Divirta.se

Pirotecnia eletrônica ou arte

Começa hoje em São Paulo a 11ª edição do FILE que apresenta a arte do século XXI. Uma apresentação lúdica que nos coloca num dilema entre o que é arte e o que é espetáculo. Vamos ficar com a definição de que a arte é a representação da problematização de um momento histórico. Essa problematização nasce das relações sociais daquele momento histórico. Que critérios se utilizam para definir uma obra de arte. Vou usar aqui a definição de Jorge Coli do livro “O que é arte” diz que para definir o que é ou não arte a cultura possui instrumentos específicos que conferem ao objeto o estatuto de arte, um deles é o discurso sobre o objeto artístico, uma análise crítica de um especialista em arte que tem competência e autoridade para julgá-la arte ou não e a partir de seus conhecimentos pode classificá-la por diferentes estilos.

Esse desvario tecnológico pode representar o sentimento de uma época. Essa dúvida surgiu há quase um século com o surgimento do “Dadaísmo” e “Surrealismo” que ao surgir rompeu com tudo o que se conhecia como arte. É nessa esteira que nasce a arte cinética cujo seu representante é Alexander Calder. Com ele as esculturas se movem principalmente ao sabor dos ventos. Surgiam para consumo os móbiles. Pois bem, o File vai transformar a Avenida Paulista numa galeria aberta para seus artistas eletrônicos possam apresentar sua obra.

Para se ter uma idéia de como o File vai acontecer separei em três partes para melhor entender.

1 – ARTE INTERATIVA: por arte interativa entende-se toda a pesquisa e experiência no âmbito da arte que utiliza mídias interativas e que leva em consideração a interseção entre arte, ciência e tecnologia, bem como as possíveis transversalidades com outras disciplinas, sendo: instalações, performances, projetos de internet, realidade virtual, realidade aumentada, mesas multitoques, objetos digitais, projeções outdoor, projetos para celulares, grafites eletrônicos, VRML, etc.

2 – LINGUAGEM DIGITAL: por linguagem digital entendem-se todas as pesquisas e experiências no amplo âmbito da multiplicidade das disciplinas que utilizam mídias digitais, bem como as possíveis transversalidades entre elas, sendo: jogos digitais (em todas as suas modalidades), animações (em todas as suas modalidades), cinema digital, maquinemas, vídeo digital, arquitetura digital, moda digital, design digital, robótica, vida artificial, arte biológica, arte transgênica, arte-software, novas interfaces, second life performances, animes, hipertextos, roteiros não lineares, inteligência artificial, fotografias-panoramas digitais, linguagem de programação, poesia digital, dança digital, etc.

3 – SONORIDADE ELETRÔNICA: por sonoridade eletrônica entendem-se todas as pesquisas e experiências no âmbito dos sons, portanto tendo uma abrangência maior que o âmbito da música e aberta às possíveis transversalidades com outras disciplinas, sendo: performance sonora, instalações sonoras, arte sonora, música genética, música biológica, música eletrônica erudita, música pop-eletrônica, dramaturgia radiofônica, rádio-arte, paisagem sonora, robótica sonora, videomúsica, poesia sonora, etc.

Livre pensar e criar são só pensar e criar diante desses recursos tecnológicos. Fica agora por conta dos artistas darem alma a essas artes e fazer com que emocione tanto quanto um Monet ou um Portinari.

Saiba mais da programação pelo site: www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_expo.asp

 

 

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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