Divirta.se

Tempo de comemorar, beber, comer, descansar e ler

Tempo de comemorar, beber, comer, descansar e ler
Esse é o período do ano em que se busca descansar, ir pra praia, visitar a família e o livro é um bom companheiro e um bom presente.
“Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista” é uma delícia e de leitura fácil.  São textos de Joel Silveira escritos ao longo dos anos 40 (século passado). Joel foi um dos poucos correspondentes de guerra do Brasil que atuou na frente de batalha.  Dono de um texto ácido, astuto observador e por muitas vezes gozador tem nesses textos uma visão do quanto à sociedade paulista se considerava européia. Um dos melhores textos do livro é sem dúvida ao que dá título ao livro, “Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista”. A reportagem é sobre a grande festa que o Conde Matarazzo Jr. deu por ocasião do casamento de sua filha Flly com o carioca João Lage.  Mostrava o quanto eram esnobes e transitavam num meio social que disputavam opulência herdada pela nossa “fina flor da sociedade” que ficam a exibir seus carros importados, suas compras na Daslu e nas suas viagens. A maneira como ele trata a alta sociedade paulista é de uma mordacidade onde mostra as contradições de uma sociedade abastada. Um dos grandes momentos do livro é quando diz que os operários saem das fábricas cansados outra turma entra pela noite para se cansar. E que o Conde Matarazzo gastou dinheiro tão fácil e rápido quanto uma barra de manteiga numa chapa quente. Outro momento divertidíssimo é como ela descreve as senhoras paulistas em seus almoços e gastam suas tardes a joga pif paf. O livro não é só isso traz crônicas curtas e bem-humoradas sobre a vida cultural do Rio, além de textos situados entre o perfil e a entrevista, retratando escritores e artistas como Monteiro Lobato, Agripino Grieco, Antônio Nássara, Candido Portinari e João Cabral de Melo Neto.  Joel fez parte de uma geração de jornalista que além de boêmios e de viver em contato com artistas e intelectuais gostavam de escrever. Hoje as grandes reportagens estão nos livros por que os grandes jornais não abrem mais espaço.  Podemos dizer que Joel Silveira pelo seu estilo foi pioneiro naquilo que nasceu nos Estados Unidos  entre os anos 40 e 50 e que ficou conhecido como ” New Journalism”, onde a reportagem tem sabor de romance. Cuidado você corre o risco de ler o livro nos primeiros dias de férias e não ter o que le depois.
Neste um ano e poucos meses o mundo entrou em crise e alguns conseguiram sair e a conclusão é uma só, faliu o neoliberalismo. Era uma morte anunciada já que a Europa foi a primeira a querer mudar sem saber para onde, não havia uma alternativa conhecida. A idéia neoliberal que o mercado se ajusta sem precisar de regras e intervenção do estado deu no que deu. Diante disso sugiro a leitura do livro “Considerações sobre o marxismo ocidental/ Nas trilhas do materialismo histórico” de Perry Anderson. Perry é professor de história na UCLA – University of Califórnia, Los Angeles.  O livro reúne dois ensaios escrito há mais de 20 anos i a partir de um célebre ensaio do filosofo Maurice Merleau-Ponty. O mais interessante é que os ensaios destroem a idéia de revolução imposta por Stalin que interpretava os textos de Marx de uma maneira mecanicista e positivista deixando de lado o caráter científico.  Nesses ensaios passam intelectuais europeus que tendo como base os textos de Marx enveredaram pelos domínios da cultura, da subjetividade e da filosofia.  Uma leitura que nos põe a pensar.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

Esse é o período do ano em que se busca descansar, ir pra praia, visitar a família e o livro é um bom companheiro e um bom presente.

15_MVG_cult_joel“Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista” é uma delícia e de leitura fácil.  São textos de Joel Silveira escritos ao longo dos anos 40 (século passado). Joel foi um dos poucos correspondentes de guerra do Brasil que atuou na frente de batalha.  Dono de um texto ácido, astuto observador e por muitas vezes gozador tem nesses textos uma visão do quanto à sociedade paulista se considerava européia. Um dos melhores textos do livro é sem dúvida ao que dá título ao livro, “Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista”. A reportagem é sobre a grande festa que o Conde Matarazzo Jr. deu por ocasião do casamento de sua filha Flly com o carioca João Lage.  Mostrava o quanto eram esnobes e transitavam num meio social que disputavam opulência herdada pela nossa “fina flor da sociedade” que ficam a exibir seus carros importados, suas compras na Daslu e nas suas viagens. A maneira como ele trata a alta sociedade paulista é de uma mordacidade onde mostra as contradições de uma sociedade abastada. Um dos grandes momentos do livro é quando diz que os operários saem das fábricas cansados outra turma entra pela noite para se cansar. E que o Conde Matarazzo gastou dinheiro tão fácil e rápido quanto uma barra de manteiga numa chapa quente. Outro momento divertidíssimo é como ela descreve as senhoras paulistas em seus almoços e gastam suas tardes a joga pif paf. O livro não é só isso traz crônicas curtas e bem-humoradas sobre a vida cultural do Rio, além de textos situados entre o perfil e a entrevista, retratando escritores e artistas como Monteiro Lobato, Agripino Grieco, Antônio Nássara, Candido Portinari e João Cabral de Melo Neto.  Joel fez parte de uma geração de jornalista que além de boêmios e de viver em contato com artistas e intelectuais gostavam de escrever. Hoje as grandes reportagens estão nos livros por que os grandes jornais não abrem mais espaço.  Podemos dizer que Joel Silveira pelo seu estilo foi pioneiro naquilo que nasceu nos Estados Unidos  entre os anos 40 e 50 e que ficou conhecido como ” New Journalism”, onde a reportagem tem sabor de romance. Cuidado você corre o risco de ler o livro nos primeiros dias de férias e não ter o que le depois.

_2005set17_perryandersonNeste um ano e poucos meses o mundo entrou em crise e alguns conseguiram sair e a conclusão é uma só, faliu o neoliberalismo. Era uma morte anunciada já que a Europa foi a primeira a querer mudar sem saber para onde, não havia uma alternativa conhecida. A idéia neoliberal que o mercado se ajusta sem precisar de regras e intervenção do estado deu no que deu. Diante disso sugiro a leitura do livro “Considerações sobre o marxismo ocidental/ Nas trilhas do materialismo histórico” de Perry Anderson. Perry é professor de história na UCLA – University of Califórnia, Los Angeles.  O livro reúne dois ensaios escrito há mais de 20 anos i a partir de um célebre ensaio do filosofo Maurice Merleau-Ponty. O mais interessante é que os ensaios destroem a idéia de revolução imposta por Stalin que interpretava os textos de Marx de uma maneira mecanicista e positivista deixando de lado o caráter científico.  Nesses ensaios passam intelectuais europeus que tendo como base os textos de Marx enveredaram pelos domínios da cultura, da subjetividade e da filosofia.  Uma leitura que nos põe a pensar.

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.

*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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