Divirta.se

Filmes

Os cineastas gregos como Michael Cacoyannis e Costa Gravas fizeram a cabeça da minha geração ao lado de cineastas japoneses, alemães, franceses, italianos e ingleses. A diferença o estranhamento nos atrais e foi com eles que aprendemos sobre o sentimento do mundo. Com os gregos era possível conhecer as mazelas da ditadura grega. Iamos correndo assistir “Z” “Z”, “Zorba, o Grego” e a belíssima Melina Mercuri em” Quando os Peixes Sairem D’água”.  Theo Angelopoulos veio mais tarde e não nega essa tradição.  “A Poeira do Tempo” é o segundo filme de uma trilogia Theo Angelopoulos que começou com” O Vale dos Lamentos de 2004″. Seus primeiros filmes são painéis históricos e políticos que ainda refletem a crença na primazia do coletivo sobre o individual.
“A”, um diretor de cinema americano de ascendência grega, está fazendo um filme que conta sua história e a história de seus pais, um conto que se desdobra na Itália, Alemanha, Rússia, Cazaquistão, Canadá e EUA. O personagem principal é Eleni, que reivindica o poder absoluto do amor. Ao mesmo tempo, o filme é uma longa jornada pela vasta história e os eventos dos últimos 50 anos que marcaram a trajetória da família do cineasta no século XX. A poeira do tempo confunde memórias. Os personagens do filme se movimentam como em um sonho. “A” procura por eles e vive suas experiências no presente. É o reflexo da guerra fria, onde muitos se engajaram na luta por uma Grécia melhor. O socialismo era o sonho partilhado por todos. Logo após o término da Segunda Guerra Mundial a guerra civil grega transcorreu entre os anos de 1944 e 1949. Os socialistas e comunistas foram derrotados por que Stalin não apoiou em cumprimento ao tratado de Yalta quando então o mundo foi dividido entre capitalistas e comunistas. O filme é narrado como se fosse uma lembrança, aonde se vai tirando a poeira do tempo. Quem assistiu “Paisagem na Neblina” que foi muito falado em época de sua exibição pode acompanhar a retrospectiva de Theo Angelopulos. “A Poeira do Tempo” deve entrar em circuito comercial em data a ser confirmada. No elenco Willem Dafoe, Bruno Ganz, Michel Piccoli, Irene Jacob
Coco Chanel é uma estréia nacional e que a pena. À medida que o filme mostrava a vida de Coco Chanel com a irmã no orfanato e fora dele, a conversa das duas sobre o amor as imagens dos personagens femininos de Machado de Assis me vinham à mente.  As mulheres dessa época buscavam segurança no casamento e ter filhos era a melhor maneira de garantir essa estabilidade. Isso custava a liberdade que na verdade nunca tiveram. Saiam da submissão paterna ou materna para a submissão do marido. As que não conseguiam tornavam-se governantas ou gastavam os olhos a costurar sob a luz dos lampiões. O casamento é algo muito sério para envolver o amor e as famílias decidiam com quem seus filhos iriam se casar. E é nesse universo que Coco e irmã vão lidando com a vida trabalhando num atelier de costura durante o dia e a noite cantando em bares a noite. Anne Fontaine, diretora do filme, se detém nesse período até chegar ao sucesso de Coco. Interessa mostrar ao espectador o quanto era especial a mocinha franzina e o quanto lutou para ter um espaço sem se dar conta que essa luta era a luta de todas as mulheres. Coco vem de família pobre, mas é uma crítica observadora. A personagem de Coco idealizada por Anne faz critica ao excesso da burguesia através das roupas cheia de plumas e babados. Ao ver as mulheres escondidas de chapéus emplumados e roupas cheias de fru-fru como ela mesma diz no filme. Para Chanel esconde na verdade a mulher. O rosto não aparece, os espartilhos moldam todas elas com o mesmo corpo. A França rica por suas colônias dava condições para que Paris fosse a cidade luz, e era a Meca de todos os artistas e da moda. Os Estados Unidos ainda não existiam como potência.  Desejoso de ser potência, os Estados Unidos estava em guerra de expansão tentando assim ter suas colônias. As linhas que Chanel propõe as suas roupas intriga e desconcerta a sociedade parisiense assim como Picasso, Chagall, Matisse. Atrevo-me a dizer que a ditadura da magreza surgiu com ela. Os excessos estavam nas anquinhas, anáguas e soutien que deixavam as mulheres com peito e bunda grande que tanto deliciavam os cartunistas da época. Audrey Tautou passa a partir de hoje ser a idéia que temos de Coco Chanel. Foram a determinação, ousadia e a densidade do olhar de Tautou que fizeram com que fosse escolhida. E a diretora tinha razão. O cinema tem o dom de institucionalizar fatos e personalidades.  Perceba, a guerra do Álamo é o filme de John Wayne, Peter O Otoole e Alec Guinnes são respectivamente Lawrence da Arábia e o príncipe Faissal. Alguém pode pensar em outra Piaf que não a Marion Cottilard. E Coco Chanel é Aurey Tatou. O diretor de fotografia Christophe Beaucarne e a diretora Anne Fontaine decidiram usar duas câmeras para que o espectador pudesse acompanhar a visão pessoal da personagem Coco. Frágil, doce, autoritária e orgulhosa, Tautou construiu uma grande Coco.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

Os cineastas gregos como Michael Cacoyannis e Costa Gravas fizeram a cabeça da minha geração ao lado de cineastas japoneses, alemães, franceses, italianos e ingleses. A diferença o estranhamento nos atrais e foi com eles que aprendemos sobre o sentimento do mundo. 129048Com os gregos era possível conhecer as mazelas da ditadura grega. Iamos correndo assistir “Z” “Z”, “Zorba, o Grego” e a belíssima Melina Mercuri em” Quando os Peixes Sairem D’água“.  Theo Angelopoulos veio mais tarde e não nega essa tradição.  “A Poeira do Tempo” é o segundo filme de uma trilogia Theo Angelopoulos que começou com” O Vale dos Lamentos de 2004“. Seus primeiros filmes são painéis históricos e políticos que ainda refletem a crença na primazia do coletivo sobre o individual.

Theo Angelopoulos

Theo Angelopoulos

A”, um diretor de cinema americano de ascendência grega, está fazendo um filme que conta sua história e a história de seus pais, um conto que se desdobra na Itália, Alemanha, Rússia, Cazaquistão, Canadá e EUA. O personagem principal é Eleni, que reivindica o poder absoluto do amor. Ao mesmo tempo, o filme é uma longa jornada pela vasta história e os eventos dos últimos 50 anos que marcaram a trajetória da família do cineasta no século XX. A poeira do tempo confunde memórias. Os personagens do filme se movimentam como em um sonho. “A” procura por eles e vive suas experiências no presente. É o reflexo da guerra fria, onde muitos se engajaram na luta por uma Grécia melhor. O socialismo era o sonho partilhado por todos. Logo após o término da Segunda Guerra Mundial a guerra civil grega transcorreu entre os anos de 1944 e 1949. Os socialistas e comunistas foram derrotados por que Stalin não apoiou em cumprimento ao tratado de Yalta quando então o mundo foi dividido entre capitalistas e comunistas. O filme é narrado como se fosse uma lembrança, aonde se vai tirando a poeira do tempo. Quem assistiu “Paisagem na Neblina” que foi muito falado em época de sua exibição pode acompanhar a retrospectiva de Theo Angelopulos. “A Poeira do Tempo” deve entrar em circuito comercial em data a ser confirmada. No elenco Willem Dafoe, Bruno Ganz, Michel Piccoli, Irene Jacob

Coco Chanel é uma estréia nacional e que vale a pena. À medida que o filme mostrava a vida de Coco Chanel com a irmã no orfanato e fora dele, a conversa das duas sobre o amor as imagens dos personagens femininos de Machado de Assis me vinham à mente.  cartaz-chanel-300-repAs mulheres dessa época buscavam segurança no casamento e ter filhos era a melhor maneira de garantir essa estabilidade. Isso custava a liberdade que na verdade nunca tiveram. Saiam da submissão paterna ou materna para a submissão do marido. As que não conseguiam tornavam-se governantas ou gastavam os olhos a costurar sob a luz dos lampiões. O casamento é algo muito sério para envolver o amor e as famílias decidiam com quem seus filhos iriam se casar. E é nesse universo que Coco e irmã vão lidando com a vida trabalhando num atelier de costura durante o dia e a noite cantando em bares a noite. Anne Fontaine, diretora do filme, se detém nesse período até chegar ao sucesso de Coco. 3335564044_cf6dd8e426.pngInteressa mostrar ao espectador o quanto era especial a mocinha franzina e o quanto lutou para ter um espaço sem se dar conta que essa luta era a luta de todas as mulheres. Coco vem de família pobre, mas é uma crítica observadora. A personagem de Coco idealizada por Anne faz critica ao excesso da burguesia através das roupas cheia de plumas e babados. Ao ver as mulheres escondidas de chapéus emplumados e roupas cheias de fru-fru como ela mesma diz no filme. Para Chanel esconde na verdade a mulher. O rosto não aparece, os espartilhos moldam todas elas com o mesmo corpo. A França rica por suas colônias dava condições para que Paris fosse a cidade luz, e era a Meca de todos os artistas e da moda. Os Estados Unidos ainda não existiam como potência.  Desejoso de ser potência, os Estados Unidos estava em guerra de expansão tentando assim ter suas colônias. As linhas que Chanel propõe as suas roupas intriga e desconcerta a sociedade parisiense assim como Picasso, Chagall, Matisse. Atrevo-me a dizer que a ditadura da magreza surgiu com ela. Os excessos estavam nas anquinhas, anáguas e soutien que deixavam as mulheres com peito e bunda grande que tanto deliciavam os cartunistas da época. Audrey Tautou passa a partir de hoje ser a idéia que temos de Coco Chanel. Foram a determinação, ousadia e a densidade do olhar de Tautou que fizeram com que fosse escolhida. E a diretora tinha razão. O cinema tem o dom de institucionalizar fatos e personalidades.  Perceba, a guerra do Álamo é o filme de John Wayne, Peter O Otoole e Alec Guinnes são respectivamente Lawrence da Arábia e o príncipe Faissal. Alguém pode pensar em outra Piaf que não a Marion Cottilard. E Coco Chanel é Aurey Tatou. O diretor de fotografia Christophe Beaucarne e a diretora Anne Fontaine decidiram usar duas câmeras para que o espectador pudesse acompanhar a visão pessoal da personagem Coco. Frágil, doce, autoritária e orgulhosa, Tautou construiu uma grande Coco.

 

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.

*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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