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	<title>Aviso em Dois &#187; liquidez</title>
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	<description>ALEA JACTA EST</description>
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		<title>Aviso Semanal</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 10:34:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avisos e Comentários]]></category>
		<category><![CDATA[_painel Semanal]]></category>
		<category><![CDATA[bolha]]></category>
		<category><![CDATA[liquidez]]></category>
		<category><![CDATA[taxa de juros]]></category>

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		<description><![CDATA[Com a soberba, de que podem controlar os mercados sem ao menos regulamentá-los, alguns Bancos Centrais surgiram com ameaças de retiradas de subsídios, mesmo cientes que não poderão executar esta proposta em um momento ainda de incertezas quanto a recuperação das ecomomias.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A semana</strong>: A disparada nos preços dos ativos e a recuperação econômica mundial vêm trazendo preocupação a alguns Bancos Centrais, em especial ao BCE (Banco Central Europeu), que vez por outra ameaça a retirada de subsídios que foram implementados durante a crise financeira de 2008.<br />
Estas ameaças estão lembrando a fábula do menino e o Lobo – De tanto mentir e gritar que estava sendo atacado pelo Lobo, o dia que o Lobo atacou mesmo não foi socorrido por ninguém acreditar.<br />
Com a soberba, de que podem controlar os mercados sem ao menos regulamentá-los, alguns Bancos Centrais surgiram com ameaças de retiradas de subsídios, mesmo cientes que não poderão executar esta proposta em um momento ainda de incertezas quanto a recuperação das ecomomias. Estão blefando!<br />
O blefe só aumenta a disposição dos mercados na continuidade do rally de compra pra cima dos ativos.</p>
<p><strong>Juros</strong>: Depois da entrevista desastrada do ex-diretor de política monetária do Banco Central sua demissão acabou não surpreendendo o mercado. A indicação e a sabatina do novo indicado, Aldo Luiz Mendes, não trará novidades, a não ser pelo fato de visando facilitar sua aprovação, o sabatinado possívelmente se mostrar tão conservador como seu antecessor. “O Anjo para socorrer o inferno, até se veste de Diabo”<br />
Com isso a curva de juros futuro na BM&amp;F, que deveria naturalmente recuar, não terá alterações significativas nesta semana.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Câmbio</strong>: Dólar flutuante, mesmo com flutuação suja, tem  problemas que acabam levando aos exageros em periodos extremos: quando a percepção de risco maior do país, em função de seu desempenho econômico futuro aumenta a moeda costuma ir além dos fundamentos teóricos de formação de preço, quando a percepção deste mesmo risco cai, o efeito é contrário. Isso sem levar em conta a arbitragem de moedas e juros que em períodos de otimismo ajudam a exacerbar a queda.<br />
Sendo assim, esse dólar só irá subir com intervenções mais agressivas na legislação,  do que as já tomadas pelo governo.</p>
<p><strong>Bolsa de Valores</strong>: A escalada nos preços dos ativos, de toda ordem, deve continuar firme nesta semana que entra.<br />
Enquanto o mundo financeiro estiver inundado de recursos a procura por ações, ouro, petróleo e demais commodities parece não ter mais fim, sugerindo para alguns analistas internacionais o alerta de uma possível “bolha” em um cenário futuro.<br />
A lógica é que se tivermos uma nova “bolha” bolsa ainda é o melhor ativo por ser o que tem maior liquidez.<br />
E a nossa Bovespa, a Vedete dos Mercados Bursáteis, continuará essa semana subindo, trazendo de volta uma velha frase de brincadeira do mercado, brincadeira que trás muita verdade: “Bolsa não cai nunca mais”</p>
<p>&#8220;A coragem é a primeira qualidade humana, pois garante todas as outras.&#8221; Aristóteles</p>
<p> <br />
As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.<br />
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de idéias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.</p>
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		<title>Aviso Semanal</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 02:59:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[ajuste]]></category>
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		<description><![CDATA[Mesmo com uma enorme liquidez de recursos, mercados continuam dando sinais de exaustão e prenunciando um ajuste para breve.
O momento é de cautela. O ajuste pode ser um pouco mais forte, mas deve ser visto como um movimento natural de mercado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A semana</strong>: Mesmo com uma enorme liquidez de recursos, mercados continuam dando sinais de exaustão e prenunciando um ajuste para breve.<br />
Como de praxe, mercados financeiros antecipam os movimentos da economia real, antecipou a recuperação e irá antecipar os limites de crescimento provocados pela crise.<br />
O momento é de cautela. O ajuste pode ser um pouco mais forte, mas deve ser visto como um movimento natural de mercado.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Juros</strong>: Virada do semestre é época de reajustes de preços administrados, só a energia elétrica subirá 13%, na média, no estado de São Paulo. A inflação provocada por estes ajustes não justificaria interrupção no movimento de queda da taxa básica de juros, já que a inflação em preços competitivos continua acomodada em índices próximos de zero. No entanto irão reacender os ânimos daqueles que acham que a queda das taxas chegou ao seu limite.</p>
<p><strong>Câmbio</strong>: Diante de um cenário de incertezas de curto prazo, o movimento de entradas de recursos estrangeiros no Brasil deve dar uma breve refreada. Não sendo prudente assumir posições vendidas na moeda norte americana.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Bolsa de Valores</strong>: O movimento de acumulação das últimas semanas tem demonstrado que uma queda reajustando o cenário de otimismo recente não será surpresa para os investidores.<br />
É hora de concentrar posições em papéis de primeira linha, com maior liquidez.<br />
Setor elétrico e de alimentos devem sofrer ajustes menores, enquanto que aqueles que impulsionaram a alta recente da bolsa, como o de commodities irão sofrer maiores ajustes.</p>
<p> </p>
<p>“O dinheiro não traz felicidade &#8211; para quem não sabe o que fazer com ele”.<br />
Machado de Assis</p>
<p> </p>
<p>As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.<br />
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de idéias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.</p>
<p>ps. Os Avisos, semanal e gráfico deixaram de ser numerados.</p>
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		<title>Fim do pregão viva-voz na BM&amp;F #2</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 14:27:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[liquidez]]></category>
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		<category><![CDATA[modus operandi]]></category>
		<category><![CDATA[operações eletrônicas]]></category>
		<category><![CDATA[pregão viva-voz]]></category>
		<category><![CDATA[trader]]></category>
		<category><![CDATA[transparência]]></category>

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		<description><![CDATA[Dando sequencia a série de entrevistas com participantes do mercado, operadores e investidores, para sabermos o que cada um pensa a respeito do fim do pregão viva-voz na BM&#038;F, essa semana vamos conversar com Marcelo Marques da Silva.
O Marcelo é trader especialista no mercado do Ibovespa futuro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dando sequencia a série de entrevistas com participantes do mercado, operadores e investidores, para sabermos o que cada um pensa a respeito do fim do pregão viva-voz na BM&amp;F, essa semana vamos conversar com Marcelo Marques da Silva.<br />
O Marcelo é trader especialista no mercado do Ibovespa futuro.<br />
 <br />
Como já foi dito na semana passada o pregão viva-voz caminha para o encerramento total, migrando para o mercado de negociação eletrônica.</p>
<p>Perguntas: <strong>A2</strong> (Aviso em Dois)<br />
Respostas: <strong>MM</strong> (Marcelo Marques)</p>
<p><strong>A2</strong> – Marcelo, fale um pouco da sua trajetória no mercado, quando começou, o que fazia antes, qual sua formação acadêmica e o que faz hoje em dia?<br />
<strong>MM</strong> &#8211; Me formei em Engenharia de Produção fim de 1994. Comecei em 1995 como operador de mesa de um grande banco múltiplo. Fazia operações no chamado Open Market, comprando títulos, swaps, taxas e aplicando o caixa do banco. Não tinha autonomia e me incomodava o fato de apenas &#8220;executar&#8221; ordens de superiores.  E achava que meu potencial seria muito maior do que apenas executar ordens. Naquela época já começava a ensaiar meus primeiros passos como um trader pessoa física, uma vez que como trader do banco tinha limitação demasiada. Sai do banco em 1999. Tinha contato em uma corretora e fui convidado a ser corretor na mesma. Não me adaptei como corretor, não tinha tino comercial, tinha desejo de continuar como trader. Acabei ficando na própria corretora e comecei a me focar como trader, atuando como pessoa física. Hoje em dia trabalho em outra corretora de valores atuando como market maker. E tenho uma posição em bolsa de longo prazo na qual tento otimizá-la com a venda de opções, cobertas ou não.</p>
<p><strong>A2</strong> – Em que consiste seu trabalho no dia a dia, quais seus objetivos?<br />
<strong>MM</strong> -Meu trabalho como market maker, consiste em dar liquidez arbitrando, ou não, as pequenas diferenças existentes entre o mercado futuro de índice e o de mini índice, tomando pequenas posições fracionárias de IND até que se ajustem. Ultimamente essas diferenças quase não existem, ou quando sim, duram segundos, devido à boa liquidez dos ativos operados e os participantes atuando praticamente o dia todo corrigindo eventuais diferenças. Meu objetivo é ter uma receita diária e constante, mesmo que pequena.</p>
<p><strong>A2</strong> – Quais os maiores benefícios e críticas, operando o pregão viva-voz?<br />
<strong>MM</strong> &#8211; Não vou analisar o lado social da eliminação dos empregos, por que teríamos também de analisar as pessoas físicas, sem um emprego formal, se beneficiando desse melhor acesso.<br />
Com certeza o maior benefício será o de democratizar e difundir o mercado de derivativos. Como crítica talvez que possa a vir perder um pouco a liquidez, e o charme principalmente. Eu particularmente sou simpatizante do fim do pregão viva voz. Trabalho já com um terminal eletrônico e linkado nos operadores viva voz. 80% das minhas operações são executadas eletronicamente.</p>
<p><strong>A2</strong> &#8211; Como você avalia o final das operações em pregão viva-voz?<br />
<strong>MM</strong> -Friamente avaliando vejo como uma evolução natural de um mercado inserido em uma sociedade cada vez mais moderna do ponto de vista técnico. As máquinas erram menos que os homens. Uma evolução técnica difícil de ser brecada. Na verdade ainda seguraram o máximo possível.</p>
<p><strong>A2 </strong>– Só com o pregão eletrônico suas estratégias terão mudanças significativas?<br />
<strong>MM</strong> &#8211; Não mudam em nada. Absolutamente nada.</p>
<p><strong>A2 </strong>– Sua percepção da tendência é melhor no viva-voz ou no eletrônico?<br />
<strong>MM</strong> &#8211; Isso é relativo. Quem acompanha mais o eletrônico tem (ou pensa que tem) a percepção pelo eletrônico. E no viva-voz o mesmo. Eu particularmente me baseio bastante no mini índice e esse não têm viva voz.</p>
<p><strong>A2 </strong>– Ficar fazendo perguntas formais para quem opera acabam deixando a entrevista um tanto monótona, antes de prosseguirmos gostaria que colocasse o que você acha importante e relevante neste assunto.<br />
<strong>MM</strong>- Importante e relevante pra quem começa, ou já opera esses mercados não é se executa no viva-voz ou no eletrônico e sim a liquidez. No começo creio que perca um pouco, pra em um futuro próximo, com os ativos mais difundidos, a liquidez volte e ultrapasse os valores que temos hoje.<br />
Queria também parabenizar o site pelo conteúdo, e elogiar a excelente &#8220;arte gráfica&#8221; que tem, facilitando navegação, uma vez que até hoje os sites financeiros não primam nesse aspecto.</p>
<p><strong>A2</strong> – Você acredita que os mercados terão maior liquidez, mais volume e melhor transparência?<br />
<strong>MM </strong>-Com a democratização acabam todos ganhando. Como já falei em um primeiro momento talvez tenhamos uma liquidez mais baixa, mas no futuro com certeza os volumes aumentarão gradativamente.</p>
<p><strong>A2</strong> – Risco. Acha que muda muito só com operações eletrônicas?<br />
<strong>MM</strong> &#8211; Eu acredito que melhore uma vez que no eletrônico temos mecanismos de defesas pra eventuais erros operacionais, e limite de controle rígido onde só opera quem tem as garantias necessárias pra um eventual movimento brusco e contrário as operações realizadas.</p>
<p><strong>A2</strong> – Te conheço há bastante tempo e sei que tem um histórico espetacular de resultados no trader. Tem algo que gostaria de recomendar a quem opera mercados futuros eletrônicos?<br />
<strong>MM</strong> &#8211; Basicamente um pouco de estudo pra saber onde está se metendo e principalmente disciplina, muita disciplina. O modo operandi varia de pessoa a pessoa. Eu além dessas duas primeiras que falei preciso também de uma boa negociação de corretagem por que opero muito e ganho pouco em muitas operações. Com mais estudo pode-se optar por operar menos e ganhar mais pontos em determinadas entradas no mercado.</p>
<p><strong>A2</strong> – Marcelo gostaria de colocar algo além do que você já respondeu?<br />
<strong>MM</strong> &#8211; A respeito desse assunto acho que esgotamos o conteúdo para o meu conhecimento.</p>
<p><strong>A2</strong> – O que acha desse nosso trabalho sobre o fim do pregão viva voz?<br />
<strong>MM</strong> &#8211; Acho interessante para saber o que os diferentes participantes pensam a respeito. Uns vão sentir mais que os outros. O importante é cada um desenvolver sua técnica independente do meio operado.</p>
<p>Marcelo, muito obrigado pela sua participação e pela atenção especial dada em cada uma das perguntas.<br />
Mais uma vez quero parabenizá-lo pelo sucesso alcançado em seu trabalho como trader.</p>
<p>Saudações</p>
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		<title>Fim do pregão viva-voz na BM&amp;F</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 11:50:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[bm&f]]></category>
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		<description><![CDATA[Na Bovespa não existe mais o pregão viva-voz, na BM&#038;F, seu final definitivo está a caminho.
O que muda nos mercados com as operações realizadas somente no mercado eletrônico?
Estamos iniciando uma série de entrevistas com participantes do mercado, operadores e investidores, para sabermos em que medida, trará benefícios ou não para quem opera nos mercados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na Bovespa não existe mais o pregão viva-voz, na BM&amp;F, seu final definitivo está a caminho.<br />
O que muda nos mercados com as operações realizadas somente no mercado eletrônico?<br />
Estamos iniciando uma série de entrevistas com participantes do mercado, operadores e investidores, para sabermos em que medida, trará benefícios ou não para quem opera.</p>
<p>No dia 18/03/2009 &#8211; na apresentação dos resultados trimestrais o então<br />
diretor presidente da BM&amp;FBovespa falou sobre a meta de redução de<br />
despesas previstas para 2009 incluindo no orçamento a substituição do<br />
pregão viva-voz pelo eletrônico. &#8220;A negociação do índice futuro do<br />
Ibovespa &#8211; embora esse também possa ser negociado no side by side &#8211; e<br />
alguns call de fechamento de produtos de agronegócios e financeiros<br />
ainda são viva-voz. Queremos, até julho deste ano, migrá-los para as<br />
negociações eletrônicas&#8221; completou Edemir Pinto.</p>
<p>Diante deste quadro achamos muito importante saber da opinião daqueles que participam, de alguma forma, direta ou indiretamente, nas negociações dos ativos financeiros.<br />
Terminadas as entrevistas iremos fazer uma avaliação de tudo. O espaço está aberto para aqueles que quiserem opinar.</p>
<p>Começaremos entrevistando um Operador Especial, o chamado Scalper.<br />
Foi dada a opção de se identificar ou não. Nosso entrevistado preferiu o anonimato, já que é um atuante ativo nos mercados.</p>
<p>Diante dessa migração definitiva das operações do pregão viva-voz para o pregão eletrônico, gostaríamos de saber as avaliações de um especialista como você.</p>
<p>Perguntas: <strong>A2</strong> (Aviso em Dois)<br />
Respostas:<strong> OE</strong> (Operador Especial)</p>
<p><strong>A2</strong> &#8211; Há quanto tempo está no mercado financeiro e por quantos anos atua<br />
como operador especial (scaplper)?<br />
<strong>OE</strong> – No mercado financeiro estou a mais de 20 anos, como operador especial a mais de 10 anos.</p>
<p><strong>A2</strong> &#8211; Como você avalia o final das operações em pregão viva-voz?<br />
<strong>OE</strong> - Muitos não queriam isso. Existe o charme, a emoção do pregão, o problema social dos operadores.</p>
<p><strong>A2</strong>- Qual é a atuação básica de um operador especial (scalper)?<br />
OE &#8211; Sempre comprar e vender rapidamente os ativos, várias vezes ao dia, obtendo pequenos ganhos ou perdas aproveitando-se de curtas oscilações no preço durante o pregão.</p>
<p><strong>A2</strong> &#8211; Qual a importância do scalper para o mercado?<br />
<strong>OE </strong>- Gerar liquidez, à medida que compra ou vende um contrato ou ativo de modo rápido, assume riscos e permite ao hedger se posicionar com maior agilidade.</p>
<p><strong>A2</strong> &#8211; Em sua opinião, qual será o papel do scalper atuando somente nos<br />
mercados eletrônicos?<br />
<strong>OE</strong> – Teremos que nos adaptar a nova realidade.</p>
<p><strong>A2</strong> &#8211; Encontrará mais dificuldades? Se sim, quais?<br />
<strong>OE</strong> – A dificuldade será em avaliar um sentimento de mercado através de uma tela eletrônica.</p>
<p><strong>A2</strong> &#8211; Quais os benefícios de se operar somente em mercados eletrônicos?<br />
<strong>OE</strong> – Para quem não tinha acesso ao pregão viva-voz é um grande benefício estar plugado diretamente.</p>
<p><strong>A2 </strong>- Suas estratégias terão mudanças significativas com o fim do viva-voz?<br />
<strong>OE</strong> – De certo que sim. Já estou testando, há bastante tempo, novas formas de atuar.</p>
<p><strong>A2</strong>- No passado se viam muitas reclamações na imprensa e no sindicato<br />
dos operadores sobre a condição de stress que um operador do pregão<br />
viva-voz passava. Você acha que isso contribuiu para que o viva-voz<br />
fosse esvaziando?<br />
<strong>OE</strong> – Contribui sim, eu mesmo, cansei de alertar o pessoal que as reinvidicações eram justas, mas iriam contribuir para o esvaziamento do pregão viva-voz.</p>
<p><strong>A2</strong> &#8211; Na sua avaliação quais os motivos que levaram o encerramento dos<br />
pregões viva-voz no Brasil?<br />
<strong>OE</strong> – Muitas coisas, a principal que vale destacar, é o acesso de um número maior de pessoas aos mercados.</p>
<p><strong>A2</strong> &#8211; Em termos da chamada &#8220;transparência&#8221;, o que muda com pregões<br />
exclusivamente eletrônicos?<br />
<strong>OE</strong> – Este é outro motivo que alegam para a mudança, transparência sempre existiu, os que reclamam, são aqueles que costumam querer transferir o insucesso de uma operação aos operadores de pregão.</p>
<p><strong>A2 </strong>- Os mercados terão maior liquidez?<br />
<strong>OE</strong> – Espero que sim. O mercado vem ganhando liquidez naturalmente. Acredito que com o viva-voz junto teria liquidez maior.</p>
<p><strong>A2</strong> &#8211; Em termos de riscos, o que muda com mercados exclusivamente<br />
eletrônicos?<br />
<strong>OE </strong>– O risco sempre será o mesmo com viva-voz ou sem viva-voz, quando compradores/vendedores somem, somem na tela também.</p>
<p><strong>A2 </strong>- Tem alguma avaliação que não foi perguntada e que gostaria de fazer?<br />
<strong>OE</strong> &#8211; Sim. Gostaria de perguntar aos dirigentes e diretores da BM&amp;FBovespa, porque toda vez que eles vão apresentar o mercado a visitantes não apresentam somente as plataformas de negociação? Estranho é levar esse pessoal a um salão imenso da Bovespa sem operações viva-voz. Não é?Queria dizer também, que foi um prazer participar deste trabalho de vocês, que acredito, será de grande valia para todos nós, operadores, dirigentes e investidores do mercado financeiro.</p>
<p>O <strong>A2</strong> também agradece a sua participação e Avisa que na próxima quarta feira, divulgaremos mais uma entrevista sobre este assunto.<br />
No final, faremos uma avaliação geral desta importante mudança no “modus operandi” dos mercados.</p>
<p>Saudações</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Oportunidades na Crise</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Apr 2009 18:25:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Everton P. S. Gonalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[afrouxamento monetário]]></category>
		<category><![CDATA[ata do copom]]></category>
		<category><![CDATA[choque externo]]></category>
		<category><![CDATA[inflação]]></category>
		<category><![CDATA[liquidez]]></category>
		<category><![CDATA[redução da taxa básica]]></category>
		<category><![CDATA[relatório de inflação]]></category>
		<category><![CDATA[taxa real de juros]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar do erro no diagnóstico, a questão que se
mostra hoje como mais relevante é a abertura de uma janela para que a taxa de juros se aproxime do padrão internacional.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tanto a última Ata do Copom, como o Relatório de Inflação expressaram tecnicamente as razões que fundamentaram a decisão de acelerar o ritmo de redução da taxa básica de juros. Contudo, diante de um cenário ambíguo e incerto, muito mais importante do que utilizar os sinais emitidos pela autoridade monetária para se fazer previsões (que, hoje, representam meros exercícios de desejo) é tentar entender o momento como uma ocasião na qual a quebra nos padrões habituais de pensamento propicia uma oportunidade para a correção de anomalias e distorções do sistema econômico.<br />
Conceitos e procedimentos até então inquestionáveis são colocados em xeque. Pelo mundo afora, a base de sustentação na formação de expectativas entrou em colapso. Como conseqüência, há uma quebra de paradigmas, evidenciada pelo vasto elenco de decisões tomadas pelas autoridades econômicas. Governos forneceram ampla liquidez aos mercados, estatizaram-se instituições financeiras, aumentaram-se os gastos públicos, as taxas de juros foram reduzidas para níveis extremamente baixos e a auto-regulação do sistema bancário perdeu o seu apelo. Por aqui, a economia foi duramente atingida, mas como esse novo ambiente repleto de desafios tem sido combatido e encarado?<br />
É inegável que a crise mostra-se profunda e que a sua dissipação envolverá inúmeras batalhas que só serão vencidas gradualmente. Diante desse quadro sombrio, o governo tem-se empenhado para recuperar a confiança dos agentes econômicos. Tem, também, acelerado os seus investimentos e, de modo a impulsionar o setor privado a também investir, adotado inúmeras medidas de estímulo nas áreas fiscal, creditícia e monetária. As iniciativas estão na direção correta, contudo a ocasião desponta como uma grande chance para a eliminação de algumas distorções que persistem desde o período de alta inflação.<br />
Uma delas refere-se ao nível extremamente elevado da taxa de juros. Nesse tema é que se encontram as críticas mais contundentes às decisões das autoridades, principalmente no que tange à velocidade de reação da política monetária. Para muitos, a resposta foi lenta e uma maior agilidade poderia ter minorado a queda de 3,6% do PIB, no último trimestre de 2008. Mas seria isso possível, caso a flexibilização monetária fosse antecipada?<br />
Provavelmente não, em toda magnitude, mas é razoável supor que a herança estatística negativa da ordem de 1,5% para 2009 pudesse ser minimizada. A defesa para a morosidade na reação é baseada na argumentação de que a crise não poderia ser antecipada é frágil, dado que o cenário pessimista era conhecido e apontado por vários economistas, pelo menos desde meados de 2007.<br />
Contudo, durante a maior parte do ano passado, o balanço de riscos pendeu sempre para as ameaças inflacionárias advindas do ritmo de crescimento da ordem de 6,5% ao ano e pelo “boom” no preço das “commodities”. Assim, com o diagnóstico de que a economia expandia-se a um ritmo mais acelerado do que as suas potencialidades, iniciou-se, em abril de 2008, um ciclo de aumento na taxa de juros básica, ainda que muitos países já<br />
estivessem reduzindo as suas. Vale lembrar que o crescimento econômico era alicerçado na combinação de uma demanda interna vigorosa e uma taxa de câmbio apreciada que, por sua vez, se refletia em um déficit crescente nas transações correntes. Adicionalmente, por influir na trajetória da taxa de câmbio, o efeito do aumento da taxa de juros sobre a atividade era ambíguo, dado que a apreciação cambial elevava os salários reais, favorecendo o consumo.<br />
O balanço de riscos a favor da inflação permaneceu mesmo a partir da eclosão da crise, com a quebra do Lehman Brothers. Ainda que a queda abrupta da atividade global atingisse a economia doméstica, a maior ameaça era o descontrole inflacionário. O forte declínio nos preços das “commodities” implicaria, como implicou, na desvalorização real e na redução da capacidade de importar, contraindo a oferta. Assim, com base nas correlações históricas, o choque externo foi fundamentalmente diagnosticado como inflacionário.<br />
Até a queda violenta da produção industrial, em dezembro, foi interpretada por muitos analistas como um mero ajuste temporário, ou um ciclo de estoques, que mais a frente seria revertido. Todavia, a experiência vem contrariando essa expectativa, o efeito contracionista da demanda agregada vem superando, em muito, o impacto da taxa de câmbio sobre os preços. Apesar de que o real tenha se depreciado fortemente, a trajetória da inflação mostrase cadente e convergente ao centro da meta. Na verdade, a forte desaceleração da atividade econômica propiciou uma oportunidade para a realização de um ajuste importante nas contas externas. Os ajustes causados pela queda na atividade global e pela escassez no crédito dão indícios para uma trajetória futura mais confortável para o déficit em conta-corrente. O Banco Central espera que o mesmo saia de US$ 28 bilhões do ano passado para US$ 16 bilhões em 2009.<br />
Resumindo: a demora na reação da política monetária estaria baseada na assunção de pressupostos que acabaram não se confirmando. Hoje, o ciclo de afrouxamento monetário que se esboça levará a taxa real de juros a níveis inimagináveis que, em breve, produzirá impactos sobre a atividade econômica. Apesar do erro no diagnóstico,<br />
a questão que se mostra hoje como mais relevante é a abertura de uma janela para que a taxa de juros se aproxime do padrão internacional. A crise possibilita uma fuga das amarras de difícil comprovação empírica, como a estimativa do produto potencial, constituindo-se uma ótima chance para se testar as estimativas da taxa de equilíbrio e do hiato do produto que, há tempos, têm pautado as avaliações de política monetária.<br />
Um ponto adicional que merece destaque refere-se à inércia inflacionária. A<br />
preocupação, inclusive, é sublinhada pela autoridade monetária em seus documentos: “alguns &#8220;aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional como um dos limitadores<br />
para uma maior redução da Selic e da presença de mecanismos de retroalimentação inflacionária”. Embora o grau de indexação de contratos venha se reduzindo, cerca de um terço dos preços ainda continuam atrelados aos índices de inflação e constituem a principal causa da resistência da rigidez de preços. Aprofundar essa desindexação seria, sim, uma mudança desejada.<br />
Uma anomalia também importante, advinda do período hiperinflacionário, refere-se a uma armadilha que envolve as operações de mercado aberto e da dívida pública. Mais especificadamente à elevada taxa de remuneração para aplicações financeiras de curto prazo e ao fato de que grande parte da dívida pública está atrelada à taxa Selic e<br />
a alguns índices de preços. Como as sobras de caixa das instituições financeiras são remuneradas por taxas semelhantes às oferecidas pelos títulos pós-fixados da dívida, há um aumento da preferência na manutenção da liquidez de curto prazo e os títulos pré-fixados só são demandados em posições especulativas baseadas na expectativa de queda da taxa de inflação e na taxa básica de juros. Dessa forma, na maioria das vezes, a estrutura a termo da taxa de juros tem inclinação negativa, ao contrário dos principais países.<br />
Essa distorção teve o seu peso na contração do crédito bancário, apesar da redução dos recolhimentos compulsórios, a partir de setembro. Dadas as expectativas quanto ao risco dos empréstimos, as instituições financeiras preferiram manter-se líquidas a uma taxa de remuneração atrativa diante do cenário negativo. Assim, a redução da taxa básica de juros e medidas que onerassem a manutenção de liquidez de curto prazo serviriam como<br />
estímulo para o crédito, tanto para as empresas como para bancos de médio e pequeno porte.<br />
No que tange ao empoçamento de liquidez nas instituições de grande porte, a autoridade monetária tem se esforçado ao máximo para contornar esse entrave. Emitindo vários normativos para assegurar condições mais adequadas de financiamento para as instituições financeiras de menor porte e empresas. Particularmente, para as primeiras, foi de extrema relevância a edição da Resolução 3.692, que oferece cobertura complementar do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até R$ 20 milhões para depósitos a prazo emitidos pelas instituições.<br />
Finalmente, uma grande distorção refere-se ao nível elevado do “spread” bancário praticado nas operações de crédito do sistema financeiro. Com a quebra do Lehman Brothers, a tendência de queda que vinha se mantendo foi revertida, ainda que houvesse uma queda na taxa real de juros. Contudo, a questão é complexa e embute inúmeros<br />
fatores. O Relatório de Economia Bancária e Crédito do Banco Central de 2007 mostra a decomposição do “spread”: 37,4% devidos à inadimplência; 13,5%, ao custo administrativo; 3,6%, ao compulsório; 8,1%, aos tributos e taxas; 10%, aos impostos diretos; e 27% de resíduo não explicado. O lucro dos bancos estaria incluído nesse último item. Vê-se,assim, inúmeras frentes para atacar a questão do “spread” bancário.<br />
No médio prazo, o processo de queda da taxa de juros básica e a retomada na atividade refletir-se-ão na redução do “spread” bancário. Da mesma forma, há ainda muito espaço para novos cortes no recolhimento compulsório e nos impostos referentes às operações de empréstimos. Do lado jurídico, foram feitos, nos últimos anos avanços, que ajudaram a mitigar o risco jurídico, entre eles a nova Lei das Falências, a criação do crédito<br />
consignado, a alienação fiduciária e as reformulações no crédito imobiliário. Adicionalmente, a aprovação do cadastro positivo, ao ajudar na redução da assimetria de informação entre as instituições financeiras e os seus clientes, também é uma medida que, no médio prazo, contribuirá para a queda do “spread” bancário. Acompanhado<br />
pelo aperfeiçoamento de mecanismos de concorrência, esse último tema auxiliará também na competição na indústria bancária. Enfim, apesar do seu efeito maléfico, a crise vem propiciando alguns ajustes e constitui-se como uma chance única para a correção de algumas anomalias do sistema econômico.</p>
<p>Carta Econômica ABBC &#8211; Abril/2009<br />
Everton P.S. Gonçalves<br />
Assessor Econômico da ABBC e Dr em Economia pela FGV/SP &#8211; <a href="mailto:egoncalves@abbc.org.br">egoncalves@abbc.org.br</a></p>
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		<title>Uma era cartesiana</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Feb 2009 13:48:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A turbulência vai passar, os conceitos de certo irão mudar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que gente é esta que reformulou tão radicalmente todos os conceitos básicos de análise de mercado a ponto de não prever a crise financeira atual?</p>
<p>De certo que o conhecimento, a inovação e a criação de novas ferramentas, em qualquer ramo dos estudos, são partes da evolução e do aperfeiçoamento científico.</p>
<p>Por que então com toda a gama de conhecimentos e com toda trupe de especialistas egressos de diversas áreas acadêmicas não conseguem, em sua imensa maioria, estabelecer um mínimo de previsibilidade para o preço dos ativos?</p>
<p>A metodologia usual consiste em experimentar historicamente através de modelos estocásticos de projeção e de correlação para projetar preços de ativos no futuro. Tudo isto de forma matemática e racional, como se diz no mercado, bem cartesiana.</p>
<p>Como os mercados financeiros foram se mostrando nos últimos anos o caminho mais rápido de construir riquezas, um batalhão de engenheiros, administradores, economistas, advogados e físicos desembarcaram com seus conhecimentos tentando agregar valor e angariar também o seu quinhão.</p>
<p>Esse movimento que na teoria trouxe um conhecimento técnico mais avançado, na verdade acabou desvirtuando aquilo que de mais importante existia na análise financeira: a prospecção.</p>
<p>Reuniões eram e são realizadas em diversas empresas financeiras e não financeiras, com gráficos, dados passados, balanços e estatísticas que possam inferir alguma perspectiva futura. Quanto mais material técnico o expositor dispuser maior será a credibilidade de suas avaliações.</p>
<p>Com toda essa parafernália quem ousava contestar era discriminado, afinal de contas essa metodologia vinha trazendo altos retornos há bastante tempo e os mercados realmente se comportavam com um padrão determinado. Segundo os modelos, a probabilidade de algo dar errado era de apenas 5%.</p>
<p>Quem questionava era chamado elegantemente de &#8220;old fashioned&#8221; (antiquado). Até que surgiu o imponderável, o que os modelos não previam, o &#8220;impossível&#8221;, aquilo que algumas empresas do setor não financeiro como as que perderam rios de dinheiro com derivativos cambiais não imaginavam, ao contratar diretores financeiros egressos de conceituadas instituições financeiras e que transformaram a tesouraria da produção em uma mesa de operações.</p>
<p>Enquanto essas operações deram resultados o diretor financeiro era considerado um gênio das finanças, o homem que faltava para agregar à produção e aperfeiçoar os resultados investindo com inteligência e ousadia, muitas vezes mais importante que o fundador &#8220;antiquado&#8221; da empresa. Até que tudo deu errado e a probabilidade dos 5% aconteceu, então demitiram sumariamente a maioria deles e grande parte dos funcionários da produção.</p>
<p>Foi ainda mais grave nas instituições financeiras. Os prejuízos levaram à quebra de inúmeras delas gerando uma crise de confiança jamais vista.</p>
<p>O sistema entrou em colapso, os bancos centrais não foram capazes de detectar o cenário sombrio que se avizinhava e partiram para a solução mais plausível que poderiam tomar: redução brutal da taxa de juros e injeção de moeda na economia para gerar liquidez.</p>
<p>Mas por que nem mesmo os bancos centrais, aqueles que teoricamente possuem maior informação dos dados econômicos e deveriam ter uma visão mais clara dos cenários futuros, não foram capazes de tomar medidas preventivas?</p>
<p>As motivações não são só políticas, mas principalmente por terem assimilado essa visão cartesiana de análise e estimativas de consenso.</p>
<p>A teoria da previsibilidade: &#8220;Se existe uma convergência de estimativas por parte dos agentes econômicos cabe a autoridade monetária caminhar no sentido do consenso, porque agindo assim causa menor ruído na informação e as expectativas acabam se auto-realizando&#8221;.</p>
<p>Espero que tenham aprendido a lição e de agora em diante passem a atuar como autoridade monetária de fato. Agindo e interferindo nas expectativas dos agentes. Quem sabe assim a função da taxa de juros volte a ter importância em política monetária.</p>
<p>Outro fato interessante de se observar é quando os analistas se surpreendem com o comportamento dos ativos. Muitos ficam sem entender porque dados passados péssimos, como indicadores de atividade econômica e balanços com enormes prejuízos das empresas, não fazem os preços dos ativos caírem muito mais do que já caíram.</p>
<p>Não traz novidade já que em passado recente, no inicio da crise norte-americana, também não entendiam como ótimos indicadores não faziam também os preços subirem mais do subiram, mesmo esses estando nas alturas!</p>
<p>São as expectativas futuras, o chamado ex-ante, o que vem pela frente, o que será da economia, o que mais importa para a análise.</p>
<p>O que aconteceu, o passado, serve como estatística como base de dados, não deixa de ser importante, mas não serve de base para projetar o futuro. Isso tudo é ex-post. A prospecção de cenários, a análise do setor antes da empresa, a expectativa futura da economia e como irão se comportar os agentes, isso sim é que vale. Ter ciência de que mundo vive em constante mutação de valores e comportamentos e que a economia é movida pelo comportamento humano.</p>
<p>O passado no mercado estará sempre morto e enterrado.</p>
<p>Tenho tentado abordar a Renda Fixa nesta coluna mensal dentro de todo um contexto, consciente da dificuldade de trabalhar essa modalidade financeira neste afã de riqueza rápida e nesta crise de percepção de cenários que se instalou nos nossos dias.</p>
<p>Sou otimista e acredito em uma recuperação não demorada da economia mundial e principalmente da economia brasileira. Creio que um rali de alta, como no passado recente, irá demorar um pouco para acontecer. Sendo assim aplicar em títulos de renda fixa com uma taxa de juros neste patamar é o melhor caminho para quem deseja altos retornos com garantia e sem fortes emoções.</p>
<p>A turbulência vai passar, os conceitos de certo irão mudar.</p>
<p>Quem sabe, depois de todo acontecido, em breve possamos voltar ao conceito de: Penso, logo existo?</p>
<p>Porque hoje a ordem é: Penso logo, enrico!</p>
<p>*do latim<br />
ex-ante &#8211; de antemão, anterior ao fato<br />
ex-post &#8211; posterior ao fato</p>
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		<title>Mercado é quase soberano</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jan 2009 01:53:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por muito tempo cheguei a acreditar que o mercado realmente era soberano...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em situações normais de estabilidade de preços, operadores costumam justificar os movimentos dos ativos dizendo que “o mercado é soberano”, o mercado nunca está errado se você acha que você está certo e o mercado errado, saiba que o errado sempre será você.<br />
Se os preços sobem é descem é porque os mercados assim desejam, por mais absurdo que possa parecer para alguns.<br />
Quem comanda é o mercado.<br />
Mas o que é mercado?<br />
Em definição ampla, designa-se por mercado o local no qual agentes econômicos procedem à troca de bens por uma unidade monetária ou por outros bens. E que os mercados tendem a equilibrar-se pela lei da oferta e da procura.<br />
Existem vários tipos de mercado: mercado de concorrência perfeita, monopolista, oligopolista e concorrência monopolista.<br />
O financeiro é normalmente conceituado como mercado de concorrência perfeita. O que não é verdade, pois a intervenção dos estados, mesmo em períodos de estabilidade, mostra o quanto existe de políticas particulares e interesses específicos.<br />
Existem inúmeros exemplos de defesa de interesses próprios: as brigas na OMC, a OPEP, definição de preço do aço no mercado mundial, no Brasil a guerra fiscal entre os estados e inúmeras situações que observamos o tempo todo.<br />
O que desequilibrou os mercados dos paises desenvolvidos a ponto dos estados intervirem desta forma agressiva como nos dias de hoje?<br />
A indústria de serviços financeiros e seus produtos exóticos e derivados.<br />
No caso dos EUA o economista Paul Crugman dá o seguinte diagnóstico: “Estamos falando de muito dinheiro. Nos últimos anos, o setor financeiro foi responsável por 8% do PIB americano, um aumento em relação aos quase 5% na geração anterior. Se esses 3% adicionais foram constituídos por dinheiro sem valor o que provavelmente é verdade, estamos falando de um rombo anual de US$ 400 bilhões em fraudes, abusos e desperdício”.<br />
O enriquecimento rápido multiplicou muito mais o dinheiro do que os produtos no planeta e chegamos a um momento que poucos querem admitir: a hora do ajuste, ajuste de preços relativos.<br />
As bolsas de valores com alta liquidez foram nas alturas, por outro lado as primeiras a sofrerem o ajuste.<br />
Isso irá ocorrer com todo tipo de ativo que subiu de preço no sentimento de riqueza rápida, abundante e infinita. Os de maior liquidez ajustam antes, os de baixa liquidez ao longo do tempo.<br />
O fato de o Brasil ter entrado no final da festa, por incrível que pareça, foi muito benéfico. Continuamos baratos e nosso ajuste será bem menor que nos países acima da linha do Equador.<br />
Os Bancos Centrais pelo mundo todo estão inundando as economias com recursos e baixando violentamente as taxas de juros por eles praticadas.<br />
Os governos tentam salvar indiscriminadamente qualquer setor que esteja com problemas de solvência ou de liquidez.<br />
Até mesmo as montadoras de automóveis americanas que estavam em situação difícil a mais de 10 anos, com a concorrência japonesa, conseguiram angariar seu quinhão.<br />
Se os governos não ficarem atentos, mesmo com a iniciativa privada perdendo grande espaço para o estado, muito em breve estaremos de volta ao mundo maravilhoso da multiplicação da riqueza, sem controle, sem pudor e com a mesma desregulamentação.<br />
No Brasil as intervenções estão sendo realizadas mais no sentido de fazer fluir a liquidez do que por problemas de insolvências de empresas e bancos.<br />
Se o dinheiro não circula o crédito fica escasso, não encontrando financiamento as empresas encontram dificuldades para produzir e acabam demitindo funcionários.<br />
Dinheiro na economia brasileira tem de sobra, o problema é que está concentrado nas mãos de grandes instituições que não fazem os recursos girarem. Por isso o Ministério da Fazenda e os governadores através de instituições públicas como a CEF, BNDES, Banco do Brasil e Bancos Estaduais ampliaram suas linhas de crédito para a atividade econômica não recuar e se possível impulsionar.<br />
E o nosso Banco Central nesse imbróglio todo? Qual tem sido o seu papel?<br />
Liberar compulsórios dos bancos, atuar no câmbio basicamente com swaps gastando poucas reservas e manter uma taxa de juros nas alturas. Nada de novo.<br />
Liberar compulsório com uma taxa de juros de 13,75% ao ano e com uma confiança em dúvida na economia só leva os agentes a comprarem o título que é o mais seguro do país, o título público. Por isso o dinheiro não vem para a economia.<br />
Mesmo com a bolsa oferecendo excelentes oportunidades de investimentos a Renda Fixa no Brasil é covardia.<br />
O BC vive uma grande incoerência, faz previsões sombrias de crescimento do PIB, sabe que a atividade econômica corre sérios riscos, mas não baixa a taxa selic. Está na contramão do Ministério da Fazenda.<br />
O argumento maior é o do controle da inflação. Se os últimos desdobramentos provaram que a globalização do capital e dos produtos limita a atuação da taxa de juros local, porque insistir neste modelo?<br />
Porque um juro tão alto?<br />
Como dizia minha sabia amiga Dna Nedi: deve ser porque é chique!<br />
É muito difícil convencer esse pessoal da Era Carteziana a desistir de seus modelos, que na prática não mostram funcionalidade, para tratar a economia como instrumento social.<br />
O Brasil mudou, mas a chamada política monetária continua sendo dosada como se o paciente país estivesse em estado terminal. Continua sendo ditada pelo consenso e interesses do “soberano mercado”.</p>
<p>Por muito tempo cheguei a acreditar que o mercado realmente era soberano, mas na prática com o passar do tempo e com todas essas intervenções anteriores e atuais dos estados, constatei que não é tão soberano assim.</p>
<p>Soberano é quem topa qualquer parada não quem pára em qualquer topada!</p>
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