Com a ampliação de 6 para 10 filmes indicados para a categoria de melhor filme aumenta ainda mais a corrida ao cinema. É a lógica da indústria cultural do cinema americano para atrair mais espectadores. Como Oscar é Oscar algumas apostas começam a surgir entre o que gostam de cinema, nem que seja para falar mal. Para a categoria de melhor filme foram indicados “Avatar”, “Distrito 9″, “Bastardos Inglórios”, “Amor Sem Escalas”, “Up -Altas Aventuras”, estão ou já passaram pelos cinemas. Devem estrear “The Blind Side”, “Educação Preciosa”, “A Serious Man” e o previsto para amanhã “Guerra ao Terror”.
As apostas estão apontando para “Avatar” como o grande vencedor, mas depois da premiação da “Guerra ao Terror” (The Hurt Locker) como melhor filme dado pela PGA- Producers Guild of America, e pelo DGA- Directors Guild of America já não existe tanta certeza. É irônico um filme caro perder para um filme de produção mais modesta. O que vai acontecer é que um ganhará como melhor filme e o outro como melhor filme. Um contrasenso já que o melhor diretor dirige o melhor filme. Como já aconteceu antes pode acontecer de novo. Não acho brilhante o “Guerra contra o Terror”, mas considero importante. A meu ver o “Lebanon” como filme de guerra muito superior. Se em “Guerra ao Terror” mostra uma equipe dos soldados americanos que tem a missão diária de desmontar artefatos explosivos. O medo de morrer e o vício de manter a adrenalina alta é o filme. Em “Lebanon” o filme mostra um grupo de soldados israelense que dirigem um tanque e por segurança não podem sair dele e vêem a guerra pelo visor do tanque. Uma idéia interessante. Se “Guerra ao terror” concorre ao Oscar com algumas premiações nas costas torna interessante e é um bom chamariz de público.
O que torna interessante o “Guerra ao Terror” é a possibilidade de aproximar os horrores da guerra aos americanos. Mostrar como seus heróicos filhos defensores da liberdade vivem e sofrem e mais do que isso por que voltam aos Estados Unidos feridos e desajustados. É quando a realidade é mais dramática que a ficção. Guerra ao Terror”. direção:Kathryn Bigelow. elenco Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Evangeline Lilly
Outro filme que entra em cartaz é “Que Resta do Tempo” (The Time That Remains) Em parte autobiográfico, o filme reconstrói quatro episódios que marcaram a família do diretor palestino Elia Suleiman, entre 1948 e o tempo atual. Inspirado pelos diários de seu pai, enquanto era combatente da resistência, e pelas cartas de sua mãe aos familiares expatriados, Suleiman reconstitui o cotidiano dos intitulados “árabes-israelenses”, desde o momento em que escolheram permanecer em sua terra natal e passaram a viver como minoria. Trata-se de memórias íntimas que constantemente se confundem com a história coletiva de um país em desaparecimento.
É curioso ver o personagem pai cheio de vigor quando jovem a lutar contra a ocupação pelo Estado de Israel e como vai definhando com o passar do tempo assim como a Palestina. A melhor cena, que demonstra esse definhamento, é uma escola palestina cantando canções de Israel. Participou da competição do Festival de Cannes 2009 e participou no Festival do Rio 2009 e na 33ª Mostra de Cinema de SP. “O que resta do tempo”, direção: Elia Suleiman. Elenco: Ali Suminan, Saleh Bakri, Amer Hlehel, Nati Ravitz, Lotuf Neusser, Menashe Nov, Doraid Liddawi, Yasmine Haj, George Khleifi, Isabelle Ramadan, Ziyad Bakri, Avi Kleinbergr, Leila Muammar.Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.




COMENTÁRIOS
Nenhum comentário em “Os filmes do Oscar começam a chegar aos cinemas”