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Li em algum lugar que o filme “Invictus” dirigido por Clint Eastwood é tradicional, mas inspirador. Outros incluem o moderno no seu jeito de fazer filme. Ninguém duvida que será indicado ao Oscar.  Se todos concordam que é um filme tradicional com algo a mais quais seriam essas características?  Quando escrevi sobre o filme que tinha acabado de assistir na semana passada disse que uma das características de Clint era lidar com a diferença, com o estranho e com a aceitação desse estranho. Só isso não basta para falar do filme.

Invictus” que narra o primeiro ano do governo de Nelson Mandela que busca de integrar brancos e negros e utiliza uma equipe de rugbi, um símbolo dos africaners. Um caso verídico. Ninguém acredita que Morgan Freeman, um dos produtores do filme seja realmente Mandela. Mandela na sua imagem publica é mais baixo, fala devagar e nada se parece com Morgan. Morgan e Mandela são duas instituições com personalidades próprias. No começo do filme é estranho ver Morgan como Mandela, mas com o passar do filme o Mandela/Morgan vai cativando o público. Clint constrói personagens humanos e com eles as suas limitações, tanto por parte dos seguranças negros que aceitam agentes brancos na equipe de segurança como os jogadores brancos aceitam a dar aulas de rugbi aos garotos negros na favela. Clint se utiliza marcar as posições racistas no início do filme e com o passar da história vai moldando seus personagens para terminar com euforia e aceitação de ambos os lados, negro e brancos pelo novo regime sem apartheid. Isso é meia verdade. O preconceito ainda existe, mas desaparece à medida que o tempo passa e surgem novas gerações. O governo de Mandela fez o que esteve ao seu alcance, tentou unir a África do Sul, mas ainda existem favelas, corrupção.

Gosto muito quando Clint utiliza no encerramento as imagens reais, os personagens reais como fizeram nas duas versões, americana e japonês, da batalha de Iwo Jima. Na versão americana ele utiliza imagens reais dos que levantaram a bandeira americana e as fotos dos japoneses  que lutaram essa batalha na outra versão. No “Invictus” ele usa as cenas reais de Mandela e do capitão do time de rugbi. Talvez essa verdade humana e suas limitações e de esperança seja na verdade o grande charme do filme.  “Invictus” direção Clint Eastwood. Elect:  Morgan Freeman (Nelson Mandela), Matt Damon (Francois Pienaar).

O Fim da Escuridão” traz Mel Gibson de volta as telas. Depois de 8 anos afastado como ator ele está de volta na pele do detetive Thomas Craven. Para não entregar os segredos do filma basta saber que sua filha foi assassinada na porta de casa quando o alvo era ele. Craven vai descobrir que não é bem assim durante as investigações.  O filme é inspirado na série de TV dos anos 80 e parece que nunca foi exibido no Brasil. Pelo menos não há registro. Foi uma série inglesa produzida pela BBC e que mantém o nome em inglês nessa versão para o cinema, Edge of Darkness. Foi exibido na Inglaterra em 1985 e Bob Peck fazia Craven.  Os ingleses sempre foram mais contidos para narrar uma história, principalmente policial. O filme guarda um pouco disso. Parece-me que para cada cena é um capitulo da série em que se vai construindo a trama. Gibson, bem mais velho do que o vimos no seu último filme como ator, “Sinais”, dá ao personagem Craven uma angústia de nada do que vê faz sentido. Um thriller policial onde Gibson não exibe seu cinismo tradicional levando público a angústia do pai que teve a filha assassinada. “O Fim da Escuridão” (Edge of Darkness). Direção: Martin Campbell. Elenco: Mel Gibson, Danny Huston.

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.

*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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