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Flip (Festa Literária Internacional de Paraty)

Gilberto Freyre será o homenageado da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) do próximo ano e que será na primeira semana de agosto e não como é tradicionalmente julho. É para não competir com a copa. A FLIP se inspirou num evento literário inglês onde escritores se encontram com seus leitores. Para esse evento Paraty ficou pequena. As 300 pousadas não conseguem dar conta de tanta gente que vai pro evento. A prefeitura da cidade teve de tomar algumas providências para que essa multidão não destruísse a cidade. Apesar de ser uma cidade que vive do turismo os restaurantes não conseguem dar conta de tanta gente.
Outra peculiaridade da FLIP é poder colocar os escritores em contato com seus leitores e consegue de uma maneira torta. Se no palco dos escritores onde só ou aos pares são reunidos para falar de um tema através de um mediador cabe ao público ficar assistindo. O encontro dos escritores com seus leitores se dão nas ruas onde todos estão mais a vontade. Foi possível ver o historiador inglês Eric Hobsbawn e escritores como M. Coetzee, Ian McEwan, Paul Auster, Toni Morrison e Tom Stoppard.
Uma das grandes oportunidades que a FLIP proporciona é poder discutir o escritor homenageado e Gilberto Freyre merece. Embora fosse responsável por pensar a sociedade brasileira a partir dela, tentando compreender a nossa história não pelas guerras e reinados por sua formação foi posto de escanteio quando dos anos 70 apoiou a ditadura. Algo impensável para quem exilou com a revolução de 30. Depois de lecionar nos Estados Unidos, na Universidade de Stanford, em 1931, viajou para Europa. Voltou ao Rio de Janeiro, em 1932, e se dedicou a escrever “Casa-Grande & Senzala: Formação da Família Brasileira sob o Regime de Economia Patriarcal”, publicado em 1933. Recusou empregos, viveu em casas de amigos e pensões baratas, até que o sucesso do livro lhe devolveu a carreira de professor.
Passou a estudar o cotidiano por meio da história oral, documentos pessoais, manuscritos de arquivos públicos e privados, anúncios de jornais e outras fontes até então ignoradas. Usou também seus conhecimentos de antropologia e sociologia para interpretar fatos de forma inovadora.   Filho de um educador e juiz Alfredo Freyre combateu os nazistas e racistas a ponto de ser preso.  Apesar disso se filiou a UDN- União Democrática Nacional que nunca elegeu um presidente e sempre conspirou para ocupar a presidência que por fim apoiou o golpe militar de 1964. Uma figura curiosa de quem vamos ouvir por ocasião da FLIP em 2010.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

flip2009Gilberto Freyre será o homenageado da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) do próximo ano e que será na primeira semana de agosto e não como é tradicionalmente julho. É para não competir com a copa. A FLIP se inspirou num evento literário inglês onde escritores se encontram com seus leitores. Para esse evento Paraty ficou pequena. As 300 pousadas não conseguem dar conta de tanta gente que vai pro evento. A prefeitura da cidade teve de tomar algumas providências para que essa multidão não destruísse a cidade. Apesar de ser uma cidade que vive do turismo os restaurantes não conseguem dar conta de tanta gente.

hobsbawmOutra peculiaridade da FLIP é poder colocar os escritores em contato com seus leitores e consegue de uma maneira torta. Se no palco dos escritores onde só ou aos pares são reunidos para falar de um tema através de um mediador cabe ao público ficar assistindo. O encontro dos escritores com seus leitores se dão nas ruas onde todos estão mais a vontade. Foi possível ver o historiador inglês Eric Hobsbawn e escritores como M. Coetzee, Ian McEwan, Paul Auster, Toni Morrison e Tom Stoppard.

Uma das grandes oportunidades que a FLIP proporciona é poder discutir o escritor homenageado e Gilberto Freyre merece. Embora fosse responsável por pensar a sociedade brasileira a partir dela, tentando compreender a nossa história não pelas guerras e reinados por sua formação foi posto de escanteio quando dos anos 70 apoiou a ditadura. Algo impensável para quem exilou com a revolução de 30. Depois de lecionar nos Estados Unidos, na Universidade de Stanford, em 1931, viajou para Europa. Voltou ao Rio de Janeiro, em 1932, e se dedicou a escrever “Casa-Grande & Senzala: Formação da Família Brasileira sob o Regime de Economia Patriarcal”, publicado em 1933. Recusou empregos, viveu em casas de amigos e pensões baratas, até que o sucesso do livro lhe devolveu a carreira de professor.

Passou a estudar o cotidiano por meio da história oral, documentos pessoais, manuscritos de arquivos públicos e privados, anúncios de jornais e outras fontes até então ignoradas. Usou também seus conhecimentos de antropologia e sociologia para interpretar fatos de forma inovadora.   Filho de um educador e juiz Alfredo Freyre combateu os nazistas e racistas a ponto de ser preso.  Apesar disso se filiou a UDN- União Democrática Nacional que nunca elegeu um presidente e sempre conspirou para ocupar a presidência que por fim apoiou o golpe militar de 1964. Uma figura curiosa de quem vamos ouvir por ocasião da FLIP em 2010.

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.

*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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