Victor Jara descanse em paz
Foi publicado neste final de semana pelo jornal espanhol “El País” uma reportagem sobre os últimos dias do compositor e cantor chileno Victor Jara. Victor foi uma espécie de Chico Buarque Chileno. Chico compunha debaixo de uma ditadura e tinha como mote o amor e a vida sofrida dos desvalidos e Victor Jara também falava sobre o amor e sobre dos desvalidos. Ambos pertenciam a uma geração que acreditavam que era possível uma justiça social que passava por liberdade de organização, melhores salários, terra pra quem nela trabalhe saúde e educação pra todos. Essas idéias iam contra o interesse das multinacionais que começavam a ocupar a América. Victor escrevia sobre camponeses, uma vida que conhecia bem já que era filho de camponês. Foi seminarista onde se educou, mas preferiu a musica e ser diretor de teatro. Acredita que o governo de Salvador Allende dava os primeiros passos para a solução dos problemas sociais. Nomeado embaixador cultural do governo Allende, Victor, ainda prefere estar com os carentes, é com ele que se identifica. O teatro nos anos 50 e 60 sofriam uma transformação e foi um instrumento importante de levar idéias e assim tanto no Chile quanto no Brasil floria com novos dramaturgos e novas formas de interpretação.
No Brasil as canções de Victor Jara chegavam para os jovens através de Violeta Parra, Mercedes Sosa e de grupos como Tarancon. Era uma busca não pelas raízes brasileiras, mas pelas raízes latinas americanas. “Eram canções como “Te Recuerdo Amanda”, “Lo Único que tengo”, “Drume Negrito”, “El Cigarrito” que falavam de amor e da capacidade do homem em criar coisas. Com a queda de Allende, em 11 de setembro de 1973, chega a noticia que Victor estaria preso no estádio do Chile, local escolhido para manter os adversários do golpe. E lá Victor teria as mãos amputadas para que não mais pudesse compor. Isso me lembra uma coluna de Antonio Maria, pernambucano que vivia no Rio a fazer letras de musica e escrever crônicas, onde certa feita teve seus dedos das mãos quebradas por escrever contra os poderosos. No dia seguinte a coluna estampava: “Que tolos, eles pensam que os jornalistas escrevem com as mãos”.
Agora o jornalista Manuel Délano do El País, narra dizendo que Victor foi preso quando os militares cercaram a Universidade Técnica do Estado onde dava uma palestra. Funcionários, professores, funcionários e alunos foram encaminhados para o Estádio do Chile. Lá Victor foi reconhecido e foi surrado. Segundo testemunhas o oficial conhecido por El Príncipe, surrava, chutava Victor que estava caído e quando não podia mais sacou um revolve e começou a goleá-lo. Tempos depois Victor Estava morto e como tantos outros mortos foram enterrados como desconhecido. Depois de uma batalha judicial seu corpo foi encontrado e na semana que passou a viúva e filhas puderam enterrar Victor. Essa morte tem o mesmo significado da morte do poeta espanhol Federico Garcia Lorca pelos soldados franquistas. Se for um bom momento para lembrar Victor Jara é também um momento para reforçar que a arte é mais terrível do que a espada e que a ditaduras a temem.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.
Foi publicado neste final de semana pelo jornal espanhol “El País” uma reportagem sobre os últimos dias do compositor e cantor chileno Victor Jara. Victor foi uma espécie de Chico Buarque Chileno. Chico compunha debaixo de uma ditadura e tinha como mote o amor e a vida sofrida dos desvalidos e Victor Jara também falava sobre o amor e sobre dos desvalidos. Ambos pertenciam a uma geração que acreditavam que era possível uma justiça social que passava por liberdade de organização, melhores salários, terra pra quem nela trabalhe saúde e educação pra todos. Essas idéias iam contra o interesse das multinacionais que começavam a ocupar a América. Victor escrevia sobre camponeses, uma vida que conhecia bem já que era filho de camponês. Foi seminarista onde se educou, mas preferiu a musica e ser diretor de teatro. Acredita que o governo de Salvador Allende dava os primeiros passos para a solução dos problemas sociais. Nomeado embaixador cultural do governo Allende, Victor, ainda prefere estar com os carentes, é com ele que se identifica. O teatro nos anos 50 e 60 sofriam uma transformação e foi um instrumento importante de levar idéias e assim tanto no Chile quanto no Brasil floria com novos dramaturgos e novas formas de interpretação.
No Brasil as canções de Victor Jara chegavam para os jovens através de Violeta Parra, Mercedes Sosa e de grupos como Tarancon. Era uma busca não pelas raízes brasileiras, mas pelas raízes latinas americanas. “Eram canções como “Te Recuerdo Amanda”, “Lo Único que tengo”, “Drume Negrito”, “El Cigarrito” que falavam de amor e da capacidade do homem em criar coisas. Com a queda de Allende, em 11 de setembro de 1973, chega a noticia que Victor estaria preso no estádio do Chile, local escolhido para manter os adversários do golpe. E lá Victor teria as mãos amputadas para que não mais pudesse compor. Isso me lembra uma coluna de Antonio Maria, pernambucano que vivia no Rio a fazer letras de musica e escrever crônicas, onde certa feita teve seus dedos das mãos quebradas por escrever contra os poderosos. No dia seguinte a coluna estampava: “Que tolos, eles pensam que os jornalistas escrevem com as mãos”.
Agora o jornalista Manuel Délano do El País, narra dizendo que Victor foi preso quando os militares cercaram a Universidade Técnica do Estado onde dava uma palestra. Funcionários, professores, funcionários e alunos foram encaminhados para o Estádio do Chile. Lá Victor foi reconhecido e foi surrado. Segundo testemunhas o oficial conhecido por El Príncipe, surrava, chutava Victor que estava caído e quando não podia mais sacou um revolve e começou a goleá-lo. Tempos depois Victor Estava morto e como tantos outros mortos foram enterrados como desconhecido. Depois de uma batalha judicial seu corpo foi encontrado e na semana que passou a viúva e filhas puderam enterrar Victor. Essa morte tem o mesmo significado da morte do poeta espanhol Federico Garcia Lorca pelos soldados franquistas. Se for um bom momento para lembrar Victor Jara é também um momento para reforçar que a arte é mais terrível do que a espada e que a ditaduras a temem.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.
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