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Livros

Saiu um livro sobre São Paulo que vale a pena dar uma espiada. É “Viver em Risco” de Lucio Kovarick com fotos de Antonio Saggese.

A partir de dois modelos distintos de tratar a sendbinary2exclusão social, nos Estados Unidos e na França, Lúcio Kowarick procura compreender, neste Viver em risco, a situação brasileira nos anos 2000, focando sua abordagem nas principais formas de habitação popular da Região Metropolitana de São Paulo: as favelas, os cortiços e as casas autoconstruídas de periferia. Dando voz aos próprios moradores, com suas histórias de vida e suas escolhas, o autor estabelece uma esclarecedora ponte entre a análise teórica mais ampla e o cotidiano das populações empobrecidas de nossas cidades.

Escrevo sobre esse livro por que a chamada classe “C” hoje já é sem duvida uma classe consumidora e que começa a dar sustentação ao mercado interno e quem lida com o sistema financeiro precisa ter noção do quanto essa classe é importante. O governo federal aposta suas fichas no “habitação para todos” e esse livro dá dimensão social desses consumidores.

Lucio se dedica a esse há muito tempo. Graduado em Ciências Políticas e Sociais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1961), mestre em Ciências Sociais com o Diplôme D’Études Approfondies en Sciences Sociales, obtido na França (1967), e doutor em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (1973). Foi pesquisador do CEBRAP e do CEDEC, e atualmente é professor titular do Departamento de Ciência Política da FFLCH-USP, onde leciona desde 1970.

Publicou os livros A espoliação urbana (Paz e Terra, 1979), Trabalho e vadiagem: a origem do trabalho livre no Brasil (Brasiliense, 1987) e Escritos urbanos (Editora 34, 2000), entre outros, além de ter participado na organização da importante coletânea São Paulo 1975: crescimento e pobreza (Loyola, 1976), editada pelo CEBRAP com o apoio da Arquidiocese de São Paulo

Em algum momento lemos Saul Bellow7058318premio Nobel de literatura- ou sobre ele e seu livro “Augie March” sempre aparece como referencia. Pois é, esse livro escrito em 1953 é traduzido pela primeira vez no Brasil. Augie March é um personagem americano que cresce ao meio à Crise de 29. Diferente dos dois primeiros romances Saul faz com que em cada esquina existe uma história. Como pais de imigrantes, os Estados Unidos oferece a Bellow possibilidade de exibir essa metamorfose de linguagem que vai do sotaque do meio oeste aos palavrões dos bares de Chicago formando assim uma babel de línguas. A Sonia Moreira conseguiu boas soluções para traduzir essa babel para o português.  Augie nessa babel mais desempenhando as profissões mais inusitadas, desde sindicalista, corretor de imóveis a ladrão de livros. Ele é o anti herói, ele representa as esperanças e desilusões da America. Ele a escrita dessa America pintada por Edwar Hooper. Um clima revivido por nós nesse um ano.

Já que o assunto hoje é livro e com grande 724satisfação que vejo sendo lançado “Caixa Paulo Emilio“. Uma edição monumental que reúne duas obras clássicas de Paulo Emílio Sales Gomes (Edições SESC SP e Cosac Naify) sobre Jean Vigo acompanhadas de dois DVDs com todos os filmes do cineasta francês. Caixa Paulo Emílio, composta pelos livros Vigo, vulgo Amereyda e Jean Vigo, de Paulo Emilio Sales Gomes – um dos mais importantes intelectuais e críticos de cinema do Brasil. A caixa inclui dois DVDs com a obra integral do cineasta francês e extras: entrevistas com Antonio Candido, Carlos Augusto Calil, Ismail Xavier e François Truffaut, além do documentário de Jacques Rozier, Cineastas do nosso tempo (1982), sobre Jean Vigo.   Quando digo satisfação, digo por que Paulo Emilio foi importante para o pensamento intelectual Paulista. Ao perder uma disputa pela diretoria acadêmico da USP em vez de fazer oposição foi lá politizar a nova diretoria. E a partir daí os diretórios acadêmicos da USP passam a ser politizados. Já como professor da escola de cinema da ECA foi autor da célebre frase “é melhor um filme ruim brasileiro do que um filme bom estrangeiro”. Essa frase foi dita num momento em que Kurosawa, Pasolini, Lina Wertmuller era idolatrados por essa geração de novos cineastas soava estranho para não dizer xenófoba. Tempos depois essa frase ficou clara “somos Mazzaropi e Chanchadas e não Bergman”, não podemos negar a nossa origem.

Jean Vigo muito provavelmente seria esquecido pelos franceses senão fosse por Paulo Emilio.

Com uma curta produção artística, Jean Vigo [1905-1934], cineasta de vanguarda francês, teve uma vida marcada pela liberdade de espírito e comprometimento social, deixando um legado fundamental à geração que conviveu com ele, no começo da década de 1930, e às posteriores, que redescobriram sua obra a partir do final da Segunda Guerra Mundial.

Os ensaios de Paulo Emílio são considerados pauloemilio_fotofundamentais para o reconhecimento da genialidade de Vigo e da estreita relação entre sua obra e vida, influenciadas pela presença do pai, o anarquista Miguel Almereyda [1883-1917], personalidade notável do século XX. Jean Vigo, publicado originalmente em francês, em 1957, ganha agora nova edição, sob a coordenação de Augusto Massi e Carlos Augusto Calil, enriquecida com imagens dos filmes e do cineasta, além de posfácio, texto especial de Manoel de Oliveira, bibliografia, filmografia, índice onomástico e uma importante fortuna crítica assinada, entre outros, por François Truffaut, André Bazin, Paul Ryan e Ismail Xavier. Vigo, vulgo Almereyda, por sua vez, combina biografia com a história da Paris convulsionada por agitações políticas do começo do século passado.

Serviço

Lançamento: Caixa Paulo Emílio (Cosac Naify/ Edições SESC SP)

Data: 21 de outubro - Horário: 19h

Local: Cine SESC

Ingressos. Retirada de ingressos a partir das 18h (welcome drink)

Cine SESC

Endereço: Rua Augusta, 2075 / Cerqueira César

Tel.: (11) 3087.0500

Acesso a deficientes - Ar condicionado - Som Dolby Digital - 329 lugares.

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.

*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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