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Johnny Alf vai fazer falta

Hoje é dia internacional das mulheres, sejam elas mães, executivas, operárias, camponesas, dona de casa, avós. Sendo mulheres e mais sensíveis lamentam a morte de Johny Alf, autor de composições suaves e românticas.   Johnny foi apresentado como pai da bossa nova pela grande imprensa. Uma meia verdade.  No começo dos anos 50 tendo os Estados Unidos como modelo após a segunda guerra mundial, sua influencia cultural foi intensa. A geração jovem imitava os artistas americanos.
A musica americana e o cinema eram os modelos a serem imitados.  Se nos Estados Unidos a musica começava a fica intimista com o cool jazz de Milles Davis no Brasil a euforia do fim da ditadura Vargas e grande liberdade permitiam que se surgisse a musica também mais intimista, mas alegre.  Influenciados por Henry Salvador, pelo jazz da costa americana e com o desenvolvimento tecnológico das gravações e dos rádios esse gênero de musica começou a ganhar espaço. Johnny Alf, na verdade João Alfredo, começou sua carreira como pianista tocando Gerswin e Cole Porter e Nat King Cole.
Assim como ele, surgiu Dick Farney, na verdade Farnesio Dutra, Lucio Alves, João Donato a enveredar por esse estilo de musica elegante e sofisticado.  Foi com o casual encontro de Vinicius de Morais e Tom Jobim que a Bossa nova começou a ganhar seus contornos. Não é um fenômeno brasileiro. Antes do surgimento da nossa bossa nova Cuba criara um movimento muito parecido e que se ficou conhecido como “Felings”. Claro que com características cubanas. Vinicius se preparava para montar “Orfeu da Conceição” e tinha pensado no Vadico, parceiro de Noel Rosa para musicar suas letras. Vadico estava muito doente e não pode aceitar o convite e nesse momento que Vinicius foi apresentado a Tom Jobim. Bossa Nova não é um gênero, é um estilo, uma maneira de cantar.
As primeiras composições bossanovistas surgem com a gravação de “Canção de Amor Demais” só com musicas da parceria de Tom Jobim e Vinicius de Morais e no mesmo ano João Gilberto lança “Chega de Saudade” com um jeito muito próprio de interpretar. Nunca foi possível imaginar cantar sambas daquela maneira como foi gravado por João.
Foi tão surpreendente que todos os jovens compositores passam a compor e a gravar dessa maneira, inclusive Johnny Alf. Na sua longa carreira estão “Rapaz de Bem” e “Eu e a Brisa”.  Contam nos bastidores que Johnny nunca inscreveu “Eu e a Brisa” nos festivais de musica e tomou um susto quando viu a cantora Marcia defendendo sua composição. Marcia tinha pedido uma composição ao Johnny que entregou essa que achando bonita inscreveu nos festival da Record de 1967.   Alguns estudiosos consideram que Johnny Alf precursor da bossa-nova, antecipando em pelo menos três anos a suavidade sincopada que seria marca registrada de João Gilberto, pode ser, mas a bossa-nova e mais que isso. E Johnny Alf uma instituição.
 
 
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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