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	<title>Aviso em Dois &#187; meta de inflação</title>
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		<title>No país da bola</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 07:36:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil realmente é um país diferenciado. Diferenciado pela beleza e por seus recursos naturais, pela cultura do povo miscigenado e principalmente por dominar a arte de um esporte que fascina e arrasta multidões: o futebol.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">No país da bola</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Brasil realmente é um país diferenciado. Diferenciado pela beleza e por seus recursos naturais, pela cultura do povo miscigenado e principalmente por dominar a arte de um esporte que fascina e arrasta multidões: o futebol.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Futebol é uma paixão tão grande do brasileiro que se tornou natural estabelecer analogias com outras atividades, como a economia e, principalmente, o mercado financeiro.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">As escolas e cursos que formam os traders e operadores de mercado têm muita semelhança com as escolinhas de futebol.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Passar, dominar, conduzir e chutar a bola &#8211; seja de bico, chapa, três dedos -, bater com a direita ou com a esquerda, cabeceio, voleio e outras técnicas são ensinadas nas escolinhas de futebol assim como as analises gráficas e fundamentalistas, avaliações de riscos, estudos de modelos, avaliação de empresas, balanços e outros assuntos afins são ensinados a aqueles que querem fazer parte do mercado financeiro.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">A bola rola pelo gramado como a grana rola pelo mercado. Dribles como a &#8220;caneta&#8221; ou &#8220;rolinho&#8221;, o &#8220;lençol&#8221; ou &#8220;chapéu&#8221;, as &#8220;pedaladas&#8221; e &#8220;bicicletas&#8221; não se aprendem nas escolinhas de futebol, assim como saber operar e ser um craque do mercado &#8211; não se aprende nos cursos de treinamentos.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Aperfeiçoar as técnicas no futebol é essencial, que diga o Pelé que, mesmo com toda genialidade, não cansava de treinar os fundamentos básicos. Ter conhecimento técnico e estudar tudo aquilo que se relaciona ao mercado é a base para se tornar um grande player. No entanto, para ser um craque no futebol ou no mercado, é preciso ter algo mais.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">É necessário ter dom e atitude para decidir as coisas nos momentos mais difíceis e isso está no sangue, corre nas veias, já nasce com a pessoa. Por isso tudo, o Brasil se destaca novamente no futebol e no mercado financeiro.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Os ingleses inventaram o sistema bancário assim como inventaram o futebol. O brasileiro se apoderou da técnica e habilidade de praticar o esporte Bretão e hoje já é um especialista no sistema financeiro, prova disso é o fato de nosso sistema bancário ter-se mostrado o mais sólido durante a crise.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Aqui criamos a Selic, a Cetip e até mesmo uma moeda chamada CDI, que poucos sabem exatamente como funciona e o que significa, mas utilizam como indexador de quase todos os investimentos. Passamos por vários planos econômicos e sobrevivemos a todos para alcançar a condição privilegiada que o Brasil se encontra no cenário econômico atual.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Contudo, taxa de juros e meta de inflação perderam muito o sentido, a indexação diária ao CDI torna a política monetária passiva. A crise mostrou que estes instrumentos já não servem mais para controlar mercados e estabelecer metas, o consenso não é mais garantia de projeção futura e, quando as coisas não dão certo, o Banco Central acaba refém, como quem leva um &#8220;drible da vaca&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Passado um ano da crise, os mercados se acalmaram, retomaram confiança e partiram com tudo para cima dos ativos, sem se preocupar com o contra ataque. Estão pedalando pra valer, já que sentem que as autoridades monetárias estão acuadas e com medo de que uma retirada dos subsídios possa trazer a crise de volta. Os BCs estão em &#8220;corner&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Com toda expertise adquirida, o Brasil se tornou a vedete dos mercados e os recursos externos, que já ingressavam com vigor, não param de aumentar. A criação da alíquota de IOF tentando conter a queda do dólar frente ao real está sendo driblada com talento.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Falar em renda fixa com todo esse rali nos ativos financeiros é missão quase impossível. A velocidade com que os ativos estão se valorizando torna até mesmo uma taxa de juros alta, com 8,75% ao ano, irrelevante e aplicações em renda fixa acabam conceituadas como aplicações de medrosos, de conservador &#8220;retranqueiro&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Brasil é o país da bola e, no país da bola, não se joga na retranca!</div>
<p>O Brasil realmente é um país diferenciado. Diferenciado pela beleza e por seus recursos naturais, pela cultura do povo miscigenado e principalmente por dominar a arte de um esporte que fascina e arrasta multidões: o futebol.</p>
<p>Futebol é uma paixão tão grande do brasileiro que se tornou natural estabelecer analogias com outras atividades, como a economia e, principalmente, o mercado financeiro.</p>
<p>As escolas e cursos que formam os traders e operadores de mercado têm muita semelhança com as escolinhas de futebol.</p>
<p>Passar, dominar, conduzir e chutar a bola &#8211; seja de bico, chapa, três dedos -, bater com a direita ou com a esquerda, cabeceio, voleio e outras técnicas são ensinadas nas escolinhas de futebol assim como as analises gráficas e fundamentalistas, avaliações de riscos, estudos de modelos, avaliação de empresas, balanços e outros assuntos afins são ensinados a aqueles que querem fazer parte do mercado financeiro.</p>
<p>A bola rola pelo gramado como a grana rola pelo mercado. Dribles como a &#8220;caneta&#8221; ou &#8220;rolinho&#8221;, o &#8220;lençol&#8221; ou &#8220;chapéu&#8221;, as &#8220;pedaladas&#8221; e &#8220;bicicletas&#8221; não se aprendem nas escolinhas de futebol, assim como saber operar e ser um craque do mercado &#8211; não se aprende nos cursos de treinamentos.</p>
<p>Aperfeiçoar as técnicas no futebol é essencial, que diga o Pelé que, mesmo com toda genialidade, não cansava de treinar os fundamentos básicos. Ter conhecimento técnico e estudar tudo aquilo que se relaciona ao mercado é a base para se tornar um grande player. No entanto, para ser um craque no futebol ou no mercado, é preciso ter algo mais.</p>
<p>É necessário ter dom e atitude para decidir as coisas nos momentos mais difíceis e isso está no sangue, corre nas veias, já nasce com a pessoa. Por isso tudo, o Brasil se destaca novamente no futebol e no mercado financeiro.</p>
<p>Os ingleses inventaram o sistema bancário assim como inventaram o futebol. O brasileiro se apoderou da técnica e habilidade de praticar o esporte Bretão e hoje já é um especialista no sistema financeiro, prova disso é o fato de nosso sistema bancário ter-se mostrado o mais sólido durante a crise.</p>
<p>Aqui criamos a Selic, a Cetip e até mesmo uma moeda chamada CDI, que poucos sabem exatamente como funciona e o que significa, mas utilizam como indexador de quase todos os investimentos. Passamos por vários planos econômicos e sobrevivemos a todos para alcançar a condição privilegiada que o Brasil se encontra no cenário econômico atual.</p>
<p>Contudo, taxa de juros e meta de inflação perderam muito o sentido, a indexação diária ao CDI torna a política monetária passiva. A crise mostrou que estes instrumentos já não servem mais para controlar mercados e estabelecer metas, o consenso não é mais garantia de projeção futura e, quando as coisas não dão certo, o Banco Central acaba refém, como quem leva um &#8220;drible da vaca&#8221;.</p>
<p>Passado um ano da crise, os mercados se acalmaram, retomaram confiança e partiram com tudo para cima dos ativos, sem se preocupar com o contra ataque. Estão pedalando pra valer, já que sentem que as autoridades monetárias estão acuadas e com medo de que uma retirada dos subsídios possa trazer a crise de volta. Os BCs estão em &#8220;corner&#8221;.</p>
<p>Com toda expertise adquirida, o Brasil se tornou a vedete dos mercados e os recursos externos, que já ingressavam com vigor, não param de aumentar. A criação da alíquota de IOF tentando conter a queda do dólar frente ao real está sendo driblada com talento.</p>
<p>Falar em renda fixa com todo esse rali nos ativos financeiros é missão quase impossível. A velocidade com que os ativos estão se valorizando torna até mesmo uma taxa de juros alta, com 8,75% ao ano, irrelevante e aplicações em renda fixa acabam conceituadas como aplicações de medrosos, de conservador &#8220;retranqueiro&#8221;.</p>
<p>Brasil é o país da bola e, no país da bola, não se joga na retranca!</p>
<p> </p>
<p>Por: Waldir Kiel<br />
12/11/09 &#8211; 14h05<br />
InfoMoney</p>
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		<title>Aviso Semanal</title>
		<link>http://avisoemdois.com.br/avisos/aviso-semanal-25/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 02:32:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avisos e Comentários]]></category>
		<category><![CDATA[_painel Semanal]]></category>
		<category><![CDATA[meta de inflação]]></category>
		<category><![CDATA[taxa básica de juros]]></category>

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		<description><![CDATA[Fundamentalistas e analistas técnicos batem cabeça na tentativa de justificar o motivo, pelo qual, os mercados não realizam lucros e continuam a subir o preço dos ativos por um longo tempo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A semana</strong>: A recuperação mais intensa da indústria e do emprego no Brasil tem provocado a continuidade do otimismo no mercado financeiro.</p>
<p>Fundamentalistas e analistas técnicos batem cabeça na tentativa de justificar o motivo, pelo qual, os mercados não realizam lucros e continuam a subir o preço dos ativos por um longo tempo.</p>
<p>Taxas de juros baixas e liquidez alta irão continuar por mais um longo período. O que torna a realização no preço dos ativos mais difíceis.</p>
<p> </p>
<p><strong>Juros</strong>: Bastou os indicadores de emprego e PIB projetarem um cenário melhor, para o mercado trabalhar com projeções de juros mais altos no futuro.</p>
<p>Mercado vai continuar trabalhando com expectativas positivas, assim, dentro da “lógica de mercado” os juros futuros vão continuar a subir, mesmo com projeções de inflação futura dentro da meta.</p>
<p> </p>
<p> <strong>Câmbio</strong>: Otimismo, taxa de juros altas no Brasil, e liquidez abundante no mercado global fazem com que a cotação da moeda norte-americana seja impulsionada para baixo.</p>
<p>A barreira de R$ 1,80 será rompida em breve.</p>
<p> </p>
<p><strong>Bolsa de Valores</strong>: A semana deve se iniciar com breve realização provocada pelo vencimento do mercado de opções na segunda feira. No entanto, no resumo semanal deve dar continuidade a alta.</p>
<p>Papéis de terceira linha devem ser os próximos destaques.</p>
<p>Em mercado de alta, normalmente o movimento acontece com a subida da primeira linha, depois a chamada segunda linha nobre, para em um terceiro momento a garimpagem da terceira linha.</p>
<p>Kepler Weber  (KEPL3) e Ecodiesel (ECOD3)</p>
<p> <br />
“O segredo é não correr atrás das borboletas&#8230; É cuidar do jardim para que elas venham até você.”</p>
<p>Mário Quintana </p>
<p> </p>
<p>As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.<br />
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de idéias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.</p>
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		<item>
		<title>Real – 15 anos de um plano. Que plano?</title>
		<link>http://avisoemdois.com.br/colunas/real-%e2%80%93-15-anos-de-um-plano-que-plano/</link>
		<comments>http://avisoemdois.com.br/colunas/real-%e2%80%93-15-anos-de-um-plano-que-plano/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 13:02:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[15 anos de um plano]]></category>
		<category><![CDATA[âncora cambial]]></category>
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		<category><![CDATA[viés]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, 1º de julho de 2009, faz quinze anos que o chamado “Plano Real” foi lançado para combater a inflação e criar um ambiente de estabilidade na economia brasileira.
Seguem uma reflexão e um questionamento de quem viveu intensamente o “Plano Real” e todos os momentos econômicos anteriores e posteriores a este chamado plano.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, 1º de julho de 2009, faz quinze anos que o chamado “Plano Real” foi lançado para combater a inflação e criar um ambiente de estabilidade na economia brasileira.<br />
Seguem uma reflexão e um questionamento de quem viveu intensamente o “Plano Real” e todos os momentos econômicos anteriores e posteriores a este chamado plano.</p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>O “Plano”</strong></p>
<p>Depois do fracasso de seis planos econômicos anteriores (Plano Cruzado, Plano Cruzado II, Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor I e Plano Collor II), em 01/03/94 foi instituída a Unidade Real de Valor (URV) com o valor de CR$ 647,50 e com o objetivo de quebrar a inércia inflacionária e medir a inflação corrente. No entanto, a indexação aumentou e ao contrário do que se pretendia a URV passou a refletir a inflação passada e indexou a taxa de câmbio.</p>
<p>Cabe ressaltar que a URV foi instituída para servir, exclusivamente, como padrão de valor monetário e o Cruzeiro Real continuava utilizado como meio de pagamento e dotado de poder liberatório.</p>
<p>Na conversão para a URV, a idéia de que o mercado se ajustaria e se incumbiria de conter abusos, os preços foram reajustados livremente enquanto que nos salários a conversão foi pela média da URV, assim as perdas chegaram a 36%.</p>
<p>Com a inflação totalmente fora do controle, alcançando índices próximos de 50% ao mês e greves pipocando em todo país em função do arrocho na conversão da URV, o governo do presidente Itamar Franco se viu obrigado a tomar uma medida de urgência. Foi então que no dia 1º de julho de 1994, com a URV alcançando o valor de CR$ 2.750,00, que foi criada a moeda Real, a URV foi extinta e CR$ 2.750,00 passou a valer hum real.</p>
<p>A perda no poder de compra aliada a uma taxa de juros alta e uma taxa de câmbio livre, onde inicialmente R$ 1 era igual a US$ 1, o governo conseguiu, enfim, controlar os índices inflacionários a níveis mais civilizados.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Viés político</strong></p>
<p>A palavra viés significa tendência, assim analises econômicas com viés político, são as analises feitas com tendências a defesa de um argumento político qualquer.</p>
<p>Durante meus 37 anos de mercado, trabalhando na tesouraria de um grande banco nacional de 1973 a 2000 e vivenciando ativamente todos esses planos econômicos, aprendi que toda vez que alguém constrói um cenário econômico futuro com viés político e com base neste cenário assume posições financeiras, invariavelmente, essas posições acabam gerando grandes prejuízos.</p>
<p>Como nos seis planos econômicos anteriores, o Real assim que entrou em andamento e os resultados apareceram, nas reuniões do banco, em seminários e palestras de entidades de classe, os agentes de mercado e economistas, iniciavam um festival de divagações em perspectivas econômicas.<br />
Isso acabava indo parar na grande mídia e influenciando os economistas de dentro e de fora do governo como um todo.<br />
Nestas elucubrações mentais, de acordo com o sucesso das medidas tomadas, concluía-se que tudo foi devidamente planejado.<br />
A partir daí surgiam metas que foram traçadas como: corte nos gastos públicos, recuperação de receita tributária, fim da inadimplência dos Estados e municípios, controle e rígida fiscalização dos bancos estaduais, saneamento dos bancos federais a privatização como meio de reduzir a dívida pública.</p>
<p>Quem participava naquela época, ativamente em reuniões na empresa e no Banco Central do Brasil para tentar resolver os problemas gerados pela falta de planejamento anterior e conseqüente caos de problemas a serem resolvidos e tinha um pouco de consciência do que estava acontecendo, sempre se perguntava quando alguém dizia &#8211; o Plano Real&#8230; QUE PLANO?<br />
É a pura verdade. Assim como nos “planos” anteriores, nada foi planejado e as tais metas ia surgindo de acordo com o sucesso ou fracasso de medidas anteriores.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Resultados</strong></p>
<p>No início de 1995 tivemos a crise mexicana e um contágio na economia brasileira, que provocou uma mudança de rota no Real. O governo adotou um sistema de bandas cambiais, através do qual procurou executar um processo gradual e controlado de desvalorizações reais do câmbio.<br />
Em janeiro de 1999 com a crise asiática o real acabou sofrendo forte desvalorização e então foi adotado um regime de taxa de câmbio flutuante, acompanhado a seguir por um regime de metas de inflação. Muitos consideram que o Plano Real acabou definitivamente, por ocasião desta desvalorização e do fim da âncora cambial.</p>
<p> <br />
Os números: o PIB, depois de um crescimento de mais de 4,0% em 1994/95, teve um crescimento médio ao redor de 2,0% em 1996/2002, a relação dívida externa/PIB passou de 27,3% do PIB em 1994 para mais de 39% a partir de 1999, a relação dívida pública/PIB cresceu de 30,4% em 1994 para 41,7% em 1997, alcançando 57,4% em 2002. A taxa de desemprego, que diminuiu rapidamente no início, de 9,0% em julho/94 para 7,8% em dezembro/94, passou a oscilar a partir de então, atingindo seu pico em abril de 2003 (13,6%), provocando uma queda de salários e de poder de compra na população.</p>
<p><strong></strong><br />
Mesmo com o câmbio flutuante e a adoção do regime de metas de inflação, que, diga-se de passagem, foi mais uma medida de emergência copiada de outros países com condições diferenciadas do Brasil, a inflação permaneceu relativamente alta junto com uma enorme taxa de juros e um crescimento econômico medíocre.</p>
<p>A indexação permaneceu alta, não impedindo que preços, principalmente de tarifas de serviços públicos, tivessem o repasse de inflações passadas.</p>
<p>Vejam: <span class="entry-content">Em 15 anos de real, aluguéis subiram 633,52% e a inflação oficial, o IPC-A, subiu 244%.</span></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p>Se o Real não foi um plano e não obteve tanto sucesso como o esperado, por que então se faz tanta propaganda positiva e porque insistem em dizer que o governo Lula seguiu a cartilha econômica do governo FHC?<br />
Será que continuidade não é pelo fato do governo atual não ter feito nenhum plano mirabolante para a economia?</p>
<p>Não se pode dizer que tudo foi ruim, alguma coisa precisava ser feita naquele momento de hiperinflação dos anos 90, bem ou mal a estabilização da inflação foi conseguida e avançamos em outras coisas de acordo com a necessidade de ajustes. No entanto, o chamado Plano Real, ficou longe de ser, como se diz em mercado, “a última coca-cola do deserto”.</p>
<p>Hoje os agentes econômicos e os empresários, mesmo com a mídia dando ampla divulgação de sucesso do “Plano” Real e reiterando uma continuidade de projeto que não existe, no fundo sabem que a verdade é outra. A população mais carente então, essa não tem nenhuma dúvida. Por mais que insistam nessa mentira que quebrou o país em quatro ocasiões.</p>
<p>Do Real, só restou praticamente a nova moeda.</p>
<p>Este é um depoimento de quem viu e viveu o Real e os outros planos nos últimos 30 anos da história econômica do Brasil, diferente daqueles que não souberam de detalhes e avaliam pelo que alguém, normalmente com viés, escreveu.</p>
<p> </p>
<p>“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”<br />
Friedrich Nietzsche</p>
<p> <br />
Saudações</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mitologia Econômica</title>
		<link>http://avisoemdois.com.br/colunas/mitologia-economica/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Mar 2009 17:57:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[aplicações]]></category>
		<category><![CDATA[aplicações financeiras]]></category>
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		<description><![CDATA[Privilegiar o curto prazo é o motivo de o Brasil não ter uma curva de juros consistente e determinada pelo rendimento do maior ativo emitido, o título público.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As recentes discussões no Brasil acerca de mudanças nas regras da remuneração da poupança e o anúncio nesta quarta-feira do banco central americano informando que nos próximos seis meses vai comprar até US$ 300 bilhões em títulos de longo prazo do governo, o que não fez nas últimas quatro décadas, e que também irá ampliar as compras de dívidas lastreadas em hipotecas, me levou a uma reflexão a respeito das teorias e práticas econômicas aqui no Brasil.<br />
Não vou comentar a respeito do que pode mudar na forma de remunerar os recursos da poupança antes que saiba o que de fato será alterado. No entanto os argumentos de economistas e analistas renomados justificando o pedido de mudanças me chamaram muito a atenção.<br />
O argumento mais utilizado é de que se a taxa selic continuar a cair em breve os rendimentos da poupança irão superar os rendimentos dos fundos de investimentos, irá ocorrer uma migração dos fundos para a poupança, com resgate nas cotas os fundos e os bancos não comprarão mais títulos públicos e o governo encontrará dificuldades para rolagem da dívida pública.<br />
Puro mito.<br />
No caso dos fundos é preciso lembrar que são condomínios administrados por síndicos (gestores) e que cabe ao síndico zelar pelo patrimônio do condômino (cotista), rentabilizando com o menor risco possível suas aplicações financeiras.<br />
Se as taxas dos títulos públicos recuam ou aumentam cabe ao administrador otimizar a rentabilidade dentro do que se apresenta a realidade do mercado, restando poucas alternativas de aplicações com retorno e risco baixo como os títulos públicos federais.<br />
Sendo assim é uma falácia dizer que o recuo mais vigoroso na taxa selic provoca uma fuga dos títulos do governo. Os administradores precisam de lastro (títulos pra vincular aplicações da carteira) seguro e com liquidez.<br />
Mito também é o argumento de que o governo gasta demais, que a divída pública é muito alta e por isso existe o risco de default, pois não é possível que depois que o todo poderoso banco do mundo, Citibank, beijou a lona e foi praticamente estatizado pelo estado ainda exista quem acredite que o risco público seja maior que o risco privado nas atuais condições.<br />
No passado o argumento mais usado para a taxa básica não recuar muito era o de que haveria fuga para o consumo, para ativos reais e dólar, provocando assim aumento da inflação.<br />
Acontece que a inflação como ela é medida no mundo todo, em média, não inclui o preço dos ativos financeiros. Por diversas razões tais inflações medidas se acomodaram em índices muito baixos, os ativos disparam pra cima e as chamadas políticas monetárias foram pro espaço.<br />
Meta de inflação virou Meta de Ficção.<br />
Acredito que o banco central americano já está tomando outros caminhos quando decidiu não só manter a taxa de juros entre zero e 0,25% como também comprar títulos de sua emissão e títulos vinculados a hipotecas e injetar mais dinheiro na economia.<br />
No Brasil o Banco Central libera compulsório, os bancos compram títulos públicos e o dinheiro acaba não circulando na economia real.<br />
Meta de inflação com taxa de curto prazo carimbada só traz conforto para as aplicações de curto prazo, quando na verdade o curto prazo deveria ter é desconforto, render menos, ser penalizado. O longo prazo é quem deveria ser beneficiado.<br />
Investimento é de médio/longo prazo, isso é que estimula naturalmente investimentos na produção e que ajuda os agentes econômicos a projetar seus empreendimentos com maior segurança.<br />
Privilegiar o curto prazo é o motivo de o Brasil não ter uma curva de juros consistente e determinada pelo rendimento do maior ativo emitido, o título público.<br />
Essa é a realidade, no mais, argumentos para não termos juros civilizados não passam de tentativas de propagar mitos econômicos.<br />
E os mitos são linguagens imagísticas dos princípios que mostram a origem de instituições, de hábitos, lógica de uma gesta e economia de encontros.<br />
Não se pode admitir que numa época de ebulição econômica, velhos paradigmas que se mostraram ineficientes impeçam as inovações.</p>
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		<title>Taxa selic e meta de inflação</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jan 2009 22:40:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É necessária uma ampla discussão no Brasil quanto à eficácia deste modelo e em que condições e porque ele foi adotado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto anterior que postei, Taxa de juro &#8211; Um passado e o presente foi mais para ilustrar, mostrando e comparando como foram praticadas as taxas de juros e um passado e em outro modelo com as taxas praticadas hoje no chamado &#8220;inflacion target&#8221; metas de inflação.<br />
O fato é que os estudos econômicos e suas aplicações não estão acompanhando a evolução dos pensamentos e o dinamismo dos tempos atuais.<br />
Antigos modelos tinham certa eficácia quando eram aplicados em economias fechadas que não eram afetadas por movimentos globais e por formações de novos blocos e pólos econômicos.<br />
O dinamismo financeiro criou o dinheiro eletrônico e a integração cada dia maior do comercio mundial, então pensar que taxas de juros locais são capazes, por si só, de controlar fluxos de capitais e preços globais de produtos é um erro muito grande.<br />
A experiência recente brasileira mostra que a taxa de juros pouco teve influência no crescimento do produto ou no seu decréscimo. Experimentamos crescimento do PIB da ordem de 5%a 6% com uma taxa de juros real absurdamente alta e com uma taxa de inflação baixa. Quando a inflação subiu um pouco foi conseqüência da disparada no preço das commodities no mercado internacional que ao recuar brutalmente puxaram os preços tanto para baixo que hoje  provocam um medo maior de deflação.<br />
É necessária uma ampla discussão no Brasil quanto à eficácia deste modelo e em que condições e porque ele foi adotado.<br />
Enquanto não forem quebrados alguns paradigmas e algumas falácias ficarão neste debate inútil de quanto X pontos na taxa Selic é capaz de mover a inflação e ou o crescimento para determinado patamar.<br />
Algumas discussões que deveriam ser feitas, por exemplo, são: Taxa de juros é despesa efetiva do governo ou só uma rubrica contábil, O que tem maior segurança um título público ou um privado? Porque o chamado CDI, custo privado é mais baixo que a Selic, mesmo com essa crise onde o publico socorre o privado?<br />
O debate é amplo e se faz urgência que seja colocado.<br />
Afinal a economia é uma ciência social e, portanto deve caminhar com a evolução da sociedade.</p>
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