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	<title>Aviso em Dois &#187; fundos de investimentos</title>
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	<description>ALEA JACTA EST</description>
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		<title>Madofi ganhou na mega sena</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 12:58:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[CDB]]></category>
		<category><![CDATA[Copom]]></category>
		<category><![CDATA[empréstimos]]></category>
		<category><![CDATA[fundos de investimentos]]></category>
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		<description><![CDATA[Donostio Filho, o mais velho da prole, à época estava se preparando para ingressar na Universidade de Agronomia. Teve que abandonar o cursinho preparatório por falta de recurso, passando a ajudar seu pai na lavoura e no sustento da família.
Foram tempos difíceis. Texto publicado em 22/07/2009]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Madofi ganhou na mega sena</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Marco Donostio Filho teve uma infância e juventude bem aventurada, seu pai, migrante italiano, foi um cafeicultor que até os anos 90 viveu um bom período de prosperidade. Esta prosperidade propiciou a família um padrão de vida de classe alta, todos os filhos de Marco Donostio estudaram em boas escolas, mas infelizmente no ano de 1989, uma geada acabou com os cafezais, Marco foi obrigado a pegar empréstimos em bancos e acabou por se afundar em dívidas que o levaram a vender a fazenda de café e ficar com um pequeno pedaço de terra para dar sustento a seus quatro filhos e esposa, interrompendo assim, o prosseguimento dos estudos de seus filhos. Marco Donostio Filho, o mais velho da prole, à época estava se preparando para ingressar na Universidade de Agronomia. Teve que abandonar o cursinho preparatório por falta de recurso, passando a ajudar seu pai na lavoura e no sustento da família.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Foram tempos difíceis.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Os anos se passaram, Marco Donostio Filho se casou, constituiu uma família com três filhos, dois homens e uma mulher e depois que seu pai faleceu e seus irmãos seguiram outros caminhos, foi trabalhar e ser caseiro de um haras, levando sua família e sua mãe.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Seu patrão se chamava Marco também, Donostio era um nome muito difícil de ser pronunciado pelos peões e Filho não soava bem, foi então que a peãozada criou o apelido pelo qual era conhecido até mesmo pelos patrões, Madofi.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Quando surgiu o escândalo do Madoff americano, foi motivo de muitas piadas e gozações de alguns amigos de seu patrão que freqüentavam o haras.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">A vida melhorou um pouco, seu patrão era um bem sucedido participante do mercado financeiro e isso lhe propiciou nos finais de semana e feriados, ouvir conversas de frequentadores do haras sobre mercados e investimentos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Interessou-se tanto pelo assunto que pediu permissão ao patrão para usar o computador e a internet nos dias de semana para estudar e realizar algumas pesquisas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Madofi costumava fazer sua fezinha na mega sena, jogava sempre os mesmos números, a idade de seus filhos, 15, 13 e 6, a idade de sua esposa 37, sua idade 43 e a idade de sua mãe como era 80 e não tinha esse número jogava o ano de nascimento 28. Jogava sempre esses números e mais duas combinações na surpresinha.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Numa tarde chuvosa de uma segunda feira estava arrumando uns papéis e contas para pagar, resolveu conferir sua aposta. Quando viu os números, 09, 13, 16, 26, 42 e 46, pensou que mais uma vez não tinha feito nem um terno, mas quando conferiu toda aposta viu que acabara de ganhar R$ 25 milhões e alguns trocados. Naquele concurso da mega teve apenas um ganhador e foi Madofi.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">A partir deste dia Madofi passou a ter um grande problema a resolver: Como ajudar seus irmãos, sua família tios e tias e construir um conforto financeiro para o futuro de seus filhos?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Se não tomasse cuidado, gastaria tudo rapidamente, investiria em negócios mal sucedidos e voltaria onde estava há até poucos dias atrás.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Pensou no insucesso como agricultor de seu pai, nas conversas que costuma ouvir dos visitantes do mercado financeiro no haras, e então, decidiu por conta própria aprender sobre investimentos usando a internet.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Deixou quase todo o dinheiro do prêmio aplicado na CEF, pediu sigilo total e foi estudar a melhor forma de investir. Apesar de só ter completado o segundo grau nos estudos adquiriu uma experiência de vida que não lhe permitiria cometer os erros que muitos investidores cometeram nos últimos tempos e Madofi acompanhou pela internet e nas conversas dos amigos de seu patrão.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Seis meses depois, aprendeu muita coisa sobre investimentos, ficou fascinado por juros compostos e seduzido por aplicações em bolsa de valores.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Chegou então a hora de aplicar os conhecimentos, e o dia não poderia ser mais propicio. 22 de julho de 2009, data da divulgação da taxa de juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, o chamado Copom.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Por tudo que Madofi aprendeu com a vida, com a quebra de seu pai, tudo que leu, ouviu e estudou e a observação dos últimos acontecimentos econômicos, sabia que essa reunião do Copom era importante, mas não fundamental para definir seus investimentos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Comprar CDBs de bancos não iria. Outro dia esteve em um banco assuntando investimentos e o gerente recomendou que comprasse CDB, que agora tem uma garantia do governo federal ou então aplicasse em alguns fundos de investimentos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Madofi pensou: oras, se a garantia do CDB é dada pelo governo federal a aplicação em títulos do governo é muito mais garantida, se meu ex-patrão e seus amigos ganham comissão para administrar o dinheiro dos outros é porque quem aplica com eles não estudou o tanto que estudei para aprender, deixam para os outros aplicarem seus recursos por falta de conhecimentos &#8211; Tou fora! – frase que costumava ouvir a beira da piscina do haras quando um “figurão” daqueles dava uma recusa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Depois de acompanhar o debate, que estranhamente saiu da mídia, sobre a rentabilidade da poupança e a dos demais investimentos com a queda na taxa básica de juros, Madofi já estava decidido.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Iria aplicar R$ 5 milhões em ações, 60% em Petrobrás e 40% em Vale do Rio Doce, não quer muito risco por não precisar correr desesperadamente atrás de uma fortuna que ele já possui, mas também quer investir em bolsa em longo prazo, para acompanhar de vez em quando e por acreditar nessas duas empresas de futuro promissor, dos R$ 15 milhões restantes, R$ 4 milhões usaria de imediato para ajudar seus familiares e comprar uma pequena propriedade para realizar seu sonho de ter um cultivo de pimentas para comercializar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Os R$ 11 milhões vão para os investimentos mais seguros e rentáveis que avaliou</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">- R$ 3 milhões em LTNs, com vencimento em 01/07/2011 a taxa de 10,50% ao ano</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">- R$ 8 milhões em NTN-B com vencimento em 15/08/2024 a taxa de IPC-A mais 6,40% ao ano.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Se educando financeiramente Madofi descobriu muita coisa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Descobriu que não existem investimentos com retornos mágicos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Que rendimentos passados não são parâmetros para avaliação de rendimentos futuros.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">E o mais importante, que o deixou muito surpreso, foi o fato de se discutirem tanto sobre tributação, taxação da poupança, taxa de administração de recursos e outros assuntos relacionados ao novo patamar de juros básicos e uma aplicação como em NTN-B, ainda render inflação mais 6,40% ao ano por um prazo tão longo e com garantia federal.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Se por um infortúnio ele perder os R$ 9 milhões que investiu em bolsa e na propriedade, for obrigado a gastar os cerca de R$ 3,5 milhões aplicados em LTNs, em 2024 ele terá seus R$ 20 milhões, mais a inflação do período corrigida, no resgate da NTN-B em 2024.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Madofi ficou feliz com seus investimentos, no entanto, ao se tornar uma pessoa mais lúcida em relação à realidade financeira brasileira, ficou um tanto aborrecido e questionou:</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Como pode um país remunerar uma aplicação financeira a uma taxa tão alta, por tão longo tempo como as aplicações em NTN-Bs?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Como pode o setor bancário cobrar um juro tão alto na taxa de empréstimos?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Com uma taxa de juros deste tamanho por um período tão longo só investi na produção quem quer correr muitos riscos e com uma taxa de empréstimos desta magnitude mais dia menos dia, numa crise dessas qualquer os emprestadores não vão receber de ninguém, pois quem toma empréstimo a mais de 100% ao ano é porque tem grande chance de quebrar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Investimentos mágicos não duram para sempre, mais hora menos hora, vão todos pro vinagre, O Madoff americano que o diga!</div>
<p>Marco Donostio Filho teve uma infância e juventude bem aventurada, seu pai, migrante italiano, foi um cafeicultor que até os anos 90 viveu um bom período de prosperidade. Esta prosperidade propiciou a família um padrão de vida de classe alta, todos os filhos de Marco Donostio estudaram em boas escolas, mas infelizmente no ano de 1989, uma geada acabou com os cafezais, Marco foi obrigado a pegar empréstimos em bancos e acabou por se afundar em dívidas que o levaram a vender a fazenda de café e ficar com um pequeno pedaço de terra para dar sustento a seus quatro filhos e esposa, interrompendo assim, o prosseguimento dos estudos de seus filhos. Marco Donostio Filho, o mais velho da prole, à época estava se preparando para ingressar na Universidade de Agronomia. Teve que abandonar o cursinho preparatório por falta de recurso, passando a ajudar seu pai na lavoura e no sustento da família.</p>
<p>Foram tempos difíceis.</p>
<p>Os anos se passaram, Marco Donostio Filho se casou, constituiu uma família com três filhos, dois homens e uma mulher e depois que seu pai faleceu e seus irmãos seguiram outros caminhos, foi trabalhar e ser caseiro de um haras, levando sua família e sua mãe.</p>
<p>Seu patrão se chamava Marco também, Donostio era um nome muito difícil de ser pronunciado pelos peões e Filho não soava bem, foi então que a peãozada criou o apelido pelo qual era conhecido até mesmo pelos patrões, Madofi.</p>
<p>Quando surgiu o escândalo do Madoff americano, foi motivo de muitas piadas e gozações de alguns amigos de seu patrão que freqüentavam o haras.</p>
<p>A vida melhorou um pouco, seu patrão era um bem sucedido participante do mercado financeiro e isso lhe propiciou nos finais de semana e feriados, ouvir conversas de frequentadores do haras sobre mercados e investimentos.</p>
<p>Interessou-se tanto pelo assunto que pediu permissão ao patrão para usar o computador e a internet nos dias de semana para estudar e realizar algumas pesquisas.</p>
<p>Madofi costumava fazer sua fezinha na mega sena, jogava sempre os mesmos números, a idade de seus filhos, 15, 13 e 6, a idade de sua esposa 37, sua idade 43 e a idade de sua mãe como era 80 e não tinha esse número jogava o ano de nascimento 28. Jogava sempre esses números e mais duas combinações na surpresinha.</p>
<p>Numa tarde chuvosa de uma segunda feira estava arrumando uns papéis e contas para pagar, resolveu conferir sua aposta. Quando viu os números, 09, 13, 16, 26, 42 e 46, pensou que mais uma vez não tinha feito nem um terno, mas quando conferiu toda aposta viu que acabara de ganhar R$ 25 milhões e alguns trocados. Naquele concurso da mega teve apenas um ganhador e foi Madofi.</p>
<p>A partir deste dia Madofi passou a ter um grande problema a resolver: Como ajudar seus irmãos, sua família tios e tias e construir um conforto financeiro para o futuro de seus filhos?</p>
<p>Se não tomasse cuidado, gastaria tudo rapidamente, investiria em negócios mal sucedidos e voltaria onde estava há até poucos dias atrás.</p>
<p>Pensou no insucesso como agricultor de seu pai, nas conversas que costuma ouvir dos visitantes do mercado financeiro no haras, e então, decidiu por conta própria aprender sobre investimentos usando a internet.</p>
<p>Deixou quase todo o dinheiro do prêmio aplicado na CEF, pediu sigilo total e foi estudar a melhor forma de investir. Apesar de só ter completado o segundo grau nos estudos adquiriu uma experiência de vida que não lhe permitiria cometer os erros que muitos investidores cometeram nos últimos tempos e Madofi acompanhou pela internet e nas conversas dos amigos de seu patrão.</p>
<p>Seis meses depois, aprendeu muita coisa sobre investimentos, ficou fascinado por juros compostos e seduzido por aplicações em bolsa de valores.</p>
<p>Chegou então a hora de aplicar os conhecimentos, e o dia não poderia ser mais propicio. 22 de julho de 2009, data da divulgação da taxa de juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, o chamado Copom.</p>
<p>Por tudo que Madofi aprendeu com a vida, com a quebra de seu pai, tudo que leu, ouviu e estudou e a observação dos últimos acontecimentos econômicos, sabia que essa reunião do Copom era importante, mas não fundamental para definir seus investimentos.</p>
<p>Comprar CDBs de bancos não iria. Outro dia esteve em um banco assuntando investimentos e o gerente recomendou que comprasse CDB, que agora tem uma garantia do governo federal ou então aplicasse em alguns fundos de investimentos.</p>
<p>Madofi pensou: oras, se a garantia do CDB é dada pelo governo federal a aplicação em títulos do governo é muito mais garantida, se meu ex-patrão e seus amigos ganham comissão para administrar o dinheiro dos outros é porque quem aplica com eles não estudou o tanto que estudei para aprender, deixam para os outros aplicarem seus recursos por falta de conhecimentos &#8211; Tou fora! – frase que costumava ouvir a beira da piscina do haras quando um “figurão” daqueles dava uma recusa.</p>
<p>Depois de acompanhar o debate, que estranhamente saiu da mídia, sobre a rentabilidade da poupança e a dos demais investimentos com a queda na taxa básica de juros, Madofi já estava decidido.</p>
<p>Iria aplicar R$ 8 milhões em ações, 60% em Petrobrás e 40% em Vale do Rio Doce, não quer muito risco por não precisar correr desesperadamente atrás de uma fortuna que ele já possui, mas também quer investir em bolsa em longo prazo, para acompanhar de vez em quando e por acreditar nessas duas empresas de futuro promissor, dos R$ 18 milhões restantes, já que os R$ 25 milhões se tornaram R$ 26 milhões em seis meses, R$ 5 milhões usaria de imediato para ajudar seus familiares e comprar uma pequena propriedade para realizar seu sonho de ter um cultivo de pimentas para comercializar.</p>
<p>Os R$ 13 milhões, metade do que possui, vão para os investimentos mais seguros e rentáveis que avaliou</p>
<p>- R$ 3 milhões em LTNs, com vencimento em 01/07/2011 a taxa de 10,50% ao ano</p>
<p>- R$ 10 milhões em NTN-B com vencimento em 15/08/2024 a taxa de IPC-A mais 6,40% ao ano.</p>
<p>Se educando financeiramente Madofi descobriu muita coisa.</p>
<p>Descobriu que não existem investimentos com retornos mágicos.</p>
<p>Que rendimentos passados não são parâmetros para avaliação de rendimentos futuros.</p>
<p>E o mais importante, que o deixou muito surpreso, foi o fato de se discutirem tanto sobre tributação, taxação da poupança, taxa de administração de recursos e outros assuntos relacionados ao novo patamar de juros básicos e uma aplicação como em NTN-B, ainda render inflação mais 6,40% ao ano por um prazo tão longo e com garantia federal.</p>
<p>Se por um infortúnio ele perder os R$ 13 milhões que investiu em bolsa e na propriedade e for obrigado a gastar os R$ 3 milhões aplicados em LTNs, em 2024 ele terá seus R$ 25 milhões do prêmio ganho, mais a inflação do período corrigida, no resgate da NTN-B em 2024.</p>
<p>Madofi ficou feliz com seus investimentos, no entanto, ao se tornar uma pessoa mais lúcida em relação à realidade financeira brasileira, ficou um tanto aborrecido e questionou:</p>
<p>Como pode um país remunerar uma aplicação financeira a uma taxa tão alta, por tão longo tempo como as aplicações em NTN-Bs?</p>
<p>Como pode o setor bancário cobrar um juro tão alto na taxa de empréstimos?</p>
<p>Com uma taxa de juros deste tamanho por um período tão longo só investi na produção quem quer correr muitos riscos e com uma taxa de empréstimos desta magnitude mais dia menos dia, numa crise dessas qualquer os emprestadores não vão receber de ninguém, pois quem toma empréstimo a mais de 100% ao ano é porque tem grande chance de quebrar.</p>
<p>Investimentos mágicos não duram para sempre, mais hora menos hora, vão todos pro vinagre, O Madoff americano que o diga!</p>
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		<title>A poupança de neurônios</title>
		<link>http://avisoemdois.com.br/destaque/a-poupanca-de-neuronios/</link>
		<comments>http://avisoemdois.com.br/destaque/a-poupanca-de-neuronios/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Apr 2012 16:08:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[apartheid financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[aplicações financeiras]]></category>
		<category><![CDATA[CDI]]></category>
		<category><![CDATA[dívida pública]]></category>
		<category><![CDATA[fundos de investimentos]]></category>
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		<category><![CDATA[investidor da caderneta]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças na poupança]]></category>
		<category><![CDATA[operações compromissadas]]></category>
		<category><![CDATA[over night]]></category>
		<category><![CDATA[rendimentos da poupança]]></category>
		<category><![CDATA[taxa selic]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda vez que surge um caso como este da poupança a tendência é o debate se politizar na razão especifica e a discussão mais ampla dos problemas ficarem em segundo plano e sem uma iniciativa de mudanças estruturais necessária. Texto punlicado em 18/05/2009]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O debate econômico do momento na sociedade brasileira está focado nas medidas que foram propostas pelo governo no sentido de equacionar os rendimentos da poupança com as demais aplicações financeiras quando a taxa básica de juros, selic, recuarem para um patamar onde os rendimentos da caderneta fiquem acima das demais aplicações e causem distorções.</p>
<p>Qualquer que seja o ambiente, mídia, amigos, família, empresa, restaurantes ou por outros cantos do Brasil a fora a pergunta que se faz é basicamente a mesma: o que você achou das mudanças nas regras da poupança?</p>
<p>Invariavelmente as idéias convergem para uma grande falácia econômica disseminada ao longo do tempo de que uma fuga em massa das demais aplicações financeiras para a poupança irá criar dificuldades para a rolagem da dívida pública federal. A lógica deste raciocínio viesado é que sendo os fundos de pensão e de investimentos os principais e grandes compradores dos títulos públicos se a poupança passar a ter rendimentos maiores, tais fundos sofrerão resgates e por conseqüência não comprarão títulos e o tesouro nacional terá dificuldades em rolar a dívida pública.</p>
<p>O que impressiona é o fato de mais uma vez o país focar o debate em detalhes e deixar passar a oportunidade de se discutir e efetivar medidas que altere toda essa estrutura arcaica de modelo financeiro. Estrutura construída por remendos em um ambiente passado, de hiperinflação, crise financeira e taxa de juros nas alturas.</p>
<p>O arcabouço atual está totalmente dissociado da realidade e dos anseios de uma economia desenvolvida e de um crescimento mais igualitário.</p>
<p>Toda vez que surge um caso como este da poupança a tendência é o debate se politizar na razão especifica e a discussão mais ampla dos problemas ficarem em segundo plano e sem uma iniciativa de mudanças estruturais necessária.</p>
<p>Algumas questões que deveriam ser debatidas para mudar a situação de verdadeiro apartheid financeiro existente hoje no país:<br />
- Por que é que não se discute a eficácia do modelo de meta de inflação e juros altos, mesmo depois de serem tragados pela crise financeira global?<br />
- Mesmo com um patamar de inflação baixa por um tempo razoável, qual o motivo das aplicações financeiras estarem indexadas e o curto prazo ter o privilegio de uma remuneração tão alta?<br />
- Se o perfil do investidor da caderneta de poupança é de segurança e conservadorismo, por que ele não deve ser beneficiado?  Quantas pessoas já foram ironizadas por amigos, parentes e consultores econômicos, por aplicar dinheiro em uma modalidade de rendimentos pífios comparados as oportunidades existentes no mercado?<br />
- Vincular a poupança ao rendimento dos títulos públicos de longo prazo não seria uma solução?<br />
- Investir é ter uma visão de médio/longo prazos ou se aproveitar das oportunidades de momento?<br />
- Qual a razão da indexação de aplicações no chamado CDI? O que é esse referencial de juros, qual a sua importância para a economia, como ele é apurado, em volume e preço, e quais os interesses que ele contempla?<br />
- Porque é que não se discute antes de tudo a desoneração não só fiscal, mas de custos de administração das aplicações financeiras?<br />
- Quais a razões de o Brasil ter um mercado secundário de títulos públicos insignificante perante o tamanho da dívida pública? Não seria por isso que a curva de juros é determinada pelo derivativo e não pelo ativo?</p>
<p>Investimento é programação financeira, não se pode confundir investidor com oportunista, longo prazo é visão empreendedora, curto prazo é custo de oportunidade e por isto tem que ter os riscos inerentes a escolha.</p>
<p>No Brasil de hoje a indústria da concentração financeira controla a maioria das aplicações e empréstimos, se beneficia de exorbitantes spreads e de taxas cobradas na administração dos recursos de terceiros. A indústria não tem interesse na mudança e na assunção de riscos que remunere a sua eficácia.</p>
<p>Qualquer atividade tem os seus riscos. Indústria, agricultura, comercio e a pecuária tem os riscos inerentes a atividade. Por que só o mercado financeiro, que é o setor que mais especula e o mais volátil tem que ter conforto?</p>
<p>Observem que o último relatório de atividades de Política Monetária disponível no site do BC é datado de dezembro de 2002. Hoje só existe uma resenha de mercado aberto divulgada semanalmente. Onde foi parar a política monetária, no resumo da reunião dissociada da realidade, do Copom?</p>
<p>Enquanto se discute como remendar, mais uma vez a poupança, a maioria do público, não sabe que desde a crise da marcação a mercado de 2002, o Banco Central toma recursos excedentes em operações compromissadas no over e de curto prazo, dos agentes financeiros que se recusam a comprar títulos públicos definitivos.</p>
<p>Em valores de dezembro de 2008 os recursos da poupança somavam R$ 270,7 bilhões e a estimativa do saldo das operações compromissadas ultrapassa a casa dos R$ 300 bilhões?<br />
Dados da última semana indicam que só no over night o Banco Central tomou em torno de R$ 85 bilhões por dia.</p>
<p>Os agentes não compram os títulos em definitivo, mas são obrigados a aplicar em títulos para ter lastros que vinculem e remunerem o patrimônio. A experiência recente com a crise mostra que nada mais seguro que um título público.</p>
<p>Qual o motivo desta mordomia?</p>
<p>Para encerrar deixo um último questionamento: Uma taxa de juros flutuante de curto prazo que provocasse desconforto a quem fizesse esta opção e por conseqüência um beneficio e voluntarismo para o longo, não seria a solução para todas essas distorções existentes hoje na economia?</p>
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		<title>Mitologia Econômica</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Mar 2012 14:57:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Investimento é de médio/longo prazo, isso é que estimula naturalmente investimentos na produção e que ajuda os agentes econômicos a projetar seus empreendimentos com maior segurança.
Privilegiar o curto prazo é o motivo de o Brasil não ter uma curva de juros consistente. Texto publicado em 19/03/2009


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			<content:encoded><![CDATA[<p>As recentes discussões no Brasil acerca de mudanças nas regras da remuneração da poupança e o anúncio nesta quarta-feira do banco central americano informando que nos próximos seis meses vai comprar até US$ 300 bilhões em títulos de longo prazo do governo, o que não fez nas últimas quatro décadas, e que também irá ampliar as compras de dívidas lastreadas em hipotecas, me levou a uma reflexão a respeito das teorias e práticas econômicas aqui no Brasil.</p>
<p>Não vou comentar a respeito do que pode mudar na forma de remunerar os recursos da poupança antes que saiba o que de fato será alterado. No entanto os argumentos de economistas e analistas renomados justificando o pedido de mudanças me chamaram muito a atenção.<br />
O argumento mais utilizado é de que se a taxa selic continuar a cair em breve os rendimentos da poupança irão superar os rendimentos dos fundos de investimentos, irá ocorrer uma migração dos fundos para a poupança, com resgate nas cotas os fundos e os bancos não comprarão mais títulos públicos e o governo encontrará dificuldades para rolagem da dívida pública.<br />
Puro mito.</p>
<p>No caso dos fundos é preciso lembrar que são condomínios administrados por síndicos (gestores) e que cabe ao síndico zelar pelo patrimônio do condômino (cotista), rentabilizando com o menor risco possível suas aplicações financeiras.<br />
Se as taxas dos títulos públicos recuam ou aumentam cabe ao administrador otimizar a rentabilidade dentro do que se apresenta a realidade do mercado, restando poucas alternativas de aplicações com retorno e risco baixo como os títulos públicos federais.<br />
Sendo assim é uma falácia dizer que o recuo mais vigoroso na taxa selic provoca uma fuga dos títulos do governo. Os administradores precisam de lastro (títulos pra vincular aplicações da carteira) seguro e com liquidez.<br />
Mito também é o argumento de que o governo gasta demais, que a divída pública é muito alta e por isso existe o risco de default, pois não é possível que depois que o todo poderoso banco do mundo, Citibank, beijou a lona e foi praticamente estatizado pelo estado ainda exista quem acredite que o risco público seja maior que o risco privado nas atuais condições.</p>
<p>No passado o argumento mais usado para a taxa básica não recuar muito era o de que haveria fuga para o consumo, para ativos reais e dólar, provocando assim aumento da inflação.<br />
Acontece que a inflação como ela é medida no mundo todo, em média, não inclui o preço dos ativos financeiros. Por diversas razões tais inflações medidas se acomodaram em índices muito baixos, os ativos disparam pra cima e as chamadas políticas monetárias foram pro espaço.<br />
Meta de inflação virou Meta de Ficção.</p>
<p>Acredito que o banco central americano já está tomando outros caminhos quando decidiu não só manter a taxa de juros entre zero e 0,25% como também comprar títulos de sua emissão e títulos vinculados a hipotecas e injetar mais dinheiro na economia.</p>
<p>No Brasil o Banco Central libera compulsório, os bancos compram títulos públicos e o dinheiro acaba não circulando na economia real.<br />
Meta de inflação com taxa de curto prazo carimbada só traz conforto para as aplicações de curto prazo, quando na verdade o curto prazo deveria ter é desconforto, render menos, ser penalizado. O longo prazo é quem deveria ser beneficiado.</p>
<p>Investimento é de médio/longo prazo, isso é que estimula naturalmente investimentos na produção e que ajuda os agentes econômicos a projetar seus empreendimentos com maior segurança.<br />
Privilegiar o curto prazo é o motivo de o Brasil não ter uma curva de juros consistente e determinada pelo rendimento do maior ativo emitido, o título público.</p>
<p>Essa é a realidade, no mais, argumentos para não termos juros civilizados não passam de tentativas de propagar mitos econômicos.<br />
E os mitos são linguagens imagísticas dos princípios que mostram a origem de instituições, de hábitos, lógica de uma gesta e economia de encontros.</p>
<p>Não se pode admitir que numa época de ebulição econômica, velhos paradigmas que se mostraram ineficientes impeçam as inovações.</p>
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		<title>Desinformação ou maquiavelismo?</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Mar 2012 02:56:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por isso toda vez que se pretende uma mudança de rumo na economia uma alteração na taxa de juros pequena tem efeito mais psicológico que prático. Na prática só alterações muito significativas na taxa de juros conseguem algum efeito esperado. Texto publicado em 05/03/2009]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O crescimento econômico brasileiro nos últimos anos e o rápido avanço do mercado financeiro e seus produtos de aplicação financeira, aliados a uma política monetária passiva, trouxe uma dos maiores absurdos em termos de conceito sobre a modalidade chamada Renda Fixa.<br />
Não bastasse o fato de o noticiário econômico considerar alterações de mercado quase que somente as variações da bolsa de valores e a cotação da moeda americana, a definição das aplicações em Renda Fixa são totalmente distorcidas e com isso o investidor muito mal informado.<br />
É preciso deixar bem claro, mais uma vez, o conceito de Renda Fixa: rendimentos prefixados são aqueles cuja rentabilidade (nominal) o investidor conhece previamente, sendo a taxa de retorno e o prazo, acertados previamente no momento da aplicação. Fundo de Renda Fixa, aplicação vinculada ao DI, Fundo DI, CDB com taxa flutuante não são Renda Fixa porque seus rendimentos são variáveis.<br />
Sendo assim, porque muitos analistas ditos especialistas e toda mídia econômica insistem em desinformar o público investidor dizendo que as aplicações em Renda Fixa em determinado período, normalmente de um mês, rendeu x% do CDI ou a acumulação da taxa diária do CDI em determinado período rendeu y%?<br />
A verdade é que essa desinformação é disseminada pelo simples fato da captação de recursos do investidor, pelos bancos e fundos de investimentos, terem como referência de rendimento a chamada taxa diária do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, média da taxa de juros praticada nas operações de um dia na troca de reservas entre os bancos).<br />
Sempre que um investidor consulta um “especialista” para saber onde deve investir com segurança e liquidez que não seja na bolsa de valores a resposta invariavelmente é para aplicar em um fundo ou CBD indexados. Título público é deixado de lado, pois além de ser um concorrente (governo) na captação de recursos não tem taxa de administração na venda direta ao médio e grande investidor. O pequeno investidor paga taxa de custódia pequena, 0,50% ao ano, e de administração de acordo com seu agente corretor no Tesouro Direto.<br />
Título público federal só é oferecido ao investidor em condições justas de mercado, através do Tesouro Direto, o restante da emissão, 98%, vai para os agentes econômicos terem como garantia e lastro de suas operações. Assim a dívida pública federal fica sem liquidez e seu custo de emissão maior.<br />
Sendo a taxa de referência na captação o CDI, quanto menor seu rendimento, maior o spread (diferença de taxa) de ganho na ponta aplicadora e maior controle e indexação de curto prazo dos recursos captados. Isso explica porque quase 90% das aplicações financeiras no Brasil usam este indexador e porque em um período de desconfiança nos agentes econômicos como o de hoje, estranhamente a taxa de juros do indexador não está muito acima da taxa selic praticada, já que a selic é vinculado ao rendimento dos títulos do governo, risco público, e o CDI ao risco privado. As experiências anteriores e a atual mostram que o risco privado é infinitamente maior que o risco público, pois em intervenções buscando o restabelecimento da confiança dos mercados, sempre é o público quem socorre o privado.<br />
Exemplo a se observar na percepção do risco privado versus o risco público atualmente é que o Banco Central do Brasil liberou recursos dos depósitos compulsórios dos bancos para aumentar a liquidez e os empréstimos bancários, e esses bancos correram comprar títulos públicos federais com o dinheiro liberado.<br />
Se as aplicações financeiras, na prática estão totalmente indexadas, os efeitos de um aumento ou redução na taxa selic ditada pelo Copom são muito pequenos na alocação dos ativos financeiros e a política monetária assim, cada vez mais passiva.<br />
Por isso toda vez que se pretende uma mudança de rumo na economia uma alteração na taxa de juros pequena tem efeito mais psicológico que prático. Na prática só alterações muito significativas na taxa de juros conseguem algum efeito esperado.<br />
Espero que essa crise financeira atual propicie uma reflexão por parte daqueles que comandam a política monetária no Brasil, repensando o atual modelo utilizado e seus efeitos de fato na economia. Que o investidor tenha informações mais transparentes e maior e melhor acesso as aplicações financeiras.</p>
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		<title>De olho no spread</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 06:03:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O objetivo desta pesquisa/estudo semanal que faremos, será esmiuçar o chamado spread bancário.
O que é este spread bancário?
É a diferença, no mesmo indexador, da taxa que o cidadão recebe quando aplica para taxa que ele paga quando toma empréstimo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os brasileiros têm motivos para comemorar, depois de muita batalha o novo patamar da taxa básica de juros, selic, está abaixo dos dois dígitos, 9,25% ao ano.<br />
Comemorar com moderação e ficar vigilante, pois ainda estamos entre as taxas nominais mais altas do mundo.<br />
Veja o quadro abaixo:<br />
Países com o juro nominal mais alto, ao ano<br />
1 &#8211; Venezuela &gt; 21,40%<br />
2 &#8211; Rússia &gt; 11,50%<br />
3 &#8211; Argentina &gt; 10,50%<br />
4 &#8211; Hungria &gt; 9,50%<br />
5 &#8211; Turquia &gt; 9,30%<br />
6 &#8211; Brasil &gt; 9,25%<br />
7 &#8211; África do Sul &gt; 7,50%<br />
8 &#8211; Indonésia &gt; 7,00%<br />
9 &#8211; China &gt; 5,30%</p>
<p>Foi preciso aumentar muito o superávit fiscal, uma nova lei de concordata, o cadastro limpo, reserva de mais de US$ 120 bilhões, uma crise financeira que varreu o mundo e o PIB brasileiro ficar negativo por dois trimestres consecutivos, recessão técnica, para chegarmos a 9,25% ao ano.</p>
<p>Se a taxa de juros é exageradamente alta, o spread então?<br />
É vergonhoso!</p>
<p>O objetivo desta pesquisa/estudo semanal que faremos,  será esmiuçar  o chamado spread bancário.<br />
O que é este spread bancário?<br />
É a diferença, no mesmo indexador, da taxa que o cidadão recebe quando aplica para taxa que ele paga quando toma empréstimo.<br />
Os bancos emprestam na grande maioria das vezes em taxas pré-fixadas e remuneram em percentual do CDI quase sempre. Para saber o verdadeiro spread de taxas é preciso converter para o mesmo indexador as duas operações.<br />
Exemplo: A taxa básica é só uma referência que na verdade serve para o Tesouro Nacional remunerar seus títulos que são os lastros, garantias, das carteiras dos fundos de investimentos.<br />
Suponha que a média bruta de remuneração para aplicações de R$ 100.000,00 seja 100% do CDI que é igual a 9,11% ao ano e a taxa média de empréstimos 5,55% ao mês. Se a taxa que você aplica se mantiver, já que a que você toma não vai mais se alterar, por ser pré-fixada, teremos o seguinte spread = 5,55%, que é igual a 91,20% ao ano, comparada a taxa de 9,11% dá um spread de 82,09% ao ano.</p>
<p>Notaram que spread é a subtração de uma taxa pela outra e não a diferença percentual como muitos calculam.<br />
Exemplo prático no mercado: um operador pergunta ao outro – como opera a LTN vencimento 01/01/2010? O outro responde &#8211; faço 8,90% com 9%, spread de 10 pontos.<br />
Essa é a diferença real que o investidor paga entre a taxa que aplica para a taxa que toma empréstimo.</p>
<p>Iremos aguardar a divulgação das taxas médias dos empréstimos para calcularmos onde foi para o spread bancário e ficarmos atentos, a taxa de aplicação já sabemos a de empréstimos, por enquanto não temos um estudo real. Algumas instituições divulgaram taxas mínimas para algumas modalidades de empréstimos, mínimas não são as praticadas, as praticadas são outras que saberemos em breve. A Anefac tem um ótimo trabalho de divulgação de taxas de juros, que utilizaremos como referência.</p>
<p>Já que vamos tratar de diferença de aplicação para financiamento, é importante acompanhar também a taxa líquida de aplicação, taxa bruta menos os impostos, taxas de administração e tarifas.</p>
<p>Exemplificando mais um pouco para esclarecer o investidor, no estilo da conta da Padaria do Seu José, lá perto da Praça Independência em Santos, apliquei R$ 100 e recebi líquido R$ 110, ganhei 10% em um ano, tomei emprestado R$ 100 e paguei R$ 300, paguei 200% em um ano. Isso é o que vale calcular.</p>
<p>Terça feira que vem voltaremos com mais estudos.</p>
<p>Se você tem algum exemplo prático seu o de alguém próximo a você que queira nos mostrar ou que deseje que se faça o calculo, é só nos enviar.</p>
<p>Vamos ficar de Olho no spread!</p>
<p>Saudações!</p>
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