Divirta.se

Preciosa? Nem tanto.

Voltando do carnaval voltamos aos filmes do Oscar. Dois filmes indicados ao Oscar atraem a atenção nas salas de cinema. “Guerra ao Terror” dirigido por Kathryn Bigelow e “Preciosa” de Lee Daniels. Dois filmes interessantes que embora sejam ficção trazem dados da realidade. Do “Guerra ao Terror” já falamos e por isso vou me deter a falar de “Preciosa”, história de Clarice Precious Jones escrito por Sapphire. Sapphire é uma poetisa e artista performática nas Cida na Califórnia. Faz parte de uma parte da comunidade negra americana que se dedica militar na própria comunidade. Uma atitude que nasceu com Malcolm X e com os Panteras Negras.  O livro “Push” escrito na sua experiência como atendente a um abrigo para mulheres no Harlem.  A personagem é um exemplo do que sofre uma adolescente negra americana sem orient ação.  Segregada até nas suas relações sociais. Algo parecido com o que se dizia sobre descriminação nos anos 70:
“O Cúmulo do preconceito é ser mulher, negra, pobre, comunista, homossexual”. No caso de Preciosa ela é uma adolescente negra, obesa, pobre, analfabeta, sexualmente abusada e grávida do pai, a primeira filha tem síndrome de down e é espancada pela mãe que vive do dinheiro do serviço social. Todas as caracteristicas que a adolescente negra americanas sofre. Pode parecer exagerado na sua dramaticidade, mas essa é a realidade dessas jovens mães americanas. Só faltava ser drogada para ser mais dramático. É outra  realidade das adolescentes americanas que não se envolvem com drogas e que sonham um dia ser mais feliz. E é assim que Precious vai vivendo a cada dia de sua vida.  Sua fuga para essa triste realidade é sonhar ser um “star” super bem vestida, roupas caras e sempre acompanhada por jovens bonitos. Sua auto estima só começa a melhorar quando vai para uma escola alternativa, as tradicionais não aceitam jovens grávidas. E é nessa escola que conhece a professora, que como a autora ajuda as jovens problemáticas.  Precious passa a ter domínio de sua própria vida abandonando a casa da mãe. Destaque é para Gabourey Sidibe no papel de Precious e no papel da mãe espancadora e exploradora comediante Mo’Nique. Sua participação nesse papel dramático reforça a idéia de que comediantes são grandes atores dramáticos, outro exemplo é Jerry Lewis.
O filme chega forte para concorrer ao Oscar. Foi sensação do Festival de Sundance do ano passado, recebeu 3 indicações para o Globo de Ouro, seis ao Critcs’ Choice Award e principalmente por ter sido produzida por Oprah Winfrey, a mais prestigiada entrevistadora americana e sempre envolvida com as causas negras.

Uma frase do talmude que abre o livre dá o tom do filme “Toda Folha da Grama tem seu anjo que se cubra sobre ela e sussurra “Cresce, cresce”

Direção: Lee Daniels. Elenco está a comediante Mo’Nique, Paula Patton e Mariah Carey.

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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