Divirta.se

Estomago e espírito, dois a serem alimentados

Estomago e espírito, dois a serem alimentados
“A Sopa de Kafka” é uma gostosa idéia de associar uma receita a um autor literário.  A idéia é simples, Mark Crick, o autor, escolhe um escritor e depois pensa que prato combina com ele. De uma maneira subjetiva Mark foi associando o cordeiro ao molho de endro ao Raymond Chandler, Risoto de cogumelo a John Steimberck e sopa rápida de missô a Kafka.   Imitando ao estilo de cada autor a receita vai sendo dada.  O cordeiro de Raymond Chandler vai sendo cortado como quem narra um crime. Os cogumelos secos do risoto de Steimbeck são apresentados como torturados que bebem água aos pingos.  Fica para o capitulo que dá nome ao livro a receita mais misteriosa. K., que em algum momento virou inseto, dar um clima lúgubre a geladeira vazia de onde nascerá o missô. Mark ao escrever cada receita ao estilo de cada escritor prova que ele tanto alimenta a alma com livros quanto o estômago a beira do fogão.
Delírios de Bunuel, uma memória a ser preservada
Luis Buñuel, o cineasta, ao escrever “Meu Último Suspiro” deixa na verdade um testemunho do que foi a Espanha no século XX. Ali estão as razões do porque enveredou pelo surrealismo e dos filmes contra a igreja e autoridades. Uma Espanha atrasada, como se ainda estivesse na idade média é tão surrealista quanto os sonhos de seus filmes. Uma fuga para o onírico para fugir da triste realidade.  A cada capitulo é possível reconhecer nos personagens dos livros os personagens do filme.  Sua relação com André Breton, Federico Garcia Lorca e Salvador Dalí e a busca de construir loucos sonhos que permita todo tipo de entendimento.  Sonhos que o autorizam a filmar Viridiana baseado num sonho erótico do autor e numa santa pouco conhecida, filmes densos, críticas pungentes ao fanatismo, às ambiguidades religiosas. Um relato tão instigante quanto seus próprios filmes. Não dá para parar de ler.
CEBRAP – um centro de resistência a ditadura
O CEBRAP – Centro Brasileiro de Análise e Planejamento foi criado há quarenta anos por professores da USP aposentados pela ditadura. Afastados da vida acadêmica o CEBRAP permitiu que continuassem o estudo sobre o Brasil. Cabeças pensantes como Chico Oliveira, Fernando Henrique Cardoso, Roberto Schwarz, Paul Singer, só pra citar alguns. Eram intelectuais que embora estivessem abrigados pelo CEBRAP discordavam entre si como Chico Oliveira e Fernando Henrique, o que permitia uma pluralidade de idéias. O pensar o Brasil agora tinha outro endereço.  A grande critica que se fazia na época era de aquele grupo de intelectuais era mantidos pela Ford Fundation, fazia o jogo da direita. E a ditadura, que os havia cassado, fez com que frequentassem as salas da OBAN – Operação Bandeirantes. O livro é composto por 11 entrevista dos principais integrantes do CEBRAP.  O que se lê nas entrevistas é o esforço heróico de discernimento político e coragem política. As divergências fizeram amadurecer a discussão política. Junto com o livro vem um documentário sobre os 40 anos do CEBRAP que ajuda a entender o que foi o CEBRAP. O livro tem farta ilustração que ajudando a entender cada capítulo.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

kafkaA Sopa de Kafka” é uma gostosa idéia de associar uma receita a um autor literário.  A idéia é simples, Mark Crick, o autor, escolhe um escritor e depois pensa que prato combina com ele. De uma maneira subjetiva Mark foi associando o cordeiro ao molho de endro ao Raymond Chandler, Risoto de cogumelo a John Steimberck e sopa rápida de missô a Kafka.  Imitando ao estilo de cada autor a receita vai sendo dada.  O cordeiro de Raymond Chandler vai sendo cortado como quem narra um crime. Os cogumelos secos do risoto de Steimbeck são apresentados como torturados que bebem água aos pingos.  Fica para o capitulo que dá nome ao livro a receita mais misteriosa. K., que em algum momento virou inseto, dar um clima lúgubre a geladeira vazia de onde nascerá o missô. Mark ao escrever cada receita ao estilo de cada escritor prova que ele tanto alimenta a alma com livros quanto o estômago a beira do fogão.

Delírios de Bunuel, uma memória a ser preservada

bunuelLuis Buñuel, o cineasta, ao escrever “Meu Último Suspiro” deixa na verdade um testemunho do que foi a Espanha no século XX. Ali estão as razões do porque enveredou pelo surrealismo e dos filmes contra a igreja e autoridades. Uma Espanha atrasada, como se ainda estivesse na idade média é tão surrealista quanto os sonhos de seus filmes. Uma fuga para o onírico para fugir da triste realidade.  A cada capitulo é possível reconhecer nos personagens dos livros os personagens do filme.  Sua relação com André Breton, Federico Garcia Lorca e Salvador Dalí e a busca de construir loucos sonhos que permita todo tipo de entendimento.  Sonhos que o autorizam a filmar Viridiana baseado num sonho erótico do autor e numa santa pouco conhecida, filmes densos, críticas pungentes ao fanatismo, às ambiguidades religiosas. Um relato tão instigante quanto seus próprios filmes. Não dá para parar de ler.

 

CEBRAP – um centro de resistência a ditadura

retrato_grupo_gdeO CEBRAP – Centro Brasileiro de Análise e Planejamento foi criado há quarenta anos por professores da USP aposentados pela ditadura. Afastados da vida acadêmica o CEBRAP permitiu que continuassem o estudo sobre o Brasil. Cabeças pensantes como Chico Oliveira, Fernando Henrique Cardoso, Roberto Schwarz, Paul Singer, só pra citar alguns. Eram intelectuais que embora estivessem abrigados pelo CEBRAP discordavam entre si como Chico Oliveira e Fernando Henrique, o que permitia uma pluralidade de idéias. O pensar o Brasil agora tinha outro endereço.  A grande critica que se fazia na época era de aquele grupo de intelectuais era mantidos pela Ford Fundation, fazia o jogo da direita. E a ditadura, que os havia cassado, fez com que frequentassem as salas da OBAN – Operação Bandeirantes. O livro é composto por 11 entrevista dos principais integrantes do CEBRAP.  O que se lê nas entrevistas é o esforço heróico de discernimento político e coragem política. As divergências fizeram amadurecer a discussão política. Junto com o livro vem um documentário sobre os 40 anos do CEBRAP que ajuda a entender o que foi o CEBRAP. O livro tem farta ilustração que ajudando a entender cada capítulo.

 

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.

*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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