Divirta.se

Leituras

É voz corrente que o brasileiro não lê. Sempre que me deparo com essa afirmação fico intrigado pensando que se não lê como se vende tanto livro.   Políticas de incentivo a leitura vem se desenvolvendo. Lembro-me de ações com crianças onde livros eram oferecidos. Tenho sempre como parâmetro a fala da escritora Tatiana Belinck de que o livro deve ser oferecido as crianças que naturalmente se chegam a eles. Creio que deve ser o melhor momento quando a imaginação das crianças está aflorada.  Elas só precisam brincar e brincar exige imaginação e criatividade.  E mais que isso, acreditar e viver o imaginado. Se pudéssemos conservar isso quando adulto sem duvida seriamos os melhores dos leitores.  Já adulto não precisamos desse incentivo, mas se vier alguma coisa que nos ajude vale a pena. 10172gÉ o serviço que presta a editora CosacNaify com a edição de “Anna Kariênina” de Liev Tolstói. Pela maneira como grafei o título do livro e o autor se percebe que essa nova tradução foi feita diretamente do russo. A tradução foi feita por Rubens Figueiredo que conservou traços do original russo. Rubens além das notas de rodapé elaborou uma árvore genealógica dos núcleos familiares e uma lista completa de personagens que facilitam a leitura. Outras informações devem ser levadas e conta para melhor saborear o livro.  Rubens faz uma apresentação contextualizando a história do romance. Tolstói escreve “Anna Kariênina” entre 1873 e 1877 quando sente o desejo de escrever sobre uma mulher adúltera da alta sociedade e sobre o Tzar Pedro, o Grande. leon-tolstoi-1Estão nesse romance os temas que inquietavam Liév Tolstói discutidos pelos personagens: a guerra da Sérvia, a administração agrícola, o regime da propriedade da terra, a relação com os trabalhadores, a decadência da nobreza, a educação das crianças, o casamento, a religião, o serviço militar compulsório, as teorias de Spencer, Lasalle, Darwin e Schopenhauer. Estruturado em paralelismos, o livro se articula por meio de contrates: a cidade e o campo; as “duas capitais” da Rússia (Moscou e São Petersburgo); a alta sociedade e a vida dos mujiques; o intelectual e o homem prático etc. Os dois principais personagens, Liévin, um rico proprietário de terras, e Anna, uma aristocrata casada, só se encontram uma vez, em toda a longa narrativa. Mas nem por isso estão menos ligados, pois a situação de um permanece constantemente referida a situação do outro. O prazer da leitura vai reafirmar por que “Anna Kariênina” de Liev Tolstói é um clássico.
 
 
A ficção cientifica só pode nascer no final do século 19 quando a tecnologia começa a desenvolver e não para até hoje. Jules_VerneJulio Verne, considerado o pai da ficção científica previu entre outras coisas a televisão; o helicóptero; o cinema falado; a iluminação a néon; o ar condicionado; os arranha-céus; os mísseis teleguiados; os tanques de guerra; os veículos anfíbios; o avião; a caça submarina; o aproveitamento da luz e da água do mar para gerar energia; o uso de gases como armas químicas. Depois surgiram outros escritores com muito talento como H.G. Wells, Isac Asimov, Arthur Clark e Ray Bradbury. Esse gênero de literatura sempre foi considerado uma literatura de passatempo. A ficção científica invade também as histórias em quadrinhos. O que é importante na literatura de ficção científica é a discussão sobre a ética. Através desse gênero podemos discutir sobre para onde nos levam os avanços tecnológicos. Até onde é um avanço da humanidade, que traga soluções para grandes problemas e bem estar a todos e o que é um simples jogo de mercado. Discute quais os limites que uma pesquisa deve ter par não virar um vale tudo derrubando a idéia de que os fins justificam o meio. 1substitutosE é um pouco disso que o filme “Os Substitutos” trata. Dirigido por Jonathan Mostow, com Bruce Willis, “Os Substitutos” é uma adaptação da história em quadrinhos” Surrogates”.  A história é a realização de um sonho que um dia  tivemos de que robôs com a nossa aparência pudessem nos substituir no trabalho, na escola, ou para qualquer  tarefa que nos seja sacrificada. No filme os robôs vão além disso. Substituem os humanos  até nos momentos de festa e prazer onde estão mais  bonitos, dispostos e não correm o risco de  alguma violência. resultado é o imaginado, o ser humano deixa de viver a vida e seu espaço é limitado, o da sua casa.
 

 
Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.

*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

COMENTÁRIOS

Nenhum comentário em “Leituras”

Comente