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De olho no spread

Os brasileiros têm motivos para comemorar, depois de muita batalha o novo patamar da taxa básica de juros, selic, está abaixo dos dois dígitos, 9,25% ao ano.
Comemorar com moderação e ficar vigilante, pois ainda estamos entre as taxas nominais mais altas do mundo.
Veja o quadro abaixo:
Países com o juro nominal mais alto, ao ano
1 – Venezuela > 21,40%
2 – Rússia > 11,50%
3 – Argentina > 10,50%
4 – Hungria > 9,50%
5 – Turquia > 9,30%
6 – Brasil > 9,25%
7 – África do Sul > 7,50%
8 – Indonésia > 7,00%
9 – China > 5,30%

Foi preciso aumentar muito o superávit fiscal, uma nova lei de concordata, o cadastro limpo, reserva de mais de US$ 120 bilhões, uma crise financeira que varreu o mundo e o PIB brasileiro ficar negativo por dois trimestres consecutivos, recessão técnica, para chegarmos a 9,25% ao ano.

Se a taxa de juros é exageradamente alta, o spread então?
É vergonhoso!

O objetivo desta pesquisa/estudo semanal que faremos,  será esmiuçar  o chamado spread bancário.
O que é este spread bancário?
É a diferença, no mesmo indexador, da taxa que o cidadão recebe quando aplica para taxa que ele paga quando toma empréstimo.
Os bancos emprestam na grande maioria das vezes em taxas pré-fixadas e remuneram em percentual do CDI quase sempre. Para saber o verdadeiro spread de taxas é preciso converter para o mesmo indexador as duas operações.
Exemplo: A taxa básica é só uma referência que na verdade serve para o Tesouro Nacional remunerar seus títulos que são os lastros, garantias, das carteiras dos fundos de investimentos.
Suponha que a média bruta de remuneração para aplicações de R$ 100.000,00 seja 100% do CDI que é igual a 9,11% ao ano e a taxa média de empréstimos 5,55% ao mês. Se a taxa que você aplica se mantiver, já que a que você toma não vai mais se alterar, por ser pré-fixada, teremos o seguinte spread = 5,55%, que é igual a 91,20% ao ano, comparada a taxa de 9,11% dá um spread de 82,09% ao ano.

Notaram que spread é a subtração de uma taxa pela outra e não a diferença percentual como muitos calculam.
Exemplo prático no mercado: um operador pergunta ao outro – como opera a LTN vencimento 01/01/2010? O outro responde – faço 8,90% com 9%, spread de 10 pontos.
Essa é a diferença real que o investidor paga entre a taxa que aplica para a taxa que toma empréstimo.

Iremos aguardar a divulgação das taxas médias dos empréstimos para calcularmos onde foi para o spread bancário e ficarmos atentos, a taxa de aplicação já sabemos a de empréstimos, por enquanto não temos um estudo real. Algumas instituições divulgaram taxas mínimas para algumas modalidades de empréstimos, mínimas não são as praticadas, as praticadas são outras que saberemos em breve. A Anefac tem um ótimo trabalho de divulgação de taxas de juros, que utilizaremos como referência.

Já que vamos tratar de diferença de aplicação para financiamento, é importante acompanhar também a taxa líquida de aplicação, taxa bruta menos os impostos, taxas de administração e tarifas.

Exemplificando mais um pouco para esclarecer o investidor, no estilo da conta da Padaria do Seu José, lá perto da Praça Independência em Santos, apliquei R$ 100 e recebi líquido R$ 110, ganhei 10% em um ano, tomei emprestado R$ 100 e paguei R$ 300, paguei 200% em um ano. Isso é o que vale calcular.

Terça feira que vem voltaremos com mais estudos.

Se você tem algum exemplo prático seu o de alguém próximo a você que queira nos mostrar ou que deseje que se faça o calculo, é só nos enviar.

Vamos ficar de Olho no spread!

Saudações!

COMENTÁRIOS

Nenhum comentário em “De olho no spread”

  1. A conta da padaria foi bastante esclarecedora. Acho que facilitou bastante meu entendimento.

    Obrigado por mais essa iniciativa Waldir. Se você continuar com esse seu trabalho daqui a pouco vai levar o Nobel da Paz ou de Economia. Muito bacana esse seu trabalho.

    Fica aqui meu apoio e admiração! Forte abraço, rodrigo

    Por Rodrigo Gonçalves | junho 16, 2009, 9:44
  2. Grande Kiel

    Teria como vc colocar a tabela de juros descontando a infração.

    Vejo falar que o juros gringos e proximo de zero e a inflação la proxima de 4 como fica os juros la.

    ate a vitória sempre

    Por samuel_dos_reis@hotmail | junho 18, 2009, 13:11
  3. Bom dia !!!

    Tenho uma Cédula de Crédito no valor de R$ 2.000.000,00 com data de emissão: 19/05/2009 e data de Vencimento: 17/08/2009 e taxa de juros: 1,24% a.m + 16,00% a.a + 100% CDI
    Parcela Única

    como seria o cálculo??

    Obrigado

    Jones Matos

    Por JONES MATOS | agosto 7, 2009, 9:27
  4. Jones

    Você tem um título com duas remunerações, uma fixa que que é dada pela taxa de juros de 1,24% mensal, acrescida da taxa fixa de 16% ao ano.
    Você tem que calcular a somatória das duas taxas fixas, se as duas forem de juros compostos = 1,24/100 elevada a 3, multiplicado por 1,16 elevada ao número de dias da aplicação sobre 252. Depois disso você tem que ir acumulando o rendimento diário do CDI até o ultimo dia do vencimento da cédula e multiplicar pelo rendimento da taxa fixa.
    (1,24/100) eleva a 3 X 1,16 elevado ao número de dias úteis sobre 252 X pelo acumulado do CDI diário.

    Por Waldir Kiel | agosto 8, 2009, 1:06

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