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"Lula, O Filho do Brasil"

Ontem o filme “Lula, O Filho do Brasil” foi apresentado à imprensa paulista. Estavam presentes, o diretor Fábio Barreto, Gloria Pires que faz dona Lindu, mãe do Lula e Rui Ricardo Diaz, como Lula em seu primeiro trabalho no cinema. O filme é baseado no livro de Denise Paraná, “A História de Lula o Filho do Brasil”.  John Ford, diretor de cinema norte americano, dizia que era melhor filmar a lenda que o real, neste filme a realidade supera a ficção. A história do Brasil é o panorama de fundo que ao lado da mãe dona Lindu, formou a personalidade do Lula. É trágico ver que milhões de retirantes nordestinos deixaram sua cidade, sua vida para buscar uma melhor qualidade de vida. A vida de retirante foi muito bem tratada no poema “Morte Vida Severina” de João de Melo Neto. O Brasil se industrializava e essa industrialização era esperança de muitos retirantes para uma melhor vida. Coincidência ou não ao final do poema do João Cabral quando Severino pensa em dar o fim na sua vida aparecem duas ciganas para ler a sorte de um menino que nasce e vê essa nova criatura brincando em um barro. Severino vê nessa visão a triste vida dos catadores de caranguejo,mas uma das ciganas corrige, é a graxa da fábrica que o menino vai trabalhar quando moço. A SUDENE-Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste foi criada para industrializar o nordeste e manter seus filhos no campo e todos estavam esperançosos. No filme o aprendiz de torneiro mecânico suja as mãos de graxa, suja o macacão e chega em casa orgulhoso de sua vestimenta de trabalho manchada.  Já distante das greves, do final dos anos 70 é possível dizer à importância que foram essas greves. Se a morte de Wladimir Herzog fez a classe média ver que a ditadura batia ensandecida a sua porta, a greve do ABC destruiu os pilares da ditadura. Naquela época os sindicatos eram atrelados ao governo esse rompimento destruiu os muros de Jericó tão apodrecidos. No início de sua jornada como líder sindical se oporia ao trabalho que a esquerda organizada no sindicato. Quem atuava no sindicato era o partidão (Partido Comunista Brasileiro) que substituía a vontade dos trabalhadores pela a do partido. Isso daria mais legitimidade ao líder que atendia a voz dos operários. Isso levou a alguns segmentos da esquerda em achar que ele tinha sido colocado pela ditadura para manobrar os trabalhadores. A primeira greve foi despolitizada. O que motivou a greve foi o bolso. Eles queriam 30 por cento de aumento. A greve era por melhoria salarial. Até então não havia negociação. O presidente do sindicato era informado de quanto seria a reposição salarial e sempre abaixo da inflação. Com a greve essa relação foi quebrada.  Lula fazia questão de não deixar intelectuais, movimentos de esquerda e estudantes de se intrometerem no sindicato. Esse segmento via no movimento sindical a redenção. Só na criação do Partido dos Trabalhadores é que trabalharão juntos.  Fica claro no filme o quanto a mãe, dona Lindu, foi importante. O respeito por uma mãe que luta para que os filhos tenham estudo mostra que foi forte na formação do Lula e mais ainda quando a mãe insistentemente diz ao filho para teimar, perseverar e ter paciência que a as coisas acontecem. Tanto Gloria, como dona Lindu, quanto Rui como Lula, são o melhor do filme. Gloria deixa de ser a atriz de novela para ser verdadeiramente uma mãe retirante. E Rui faz um Lula muito convicto do que quer.  O filme termina no início dos anos 80 quando Lula parte para formar a CONCLAT – Conferência das Classes Trabalhadoras, uma tentativa de formar uma única direção sindical que acabou dano na CUT- Central Única dos Trabalhadores e depois forma o PT – Partido dos Trabalhadores, onde o trabalhadores pudessem decidir seu destino.  Na coletiva o diretor Fábio Barreto diz que a idéia do filme surgiu em 2003, mas só agora conseguiram amealhar recursos para a produção sem precisar de leis do incentivo e isso tira o caráter eleitoreiro. Afinal está lá, a história de um retirante assim como outros que se transformaram em filme como Lech Walessa, operário alemão que foi presidente da Polônia.  Um filme que estimula a não desistir.  Afinal ir ao cinema é deixar a vida em suspenso e se envolver em outra história.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

lula_o_filho_do_brasil_xlgOntem o filme “Lula, O Filho do Brasil” foi apresentado à imprensa paulista. Estavam presentes, o diretor Fábio Barreto, Gloria Pires que faz dona Lindu, mãe do Lula e Rui Ricardo Diaz, como Lula em seu primeiro trabalho no cinema. O filme é baseado no livro de Denise Paraná, “A História de Lula o Filho do Brasil”.  John Ford, diretor de cinema norte americano, dizia que era melhor filmar a lenda que o real, neste filme a realidade supera a ficção. A história do Brasil é o panorama de fundo que ao lado da mãe dona Lindu, formou a personalidade do Lula. É trágico ver que milhões de retirantes nordestinos deixaram sua cidade, sua vida para buscar uma melhor qualidade de vida. A vida de retirante foi muito bem tratada no poema “Morte Vida Severina” de João de Melo Neto. O Brasil se industrializava e essa industrialização era esperança de muitos retirantes para uma melhor vida. Coincidência ou não ao final do poema do João Cabral quando Severino pensa em dar o fim na sua vida aparecem duas ciganas para ler a sorte de um menino que nasce e vê essa nova criatura brincando em um barro. Severino vê nessa visão a triste vida dos catadores de caranguejo,mas uma das ciganas corrige, é a graxa da fábrica que o menino vai trabalhar quando moço. A SUDENE-Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste foi criada para industrializar o nordeste e manter seus filhos no campo e todos estavam esperançosos. No filme o aprendiz de torneiro mecânico suja as mãos de graxa, suja o macacão e chega em casa orgulhoso de sua vestimenta de trabalho manchada.  Já distante das greves, do final dos anos 70 é possível dizer à importância que foram essas greves. Se a morte de Wladimir Herzog fez a classe média ver que a ditadura batia ensandecida a sua porta, a greve do ABC destruiu os pilares da ditadura. Naquela época os sindicatos eram atrelados ao governo esse rompimento destruiu os muros de Jericó tão apodrecidos. No início de sua jornada como líder sindical se oporia ao trabalho que a esquerda organizada no sindicato. Quem atuava no sindicato era o partidão (Partido Comunista Brasileiro) que substituía a vontade dos trabalhadores pela a do partido. Isso daria mais legitimidade ao líder que atendia a voz dos operários. Isso levou a alguns segmentos da esquerda em achar que ele tinha sido colocado pela ditadura para manobrar os trabalhadores. A primeira greve foi despolitizada. O que motivou a greve foi o bolso. Eles queriam 30 por cento de aumento.postBlog651 A greve era por melhoria salarial. Até então não havia negociação. O presidente do sindicato era informado de quanto seria a reposição salarial e sempre abaixo da inflação. Com a greve essa relação foi quebrada.  Lula fazia questão de não deixar intelectuais, movimentos de esquerda e estudantes de se intrometerem no sindicato. Esse segmento via no movimento sindical a redenção. Só na criação do Partido dos Trabalhadores é que trabalharão juntos.  Fica claro no filme o quanto a mãe, dona Lindu, foi importante. O respeito por uma mãe que luta para que os filhos tenham estudo mostra que foi forte na formação do Lula e mais ainda quando a mãe insistentemente diz ao filho para teimar, perseverar e ter paciência que a as coisas acontecem.

lulaMTanto Gloria, como dona Lindu, quanto Rui como Lula, são o melhor do filme. Gloria deixa de ser a atriz de novela para ser verdadeiramente uma mãe retirante. E Rui faz um Lula muito convicto do que quer.  O filme termina no início dos anos 80 quando Lula parte para formar a CONCLAT – Conferência das Classes Trabalhadoras, uma tentativa de formar uma única direção sindical que acabou dano na CUT- Central Única dos Trabalhadores e depois forma o PT – Partido dos Trabalhadores, onde o trabalhadores pudessem decidir seu destino.  Na coletiva o diretor Fábio Barreto diz que a idéia do filme surgiu em 2003, mas só agora conseguiram amealhar recursos para a produção sem precisar de leis do incentivo e isso tira o caráter eleitoreiro. Afinal está lá, a história de um retirante assim como outros que se transformaram em filme como Lech Walessa, operário alemão que foi presidente da Polônia.  Um filme que estimula a não desistir.  Afinal ir ao cinema é deixar a vida em suspenso e se envolver em outra história.

 

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.

*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

COMENTÁRIOS

2 Comentários em “"Lula, O Filho do Brasil"”

  1. Enquanto vida esperança, é o que todos devemos fazer, sou nordestina, mas creio que essa região ainda manará frutos, não foi a toa que essa região foi a primeira a ser colonizada, foi a primeira dar um a capital a este Brasil, somo sim um povo que luta, porque toda luta tem seu preço e o nosso é de vitoria.

    Por Lucia Mendes | março 29, 2010, 1:23
  2. eu achei desse filme a maior chatisse

    Por dasdores | abril 21, 2010, 21:53

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