Fabio Zanon, violonista, é hoje professor da Royal Academy of Music em Londres. Conheci esse musico com jeito de bom moço que todo pai gostaria de ter como genro. Educado, fala mansa e uma vida dedicada ao violão. Nessa ocasião ele lançava um programa pela Rádio Cultura FM de São a história do violão. Durante três anos a partir de 2006, a Rádio Cultura FM transmitiu semanalmente o programa Violão com Fábio Zanon. Após 13 episódios iniciais dedicados à série O Violão Espanhol no Século XX, Fábio Zanon concentra-se na história do violão no Brasil. Foi graças a esses programas que conheci esse universo fantástico do violão. Raros são instrumentistas de talento que querem descobrir historia de seus instrumentos ou da musica que fazem e acabam dividindo seu conhecimento com o publico leigo. Além de Zanom tem Henrique Cases, cavaquinista talentoso que escreveu a história do choro no livro “Choro – Do quintal ao Municipal, Rio de Janeiro”. A repercussão foi tão grande que virou uma série de 148 programas cobrindo o rico universo da tradição violonística brasileira. Seus grandes personagens são protagonistas nestes programas ilustrados com gravações raras e entrevistas exclusivas. O ponto de partida para esta série é o artigo de Fábio Zanon, O violão no Brasil depois de Villa-Lobos.
Zanon mostra a trajetória, do violão como instrumento de concerto no século XX, desde as primeiras gravações ainda nas primeiras décadas de 1900 até a produção mais recente. Os programas apresentam gravações dos maiores mestres do violão, do paraguaio Agustín Barrios a nomes como Julian Bream, John Williams, Turíbio Santos e o Duo Assad, passando obrigatoriamente pela figura dominante de Andrés Segovia para quem Villa- Lobos compôs algumas peças. Fábio Zanon usou gravações de sua própria coleção, além de contar com raridades do acervo de colecionadores como Ronoel Simões. Ele comenta em profundidade sobre os aspectos históricos, contribuição para o crescimento do repertório, e elementos técnicos, interpretativos e estilísticos. Em várias ocasiões, Fábio Zanon executa ao violão exemplos musicais de caráter didático. Zanon acompanhou o Coro Cervantes num disco cujas composições eram inspiradas nos rituais de morte do povo indígena Yanomami que aproveitou para lança durante a sua participação no Festival de Musica de Campos de Jordão.
A pesquisa sobre o violão brasileiro trouxe a lembrança de uma dupla de violonista muito importante, “Índios Tabajaras” são índios brasileiros autênticos, da raça tupi-tabajara, nascidos na remota e agreste serra de Ibiapaba, dentro do então isolado município cearense de Tianguá, na divisa com o Piauí.
Na língua tupi, receberam os nomes de Mussaperê e Herundy, que significam O Terceiro e O Quarto, pois estavam nessa ordem de nascimento dos filhos do cacique Ubajara, ou Senhor das Águas, ao todo trinta e quatro irmãos, maias tarde recebem nomes de branco: Antenor Moreira Lima (Mussaperê) e Natalício Moreira Lima (Herundy). Sem um aprendizado formal se interessaram por compositores como Beethoven, Bach, Litzt, Mozart e outros grandes mestres. E fizeram sucesso na Europa e Estados Unidos e nunca mais ouvimos falar deles.
Esse é Fabio Zanon, um personagem inesquecível.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.




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