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	<title>Aviso em Dois &#187; banco central</title>
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	<description>ALEA JACTA EST</description>
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		<title>No país da bola</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 07:36:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil realmente é um país diferenciado. Diferenciado pela beleza e por seus recursos naturais, pela cultura do povo miscigenado e principalmente por dominar a arte de um esporte que fascina e arrasta multidões: o futebol. Texto publicado em 17/11/2009]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">No país da bola</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Brasil realmente é um país diferenciado. Diferenciado pela beleza e por seus recursos naturais, pela cultura do povo miscigenado e principalmente por dominar a arte de um esporte que fascina e arrasta multidões: o futebol.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Futebol é uma paixão tão grande do brasileiro que se tornou natural estabelecer analogias com outras atividades, como a economia e, principalmente, o mercado financeiro.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">As escolas e cursos que formam os traders e operadores de mercado têm muita semelhança com as escolinhas de futebol.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Passar, dominar, conduzir e chutar a bola &#8211; seja de bico, chapa, três dedos -, bater com a direita ou com a esquerda, cabeceio, voleio e outras técnicas são ensinadas nas escolinhas de futebol assim como as analises gráficas e fundamentalistas, avaliações de riscos, estudos de modelos, avaliação de empresas, balanços e outros assuntos afins são ensinados a aqueles que querem fazer parte do mercado financeiro.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">A bola rola pelo gramado como a grana rola pelo mercado. Dribles como a &#8220;caneta&#8221; ou &#8220;rolinho&#8221;, o &#8220;lençol&#8221; ou &#8220;chapéu&#8221;, as &#8220;pedaladas&#8221; e &#8220;bicicletas&#8221; não se aprendem nas escolinhas de futebol, assim como saber operar e ser um craque do mercado &#8211; não se aprende nos cursos de treinamentos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Aperfeiçoar as técnicas no futebol é essencial, que diga o Pelé que, mesmo com toda genialidade, não cansava de treinar os fundamentos básicos. Ter conhecimento técnico e estudar tudo aquilo que se relaciona ao mercado é a base para se tornar um grande player. No entanto, para ser um craque no futebol ou no mercado, é preciso ter algo mais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">É necessário ter dom e atitude para decidir as coisas nos momentos mais difíceis e isso está no sangue, corre nas veias, já nasce com a pessoa. Por isso tudo, o Brasil se destaca novamente no futebol e no mercado financeiro.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Os ingleses inventaram o sistema bancário assim como inventaram o futebol. O brasileiro se apoderou da técnica e habilidade de praticar o esporte Bretão e hoje já é um especialista no sistema financeiro, prova disso é o fato de nosso sistema bancário ter-se mostrado o mais sólido durante a crise.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Aqui criamos a Selic, a Cetip e até mesmo uma moeda chamada CDI, que poucos sabem exatamente como funciona e o que significa, mas utilizam como indexador de quase todos os investimentos. Passamos por vários planos econômicos e sobrevivemos a todos para alcançar a condição privilegiada que o Brasil se encontra no cenário econômico atual.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Contudo, taxa de juros e meta de inflação perderam muito o sentido, a indexação diária ao CDI torna a política monetária passiva. A crise mostrou que estes instrumentos já não servem mais para controlar mercados e estabelecer metas, o consenso não é mais garantia de projeção futura e, quando as coisas não dão certo, o Banco Central acaba refém, como quem leva um &#8220;drible da vaca&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Passado um ano da crise, os mercados se acalmaram, retomaram confiança e partiram com tudo para cima dos ativos, sem se preocupar com o contra ataque. Estão pedalando pra valer, já que sentem que as autoridades monetárias estão acuadas e com medo de que uma retirada dos subsídios possa trazer a crise de volta. Os BCs estão em &#8220;corner&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Com toda expertise adquirida, o Brasil se tornou a vedete dos mercados e os recursos externos, que já ingressavam com vigor, não param de aumentar. A criação da alíquota de IOF tentando conter a queda do dólar frente ao real está sendo driblada com talento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Falar em renda fixa com todo esse rali nos ativos financeiros é missão quase impossível. A velocidade com que os ativos estão se valorizando torna até mesmo uma taxa de juros alta, com 8,75% ao ano, irrelevante e aplicações em renda fixa acabam conceituadas como aplicações de medrosos, de conservador &#8220;retranqueiro&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; width: 1px; height: 1px; top: 0px; left: -10000px;">Brasil é o país da bola e, no país da bola, não se joga na retranca!</div>
<p>O Brasil realmente é um país diferenciado. Diferenciado pela beleza e por seus recursos naturais, pela cultura do povo miscigenado e principalmente por dominar a arte de um esporte que fascina e arrasta multidões: o futebol.</p>
<p>Futebol é uma paixão tão grande do brasileiro que se tornou natural estabelecer analogias com outras atividades, como a economia e, principalmente, o mercado financeiro.</p>
<p>As escolas e cursos que formam os traders e operadores de mercado têm muita semelhança com as escolinhas de futebol.</p>
<p>Passar, dominar, conduzir e chutar a bola &#8211; seja de bico, chapa, três dedos -, bater com a direita ou com a esquerda, cabeceio, voleio e outras técnicas são ensinadas nas escolinhas de futebol assim como as analises gráficas e fundamentalistas, avaliações de riscos, estudos de modelos, avaliação de empresas, balanços e outros assuntos afins são ensinados a aqueles que querem fazer parte do mercado financeiro.</p>
<p>A bola rola pelo gramado como a grana rola pelo mercado. Dribles como a &#8220;caneta&#8221; ou &#8220;rolinho&#8221;, o &#8220;lençol&#8221; ou &#8220;chapéu&#8221;, as &#8220;pedaladas&#8221; e &#8220;bicicletas&#8221; não se aprendem nas escolinhas de futebol, assim como saber operar e ser um craque do mercado &#8211; não se aprende nos cursos de treinamentos.</p>
<p>Aperfeiçoar as técnicas no futebol é essencial, que diga o Pelé que, mesmo com toda genialidade, não cansava de treinar os fundamentos básicos. Ter conhecimento técnico e estudar tudo aquilo que se relaciona ao mercado é a base para se tornar um grande player. No entanto, para ser um craque no futebol ou no mercado, é preciso ter algo mais.</p>
<p>É necessário ter dom e atitude para decidir as coisas nos momentos mais difíceis e isso está no sangue, corre nas veias, já nasce com a pessoa. Por isso tudo, o Brasil se destaca novamente no futebol e no mercado financeiro.</p>
<p>Os ingleses inventaram o sistema bancário assim como inventaram o futebol. O brasileiro se apoderou da técnica e habilidade de praticar o esporte Bretão e hoje já é um especialista no sistema financeiro, prova disso é o fato de nosso sistema bancário ter-se mostrado o mais sólido durante a crise.</p>
<p>Aqui criamos a Selic, a Cetip e até mesmo uma moeda chamada CDI, que poucos sabem exatamente como funciona e o que significa, mas utilizam como indexador de quase todos os investimentos. Passamos por vários planos econômicos e sobrevivemos a todos para alcançar a condição privilegiada que o Brasil se encontra no cenário econômico atual.</p>
<p>Contudo, taxa de juros e meta de inflação perderam muito o sentido, a indexação diária ao CDI torna a política monetária passiva. A crise mostrou que estes instrumentos já não servem mais para controlar mercados e estabelecer metas, o consenso não é mais garantia de projeção futura e, quando as coisas não dão certo, o Banco Central acaba refém, como quem leva um &#8220;drible da vaca&#8221;.</p>
<p>Passado um ano da crise, os mercados se acalmaram, retomaram confiança e partiram com tudo para cima dos ativos, sem se preocupar com o contra ataque. Estão pedalando pra valer, já que sentem que as autoridades monetárias estão acuadas e com medo de que uma retirada dos subsídios possa trazer a crise de volta. Os BCs estão em &#8220;corner&#8221;.</p>
<p>Com toda expertise adquirida, o Brasil se tornou a vedete dos mercados e os recursos externos, que já ingressavam com vigor, não param de aumentar. A criação da alíquota de IOF tentando conter a queda do dólar frente ao real está sendo driblada com talento.</p>
<p>Falar em renda fixa com todo esse rali nos ativos financeiros é missão quase impossível. A velocidade com que os ativos estão se valorizando torna até mesmo uma taxa de juros alta, com 8,75% ao ano, irrelevante e aplicações em renda fixa acabam conceituadas como aplicações de medrosos, de conservador &#8220;retranqueiro&#8221;.</p>
<p>Brasil é o país da bola e, no país da bola, não se joga na retranca!</p>
<p>Por: Waldir Kiel<br />
12/11/09 &#8211; 14h05<br />
InfoMoney</p>
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		<title>Bastam sete minutos</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Apr 2012 08:27:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<description><![CDATA[Caso tenhamos um arcabouço de medidas que propiciassem uma atuação mais efetiva do Banco Central, essa sobra de dinheiro nos mercados se resolveria em apenas Sete Minutos. Texto publicado em 22/09/2009]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há um ano, o banco de investimentos Lehman Brothers, na época o quarto maior dos Estados Unidos no setor, anunciava que pediria concordata. A tentativa das autoridades norte-americanas de evitar a contaminação do mercado financeiro e o agravamento da crise que começou no sistema hipotecário do país fracassou, dando início a uma crise financeira que varreu as principais economias do planeta.</p>
<p>Algumas medidas urgentes foram tomadas por parte das autoridades monetárias do mundo todo, bancos centrais. Imediata baixa nas taxas de juros e injeção de recursos, visando incentivar a retomada das economias.</p>
<p>A recuperação foi rápida, principalmente nos países que compõem o chamado BRICs, e o debate em torno de normas que precisam ser tomadas para que a exuberância não se repita, ganharam força nos encontros do G20 e nos discursos das autoridades governamentais.</p>
<p>Politicamente, as colocações têm causado efeitos, no entanto, na prática as medidas sugeridas são de difícil implementação.</p>
<p>Em se tratando de Brasil, três notícias chamaram a atenção nos últimos dias: 1- Brasil tem um dos spreads bancários mais altos do mundo, só perdendo o primeiro posto para o Zimbábue; 2- Inadimplência no Brasil está dentro da média mundial; 3 &#8211; Bancos estão &#8220;inundados&#8221; de dinheiro e BC tem de atuar para segurar juros &#8211; Sobra de liquidez no curto prazo vai ao recorde de R$ 444 bilhões.</p>
<p>Muita coisa mudou e vem mudando na economia brasileira nos últimos anos, no entanto, a política monetária continua intocável, sua eficácia é medida pela inércia da economia real, no entanto, estas últimas notícias, nos mostra claramente que existe uma incoerência muito grande na condução e formulação da mesma.<br />
Temos uma inadimplência na média mundial, um spread bancário nas alturas e uma sobra de dinheiro em torno de R$ 444 bilhões!<br />
Isso tudo acontece porque o Brasil não tem uma política monetária de fato, uma política monetária ativa, onde a taxa de juros tem verdadeiramente efeito, onde uma mudança de patamar de taxas influencia de forma decisiva a escolha de investimentos na economia. Daí também o motivo de não termos uma curva de juros consistente e determinada por taxas pré-fixadas.<br />
O dinheiro sobra no caixa dos bancos porque eles têm o conforto de uma taxa de juros absurdamente alta no curto prazo, por mais que a taxa básica tenha recuado para o menor nível da historia, ela continua extremamente fora de propósito. Não se pode remunerar e incentivar o desinvestimento e a especulação de curto prazo.</p>
<p>Para que este cenário mude e o Brasil passe a ter uma política econômica de fato é preciso antes de tudo ter a vontade política que mexa com os interesses daqueles que detêm o monopólio do dinheiro na aplicação e nos financiamentos.</p>
<p>Caso tenhamos um arcabouço de medidas que propiciassem uma atuação mais efetiva do Banco Central, essa sobra de dinheiro nos mercados se resolveria em apenas Sete Minutos.<br />
Dois minutos para o famoso Aviso (1) do Banco Central anunciando que não atuaria mais tomando recursos no curto prazo, que só venderia títulos públicos para enxugar a liquidez e cinco minutos para realizar a primeira operação.<br />
Quem quisesse ficar no curto prazo seria penalizado com uma flutuação nas taxas. Caso queira de fato investir que compre títulos mais longos.</p>
<p>(1)    A história do Aviso em Dois &#8211; <a href="http://www.avisoemdois.com.br/o-aviso-em-dois/">http://www.avisoemdois.com.br/o-aviso-em-dois/</a></p>
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		<title>Jabuti subiu na árvore</title>
		<link>http://avisoemdois.com.br/educacao-financeira/jabuti-subiu-na-arvore/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 09:30:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
		<category><![CDATA[aplicações do investidor]]></category>
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		<description><![CDATA[Caso essa tendência de queda na taxa Selic permaneça, apesar de o Banco Central não mostrar, incrivelmente, essa disposição no relato da ata do Copom, o spread irá aumentar ainda mais. Quando a taxa de juros básica é elevada os bancos sobem suas taxas de empréstimos em uma velocidade maior, quando ela vai sendo reduzida eles colocam o pé no freio na queda destas taxas. Texto publicado em 29/06/2009]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A taxa básica de juros, Selic, foi enfim reduzida para um patamar abaixo dos dois dígitos, 9,25% ao ano. Este novo cenário irá provocar uma mudança cultural profunda na economia, no spread bancário e nas aplicações e empréstimos feitos por investidores.</p>
<p>Uma semana após o anúncio feito pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil da redução de 1 ponto percentual na taxa básica de juros, já podemos ter uma noção mais concreta de como ficou o chamado spread.</p>
<p>Como a taxa básica Selic é parâmetro para rendimento das aplicações financeiras e caiu muito mais que a taxa de empréstimos, o spread bancário voltou a subir.</p>
<p>Caso essa tendência de queda na taxa Selic permaneça, apesar de o Banco Central não mostrar, incrivelmente, essa disposição no relato da ata do Copom, o spread irá aumentar ainda mais. Quando a taxa de juros básica é elevada os bancos sobem suas taxas de empréstimos em uma velocidade maior, quando ela vai sendo reduzida eles colocam o pé no freio na queda destas taxas.</p>
<p>Repararam que os empréstimos bancários são feitos sempre a taxa pré-fixada, enquanto a maioria das captações (aplicações do investidor) é feita a taxa pós-fixada (percentual do CDI)?</p>
<p>Quando os bancos emprestam a taxa pré, sabem exatamente o quanto irão receber por cada empréstimo realizado.</p>
<p>Por que os investidores não passam a fazer mais aplicações pré-fixadas, com a certeza de quanto irão resgatar no vencimento das aplicações?</p>
<p>Pensem a respeito.</p>
<p>Em se tratando ainda de aplicações, onde a partir de agora devemos ter mais critérios, tenho visto nos últimos dias uma avalanche de desinformação financeira dita por alguns &#8220;especialistas&#8221;, não só em blogs e sites financeiros, mas principalmente nos grandes e maiores veículos da mídia.</p>
<p>Desinformação em insistirem, por desconhecimento ou má fé, em considerar aplicações em fundos de investimentos e em títulos pós-fixados como os atrelados ao rendimento do CDI-over, como aplicações pré-fixadas.</p>
<p>Bastou a taxa ser reduzida para 9,25% ao ano e a discussão sobre a concorrência da poupança com outras aplicações voltou à tona, que imediatamente despejou um monte de bobagens por aí.</p>
<p>Uma das maiores besteiras ditas é que com taxa de juros mais baixa a emissão de &#8220;títulos pré-fixados&#8221; para captação de recursos junto ao mercado pelas empresas irá aumentar substancialmente.</p>
<p>Quando vamos ler o conteúdo da matéria encontramos análises sobre emissões já feitas e outras que poderão se realizar, todas atreladas a um percentual do CDI.</p>
<p>Já disse aqui neste espaço algumas vezes e vou tornar a repetir: aplicação pré-fixada é aquela em que o rendimento e prazo são definidos no momento inicial da operação. Fundo de investimento pré tem entrada e saída de investidores a todo tempo e por isso é obrigado a marcar as suas cotas diárias pelo valor de sua carteira no mercado. Como os preços dos ativos no mercado flutuam, sua carteira flutua também e com isso deixam de se tornar aplicação pré-fixada.</p>
<p>Título atrelado ao rendimento de um indexador seja o CDI, IGP-M, IPCA e taxa over, são títulos pós-fixados.</p>
<p>Como a redução da taxa de juro veio para ficar definitivamente e a competição entre as aplicações financeiras irá aumentar, o investidor deve prestar especial atenção aos produtos que lhe serão oferecidos.</p>
<p>Podem ter certeza que &#8220;inovações financeiras&#8221; e títulos com risco/retorno baixos irão rechear a carteira de alguns fundos de investimentos para atrair incautos.</p>
<p>Não se esqueçam que a taxa de juros baixa pelo mundo foi um fator preponderante na colocação dos títulos subprimes que acabaram por desencadear a recente crise financeira mundial.</p>
<p>Olhos abertos investidores. Jabuti subiu na árvore!</p>
<p>Como Jabuti não sobe em árvore, se ele está nela é por alguém colocou ele lá.</p>
<p>Coluna mensal, Renda fixa, publicada no portal Infomoney em 24/06/2009</p>
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		<title>Faça o que se deve</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Apr 2012 15:32:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[banco central]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Meirelles]]></category>
		<category><![CDATA[inflação]]></category>
		<category><![CDATA[queda na atividade]]></category>
		<category><![CDATA[reunião do copom]]></category>
		<category><![CDATA[risco Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[spread bancário]]></category>
		<category><![CDATA[taxa de juros]]></category>
		<category><![CDATA[taxa real de juros]]></category>

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		<description><![CDATA[O reconhecimento internacional da importância do Brasil na superação da crise financeira global mostra que a visão de risco país externa está dissociada da avaliação da maioria dos analistas locais que procuram influenciar a decisão do Copom. Texto publicado em 29/04/2009]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje 29/04, todos os olhares do mercado financeiro estão voltados para mais uma decisão da taxa selic determinada no final da reunião do Copom iniciada ontem. Como é de conhecimento geral a taxa de juros que mais importa para o consumidor e empresas tomadoras de empréstimos são a praticadas nas operações diretas de financiamento e estas são desvinculadas de pequenas alterações na selic e de spread gigantescos.</p>
<p>Sempre que estamos às vésperas de definição dos juros primários aparecem na grande mídia lobistas pinçando argumentos que justifiquem uma taxa de juros desnecessariamente alta.<br />
Inflação em alta demanda muito aquecida, capacidade da indústria em atender um aumento maior do consumo, inadimplência, suposta dificuldade de rolagem da dívida pública e etc. Outro dia uma matéria encomendada citava “fonte” de um membro da área econômica do governo preocupado com um possível cenário de redução exagerada de juros neste momento com a necessidade de subida em 2010 provenientes de uma recuperação forte da economia, isso tudo em meio à crise.</p>
<p>Vou colocar então, argumentos que justificam uma redução maior na taxa real de juros para um patamar mais próximo do padrão internacional:<br />
- expectativas de inflação convergindo para a meta<br />
- forte queda na atividade industrial<br />
- aumento da taxa de desemprego<br />
- taxa de câmbio acomodada em nível abaixo que o das previsões mais pessimistas e com tendência de queda<br />
- permanência de alto spread bancário<br />
- forte ingresso de capital externo mesmo em meio à crise<br />
- necessidade de retomada rápida da liquidez bancária<br />
- mudança positiva na avaliação do risco Brasil por parte da comunidade financeira internacional<br />
É preciso levar em conta que o patamar atual da taxa de juros atual foi carregado de expectativas sombrias de pressupostos que acabaram não se confirmando.<br />
O reconhecimento internacional da importância do Brasil na superação da crise financeira global mostra que a visão de risco país externa está dissociada da avaliação da maioria dos analistas locais que procuram influenciar a decisão do Copom.<br />
Como já comentei aqui no passado, sairemos muito mais fortalecidos desta crise do que se poderia imaginar. A queda da taxa de juros pode não vir neste momento com a velocidade desejada, no entanto, é líquido e certo que ela irá acontecer.<br />
Para quem investe na segurança da renda fixa não existe cenário melhor.<br />
Na renda variável, bolsa de valores deverá ter gratas surpresas também, com o Ibovespa podendo alcançar patamares acima daqueles que foram considerados os máximos.<br />
Ciente das dificuldades de se conduzir a política monetária durante os últimos anos de um novo governo, gostaria de parabenizar o Sr. Henrique Meirelles e sua equipe até este momento e manifestar a confiança de que as condições criadas permitem que as decisões econômicas sejam tomadas de forma mais republicana.<br />
O Banco Central fez o que deveria até o momento a esperança agora é que FAÇA O QUE SE DEVE.</p>
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		<title>Mitologia Econômica</title>
		<link>http://avisoemdois.com.br/destaque/mitologia-economica/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Mar 2012 14:57:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[banco central]]></category>
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		<description><![CDATA[Investimento é de médio/longo prazo, isso é que estimula naturalmente investimentos na produção e que ajuda os agentes econômicos a projetar seus empreendimentos com maior segurança.
Privilegiar o curto prazo é o motivo de o Brasil não ter uma curva de juros consistente. Texto publicado em 19/03/2009


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			<content:encoded><![CDATA[<p>As recentes discussões no Brasil acerca de mudanças nas regras da remuneração da poupança e o anúncio nesta quarta-feira do banco central americano informando que nos próximos seis meses vai comprar até US$ 300 bilhões em títulos de longo prazo do governo, o que não fez nas últimas quatro décadas, e que também irá ampliar as compras de dívidas lastreadas em hipotecas, me levou a uma reflexão a respeito das teorias e práticas econômicas aqui no Brasil.</p>
<p>Não vou comentar a respeito do que pode mudar na forma de remunerar os recursos da poupança antes que saiba o que de fato será alterado. No entanto os argumentos de economistas e analistas renomados justificando o pedido de mudanças me chamaram muito a atenção.<br />
O argumento mais utilizado é de que se a taxa selic continuar a cair em breve os rendimentos da poupança irão superar os rendimentos dos fundos de investimentos, irá ocorrer uma migração dos fundos para a poupança, com resgate nas cotas os fundos e os bancos não comprarão mais títulos públicos e o governo encontrará dificuldades para rolagem da dívida pública.<br />
Puro mito.</p>
<p>No caso dos fundos é preciso lembrar que são condomínios administrados por síndicos (gestores) e que cabe ao síndico zelar pelo patrimônio do condômino (cotista), rentabilizando com o menor risco possível suas aplicações financeiras.<br />
Se as taxas dos títulos públicos recuam ou aumentam cabe ao administrador otimizar a rentabilidade dentro do que se apresenta a realidade do mercado, restando poucas alternativas de aplicações com retorno e risco baixo como os títulos públicos federais.<br />
Sendo assim é uma falácia dizer que o recuo mais vigoroso na taxa selic provoca uma fuga dos títulos do governo. Os administradores precisam de lastro (títulos pra vincular aplicações da carteira) seguro e com liquidez.<br />
Mito também é o argumento de que o governo gasta demais, que a divída pública é muito alta e por isso existe o risco de default, pois não é possível que depois que o todo poderoso banco do mundo, Citibank, beijou a lona e foi praticamente estatizado pelo estado ainda exista quem acredite que o risco público seja maior que o risco privado nas atuais condições.</p>
<p>No passado o argumento mais usado para a taxa básica não recuar muito era o de que haveria fuga para o consumo, para ativos reais e dólar, provocando assim aumento da inflação.<br />
Acontece que a inflação como ela é medida no mundo todo, em média, não inclui o preço dos ativos financeiros. Por diversas razões tais inflações medidas se acomodaram em índices muito baixos, os ativos disparam pra cima e as chamadas políticas monetárias foram pro espaço.<br />
Meta de inflação virou Meta de Ficção.</p>
<p>Acredito que o banco central americano já está tomando outros caminhos quando decidiu não só manter a taxa de juros entre zero e 0,25% como também comprar títulos de sua emissão e títulos vinculados a hipotecas e injetar mais dinheiro na economia.</p>
<p>No Brasil o Banco Central libera compulsório, os bancos compram títulos públicos e o dinheiro acaba não circulando na economia real.<br />
Meta de inflação com taxa de curto prazo carimbada só traz conforto para as aplicações de curto prazo, quando na verdade o curto prazo deveria ter é desconforto, render menos, ser penalizado. O longo prazo é quem deveria ser beneficiado.</p>
<p>Investimento é de médio/longo prazo, isso é que estimula naturalmente investimentos na produção e que ajuda os agentes econômicos a projetar seus empreendimentos com maior segurança.<br />
Privilegiar o curto prazo é o motivo de o Brasil não ter uma curva de juros consistente e determinada pelo rendimento do maior ativo emitido, o título público.</p>
<p>Essa é a realidade, no mais, argumentos para não termos juros civilizados não passam de tentativas de propagar mitos econômicos.<br />
E os mitos são linguagens imagísticas dos princípios que mostram a origem de instituições, de hábitos, lógica de uma gesta e economia de encontros.</p>
<p>Não se pode admitir que numa época de ebulição econômica, velhos paradigmas que se mostraram ineficientes impeçam as inovações.</p>
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		<title>Taxa de juro &#8211; Um passado e o presente</title>
		<link>http://avisoemdois.com.br/educacao-financeira/taxa-de-juro-um-passado-e-o-presente/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Mar 2012 15:45:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Nos anos 70/80 o mercado monetário, open market, balizava a taxa de juros da economia, existia uma meta de inflação perseguida pelo Banco Central que não era explicitada e divulgada. Quando a autoridade monetária, dentro de sua política, achava necessária, subia ou derrubava a taxa de juros imediatamente e sem prévio aviso. Texto publicado em 08/01/2009]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 06/01 os títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano, principal referencial de juro de longo prazo nos EUA, fecharam com rendimento de 2,45%, os títulos de 5 anos rendiam 1,69% e os de 30 anos 3,00%.  As taxas de curto prazo estão próximas de zero.<br />
Não foi por acaso que o Brasil captou facilmente U$ 1 bilhão em Global 2019, a uma taxa de retorno yield de 6,27%.<br />
Com um forte recuo no índice de preços ao produtor na Zona do Euro o BCE (Banco Central Europeu) em breve deve realizar mais corte na sua taxa de juros que hoje está em 2,50% ao ano.<br />
Europa e o Japão não têm o furor consumista dos americanos e hoje dos chineses. Imagine qual será o comportamento do consumidor e do aplicador americano diante de uma taxa de juros tão baixa. Mesmo com um clima de desconfiança como o que se instalou por lá com a crise financeira.<br />
O tempo corre a favor de Obama, com a enxurrada de dinheiro jogado na economia e com uma taxa de juros muito baixa a tendência é que o consumidor volte a se endividar e o poupador procure maiores retornos muito em breve.<br />
 Isso me faz voltar um pouco no tempo e contar um pouco da historia de quando o Brasil tinha taxa de juros mais comportada e flutuante.<br />
Nos anos 70/80 o mercado monetário, open market, balizava a taxa de juros da economia, existia uma meta de inflação perseguida pelo Banco Central que não era explicitada e divulgada. Quando a autoridade monetária, dentro de sua política, achava necessária, subia ou derrubava a taxa de juros imediatamente e sem prévio aviso. Quando deveria subir os juros entrava oferecendo títulos que enxugavam os recursos, quando queria derrubar a taxa recomprava os títulos no mercado. Esses títulos eram basicamente títulos pré-fixados, LTNs, com uma quantidade menor de ORTNs, Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional que eram indexados a correção monetária da época.<br />
As taxas flutuavam o tempo todo no curto prazo, no chamado over night. Tinham dias que estavam a 12% e no dia seguinte 1%, tiveram varias ocasiões que o mercado ficava tão líquido, mais dinheiro para aplicar que títulos para vincular como lastro, que no final do dia viravam negativas.<br />
Vocês devem se perguntar como pode existir taxa de juros negativa?  Existia de fato. Quem não tinha como lastrear a aplicação, não possuía títulos, acertava uma taxa simbólica, próxima de zero, porque era proibida remuneração negativa, e no outro dia em outra operação acertava a diferença com a contra parte que ele aplicou.<br />
- Tomei seu dinheiro hoje a -3%, a operação vai passar a 0,50% e amanhã você me paga a diferença de 3,50% em outra operação de mesmo valor financeiro.<br />
Era assim mesmo, podem acreditar.<br />
Quem queria estar líquido no curto prazo corria o risco da flutuação, que decidisse por uma aplicação mais longa, comprava uma LTN para fugir deste risco.<br />
O mercado costumava dizer: não quer risco de variação grande de taxa? Compre um título mais longo.<br />
Essa pratica aplicada nos dias de hoje faria com que a política monetária tivesse mais eficácia e daí uma taxa de juros real menor.<br />
O fato que mais marcava naquela época era quando quem possuía recursos e não tinha lastro entrava em desespero atrás de um tomador.<br />
A gente costumava dizer; quando a taxa de juros sobe não causa tanto pavor como quando o dinheiro queima, sem rentabilidade na mão de um banqueiro!<br />
A crise externa hoje é uma crise de confiança. Ela se restabelecendo, como acredito que venha a acontecer em breve, o dinheiro vai “queimar na mão” dos investidores.<br />
E vai chover dinheiro para o Brasil.</p>
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		<title>O pior inimigo do bom é o ótimo</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Mar 2012 18:24:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Por que é que as pessoas por mais que estudem a fundo as escolas mais tradicionais de mercado, fundamentalista e técnica (grafista), acabam invariavelmente cometendo erros na avaliação de ativos e investimentos? - Texto publicado em 10/12/2008

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os erros de raciocínio das pessoas afetam sua forma de investir e, em última instância, sua riqueza. Mesmo aqueles que entendem as ferramentas modernas de investimento podem falhar como investidores se deixarem que os vieses psicológicos controlem suas decisões&#8221;. Fala de Daniel Kahneman, psicólogo que junto com o economista experimental Vernon Smith faturaram o Prêmio Nobel de Economia em 2002.</p>
<p>Por que é que as pessoas por mais que estudem a fundo as escolas mais tradicionais de mercado, fundamentalista e técnica (grafista), acabam invariavelmente cometendo erros na avaliação de ativos e investimentos?</p>
<p>Porque o comportamento do indivíduo costuma mudar de acordo com as diferentes situações econômicas que a ele se apresentam.</p>
<p>Se individualmente existe essa dificuldade de avaliação, imagine quando as pessoas se agrupam para tomar decisões financeiras, o grau de dificuldade que encontram?</p>
<p>Estudos cada dia mais avançados, inovações em análises, avaliações de indicadores e disciplina operacional são exemplos de como as pessoas procuram incansavelmente o sucesso em operações financeiras que lhes propiciem retornos cada vez maiores.</p>
<p>No entanto, a utilização de instrumentos e ferramentas tecnológicas teoricamente avançadas ao invés de produzirem uma situação real acaba gerando apenas simulações de comportamento padronizado, que não condiz com uma rede complexa de relações comunicativas como a do mercado e com uma ciência social como a economia.</p>
<p>Mesmo o assunto sendo muito interessante, vamos deixar de lado um pouco essa teoria dos mercados e falar um pouco da parte prática, senão essa coluna vira um divã de psicanalista financeiro.</p>
<p>Um economista famoso de mercado costuma dizer que: &#8220;cama de mulher bonita, mesa de bom restaurante e bolsa de valores, todo mundo sabe a hora de entrar, mas não sabe a hora de sair&#8221;.</p>
<p>Acredito que, em se tratando de ativos financeiros, a hora de entrada é tão importante como a de saída.</p>
<p>Essa situação que vivemos hoje na bolsa de valores é bem ilustrativa.</p>
<p>Quando o mercado subia sem parar, quantos daqueles que no início não acreditavam na alta mais tarde se posicionaram na compra, impulsionados pelo otimismo contagiante, na tentativa de ganhar algo também e esquecendo do que pensava antes? Quantos na queda brusca que se seguiu irão aguardar o chamado fundo do poço para comprar ações?</p>
<p>A busca de um pouco mais. Isto acontece em qualquer mercado: dólar, ouro, bolsa, renda fixa, commodities e etc&#8230;</p>
<p>Acontece também nas decisões coletivas, como a dos bancos centrais pelo mundo diante da crise e do banco central do Brasil na definição da taxa de juros. Acabam tendo decisões reativas e influenciadas pelos agentes de mercado quando deveriam atuar preventivamente e com sentido indutor.</p>
<p>O mercado de renda fixa pode parecer mais fácil de operar que os mercados de renda variável, mas o fato de se ter que aguardar um determinado prazo, uma rentabilidade pré-estabelecida enquanto os outros mercados flutuam e possibilitam ganhos rápidos provoca uma sensação de perda de oportunidades e conservadorismo desnecessário para quem estuda tanto os mercados.</p>
<p>Muitos são os erros que cometemos ao operar, mas a meu ver o maior de todos eles é estar sempre à procura do rendimento máximo possível, nos limites de baixa e nos limites de alta dos ativos. Querer sempre o máximo do rendimento que a aplicação pode render, não se contentar com aquilo que no início procurou estabelecer e se influenciar com o consenso de que vai um pouco mais.</p>
<p>Invariavelmente essa busca do ótimo nos leva a amargar prejuízos e paixões em posições que se tornam perdedoras.</p>
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		<title>Swap</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 09:48:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Entenda o que é, como funciona e quais as modalidades e utilidades de um contrato do derivativo Swap (troca de indexadores). As modalidades de swap são várias e dão flexibilidade para as partes envolvidas combinarem os indicadores, os prazos e outras características do contrato.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><strong>Swap</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><strong>Contratos de swap são, na prática, “troca” de índices, feitos por quem deseja fazer hedge (se proteger) contra a variação de um índice específico. As modalidades de swap são várias e dão flexibilidade para as partes envolvidas combinarem os indicadores, os prazos e outras características do contrato.</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><strong>Esses contratos de swap são bastante flexíveis. As partes envolvidas no processo poderão acertar entre si quais os indicadores, o prazo e as características acordadas. O mercado financeiro, na prática, acabou por eleger algumas combinações preferidas.</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><strong>Um exemplo comum é o do exportador conservador que não gostaria de correr os riscos de uma oscilação cambial. Isso ocorre porque suas receitas são em dólares e despesas em reais, não interessando a ele, portanto, correr o risco da variação do câmbio. Em virtude dessa situação ele pode fazer um swap com um contrato de DI contra dólar.</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><strong>Nesse caso o banco assume o risco em dólar e, em troca, o exportador conta com os juros do DI &#8211; que é um ativo corrigido pela taxa diária dos juros. Outra operação muito comum é a de quem tem uma dívida pós-fixada e quer evitar o risco de uma alta nos juros. Nessa situação o devedor procura um banco que aceita a troca da taxa pós-fixada por uma taxa prefixada e assume o risco.</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><strong>É claro que existe um prêmio de risco embutido. No exemplo do devedor acima, o banco cobrará uma taxa de juros um pouco mais alta do que a de mercado, para neutralizar o risco que está correndo.</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><strong>Depois de acertados os termos do negócio, o contrato deverá ser registrado ou na CETIP ou na Bolsa de Mercadorias &amp; Futuros (BM&amp;F). No caso da CETIP, os contratos são todos feitos sem garantia. Já a BM&amp;F oferece a alternativa dos contratos terem garantias, que incluem depósito de garantias na própria Bolsa por parte dos envolvidos na operação.</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><strong>De acordo com a legislação do Banco Central, podem ser usadas taxas de juros, índices de preços, taxas de câmbio (moedas estrangeiras) e ouro. Portanto, o leque de combinações entre as partes é grande.</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><strong>Os índices mais utilizados atualmente são o DI, dólar comercial e flutuante, IGP-M, IGP-DI, ouro, taxa prefixada, taxa SELIC, TR, TBF e TJLP.</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;"><strong>Quando intermediados por instituições financeiras, os contratos de swap estão sujeitos à incidência de IOF e IR, conforme tabelas fornecidas pela Receita Federal. De um modo geral, a alíquota do IOF é decrescente, em função do prazo de permanência do contrato.</strong></div>
<p><strong>Swap</strong></p>
<p>Contratos de swap são, na prática, “troca” de índices, feitos por quem deseja fazer hedge (se proteger) contra a variação de um índice específico. As modalidades de swap são várias e dão flexibilidade para as partes envolvidas combinarem os indicadores, os prazos e outras características do contrato.</p>
<p>Esses contratos de swap são bastante flexíveis. As partes envolvidas no processo poderão acertar entre si quais os indicadores, o prazo e as características acordadas. O mercado financeiro, na prática, acabou por eleger algumas combinações preferidas.</p>
<p>Um exemplo comum é o do exportador conservador que não gostaria de correr os riscos de uma oscilação cambial. Isso ocorre porque suas receitas são em dólares e despesas em reais, não interessando a ele, portanto, correr o risco da variação do câmbio. Em virtude dessa situação ele pode fazer um swap com um contrato de DI contra dólar.</p>
<p>Nesse caso o banco assume o risco em dólar e, em troca, o exportador conta com os juros do DI &#8211; que é um ativo corrigido pela taxa diária dos juros. Outra operação muito comum é a de quem tem uma dívida pós-fixada e quer evitar o risco de uma alta nos juros. Nessa situação o devedor procura um banco que aceita a troca da taxa pós-fixada por uma taxa prefixada e assume o risco.</p>
<p>É claro que existe um prêmio de risco embutido. No exemplo do devedor acima, o banco cobrará uma taxa de juros um pouco mais alta do que a de mercado, para neutralizar o risco que está correndo.</p>
<p>Depois de acertados os termos do negócio, o contrato deverá ser registrado ou na CETIP ou na Bolsa de Mercadorias &amp; Futuros (BM&amp;F). No caso da CETIP, os contratos são todos feitos sem garantia. Já a BM&amp;F oferece a alternativa dos contratos terem garantias, que incluem depósito de garantias na própria Bolsa por parte dos envolvidos na operação.</p>
<p>De acordo com a legislação do Banco Central, podem ser usadas taxas de juros, índices de preços, taxas de câmbio (moedas estrangeiras) e ouro. Portanto, o leque de combinações entre as partes é grande.</p>
<p>Os índices mais utilizados atualmente são o DI, dólar comercial e flutuante, IGP-M, IGP-DI, ouro, taxa prefixada, taxa SELIC, TR,  e TJLP.</p>
<p>Quando intermediados por instituições financeiras, os contratos de swap estão sujeitos à incidência de IOF e IR, conforme tabelas fornecidas pela Receita Federal. De um modo geral, a alíquota do IOF é decrescente, em função do prazo de permanência do contrato.</p>
<p class="MsoNormal">Fundamental é calcular os custos envolvidos na operação. Muitas vezes spreads, diferença de taxas, e custos adicionais, acabam inviabilizando o hedge, sendo mais vantajoso correr o risco da variação do índice que se está exposto.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Contrato BM&amp;F de  Operação  estruturada de  swap cambial  com futuro de dólar: <a href="http://www.bmf.com.br/bmfbovespa/pages/contratos1/Financeiros/PDF/Swapcambial-DOLfut.pdf">http://www.bmf.com.br/bmfbovespa/pages/contratos1/Financeiros/PDF/Swapcambial-DOLfut.pdf</a></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Caderno de fórmulas de cálculos de swap &#8211; Cetip</p>
<p class="MsoNormal"><a href="http://www.cetip.com.br/docs/Caderno_de_Formulas/SPR.pdf">http://www.cetip.com.br/docs/Caderno_de_Formulas/SPR.pdf</a></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Fontes:</p>
<p class="MsoNormal">Banco Central do Brasil</p>
<p class="MsoNormal">Bolsa de Mercadorias e Futuros &#8211; BM&amp;F</p>
<div>Cetip &#8211; Central de Títulos Privados</div>
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		<title>Expectativas para a semana</title>
		<link>http://avisoemdois.com.br/colunas/expectativas-para-a-semana-2011-15/</link>
		<comments>http://avisoemdois.com.br/colunas/expectativas-para-a-semana-2011-15/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 14:40:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Waldir Kiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[banco central]]></category>
		<category><![CDATA[Copom]]></category>
		<category><![CDATA[expectativas de mercado]]></category>
		<category><![CDATA[juros]]></category>
		<category><![CDATA[mercado de grãos]]></category>

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		<description><![CDATA[A pedidos voltamos com nossas expectativas para a semana nos juros, dólar, câmbio, bolsa de valores e agora também com uma novidade avaliação do mercado de grãos (soja e milho)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A semana</strong>: A semana que se inicia promete não ser diferente das anteriores onde foram predominantes as demonstrações de fundamentos econômicos ruins na Zona do Euro e EUA em oposição a discursos e promessas governamentais de soluções para esta nova crise.<br />
No Brasil o Banco central ao baixar a taxa básica de juros em 0,50% provocou um intenso debate em torno de sua autonomia, já que para alguns analistas de mercado a redução da taxa foi uma atitude política decidida pelo Palácio do Planalto.</p>
<p><strong>Juros</strong>: Depois de muito tempo o Banco Central do Brasil, enfim, decidiu baseado em expectativas econômicas externas e internas realistas, tomar uma atitude totalmente independente dos anseios dos agentes do mercado financeiro. Esta atitude acabou provocando uma gritaria geral totalmente injustificada tecnicamente.<br />
Expectativas para a semana: Continuidade da queda em toda a curva futura.</p>
<p><strong>Câmbio</strong>: O agravamento do cenário externo e as projeções de menor crescimento do PIB acabam naturalmente arrefecendo o fluxo positivo de dólares para o país. As medidas restritivas, como o IOF e limitações de posições vendidas contribuem para uma alta maior nas cotações quando o movimento de reverte para saída, assim todo cuidado na venda é necessário.<br />
Expectativa para o fechamento da semana: 1,68/1,69</p>
<p><strong>Bolsa de Valores:</strong> Mesmo o Brasil estando em uma posição muito mais confortável que na crise de 2.008 acabará sendo afetado pela movimentação de vendas em ativos de risco no mercado global.<br />
As projeções de um crescimento econômico menor também contribuem para um cenário de incertezas na Bovespa.<br />
A volatilidade dos últimos dias é prova cabal que o momento não é favorável a aplicações em renda variável.<br />
Expectativa para a semana: 55.000/56.000</p>
<p><strong>Mercado de grãos</strong>: Fundamentos permanecem altistas. Agências privadas continuam estimando rendimentos de soja e milho abaixo dos níveis do relatório de agosto do USDA de 41,40 e 153,00 bushels por acre. Relação estoque-uso está para ambos está levemente acima de 7,0%, mas as perspectivas para os estoques finais apontam para níveis de racionamento nos EUA.</p>
<p>Países que não costumam importar do Brasil começaram a fazer pedidos. Isto causa estranhamento, pois o Brasil está na época de entressafra e os EUA no início da safra, apontando para a falta de produto nos EUA. Esta semana que passou houve cancelamentos de embarques dos EUA, o que indica o quão apertado está a oferta em relação à demanda.</p>
<p>Chineses devem importar significativamente em setembro e outubro, mas cabe avaliar se os níveis de preços atuais são sustentáveis. Pode-se dizer que sim, pois a margem de esmagamento da China pela primeira no ano vez ficou positiva para a soja norte-americana.</p>
<p>Soja no Brasil está mais de 80% comercializada, sendo percentual maior para os Estados centro-oeste, e menor, para o sul do país. A falta do grão aponta para o início do fortalecimento dos prêmios – o movimento sazonal foi tardio neste ano por conta da abrupta subida dos preços em Chicago.</p>
<p>A volatilidade para ambas as commodities nos EUA deve se arrefecer, uma vez que o milho já está pronto para ser colhido e já estamos em meados de setembro, isto é, o mercado climático para soja está terminando.</p>
<p>&#8220;Sua viagem para a realização é impulsionada pelos objetivos que você determina ao longo do caminho.&#8221; Chérie Carter-Scott</p>
<p>*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.<br />
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de idéias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.</p>
<p><strong>Waldir Kiel e Colaborador</strong></p>
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		<title>Novos e Tortuosos Caminhos</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Apr 2011 18:49:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Everton P. S. Gonalves</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">“O papel do Federal Reserve é o de parar de servir bebidas quando a festa está começando a esquentar”. Essa frase, atribuída à William McChesney – ex-Chairman do Federal Reserve (FED) –, resume sucintamente a ingrata tarefa que se impõe hoje ao Banco Central (BC). As dificuldades, contudo, não param por aí: não só a autoridade monetária tem que reduzir o descompasso entre a evolução da oferta e a demanda interna, como também impedir que haja a propagação do choque de oferta das “commodities” aos demais preços da economia e esterilizar os impactos produzidos pelos desdobramentos da última crise financeira. Se não bastassem essas circunstâncias, a rigidez dos gastos públicos e as implicações perversas na atividade produtiva da trajetória cambial reduzem sensivelmente o grau de liberdade para a atuação da política monetária.</p>
<p>Ainda como reflexo da última crise financeira, verifica-se um processo internacional de mudança nas formas de gestão econômica, com a revitalização de tradicionais instrumentos – agora referidos como “medidas macroprudenciais” – que complementam a política monetária. Essa revisão de pensamento está oficialmente presente nos pronunciamentos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para o seu economista-chefe, Olivier Blanchard, além do controle inflacionário, os bancos centrais devem ter outros objetivos explícitos, dentre os quais a estabilidade financeira e metas relacionadas às taxas de câmbio. Segundo as suas próprias palavras: “antes da crise, convergimos para o belo em termos de políticas macroeconômicas&#8221;, referindo-se à simplicidade e a elegância de um sistema com apenas uma meta e um instrumento. Resumindo: &#8220;infelizmente, beleza não é sinônimo de verdade.&#8221;</p>
<p>As incertezas que permeiam o cenário interno e externo e a grande circulação de capitais são geradas pelo desequilíbrio macroeconômico global e pelo movimento dessincronizado das economias. Através da manutenção dos incentivos fiscais e de políticas monetárias extremamente agressivas, com a prática quase que generalizada de taxas de juros reais negativas, os países avançados têm priorizado o estímulo da atividade econômica. Contudo, apesar de todas as iniciativas, as melhorias são débeis, com a taxa de desemprego se mantendo em níveis elevados e, em alguns países, com uma forte preocupação com o desempenho das contas públicas. Por sua vez, os países emergentes exibem indicadores extremamente positivos, com sinais de superaquecimento e recrudescimento inflacionário.</p>
<p>Como a contrapartida da prolongada injeção de liquidez e da retomada do apetite de risco pelos agentes econômicos, há uma forte canalização de capitais para as economias emergentes que apresentam as melhores oportunidades de investimento. Juntamente com os benefícios, esses recursos produzem efeitos colaterais indesejados: a apreciação cambial exagerada, tensões inflacionárias e, em algumas situações, indícios de formação de bolhas no mercado de ativos. Se o câmbio valorizado reduz a possibilidade de aceleração da inflação, também traz prejuízos para a competitividade externa dos produtos nacionais, o que pode comprometer a estrutura produtiva. Por outro lado, uma maior intervenção no mercado de câmbio implica em um maior risco inflacionário, embora com a preservação momentânea das condições de concorrência. Com esse dilema, as autoridades econômicas desses países passam a operar no fio da navalha: optar entre aceitar a valorização das suas moedas ou intervir no mercado de câmbio para coibir uma apreciação excessiva. Uma equação de difícil resolução.</p>
<p>Dada a ausência de cooperação internacional, cada país tem feito a sua opção de forma individual, perseguindo os seus próprios objetivos e impedindo que se encontre uma solução ótima, do ponto de vista global. Há a recusa dos países superavitários em conta-corrente, como China e Alemanha, em aumentar o consumo interno. De outro lado, através da desvalorização do dólar, os EUA buscam abocanhar uma parcela da insuficiente demanda mundial. Como conseqüência, há uma troca generalizada de acusações acerca de possíveis manipulações na trajetória da taxa de câmbio nominal. Se há pouca esperança de que haja uma cooperação internacional, espera-se apenas que essa “guerra cambial” não se aprofunde e possa desdobrar em uma desastrada onda protecionista.</p>
<p>Ao contrário dos ritmos distintos de expansão dos países, avançados e emergentes, a elevação da inflação é um fenômeno que cada vez mais influirá no equilíbrio competitivo. Mesmo nos mais ricos, com uma menor participação dos alimentos nos seus índices de preços, o comportamento da inflação já suscita temores. No Reino Unido, por quase dois anos, a taxa de inflação encontra-se acima da meta. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, já sinalizou que, para combater as crescentes pressões inflacionárias, poderá em breve aumentar as taxas de juros. E, agora, a crise no mundo árabe e o desastre sísmico no Japão poderão trazer impactos negativos no preço do petróleo, não se podendo descartar a repetição do fenômeno ocorrido na década de 70, quando houve uma conjugação entre combinação de estagnação econômica e inflação elevada.</p>
<p>Ainda que no mundo emergente, alguns países exibam uma maior tolerância inflacionária, mantendo e até mesmo reduzindo os juros, o Brasil tem tomado algumas iniciativas para impedir que o aquecimento da economia potencialize o repasse das elevações dos preços das “commodities” para os demais preços da economia. O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu pela adoção das chamadas “medidas macroprudenciais” visando reduzir o ritmo de expansão do mercado de crédito ao consumo e possíveis distorções nos preços no mercado de ativos. Em seguida, para também alinhar as expectativas inflacionárias, o Comitê de Política Monetária (COPOM) reiniciou o ciclo de alta na taxa de juros básica. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento promoveram um corte de R$ 50 bilhões no orçamento votado pelo Congresso que, executado, significará uma ligeira redução da participação das despesas correntes e transferências em relação ao produto interno, o que representa um importante apoio para a política monetária.</p>
<p>Contudo, no que diz respeito à estabilidade monetária, os números correntes da taxa de inflação, a desconfiança quanto à efetividade das ações e o aumento na taxa de juros básica menor do que o desejado gera uma enorme intranqüilidade no mercado financeiro. Esse sentimento pode ser percebido nas estimativas dos analistas econômicos que indicam que o centro da meta inflacionária só será alcançado em meados do próximo ano e que o teto será superado durante o ano de 2011. No passado recente, em situações como a atual, quando a taxa de inflação desviava significativamente do centro da meta, o BC – tempestivamente &#8211; promovia o aumento da taxa de juros básica para que a convergência ocorresse da forma mais rápida possível.</p>
<p>Em linha com os novos contornos do pensamento econômico, os responsáveis pela política voltaram as suas atenções para a possibilidade de que a excessiva liquidez comprometa a estabilidade financeira. Em seminário recente, a diretoria de Assuntos Internacionais do BC manifestou, de forma contundente, a seguinte preocupação: “&#8230; por mais que se intensificasse a política de acumulação de reservas, estava aumentando a parcela de recursos internacionais que permanecia no mercado &#8230; alimentando uma expansão não tão saudável do mercado de crédito de consumo, correndo o risco de propiciar o surgimento de bolhas e distorções exageradas nos preços de ativos, inclusive da taxa de câmbio&#8221;. Embora reconheça que haja uma complementaridade entre as medidas, o COPOM deixa claro que cabe especificadamente à política monetária garantir que as pressões de curto prazo não sejam propagadas para um período mais amplo.</p>
<p>O fato é que, embora a elevação da taxa de juros seja o método universal para enfrentar a inflação e impactar diretamente as expectativas, ambas as ações contribuem com os objetivos de política econômica de controlar o nível de demanda agregada. Com o crescimento expressivo do mercado de crédito, os “instrumentos macroprudenciais” ganham relevância. Enquanto o aperto da taxa de juros atinge todos os segmentos da economia, influenciam a taxa de câmbio e as decisões de investimento, as ações regulatórias seriam ferramentas rápidas e potentes para contenção de pressões localizadas de demanda. Assim, a inflação seria frontalmente combatida, ou nos setores onde a demanda se encontra aquecida e com o benefício de não aumentar o espaço de arbitragem para o movimento especulativo de capital que leve à apreciação excessiva da moeda local e à diminuição da competitividade da economia.</p>
<p>Há, dessa forma, uma nova postura da autoridade monetária que admite uma eventual mudança de estratégia para a taxa de juros no caso da trajetória de convergência da inflação não se mostrar adequada e até a adoção de novas “medidas macroprudenciais”. Assim, diante das restrições, é provável que a trajetória de convergência seja mais demorada do que em outros momentos. O que faria sentido em um ambiente repleto de incertezas. Um crescimento mais acelerado da inflação representa um risco de que as expectativas possam contaminar a formação de preços, levar a uma reindexação dos salários e, como conseqüência, à volta da alta inflação. Essa preocupação é relevante, embora a evolução dos salários nominais em níveis globais em relação à variação da produtividade ainda não indique tal ameaça. Conquanto evidenciada a reversão da queda inicial das concessões de crédito pessoal, outros indicadores mostram uma relativa eficácia das medidas: a taxa de juros do crédito pessoal elevou-se substancialmente e o prazo médio das operações reduziu-se.</p>
<p>Ainda no que se refere às “medidas macroprudenciais”, recai sobre a autoridade econômica um poder discricionário para arbitrar os setores da economia a serem atingidos. Pelo fato de que são diversos os segmentos envolvidos, há uma enorme dificuldade para apurar o balanço de prós e contras dos custos dos efeitos gerados pelas medidas de regulação e do sacrifício, em termos da atividade econômica. Se uma taxa de câmbio excessivamente apreciada é ruim para a cadeia produtiva, a utilização de tais instrumentos produz assimetrias microeconômicas, como a elevação do “spread” nos financiamentos das empresas dispostas a investir e o aumento da alocação de capital para as operações de crédito com as pessoas físicas que, deve-se dizer, tem efeito perverso na concorrência bancária.</p>
<p>O quadro é complexo e as opiniões definitivas devem ser evitadas. Há incertezas e muita imprecisão na avaliação de variáveis importantes como a defasagem temporal entre o aperto monetário e a queda na demanda agregada, a mensuração da taxa de juros de equilíbrio, o ritmo de evolução do produto e o processo de formação das expectativas inflacionárias. Se a direção das “medidas macroprudenciais” é conhecida, desconhece-se a magnitude dos seus efeitos, não podendo se descartar a hipótese de que a sua utilização excessiva possa promover uma parada mais brusca da economia do que a planejada. Esse receio mostra-se justificável, dado que já há alguns sinais de que o ritmo da atividade econômica já vem se arrefecendo e há dúvidas quanto ao caráter permanente da elevação dos preços das “commodities”.</p>
<p>Março/2011<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Everton P.S. Gonçalves<br />
</strong>Dr em Economia pela FGV/SP<br />
Assessor Econômico da ABBC – Associação Brasileira de Bancos<br />
egoncalves@abbc.org.br<br />
As opiniões expressadas aqui são de caráter pessoal e não necessariamente representam aquelas da associação.</p>
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