Zé Celso se prepara para percorrer com seu Teatro Oficina o Brasil. Dia 17 segue para o Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Pará, Amazonas e Belo Horizonte. Uma viagem de dez meses, até dezembro de 2010, para quatro sessões únicas das quatro peças do repertório encenadas em 2008, 2009 e 2010, e para encontros com os artistas locais em oficinas Uzyna Uzona. Foram selecionados 4 espetáculos, Taniko, o Rito do Mar, no japonês que narra a viagem iniciativa dos peregrinos em busca de remédio para a mãe do aprendiz Cogata que os acompanha, um espetáculo-culto de meditação espacial e atuação teatral; Estrela Brasileira a Vagar – Cacilda!, segunda parte da maxi-série teatral sobre a vida-obra da grande atriz estrela Cacilda Becker, produzida no final do ano passado; Bacantes, a origem do Teatro através do rito de nascimento, morte e renascimento do deus do vinho, e do teatro Dionísios e Banquete, o diálogo de Platão virado Boris a Eros pelo Oficina que encerrará cada jornada em uma festa de beber sabedoria na insânia.
Zé Celso com seu Teatro Oficina ao lado do Teatro de Arena foi um dos marcos do teatro brasileiro. Zé Celso dirige no início três grandes espetáculos “O Rei da Vela” de Oswald de Andrade como que anunciando a vinda da “Tropicália”. “Roda Viva” primeiro texto de Chico Buarque teatro e que foi invadido pelo CCC- Comando Caça Comunista. E Galileu Galilei de Bertold Brecht. Desses só assisti a esse último e confesso que me abriu a cabeça. Galileu é obrigado perante a inquisição a renegar suas teorias que contra os ditames da igreja e que o homem não era o centro do universo. Estava posto a terrível situação de você abrir mão de seus princípios para não ir para a fogueira da inquisição.
Passamos por isso na ditadura que na ocasião se instala. Como conciliar com suas idéias e sair vivo. Essas encenações aconteceram em 1968. Em 1969 o Living Theatre (grupo teatral americano de vanguarda que era liderado por Julien Beck e Judith Malina) chegava ao Brasil para se apresentar através de um convite informal que Zé Celso e Renato Borghi tinha feito ao grupo. O contato entre o Living e o Oficina gerou uma crise. Zé Celso que conheceu Renato Borghi na faculdade de Direito do Largo São Francisco abandonaram a carreira de advogado para se dedicar ao teatro. Fundaram o Teatro Oficina e lado a lado iam construindo a história daquele núcleo de teatro. O Oficina, a partir de então, decidiu optar por uma postura mais irreverente tal qual conheceram o Living Theatre e buscou se apresentar em locais menos convencionais como ruas e praças públicas. A lógica do Teatro dava lugar ao Teatro: as apresentações eram semelhantes aos happenings dos anos 60 e o grupo se apresentou pelo Brasil inteiro. Aquilo tudo era muito estranho para os atores brasileiros e aos poucos foram saindo Itala Nandi, Fernando Peixoto. Ficou só Zé Celso e Renato Borghi. Durante o intervalo da apresentação Galileu Galilei, Renato Borghi que substituía Claudio Correa e Castro no papel principal foi surpreendido no camarim um happening com público destoando da direção original. Borghi abandonou o teatro e foi embora e nem soube como aquela encenação terminou.
Pois é, é com esse jeito carnavalesco que Zé vem montando seus espetáculos desde então. “Espetáculos longos com até seis horas de duração e que são fantásticas montagens como “Canutos”, Cacilda Becker” e “Bacantes”. Pois é esse espetáculo alegórico que O Brasil vai conhecer.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.




COMENTÁRIOS
Nenhum comentário em “Oficina itinerante. Zé Celso percorre o Brasil”