Divirta.se

Divirta-se

Sexta feira, final de semana chegando, dia de se programar para a diversão e o lazer.
Dia 19 de junho é considerado o Dia do Cinema Brasileiro, nada mais justo que iniciarmos esta seção do A2 com uma homenagem.

História do Cinema Brasileiro

VIVA O CINEMA BRASILEIRO!

O COMEÇO…

Caso alguém pergunte, num futuro distante, qual terá sido o meio de expressão de maior impacto da era moderna, a resposta será quase unânime: o cinematógrafo. Inventado em 1895 pelos irmãos Lumière para fins científicos, o cinema revelou-se peça fundamental do imaginário coletivo do século XX, seja como fonte de entretenimento ou de divulgação cultural de todos os povos do globo.

Desde cedo, o cinematógrafo aporta no Brasil com Affonso Segretto. Segretto, imigrante italiano que filmou cenas do porto do Rio de Janeiro, torna-se nosso primeiro cineasta em 1898. Um imenso mercado de entretenimento é montado em torno da capital federal no início do século XX, quando centenas de pequenos filmes são produzidos e exibidos para platéias urbanas que, em franco crescimento, demandam lazer e diversão.

Nos anos 30, inicia-se a era do cinema falado. Já então, o pioneiro cinema nacional concorre com o forte esquema de distribuição norte-americano, numa disputa que se estende até os nossos dias. Dessa época, destacam-se o mineiro Humberto Mauro, autor de “Ganga Bruta” (1933) – filme que mostra uma crescente sofisticação da linguagem cinematográfica – e as “chanchadas” (comédias musicais com populares cantores do rádio e atrizes do teatro de revista) do estúdio Cinédia. Filmes como “Alô, Alô Brasil” (1935) e “Alô, Alô Carnaval” (1936) caem no gosto popular e revelam mitos do cinema brasileiro, como a cantora Carmen Miranda (símbolo da brejeirice brasileira que, curiosamente, nasceu em Portugal). A criação do estúdio Vera Cruz, no final da década de 40, representa o desejo de diretores que, influenciados pelo requinte das produções estrangeiras, procuravam realizar um tipo de cinema mais sofisticado. Mesmo que o estúdio tenha falido já em 1954, conhece momentos de glória, quando o filme “O Cangaceiro” (1953), de Lima Barreto, ganha o prêmio de “melhor filme de aventura” no Festival de Cannes.

A reação ao cinema da Vera Cruz representa o movimento que divulga o cinema nacional conhecido para o mundo inteiro: o Cinema Novo. No início da década de 60, um grupo de jovens cineastas começa a realizar uma série de filmes imbuídos de forte temática social. Entre eles está Gláuber Rocha, cineasta baiano e símbolo do Cinema Novo. Diretor de filmes como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1968), Rocha torna-se uma figura conhecida no meio cultural brasileiro, redigindo manifestos e artigos na imprensa, rejeitando o cinema popular das chanchadas e defendendo uma arte revolucionária que promovesse verdadeira transformação social e política. Inspirados por Nelson Pereira dos Santos (que, já em 1955, dirigira “Rio, 40 Graus” sob influência do movimento neo-realista, e que realizaria o clássico “Vidas Secas” em 1964) e pela Nouvelle Vague francesa, diretores como Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Ruy Guerra participam dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo, ganhando notoriedade e admiração.

As décadas seguintes revelam-se a época de ouro do cinema brasileiro. Mesmo após o golpe militar de 1964, que instala o regime autoritário no Brasil, os realizadores do Cinema Novo e uma nova geração de cineastas – conhecida como o “údigrudi”, termo irônico derivado do “underground” norte-americano – continuam a fazer obras críticas da realidade, ainda que usando metáforas para burlar a censura dos governos militares. Dessa época, destacam-se o próprio Gláuber Rocha, com “Terra em Transe” (1968), Rogério Sganzerla, diretor de “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) e Júlio Bressane, este dono de um estilo personalíssimo. Ao mesmo tempo, o público reencontra-se com o cinema, com o sucesso das comédias leves conhecidas como “pornochanchadas”.

A fim de organizar o mercado cinematográfico e angariar simpatia para o regime, o governo Geisel cria, em 1974, a estatal Embrafilme, que teria papel preponderante no cinema brasileiro até sua extinção em 1990. Dessa época datam alguns dos maiores sucessos de público e crítica da produção nacional, como “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), de Bruno Barreto e “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980), de Hector Babenco, levando milhões de brasileiros ao cinema com comédias leves ou filmes de temática política. O fim do regime militar e da censura, em 1985, aumenta a liberdade de expressão e indica novos caminhos para o cinema brasileiro.

Essa perspectiva, no entanto, é interrompida com o fim da Embrafilme, em 1990. O governo Collor segue políticas neoliberais de extinção de empresas estatais e abre o mercado de forma descontrolada aos filmes estrangeiros, norte-americanos em quase sua totalidade. A produção nacional, dependente da Embrafilme, entra em colapso, e pouquíssimos longas-metragens nacionais são realizados e exibidos nos anos seguintes.

Após o cataclisma do início dos anos 90, o sistema se reergue gradualmente. A criação de novos mecanismos financiamento da produção por meio de renúncia fiscal (Leis de Incentivo), juntamente com o surgimento de novas instâncias governamentais de apoio ao cinema, auxilia a reorganizar a produção e proporciona instrumentos para que realizadores possam competir, mesmo de modo desigual, com as produções milionárias das majors norte-americanas. Esse período é conhecida como a “Retomada” do cinema brasileiro. Em pouco tempo, três filmes são indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: “O Quatrilho” (1995), “O Que é Isso, Companheiro” (1997) e “Central do Brasil” (1998), também vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim. Nomes como Walter Salles, diretor de “Terra Estrangeira” (1993) e “Central do Brasil” e Carla Camuratti, diretora de “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil” (1995) tornam-se nomes conhecidos do grande público, atraindo milhões de espectadores para as salas de exibição.

Alguns filmes lançados nos primeiros anos do novo século, com uma temática atual e novas estratégias de lançamento, como Cidade de Deus (2002) de Fernando Meirelles, Carandiru (2003) de Hector Babenco e Tropa de Elite (2007) de José Padilha, alcançam grande público no Brasil e perspectivas de carreira internacional.

Em Janeiro de 2009 o Cinema Brasileiro tem um momento histórico: Uma continuação de sucesso com Se Eu Fosse Você 2 de direção de Daniel Filho com Tony Ramos e Glória Pires nos papéis dos protagonistas que ultrapassa 1 milhão de espectadores com menos de uma semana (Fonte: Folha de S.Paulo) Se tornando a segunda maior arrecadação da história do cinema no Brasil, com 49 milhões de reais, perdendo apenas para Titanic.
Cem anos após os irmãos Lumière, o cinema brasileiro reivindica seu papel na história da maior arte do século XX para apresentar, neste catálogo, sua contribuição para o futuro do medium.

* Ministério das Relações Exteriores

Filmes brasileiros em exibição:

*Loki – Arnaldo Baptista (2008) – Documentário
Diretor: Paulo Henrique Fontenelle
Sinopse
Documentário sobre Arnaldo Baptista, fundador dos Mutantes e um dos grandes ícones da música brasileira. Imagens históricas revelam a trajetória do artista desde a infância, o surgimento dos Mutantes, o casamento com Rita Lee, a separação, o fim da banda, a depressão que o levou a uma tentativa de suicídio e a um profundo coma, sua carreira solo e o reencontro com a paz. Com depoimentos do artista, familiares e amigos, como Tom Zé, Lobão, Nelson Motta, Gilberto Gil, Sergio Dias, Dinho Leme, Zélia Duncan, Liminha e Rogério Duprat, além de Kurt Cobain, Sean Lennon e Devendra Banhart.

*Walter Alfaiate – A Elegância do Samba (2009) – Documentário
Diretores: Vital Filho, Emiliano Leal, Paulo Roscio, Rommel Prata, Vitor Fraga
Sinopse
O documentário sobre o músico Walter Alfaiate passeia por Botafogo, bairro onde o artista nasceu e vive até hoje. Artistas e amigos dão depoimentos sobre a dedicação de Walter ao samba, que começou sua carreira na música depois dos 60 anos de idade, sem abandonar o trabalho de alfaite. Com canções de Alfaite em um show inédito e depoimentos de Sérgio Cabral, Regina Casé, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Cristina Buarque de Hollanda, Zeca Pagodinho, Nei Lopes e Aldir Blanc.

*Apenas o Fim (2008) – Comédia, Drama
Diretor: Matheus Souza
Elenco: Érika Mader, Gregório Duvivier, Nathalia Dill, Álamo Faço, Julia Gorman, Marcelo Adnet, Ana Sophia Folch
Sinopse
Garota decide abandonar o namorado e fugir para um lugar desconhecido. Antes de partir, porém, ela resolve encontrá-lo, mas eles têm apenas uma hora para fazer um balanço bem-humorado de suas vidas.

*A Festa da Menina Morta (2008) – Drama
Diretor: Matheus Nachtergaele
Elenco: Daniel de Oliveira, Juliano Cazarré, Jackson Antunes, Cássia Kiss, Dira Paes, Ednelza Sahdo, Conceição Camarotti, Laureane Gomes
Sinopse
Estreia de Matheus Nachtergaele na direção, filme conta a história de Santinho, alçado à condição de líder espiritual numa comunidade ribeirinha do alto Amazonas, a partir de um “milagre” realizado por ele após o suicídio de sua própria mãe. O filme procura ser o retrato íntimo dos envolvidos nesta seita e da capacidade infinita do homem em “criar” fé e buscar um sentido diante de seu horror à morte.

*Cantoras do Rádio (2008) – Documentário
Diretor: Gil Baroni
Sinopse
O documentário resgata a era de ouro do rádio, entre as décadas de 30 e 50. O ponto de partida é o registro do show “Estão Voltando as Flores”, de 2005, em que as cantoras Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas, Violeta Cavalcanti e Ellen de Lima homenagearam dez divas do período.

* A Mulher Invisível (2009) – Comédia Romântica
Diretor: Claudio Torres
Elenco: Selton Mello, Luana Piovani, Vladimir Brichta, Maria Manoella, Fernanda Torres, Paulo Betti, Maria Luisa Mendonça, Lúcio Mauro, Marcelo Adnet, Danni Carlos, Karina Bacchi
Sinopse
Pedro (Selton Mello) acreditava no casamento, mas foi abandonado pela esposa. Após três meses de depressão e isolamento, ele ouve batidas na sua porta. É a mulher mais linda do mundo pedindo uma xícara de açúcar: Amanda (Luana Piovani), sua vizinha. Pedro se apaixona por aquela mulher perfeita, carinhosa, sensível, inteligente, uma amante ardente que gosta de futebol e não é ciumenta. O problema é que Amanda não existe de verdade, só na imaginação de Pedro.

*Um Homem de Moral (2009) – Documentário
Diretor: Ricardo Dias
Sinopse
Documentário musical sobre o compositor Paulo Vanzolini. O diretor Ricardo Dias, de “Os Calangos do Boiaçu” e “No Rio das Amazonas”, que contaram com a participação de Vanzolini, apresenta desta vez um outro compositor: seus sambas, seus amigos e a cidade de São Paulo, tema permanente de sua obra musical.

*Adagio Sostenuto (2008) – Drama
Diretor: Pompeu Aguiar
Elenco: Dedina Bernardelli, Alexandre Borges, Priscilla Rozenbaum
Sinopse
“Adagio Sostenuto” tem como ponto de partida sete meses na vida da cineasta Anna Maria Morelli, casada há 15 anos com o historiador e roteirista José Morelli. Neste período, ambos estão envolvidos com seu novo filme, que também se chama “Adagio Sostenuto”, termo que em linguagem musical significa “movimento lento e sustentado”. Eles decidem sobre o último plano do filme, onde os protagonistas, um casal de velhos professores de história aposentados, que estão prestes a executar um pacto de morte.

*Garapa (2009) – Documentário
Diretor: José Padilha
Sinopse
O filme trata da questão da fome no Brasil, partindo do ponto de vista das suas vítimas, na tentativa de conscientizar a sociedade brasileira a respeito do problema.

*Patativa do Assaré – Ave Poesia (2007) – Documentário
Diretor: Rosemberg Cariry
Sinopse
A vida e a obra do poeta Patativa do Assaré, a relevância dos seus poemas, o significado político dos seus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira. Dono de um ritmo poético de musicalidade única, mestre maior da arte da versificação e com um vocabulário que vai do dialeto da língua nordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa do Assaré é a síntese do saber popular versus saber erudito. Patativa do Assaré consegue, com arte e beleza, unir a denúncia social com o lirismo. Aço e rosa. Quem lê ou escuta a poesia de Patativa do Assaré pensa, emociona-se e conscientiza-se do mundo, porque na sua poesia estão presentes todas as lutas e esperanças do povo; estão reunidas palavras e idéias que se erguem com a dignidade guerreira dos justos, contra todas as formas de obscurantismos e de exploração do homem. No ano de 2001, Patativa do Assaré foi escolhido como um dos mais importantes cearenses do século 20.

*Budapeste (2009) – Drama
Diretor: Walter Carvalho
Elenco: Giovanna Antonelli, Leonardo Medeiros, Paola Oliveira, Debora Nascimento, András Bálint, Djoko Rossich, Nicolau Breyer, Gabriela Hámori, Antonie Kamerling, Ivo Canellas
Sinopse
José Costa (Leonardo Medeiros) é um ghost-writer, escritor especialista em escrever livros para terceiros sob a condição de permanecer anônimo. Na volta de um congresso, Costa é obrigado a fazer uma escala imprevista na cidade de Budapeste, o que desencadeará uma série de eventos envolvendo-o em uma surpreendente história. Casado com Vanda (Giovanna Antonelli), uma famosa apresentadora de telejornais, Costa conhece Kriska (Gabriella Hámori) em Budapeste. Com ela aprende húngaro, que segundo dizem, “é a única língua que o diabo respeita”. Durante as diversas idas e vindas entre o Rio de Janeiro e Budapeste, Costa se alterna entre o seu enfeitiçamento pela língua húngara transformada em paixão por Kriska e suas raízes pessoais ancoradas no seu amor por Vanda. Baseado no famoso livro de Chico Buarque, Budapeste nos leva a uma fascinante viagem de um homem separado entre dois continentes e divido por duas mulheres.

*Ôrí (1989) – Documentário
Diretor: Raquel Gerber
Sinopse
Ôrí documenta os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, passando pela relação entre Brasil e África, tendo o quilombo como idéia central de um contínuo histórico, e apresentando como fio condutor a história pessoal de Beatriz Nascimento, historiadora e militante, falecida trágica e prematuramente no Rio de Janeiro, em 1995. O filme também mostra a comunidade negra em sua relação com o tempo, o espaço e a ancestralidade, através da concepção do projeto de Beatriz, do “quilombo” como correção da nacionalidade brasileira.

*Versificando (2009) – Documentário
Diretor: Pedro Caldas
Sinopse
Documentário em média-metragem que busca captar as origens, as formas e os sentidos do verso improvisado na cultura musical brasileira, convidando a um passeio que percorre desde os gêneros mais antigos do improviso poético brasileiro, como o repente, a embolada, o jongo e o cururu, até os mais recentemente estabelecidos, como o samba de partido-alto e o hip-hop freestyle.

*Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei (2008) – Documentário
Diretores: Cláudio Manoel, Micael Langer, Calvito Leal
Sinopse
“Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei” traça a trajetória impressionante do ex-cabo de exército, que reinou soberano e acabou condenado ao ostracismo por um delito que jurava inocência. Através de depoimentos de amigos, inimigos e, principalmente, de imagens das exuberantes performances do grande artista, o filme mostra também as respostas que nunca apareceram.

*Fumando Espero (2008) – Documentário
Diretor: Adriana L. Dutra
Sinopse
Para abandonar o vício, fumante decide estudar o assunto e fazer um documentário sobre o tema, no qual expõe suas agruras e os vários lados daquela que é considerada a indústria mais letal dos séculos 20 e 21.

 

#Esta primeira semana de estréia foi dedicada exclusivamente ao cinema brasileiro que comemora o seu dia.
Nas próximas semanas nosso caderno divirta-se terá muito mais novidades.

Saudações

A2

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