Sem categoria

De olho no spread

A Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgou ontem mais uma pesquisa de juros que mostra as taxas cobradas nos empréstimos bancários.

Os dados:

“Das seis linhas de crédito para pessoa física pesquisadas, duas ficaram estáveis (cartão de crédito e CDC-Bancos – Financiamento de veículos) e quatro foram reduzidas: juros do comércio, cheque especial, empréstimo pessoal de bancos e empréstimo pessoal de financeiras. A taxa de juros média geral para pessoa física apresentou redução de 0,02 ponto percentual no mês (0,52 ponto percentual no ano), uma queda de 0,27% no mês (0,39% em doze meses). A taxa passou de 7,28% ao mês (132,39% ao ano) em maio/2009 para 7,26% ao mês (131,87% ao ano) em junho/2009. É a menor taxa média desde abril de 2008.”
“A taxa do cheque especial registrou uma redução de 0,66%, de 7,59% ao mês (140,58% ao ano) em maio para 7,54% ao mês (139,24% ao ano) em junho, a menor da série histórica.”
“Das quatro linhas de crédito pesquisadas para pessoa jurídica, duas ficaram estáveis (capital de giro e conta garantida) e duas foram reduzidas (desconto de duplicatas e desconto de cheques). A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou redução de 0,03 pontos percentual no mês (0,57 ponto percentual em doze meses), uma queda de 0,72% no mês (0,91% em doze meses). Passou de 4,15% ao mês (62,90% ao ano) em maio/2009 para 4,12% ao mês (62,33% ao ano) em junho/2009. É também a menor taxa média desde janeiro/2008.”
“Segundo a Anefac, considerando todas as quedas e elevações da taxa básica (Selic) promovidas pelo BC neste ano houve neste período (dezembro/2008 a junho/2009) redução da Selic de 4,50 pontos, para 9,25% ao ano. No mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma redução de 6,04 pontos percentuais.”

Diante desses números o que fica claro é que à medida que a taxa básica foi sendo reduzida nestes últimos cinco meses, o Spread Bancário foi aumentando.

Uma conta rápida: a selic caiu de 13,75% para 9,25%, redução percentual de 32,73% a taxa dos empréstimos para pessoa física caiu apenas, em média, 0,99%, de 62,90% para 62,33%. Na pessoa jurídica (empresas) a redução média na taxa de empréstimos foi de apenas 0,003%. Isso tudo em taxa ao ano.

O spread bancário tem dois movimentos que fazem com que ele fique alto, no primeiro quando o Banco Central inicia uma subida na taxa básica, os agentes financeiros emprestadores colocam sempre uma taxa adicional aos aumentos do BC em suas taxas de empréstimos, visando uma proteção maior, quando a taxa básica vai recuando eles recuam numa intensidade menor e mais conservadora.
No resumo, toda subida e queda em espaço curto de tempo, provocam um aumento substancial no spread bancário. Entenda-se espaço curto para a economia de um país um prazo entre 1/2 anos.

O presidente do Banco Central do Brasil tentou alertar o mercado de que a curva de juros de longo prazo (as projeções futuras) estava com um prêmio exagerado, elas recuaram um pouco, mas não o bastante.

O mercado vem projetando cores menores e futuros aumentos na taxa básica já em 2010. Sem julgar o motivo, isso faz com que o spread bancário venha a subir novamente.

A crise econômica mundial já emitia seus sinais em 2007, em agosto/setembro de 2008 ela se agravou, mesmo assim o Banco Central, alegando demanda superaquecida, foi subindo a taxa básica e recuando apenas nos últimos cinco meses.

Consumidores e investidores não devem se deixar impressionar com manchetes que apontam a taxa de empréstimos hoje coma a mais baixa de determinado período.
Importante é saber que o chamado spread bancário, a diferença da taxa que ele recebe quando investe para a taxa que paga quando empresta, nunca foi tão alto como hoje.
Não foi por acaso que a inadimplência cresceu 10,4% no primeiro semestre.

Continuamos. De Olho no Spread


A2

* Fontes: Valor Econômico/FolhaNews/Anefac

COMENTÁRIOS

Nenhum comentário em “De olho no spread”

Comente