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Fim do pregão viva-voz na BM&F

Na Bovespa não existe mais o pregão viva-voz, na BM&F, seu final definitivo está a caminho.
O que muda nos mercados com as operações realizadas somente no mercado eletrônico?
Estamos iniciando uma série de entrevistas com participantes do mercado, operadores e investidores, para sabermos em que medida, trará benefícios ou não para quem opera.

No dia 18/03/2009 – na apresentação dos resultados trimestrais o então
diretor presidente da BM&FBovespa falou sobre a meta de redução de
despesas previstas para 2009 incluindo no orçamento a substituição do
pregão viva-voz pelo eletrônico. “A negociação do índice futuro do
Ibovespa – embora esse também possa ser negociado no side by side – e
alguns call de fechamento de produtos de agronegócios e financeiros
ainda são viva-voz. Queremos, até julho deste ano, migrá-los para as
negociações eletrônicas” completou Edemir Pinto.

Diante deste quadro achamos muito importante saber da opinião daqueles que participam, de alguma forma, direta ou indiretamente, nas negociações dos ativos financeiros.
Terminadas as entrevistas iremos fazer uma avaliação de tudo. O espaço está aberto para aqueles que quiserem opinar.

Começaremos entrevistando um Operador Especial, o chamado Scalper.
Foi dada a opção de se identificar ou não. Nosso entrevistado preferiu o anonimato, já que é um atuante ativo nos mercados.

Diante dessa migração definitiva das operações do pregão viva-voz para o pregão eletrônico, gostaríamos de saber as avaliações de um especialista como você.

Perguntas: A2 (Aviso em Dois)
Respostas: OE (Operador Especial)

A2 – Há quanto tempo está no mercado financeiro e por quantos anos atua
como operador especial (scaplper)?
OE – No mercado financeiro estou a mais de 20 anos, como operador especial a mais de 10 anos.

A2 – Como você avalia o final das operações em pregão viva-voz?
OE - Muitos não queriam isso. Existe o charme, a emoção do pregão, o problema social dos operadores.

A2- Qual é a atuação básica de um operador especial (scalper)?
OE – Sempre comprar e vender rapidamente os ativos, várias vezes ao dia, obtendo pequenos ganhos ou perdas aproveitando-se de curtas oscilações no preço durante o pregão.

A2 – Qual a importância do scalper para o mercado?
OE - Gerar liquidez, à medida que compra ou vende um contrato ou ativo de modo rápido, assume riscos e permite ao hedger se posicionar com maior agilidade.

A2 – Em sua opinião, qual será o papel do scalper atuando somente nos
mercados eletrônicos?
OE – Teremos que nos adaptar a nova realidade.

A2 – Encontrará mais dificuldades? Se sim, quais?
OE – A dificuldade será em avaliar um sentimento de mercado através de uma tela eletrônica.

A2 – Quais os benefícios de se operar somente em mercados eletrônicos?
OE – Para quem não tinha acesso ao pregão viva-voz é um grande benefício estar plugado diretamente.

A2 - Suas estratégias terão mudanças significativas com o fim do viva-voz?
OE – De certo que sim. Já estou testando, há bastante tempo, novas formas de atuar.

A2- No passado se viam muitas reclamações na imprensa e no sindicato
dos operadores sobre a condição de stress que um operador do pregão
viva-voz passava. Você acha que isso contribuiu para que o viva-voz
fosse esvaziando?
OE – Contribui sim, eu mesmo, cansei de alertar o pessoal que as reinvidicações eram justas, mas iriam contribuir para o esvaziamento do pregão viva-voz.

A2 – Na sua avaliação quais os motivos que levaram o encerramento dos
pregões viva-voz no Brasil?
OE – Muitas coisas, a principal que vale destacar, é o acesso de um número maior de pessoas aos mercados.

A2 – Em termos da chamada “transparência”, o que muda com pregões
exclusivamente eletrônicos?
OE – Este é outro motivo que alegam para a mudança, transparência sempre existiu, os que reclamam, são aqueles que costumam querer transferir o insucesso de uma operação aos operadores de pregão.

A2 - Os mercados terão maior liquidez?
OE – Espero que sim. O mercado vem ganhando liquidez naturalmente. Acredito que com o viva-voz junto teria liquidez maior.

A2 – Em termos de riscos, o que muda com mercados exclusivamente
eletrônicos?
OE – O risco sempre será o mesmo com viva-voz ou sem viva-voz, quando compradores/vendedores somem, somem na tela também.

A2 - Tem alguma avaliação que não foi perguntada e que gostaria de fazer?
OE – Sim. Gostaria de perguntar aos dirigentes e diretores da BM&FBovespa, porque toda vez que eles vão apresentar o mercado a visitantes não apresentam somente as plataformas de negociação? Estranho é levar esse pessoal a um salão imenso da Bovespa sem operações viva-voz. Não é?Queria dizer também, que foi um prazer participar deste trabalho de vocês, que acredito, será de grande valia para todos nós, operadores, dirigentes e investidores do mercado financeiro.

O A2 também agradece a sua participação e Avisa que na próxima quarta feira, divulgaremos mais uma entrevista sobre este assunto.
No final, faremos uma avaliação geral desta importante mudança no “modus operandi” dos mercados.

Saudações

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