Divirta.se

Miles Davis e o teatro versus a barbárie

Teatro versus a barbárie
Em 1999 os grupos de teatro de São Paulo, Companhia do Latão, Folias D’Arte, Parlapatões, Pia Fraus, Tapa, União e Olho Vivo, Monte Azul e os artistas Aimar Labaki, Beto Andretta, Carlos Francisco Rodrigues, César Vieira, Eduardo Tolentino, Fernando Peixoto, Gianni Ratto, Hugo Possolo, Marco Antonio Rodrigues, Reinaldo Maia, Sérgio de Carvalho, Tadeu de Sousa e Umberto Magnani, lançaram um manifesto contra a barbárie. A arte, no caso o teatro, torna o ser humano mais sensível. As idéias postas no palco ajudam a pensar refletir e conhecer outras dimensões humanas. Utopia?  Não. A Praça Roosevelt que já foi testemunha de grandes momentos daquele pedaço. Teve como vizinha a boate Baiúca, onde a bossa nova paulista floresceu o Teatro Cultura Artística, cine clubes, cantinas. Era um local de boemia. Assim como o velho centro da cidade esse espaço foi degradando. Abandonado o espaço da Praça Roosevelt foi ocupado por drogados, pequenos assaltantes e traficantes, travestis e prostitutas. Há 10 anos esse espaço vem sendo recuperado e está voltando a ser o que era.  Em 2000 o grupo de Teatro Satyros ocupa um espaço na praça e aos poucos, assim como os peixes voltam a nadar um rio recuperado, a Praça Roosevelt volta a ter vida. O público volta a frequentar. Os bares já estão ocupados no começo da noite, vários espetáculos começam a ter espectadores. E vida boemia tão típica daquele espaço volta dar seu ar da graça. Na luta da arte contra a barbárie a arte vem vencendo. Neste final de semana perdeu uma batalha para a barbárie.  O dramaturgo Mário Bortolotto foi baleado no bar que pertence ao grupo de teatro Parlapatões. Está internado desde o assalto na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital Santa Casa de Misericórdia. Apesar de a praça voltar a ter vida algumas providências da gestão públicas nunca foram tomadas. Falta iluminação e policiamento 24 horas. A praça Roosevelt tem vida 24hs e como a cidade não dorme. É uma cidade que amanhece trabalhando e só o governo não sabe.
50 anos de Kind of Blue de Miles Davis
O ano está chegando ao fim e não tive tempo de falar sobre a gravação do Kind Of Blues de Miles Davis.
A imprensa tem noticiado e festejado os 50 anos da gravação do Kind Of Blues, mas acho que ficou faltando algumas informações que conferem a gravação sua importância.
Miles lembra aquele personagem do conto do “O Perseguidor” do argentino e crítico de jazz Julio Cortazar. Esse personagem é inspirado em Charlie Parker, saxofonista de jazz que virou filme pelas mãos de Clint Eastwood. O personagem busca materializar o som que tem em sua cabeça perseguia esse som. Miles Davis não era diferente. Era o som de Miles Davis. Isso fica claro quando ao entrar no estúdio, no primeiro ou segundo dia de março de 1959 e mostra um esboço do que todos deveriam tocar. O disco foi gravado em dois dias apenas. Miles soube escolher seus músicos. Estavam lá no estúdio esperando por ele os dois grandes saxofonistas Cannobal Adderley e John Coltrane, os pianistas Wynton Kelly e Bill Evans, o baixista Paul Chambers e o baterista Jimmy Cobb.  Miles pensava em Joe Zawinul como pianista, mas não deu certo e só iriam tocar juntos mais tarde.  Kind Of Blues começou de uma forma modal que Miles experimentara em Milestones.  Em sua biografia Miles diz que não precisou de ensaio gravaram direto.  A música estava materializada, tinha corpo, estava ali nas fitas gravadas. A participação dos músicos foi tão importante e contribuiu de tal maneira com a característica de cada um que há quem diga que Bill Evans, o pianista, era co autor da musica título do disco. A partir do esboço os músicos ficaram livres para criar e Bill Evan se inspirou em Ravel e Rachmaninoff para fazer sua parte.   Miles se surpreende com a repercussão na época. O disco é considerado maravilhoso pelo público e pelos críticos mesmo não conseguindo materializar tudo o que tinha na cabeça. Esse tipo de criação passa ser uma marca característica de Miles. Com esse estilo de criar Miles vai criar um segundo disco antológico, Bitches Brew.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

50 anos de Kind of Blue de Miles Davis

O ano está chegando ao fim e não tive tempo de falar sobre a gravação do Kind Of Blues de Miles Davis.

A imprensa tem noticiado e festejado os 50 anos da gravação do Kind Of Blues, mas acho que ficou faltando algumas informações que conferem a gravação sua importância.

138_mu_dreamteam_gMiles lembra aquele personagem do conto do “O Perseguidor” do argentino e crítico de jazz Julio Cortazar. Esse personagem é inspirado em Charlie Parker, saxofonista de jazz que virou filme pelas mãos de Clint Eastwood. O personagem busca materializar o som que tem em sua cabeça perseguia esse som. Miles Davis não era diferente. Era o som de Miles Davis. Isso fica claro quando ao entrar no estúdio, no primeiro ou segundo dia de março de 1959 e mostra um esboço do que todos deveriam tocar. O disco foi gravado em dois dias apenas. Miles soube escolher seus músicos. Estavam lá no estúdio esperando por ele os dois grandes saxofonistas Cannobal Adderley e John Coltrane, os pianistas Wynton Kelly e Bill Evans, o baixista Paul Chambers e o baterista Jimmy Cobb.  Miles pensava em Joe Zawinul como pianista, mas não deu certo e só iriam tocar juntos mais tarde.  Kind Of Blues começou de uma forma modal que Miles experimentara em Milestones.  Em sua biografia Miles diz que não precisou de ensaio gravaram direto.  A música estava materializada, tinha corpo, estava ali nas fitas gravadas. A participação dos músicos foi tão importante e contribuiu de tal maneira com a característica de cada um que há quem diga que Bill Evans, o pianista, era co autor da musica título do disco. A partir do esboço os músicos ficaram livres para criar e Bill Evan se inspirou em Ravel e Rachmaninoff para fazer sua parte.   Miles se surpreende com a repercussão na época. O disco é considerado maravilhoso pelo público e pelos críticos mesmo não conseguindo materializar tudo o que tinha na cabeça. Esse tipo de criação passa ser uma marca característica de Miles. Com esse estilo de criar Miles vai criar um segundo disco antológico, Bitches Brew.

Miles Davis – Kind of Blue 50th Anniversary

Kind of Blue – So What Miles Davis

Teatro versus a barbárie

Em 1999 os grupos de teatro de São Paulo, Companhia do Latão, Folias D’Arte, Parlapatões, Pia Fraus, Tapa, União e Olho Vivo, Monte Azul e os artistas Aimar Labaki, Beto Andretta, Carlos Francisco Rodrigues, César Vieira, Eduardo Tolentino, Fernando Peixoto, Gianni Ratto, Hugo Possolo, Marco Antonio Rodrigues, Reinaldo Maia, Sérgio de Carvalho, Tadeu de Sousa e Umberto Magnani, lançaram um manifesto contra a barbárie. A arte, no caso o teatro, torna o ser humano mais sensível. As idéias postas no palco ajudam a pensar refletir e conhecer outras dimensões humanas. Utopia?  Não. A Praça Roosevelt que já foi testemunha de grandes momentos daquele pedaço. Teve como vizinha a boate Baiúca, onde a bossa nova paulista floresceu o Teatro Cultura Artística, cine clubes, cantinas. Era um local de boemia. 1245683471450_fAssim como o velho centro da cidade esse espaço foi degradando. Abandonado o espaço da Praça Roosevelt foi ocupado por drogados, pequenos assaltantes e traficantes, travestis e prostitutas. Há 10 anos esse espaço vem sendo recuperado e está voltando a ser o que era.  Em 2000 o grupo de Teatro Satyros ocupa um espaço na praça e aos poucos, assim como os peixes voltam a nadar um rio recuperado, a Praça Roosevelt volta a ter vida. 10_MHG_cult_satyrosO público volta a frequentar. Os bares já estão ocupados no começo da noite, vários espetáculos começam a ter espectadores. E vida boemia tão típica daquele espaço volta dar seu ar da graça. Na luta da arte contra a barbárie a arte vem vencendo. Neste final de semana perdeu uma batalha para a barbárie.  O dramaturgo Mário Bortolotto foi baleado no bar que pertence ao grupo de teatro Parlapatões. C_20085211824241Está internado desde o assalto na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital Santa Casa de Misericórdia. Apesar de a praça voltar a ter vida algumas providências da gestão públicas nunca foram tomadas. Falta iluminação e policiamento 24 horas. A praça Roosevelt tem vida 24hs e como a cidade não dorme. É uma cidade que amanhece trabalhando e só o governo não sabe.

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.

*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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