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Olha aí gente, o carnaval ta chegando

Estamos a um mês do carnaval, uma festa que merece uma reflexão. Um feriado prolongado que agita a todos. Uns querem curtir o carnaval e assistem aos desfiles de São Paulo que acontece na sexta e sábado e depois assistem aos do Rio de Janeiro no domingo e segunda. Outros seguem para o nordeste e brincam em Salvador e Recife/Olinda. Único fato a lamentar que o carnaval tradicional, que ainda mantinha suas tradições da cidade de São Luiz do Paraitinga não vai acontecer esse ano. Uma festa que com a possibilidade de se brincar 24 horas nos blocos e cordões de rua aumentavam ano a ano o numera de visitantes e isso a chuva levou. Há outra parcela que segue para sua cidade de origem para ver a família ou seguem célere para as praias. Seja lá qual for o caso o que os une é o feriado prolongado.
Essa festa que nasce do samba na casa da Tia Ciata. As baianas Hilárias Batista de Almeida e sua irmã Bibiana eram tias respeitadas na Pequena África (que envolvia os bairros Estácio, Gamboa e Santo Cristo) Hilária, conhecida como Ciata de Oxum ou Tia Ciata, era mãe de santo. Nos fundos da casa dela, sempre tinha batuque de candomblé. Na sala, saraus de choro e maxixe. Músicos como Pixinguinha e Donga freqüentavam a casa de Tia Ciata. Foi da mistura do batuque forte dos terreiros yorubanos, com a cadência do jongo, a dança dos bantus e a música urbana do maxixe e do choro que o samba nasceu. Não é à toa que Carlos Cachaça, um dos maiores sambistas cariocas, dizia que o samba era ponto de macumba com letra profana.  A Pequena África era formada por gente recém liberta como descendentes dos negros bantus de Angola vindos das lavouras de café do interior do estado do Rio e filhos e netos de yorubanos do Congo, alguns deles vindos da Bahia. O acaso, e sempre o acaso reuniu esses negro nas encostas dos morros da cidade do Rio de Janeiro. As expedições criadas para combater o movimento de Antonio Conselheiro foram incorporando em seus quadros os negros durante o trajeto até Canudos. Uma vez terminada a batalha os negros foram dispensados no Rio de Janeiro sem qualquer preocupação por parte da República do que com eles. Rapidinhos foram ocupando as encostas do morro e com o tempo passou a se chamar favela, uma referencia ao morro favela onde ficaram os canhões da Republica apontadas para Canudos.
Muito desses negros vieram da Bahia onde já existia o chamado samba baiano que se adaptou na Pequena África e deu origem ao desfile de escolas de samba. Embora existisse a escola de samba desde os anos 20 elas passam a ser prestigiadas nos anos 50 quando as revistas como Cruzeiro e Manchete traziam em suas páginas fotos de vedetes do teatro de revista seminuas a desfilar. Isso conferia uma popularidade e virou moda que até hoje e as escolas de samba abrem espaço para atrizes desfilarem.
Hoje o desfile das Escolas de Samba é um chamariz de turista e os camarotes mais caros são destinados a eles e pra assistir só na geral ou desfilando. Minha sugestão é acompanhar os ensaios das escolas de samba que é um espetáculo a parte mesmo que prefira a praia e restam poucos finais de semanas. Ainda falaremos sobre os sambas e o preconceito que os roqueiros têm do samba.
 
 
Lazaro de Oliveira
 
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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