Divirta.se

Mais algumas pinceladas de Dalva e Herivelto

Preparei-me para falar de Elvis Presley que na última sexta completaria, se vivo, 75 anos. Devido ao interesse geral nos e-mails recebidos sobre a dupla Dalva e Herivelto volto a eles para mais alguma pinceladas.
A mini série parece que foi um sucesso e localizo o interesse do público na maldade com que Herivelto Martins tratou Dalva. Lembro que a mini série é uma ficção baseado em fatos reais.  O livro que inspirou a história do casal foi escrito pelo filho Pery Ribeiro que embora estivesse muito próximo do casal tem uma visão muito particular e via o pai dessa maneira.  Naquela época todos os compositores e cantores eram boêmios e mulherengos. As cantoras por sua vez eram escandalosas e quebravam o barraco. Era assim a boemia do Rio dos anos 40 aos anos 60. Foi o período de ouro do rádio que sumiu com o surgimento da bossa nova e da televisão.  Se Dalva era a grande cantora Herivelto era o grande compositor.  São dele duas pérolas da música popular, “Praça Onze” e “Ave Maria do Morro” esse sucesso na voz de Dalva. Tudo tem sua hora e sua vez e depois acaba. Mudam acompanhando os movimentos da sociedade. Até aquele momento o que valia era a voz bem posta, forte para que o disco e a rádio pudessem reproduzir com alguma qualidade. Já no final dos 50 com aparecimento da TV e da Bossa Nova esse critério mudou. Agora a beleza também conta e a nova tecnologia de som já não exige uma voz de tenor ou de soprano. É claro que com essas mudanças os grandes cantores não desaparecem imediatamente, vão sumindo e sendo substituídos aos poucos.
A bossa nova valoriza a voz pequena, intimista e vão surgindo novos cantores com esse estilo até os festivais na metade dos 60 onde se podem tudo. Nessa leva bossanovista surgem Tito Madi, Claudete Soares, Agostinho dos Santos, Alaíde Costa, Doris Monteiro, Marisa Gata Mansa, Leny Andrade e outros tantos. Essa intimidade e a sofisticação imprimida pela Bossa Nova obrigam que cantores e musicas sejam muito preparados e tenham um domínio sobre seu instrumento.  Ficou tão sofisticado que o público do rádio não acompanhou e segue cultuando seus ídolos, Cauby Peixoto, Marlene, Emilinha, Linda Batista, Elza Soares e a própria Dalva.
Herivelto e Dalva padeceram coma o surgimento da bossa nova e com a televisão. O espaço de atuação estava restrito. “Dalva não se conformava em participar do júri de Flávio Cavalcanti, ela queria cantar e Hervelto amaldiçoava a televisão que aos poucos ocupava o espaço do rádio e ainda mais a Bossa Nova mesmo João Gilberto tendo “Isaura” e Ave Maria do Morro”.   Gosto muito dessas minisséries contando a história de personagens da música popular brasileira. E gosto mais ainda desse jeito de ir narrando por lembranças e não uma história linear. A lembrança é algo particular que não corresponde  necessariamente a verdade  mas  ajuda a dar  mais dramaticidade a história.
 
 
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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