A escola de samba de hoje, seja Rio de Janeiro ou São Paulo envereda por um caminho que não tenha mais volta e perder suas origens. O sintoma mais evidente são os sambas enredo. No início do século passado e com mais ênfase no início dos anos 60 os compositores buscavam o samba bonito, fácil de cantar e que agradava a todos. Limitado aos temas históricos ou sobre personagens impostos por Getulio Vargas surgiram sambas imortais. “Podemos citar “O Mundo encantado de Monteiro Lobato”, “No Reino da Mãe da Mãe do Ouro” da Mangueira; “Heróis da Liberdade”, “Alô, Alô, Taí Carmem Miranda” do Império Serrano”;” Chica da Silva”, “Festa para Um Rei Negro” do Salgueiro; “Lapa em Três Tempos”, “Macunaíma” da Portela. Em São Paulo tivemos sambas interessantes e criativos feitos por compositores das escolas de samba de São Paulo e cito alguns: Paulistinha, Jangada, Talismã, Zeca da Casa Verde, Toniquinho Batuqueiro, Ideval, Zelão e Jordão. Sambas como “Narainã”, “Biografia do Samba” e “Rei Café” deixou muito compositor carioca com inveja. A grande preocupação ao compor esses sambas era que a cadência ajudasse a escola na avenida, que fosse possível todos cantarem e que tinha que ter criatividade e beleza. Hoje os sambas parecem iguais. Criou-se uma forma onde o samba enredo se encaixa e temos sensação que já ouvimos a mesma musica com outras letras. Essa formatação ajuda ao compositor a não errar e a ousadia da criação se perde. Hoje podemos fazer um levantamento de memória e veremos que só lembramos-nos dos sambas antigos e os de hoje são raramente lembrados inclusive nas próprias escolas de samba. Hoje a diversão de se sambar e brincar perdeu para o profissionalismo, o que não é ruim, mas não é só isso. Ainda bem que alguns sambas enredo mesmo sendo criado nessa formatação conseguem ser bem criativos. Hoje se compõe pensando em ganhar dinheiro e não em criar um samba do fundo da alma. As brigas na escolha dos sambas enredo são tensas mais pelo dinheiro que pode dar do que pelo reconhecimento da composição. Diante disso o melhor mesmo e acompanhar os ensaios das escolas de samba nos fins de semana onde se pode tomar conhecimento dos grandes sambas na hora do “esquenta” e ver como se divertem seus integrantes que agora só podem ver o samba da avenida acenando para os turistas na arquibancada.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.




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