Uma homenagem aos seus 65 anos completados dia 27 de março.
Existem compositores e cantores que vieram pra mudar a face da musica popular brasileira. Se Noel Rosa trouxe o samba pra cidade, dando um jeito mais urbano ao samba a Elis Regina quebrou a tradição de uma vez escolhida o gênero de música não poderia se arriscar a cantar outro gênero. Uma vez escolhido samba vai cantar sempre samba. Escolheu bolero, sempre bolero.
Elis começou cantando samba terminou cantando tudo. É claro que teve de existir composições para isso. Elis aparece cantando “Arrastão” de Vinicius de Morais e Edu Lobo defendido no Primeiro Festival de Música Popular Brasileira patrocinado pela TV Excelsior realizado no Guarujá. Só mais tarde é que seria encampada pelo TV Record. A ditadura militar pressionou A TV Excelsior até que faliu abrindo espaço para surgir a TV Globo.
Elis começou cantando samba terminou cantando tudo. É claro que teve de existir composições para isso. Elis aparece cantando “Arrastão” de Vinicius de Morais e Edu Lobo defendido no Primeiro Festival de Música Popular Brasileira patrocinado pela TV Excelsior realizado no Guarujá. Só mais tarde é que seria encampada pelo TV Record. A ditadura militar pressionou A TV Excelsior até que faliu abrindo espaço para surgir a TV Globo.Eram músicas com algum cunho social, já que a classe média começa a se sentir o sufocamento da ditadura e o samba era a grande música. Na verdade eram a Bossa Nova e o samba. Mais o samba que por tradição fala dos problemas do povo, seja amor, falta de dinheiro, e esse jeito de reclamar foi encampado pela classe média que saia da bossa nova para o samba. Eli impressiona com seu jeito de cantar movimentando os braços, uma sugestão dado pelo amigo e bailarino Lane Dale. Ao mesmo tempo em que despontava como cantora prestava atenção nos novos compositores que surgem como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento só pra citar alguns.
Com o surgimento dos novos compositores surge também um novo jeito de compor, com guitarras elétricas, novas harmonias, nem samba nem canção assustando o tradicional samba brasileiro. Elis estranha esse novo tipo de composições, mas depois acaba gravando. É nessa hora que rompe com tradição de gravar só um gênero de música imposto pelas gravadoras. Elis vai do samba tradicional a bolero passando por baião e pelas novas compositoras como Rita Lee. Como cantora que libertou as amarras do cantar, passa a representar o sentimento de liberdade cantando composições que expressam esse sentimento. Vai de Mercedes Sosa a Violeta Parra. O sentimento de liberdade vai da política as amorosas. Elis está no auge cantando o que quer e essa sua realização se materializa no show “O Falso Brilhante”. Ela canta de tudo. Fala de liberdade e dos sonhos. Um show que só foi possível graças à criação e direção de Mirian Muniz. Elis busca outros ares. Apresenta-se na Europa e se relaciona com jazzistas que gostam da musica popular brasileira como Wayne Short do weather report.
Sua boa fase começa quando é convidada para apresentar “O Fino da Bossa” onde tem a oportunidade de cantar com todos compositores e cantores da musica popular brasileira. De Vinicius a Adoniram Barbosa.Seu companheiro de apresentação seria primeiramente Wilson Simonal que por estar com a agenda lotada escolheram Jair Rodrigues.
Elis mudou a cara da MPB e mostrou como é prazeroso gostar de cantar.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.




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