Divirta.se

Oscar, o que falar dele

Se ficarmos só na superfície de quem ganhou ou perdeu o Oscar não tem mais razão de ser. Se prestarmos atenção no que foi a sua apresentação podemos discutir alguns aspectos interessantes. “Guerra ao Terror”, um filme de orçamento barato venceu “Avatar” uma produção milionária. Isso indica que quem faz a máquina da indústria cinematográfica funcionar acreditam que o filme tem que ter ser humano para ser exibido para ser humano.
O “Avatar” é um filme cheio de efeitos especiais que se assemelham muito mais a um vídeo game onde batalhas são travadas no virtual. E é sobre isso que “Guerra ao Terror” leva vantagem. Embora seja ficção é uma realidade que o publico americano convive não só nos jornais e na TV, mas no seu dia a dia. Um enorme contingente das forças armadas assedia jovens para se alistar e lutar fora dos Estados Unidos. Os pais por mais patriotas que sejam não querem ver seus filhos voltando em caixões ou mutilados. Parece-me que sentir orgulho de ter um filho (a) morto em combate é mais um artifício para suportar uma perda do que um ato de patriotismo. Hollywood produziu vários filmes antibélicos como “Mash” e “Johnny Vai a Guerra” que em sua época foram criticados por essa posição.
Hoje esse tipo de filme como “Guerra ao Terror” sinaliza ao presidente Obama que deve sair o mais rápido possível do Iraque e do Afeganistão atendendo a um apelo da sociedade americana e contrariando o lobby da indústria bélica que ganha bilhões de dólares com essas guerras. Embora ache o filme fraco, gosto mais do “Lebbanon”, “Guerra ao Terror” cumpre seu papel tanto artístico quanto político.
Cinco premiações para “Preciosa” é algo de se surpreender tanto quanto surpreendeu a eleição de um negro para a presidência americana.  O negro vem lutando desde os anos 50 para terem um espaço na sociedade americana.  ”Panteras Negras”, “Malcolm X”, “Direitos Civis” foram alguns momentos dessa luta e embora o racismo e o preconceito não tenham sido eliminados aos poucos vão conseguindo seu lugar.
“Preciosa” recebeu cinco e levou todas. A história da adolescente abusada sexualmente pelo pai recebeu os prêmios de melhor filme, melhor direção (Lee Daniels), melhor atriz (Gabourey Sidibe), melhor atriz coadjuvante (Mo’Nique) e melhor roteirista estreante (Geoffrey Fletcher).  Os cinco premiados choraram por que representam ali não um filme, mas uma dura realidade, tão dura quanto os jovens que no Iraque desarmam explosivos diariamente. Assim como “Guerra ao Terror”, “Preciosa” expõe a sociedade americana duas duras realidades que o radical poder branco americano esconde debaixo do tapete.
No discurso da Mo’Nique ela ressaltou que Hollywood tem que cada vez mais ficar atento as atuações e não nas políticas de bastidores. A premiação do roteirista e do diretor, dois iniciantes praticamente, mostra que Hollywood tem dar espaço para iniciantes e esse tipo de filme, barato pelo orçamento de produção americano. Nesse sentido o Oscar mostrou uma face triste da América no seu glamour de premiações.
PS: Torci tanto pelo “A Fita Branca”, de Haneke.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

COMENTÁRIOS

2 Comentários em “Oscar, o que falar dele”

  1. Lazaro, Preciosa só ganhou em roteiro original e Atriz coadjuvante… Não 5 estatuetas como vc disse

    Por Giovani Damiano | março 9, 2010, 19:33
  2. Para um jornalista que trabalhou em todos esses importantes meios de comunicação, já era para ter aprendido a revisar um texto e a checar informações antes de afirmá-las. Pelo amor de Deus…

    Por Safira | agosto 6, 2010, 22:03

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