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Música mineira e paulista

Coletânea Brasileiríssima Música de Minas no ar é uma amostra da diversidade e da complexidade do cenário musical das Minas Gerais. É uma prova que a cultura brasileira não é só litoral. Embora existissem a musica mineira os contistas e poetas eram maior numero, influencia de Carlos Drumond de Andrade e Guimarães Rosa. Bastou surgir Milton Nascimento e Clube da Esquina que foram surgindo novos grupos, músicos e compositores. Essa coletânea mostra justamente isso quem faz a musica mineira.
O farto material é composto de sete CD’s que revelam a produção de 107 artistas, de diversos estilos, dando todo o panorama da música popular local neste início de século. A Coletânea foi organizada pela Rádio Inconfidência e Secretaria de Estado de Cultura, teve produção da Casulo Cultura e curadoria de cerca de 50 representantes da área musical, incluindo produtores, jornalistas e pesquisadores. O material faz parte da primeira ação comemorativa dos 30 anos da Rádio Inconfidência 100,9 FM, conhecida como a Brasileiríssima.
A reunião de 107 artistas mineiros em um produto de promoção deste cenário não acontece por acaso. A crescente movimentação e articulação desse meio ocupam cada vez mais espaço desde a virada do século, com iniciativas como o Stereoteca, Música Independente, Reciclo Geral, Conexão, Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe, Eletronika, Jambolada, BPM, Hip Hop in Concert, Quarta Sônica, Festival da Canção de Boa Esperança além de outras que destacam o trabalho autoral de novos músicos mineiros. Os que mais chamam atenção são:
CD Instrumental: O reconhecimento de Minas Gerais como celeiro de bons instrumentistas é notado desde os anos 60 e 70, com os experimentalismos do Clube da Esquina e mais recentemente, com uma nova escola que vai do jazz ao violão clássico e à construção de instrumentos.
Artistas participantes: Cléber Alves, Celso Moreira, Juarez Moreira, Juarez Maciel e Grupo Muda Uakti, Chico Amaral, Wilson Lopes e Beto Lopes, Warley Henrique, Enéias Xavier, Gilvan de Oliveira, Túlio Mourão, Weber Lopes, Geraldo Vianna, Tabajara Belo, Aliéksey Vianna.
CD MPB: A tradição iniciada nos bares da vida da década de 70 permanece visível na produção da MPB mineira. Com jeito doces harmonias bem bordadas e arranjos característicos, esse estilo consegue condensar o ontem e o hoje, partindo da voz e violão e rumando para novos caminhos.
CD Regional: Nos rincões do Vale do Jequitinhonha, nos municípios do congado, dos catopés e dos folguedos religiosos, a música mineira permanece acesa pela sua própria tradição. Freqüentemente, as manifestações centenárias também são interpretadas e revistas por novos artistas, através do intercâmbio com novas linguagens.
O CD show de Ná Ozzetti está sendo relançado e é primor. Quem se encantou com as minisséries Maysa e Dalva e Herivelto pode ver neste cd um retrato de uma época. Uma memória do que foi o rádio.
No início de 2001, meses depois de ganhar o prêmio de Melhor Intérprete no Festival de Música Brasileira, da TV Globo, defendendo a música “Show”, de Luiz Tatit e Fábio Tagliaferri, a cantora e compositora Ná Ozzetti aceitou gravar um CD com sambas-canções das décadas de 45 e 50. É este CD, que recebeu o nome da música defendida no festival, “Show.
Ná Ozzetti ouviu mais de 200 gravações originais, fornecidas pela Som Livre, selecionadas por Renato Leite e Ricardo Tacioli, além das pesquisadas por ela através de amigos colecionadores de discos. Para acompanhá-la, pensou num conjunto regional formado por violões (um deles de sete cordas), percussão e cobertura usando violoncelo, viola e flauta, basicamente os mesmos instrumentos (e músicos) usados no CD anterior, “Estopim”.
O violonista e compositor Dante Ozzetti, irmão de Ná, escreveu inicialmente para violão de aço (no CD tocado por Kiko Moura), como instrumento estrutural dos arranjos. A segunda fase foi criar um diálogo com o violão de sete cordas, tocado por Swami Jr. A partir dos violões, Dante escreveu as partes do violoncelo (Dimos Goudaroulis), viola (Fábio Tagliaferri) e flauta (Marta Ozzetti, também irmã da cantora). A percussão foi criada e executada por Caíto Marcondes.
O CD contou ainda com dois convidados: o clarinetista Jota Ge Alves fez solo na canção “Na Batucada da Vida” e Toninho Ferragutti, acordeom em “Mensagem” e “Canção de Amor”.
O violonista Ulisses Rocha, que havia tocado com Ná e Fábio Tagliaferri a canção “Show” no festival, produziu duas faixas. Para “Ai, Ioiôr” criou um arranjo para violão e voz, e para “Segredo”, um arranjo ritmado, usando dois violões, tocados por ele, contando com a participação de Swami Jr (baixo) e Caíto (percussão).
A direção musical de “Show” é de Ná e Dante Ozzetti.
REPERTÓRIO:
“Meu Mundo Caiu” (Maysa)
“Mensagem” (Cícero Nunes/Aldo Cabral)
“Chuvas de Verão” (Fernando Lobo)
“Não me Culpes” (Dolores Duran)
“Caminhemos” (Herivelto Martins)
“As Praias Desertas” (Tom Jobim)
“João Valentão” (Dorival Caymmi)
“Na Batucada da Vida (Ary Barroso/Luiz Peixoto)
“Linda For ‘Yayá’” (Ai, Ioiô) (HenriqueVogeler/Marques Porto/Luiz Peixoto)
“Segredo” (Marino Pinto/Herivelto Martins)
“Canção de Amor” (Elano de Paula/Chocolate)
“Último Desejo” (Noel Rosa)
“Adeus Batucada” (Synval Silva)
“Show” (Luiz Tatit/Fábio Tagliaferri)
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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