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Fundamentalismo?

Desde a segunda metade do século passado somos bombardeados pela imprensa sobre a guerra entre Israel e os Palestinos. Os palestinos expulsos de suas terras na década de 40 são uma pálida cultura do que já foram e estão nas mãos dos fundamentalistas que se aproveitam da vida indigna que vive e os transformam em homens bomba. Os Judeus ortodoxos (fundamentalistas) dizem que aquele pedaço da Palestina onde foi construído o Estado de Israel pertence a eles por um desejo divino. E os fundamentalistas cristãos cometem atentados contra clínicas de aborto e contra governos e presidente. A geografia política mudou desde a queda do muro de Berlim e depois do atentado de 11 de setembro, não a queda de Salvador Allende no Chile, mas das Torres Gêmeas em Nova Iorque.  Tudo muito complicado e que a imprensa não costuma explicar a sua origem ficando somente nos fatos.
Para quem gosta do assunto saiu como livro de bolso “Em Nome de Deus – O Fundamentalismo no judaísmo, no Cristianismo e no Islamismo” de Karen Armstrong, uma das principais autoridades em história das religiões.  Seu estudo para esse livro começa em 1492, data em que ocorrem episódios históricos para cristãos, muçulmanos e judeus: a descoberta da América, a conquista de Granada e a expulsão dos judeus da Espanha.
É um livro de fácil leitura de 500 páginas onde fica evidente o grande esforço de Karen na pesquisa que enfrentou. Citando desde historiadores e escritos de viajantes de várias épocas vai contando as histórias de povos, que mais tarde formariam Estados, e de como que esse extremismo acontece. Começa derrubando o termo “fundamentalismo” que tem outro significado que não este empregado pela imprensa.  Os primeiros a utilizá-lo foram os protestantes americanos que, no início do século 20, passaram a denominar-se “fundamentalistas” para se distinguir dos protestantes mais “liberais”, que a seu ver distorciam inteiramente a fé cristã. Eles queriam voltar às raízes e ressaltar o “fundamental” da tradição cristã, que identificavam como a interpretação literal das Escrituras e a aceitação de certas doutrinas básicas (sic).
Embora Karen narre as três religiões desde o século 15 e o extremismo Fundamentalista do século 20 que interessa estudar. Um extremismo que se supunha desaparecido com a democracia moderna e com o racionalismo. Uma reação contra cultura cientifica, mas que não podem fugir dela. Existe um padrão comum a todos esses “fundamentalismos”. São formas de espiritualidade combativas que surgiram como reação a alguma crise.  Imagino que ocupa o espaço de entendimento que o racionalismo não deu conta. Penso aqui em algo bem brasileiro. Acreditou-se que com o fim da ditadura a vida melhoraria e não foi isso que se viu e a busca por esperança fez crescer as religiões evangélicas.
Um aspecto da história das religiões que derruba mitos.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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