário do que se pretendia a URV passou a refletir a inflação passada e indexou a taxa de câmbio.</p>
<p>Cabe ressaltar que a URV foi instituída para servir, exclusivamente, como padrão de valor monetário e o Cruzeiro Real continuava utilizado como meio de pagamento e dotado de poder liberatório.</p>
<p>Na conversão para a URV, a idéia de que o mercado se ajustaria e se incumbiria de conter abusos, os preços foram reajustados livremente enquanto que nos salários a conversão foi pela média da URV, assim as perdas chegaram a 36%.</p>
<p>Com a inflação totalmente fora do controle, alcançando índices próximos de 50% ao mês e greves pipocando em todo país em função do arrocho na conversão da URV, o governo do presidente Itamar Franco se viu obrigado a tomar uma medida de urgência. Foi então que no dia 1º de julho de 1994, com a URV alcançando o valor de CR$ 2.750,00, que foi criada a moeda Real, a URV foi extinta e CR$ 2.750,00 passou a valer hum real.</p>
<p>A perda no poder de compra aliada a uma taxa de juros alta e uma taxa de câmbio livre, onde inicialmente R$ 1 era igual a US$ 1, o governo conseguiu, enfim, controlar os índices inflacionários a níveis mais civilizados.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Viés político</strong></p>
<p>A palavra viés significa tendência, assim analises econômicas com viés político, são as analises feitas com tendências a defesa de um argumento político qualquer.</p>
<p>Durante meus 37 anos de mercado, trabalhando na tesouraria de um grande banco nacional de 1973 a 2000 e vivenciando ativamente todos esses planos econômicos, aprendi que toda vez que alguém constrói um cenário econômico futuro com viés político e com base neste cenário assume posições financeiras, invariavelmente, essas posições acabam gerando grandes prejuízos.</p>
<p>Como nos seis planos econômicos anteriores, o Real assim que entrou em andamento e os resultados apareceram, nas reuniões do banco, em seminários e palestras de entidades de classe, os agentes de mercado e economistas, iniciavam um festival de divagações em perspectivas econômicas.<br />
Isso acabava indo parar na grande mídia e influenciando os economistas de dentro e de fora do governo como um todo.<br />
Nestas elucubrações mentais, de acordo com o sucesso das medidas tomadas, concluía-se que tudo foi devidamente planejado.<br />
A partir daí surgiam metas que foram traçadas como: corte nos gastos públicos, recuperação de receita tributária, fim da inadimplência dos Estados e municípios, controle e rígida fiscalização dos bancos estaduais, saneamento dos bancos federais a privatização como meio de reduzir a dívida pública.</p>
<p>Quem participava naquela época, ativamente em reuniões na empresa e no Banco Central do Brasil para tentar resolver os problemas gerados pela falta de planejamento anterior e conseqüente caos de problemas a serem resolvidos e tinha um pouco de consciência do que estava acontecendo, sempre se perguntava quando alguém dizia &#8211; o Plano Real&#8230; QUE PLANO?<br />
É a pura verdade. Assim como nos “planos” anteriores, nada foi planejado e as tais metas ia surgindo de acordo com o sucesso ou fracasso de medidas anteriores.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Resultados</strong></p>
<p>No início de 1995 tivemos a crise mexicana e um contágio na economia brasileira, que provocou uma mudança de rota no Real. O governo adotou um sistema de bandas cambiais, através do qual procurou executar um processo gradual e controlado de desvalorizações reais do câmbio.<br />
Em janeiro de 1999 com a crise asiática o real acabou sofrendo forte desvalorização e então foi adotado um regime de taxa de câmbio flutuante, acompanhado a seguir por um regime de metas de inflação. Muitos consideram que o Plano Real acabou definitivamente, por ocasião desta desvalorização e do fim da âncora cambial.</p>
<p> <br />
Os números: o PIB, depois de um crescimento de mais de 4,0% em 1994/95, teve um crescimento médio ao redor de 2,0% em 1996/2002, a relação dívida externa/PIB passou de 27,3% do PIB em 1994 para mais de 39% a partir de 1999, a relação dívida pública/PIB cresceu de 30,4% em 1994 para 41,7% em 1997, alcançando 57,4% em 2002. A taxa de desemprego, que diminuiu rapidamente no início, de 9,0% em julho/94 para 7,8% em dezembro/94, passou a oscilar a partir de então, atingindo seu pico em abril de 2003 (13,6%), provocando uma queda de salários e de poder de compra na população.</p>
<p><strong></strong><br />
Mesmo com o câmbio flutuante e a adoção do regime de metas de inflação, que, diga-se de passagem, foi mais uma medida de emergência copiada de outros países com condições diferenciadas do Brasil, a inflação permaneceu relativamente alta junto com uma enorme taxa de juros e um crescimento econômico medíocre.</p>
<p>A indexação permaneceu alta, não impedindo que preços, principalmente de tarifas de serviços públicos, tivessem o repasse de inflações passadas.</p>
<p>Vejam: <span class="entry-content">Em 15 anos de real, aluguéis subiram 633,52% e a inflação oficial, o IPC-A, subiu 244%.</span></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p>Se o Real não foi um plano e não obteve tanto sucesso como o esperado, por que então se faz tanta propaganda positiva e porque insistem em dizer que o governo Lula seguiu a cartilha econômica do governo FHC?<br />
Será que continuidade não é pelo fato do governo atual não ter feito nenhum plano mirabolante para a economia?</p>
<p>Não se pode dizer que tudo foi ruim, alguma coisa precisava ser feita naquele momento de hiperinflação dos anos 90, bem ou mal a estabilização da inflação foi conseguida e avançamos em outras coisas de acordo com a necessidade de ajustes. No entanto, o chamado Plano Real, ficou longe de ser, como se diz em mercado, “a última coca-cola do deserto”.</p>
<p>Hoje os agentes econômicos e os empresários, mesmo com a mídia dando ampla divulgação de sucesso do “Plano” Real e reiterando uma continuidade de projeto que não existe, no fundo sabem que a verdade é outra. A população mais carente então, essa não tem nenhuma dúvida. Por mais que insistam nessa mentira que quebrou o país em quatro ocasiões.</p>
<p>Do Real, só restou praticamente a nova moeda.</p>
<p>Este é um depoimento de quem viu e viveu o Real e os outros planos nos últimos 30 anos da história econômica do Brasil, diferente daqueles que não souberam de detalhes e avaliam pelo que alguém, normalmente com viés, escreveu.</p>
<p> </p>
<p>“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”<br />
Friedrich Nietzsche</p>
<p> <br />
Saudações</p>
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