Morreu na última quinta feira o escritor J.D. Salinger. Um escritor americano que vivia recluso. Completou 91 anos no dia primeiro de janeiro e desde 1965 não aparecia em público e nem se deixava se fotografar.
Os primeiros contos de Salinger foram publicados em revistas como “Story”, “Saturday Evening Post”, “Esquire” e “The New Yorker” na década de 1940, e o primeiro romance “O Apanhador no Campo de Centeio” transformou-se imediatamente em sucesso e lhe consagrou aos olhos da crítica internacional.Os outros livros dele editados no Brasil são as coleções de contos “Nove Estórias” e “Franny & Zooey” e dois pequenos romances reunidos em “Carpinteiros, Levantai Bem Alto a Cumeeira; Seymour – Uma Introdução”.
A noticia de sua morte foi dada burocraticamente pela imprensa salvos algumas exceções. Foi um necrológico onde se disse, nasceu como foram sua vida, seus livros destacando o “Apanhador no Campo de Centeio”. Hoje gerações com mais de 50 anos e que leram o “Apanhador no Campo de Centeio” próximo da adolescência se encantaram com a história de Holden Caulfield que expulso da escola e vai ao encontro da família em Nova Iorque. Essa liberdade de realizar seus atos, a alienação do estilo de vida do pós guerra criou uma intimidade com seus leitores. Sucesso imediato. Lançado em 1951 é também um marco na longa estrada que os jovens trilharam (e ainda trilham) para provar que têm direito a uma voz e uma visão de mundo própria. Ele reflete a vida diante dessa circunstancia. “Apanhador no Campo de Centeio” inaugura o que se conhece agora como literatura jovem. É sintomático que essa literatura surgisse depois da segunda guerra mundial. Se jovens a partir de 18 anos podiam lutar e morrer na Europa em prol da liberdade era natural que tivessem direito a expor o que pensam. O que faz do livro uma delicia é como Salinger vai narrando essas coisas banais do cotidiano de um jovem que volta pra casa. Essas coisas banais de um jovem americano se revestem de uma importância pela maneira com o Salinger expõe a juventude através de Holden. Não a credita-nos mais velhos e nem em tudo isso que está a sua volta. Salinger cultivava o ato de escrever ele e achava Hermann Melville (Moby Dick) melhor escritor que Hemingway.
- Além da música Who Wrote Holden Caulfield? (Kerplunk, de 1992), o Green Day faz referências a Holden Caulfield nos cinco álbuns da banda.
- A letra de In Hiding, do Pearl Jam, fala sobre tentar achar a casa de Salinger. Eddie Vedder disse ao NME que, no fundo, é uma metáfora sobre tentar encontrar a casa de Deus, “como se Ele fosse um recluso; você encontra a casa Dele, abre Sua caixa de correspondência e descobre que está cheia de junk mail”.
- Quando perguntaram a Mark Chapman por que ele matara John Lennon, disse: “Leia O Apanhador no Campo de Centeio e você descobrirá porque o fiz. Esse livro é meu argumento”.
- Em uma referência a Chapman, o filme Teoria da Conspiração traz Mel Gibson no papel de um lunático que compra todas as cópias de O Apanhador… que consegue encontrar, sem nunca ter lido o livro.
- A Disney tem um projeto de produzir uma versão animada de O Apanhador… com um pastor alemão como Holden Caulfield… (que Deus nos livre e o santo Salinger proíbam todo esse lixo!).
- A Banda Americana The Caulfields.
- A gravadora Indie Caulfield Records (PO Box 84323 Lincoln, NE 68501 USA).
- A cantora Lisa Loeb fundou a banda Nine Stories, título de um dos livros de Salinger.
- Bill Halley and his Comets gravaram a homenagem a Salinger Rocking Through The Rye (1958).
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.




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