Chorinho é um estilo de música para quem se emociona com a musica instrumental. Para resumir e beber na fonte do livro “Do quintal ao Municipal, Rio de Janeiro” por Henrique Cazes que conta como nasceu e desenvolveu o choro e posso dizer que é um sincretismo do batuque negro com a musica européia. Esse tipo de miscigenação só é possível na America onde o contingente de escravos era enorme.
Para citar um outro exemplo temos o jazz. Para cada região do novo continente ele criou um jeito de ser e no Brasil, no Rio de Janeiro é o Chorinho.
Chorinho não é um gênero musical como samba, bolero, maxixe. É um estilo de tocar que foi se formando, ora triste e melancólico ora alegre e saltitante. É sofisticado graças a musica européia e é inovadora pelo seu sincopado e improviso tal qual o jazz. Para quem quer conhecer esse gênero que logo completa 100 anos pode ouvir a caixa de cinco CDs “Chorinho do Brasil” onde 70 músicas apresentam esse universo.É quase completo por sinto falta dos chorinhos de Hermeto Paschoal e Egberto Gismonti, mas é sem duvida um painel. Dos primeiros choros até os anos 7o quando Paulinho da Viola grava “Choro Negro” é possível perceber que a cada geração de instrumentistas o choro fica mais bonito e delicado.
E se houver maior interesse pode-se recorrer ao livro “Do quintal ao Municipal, Rio de Janeiro” por Henrique Cazes onde são contadas histórias como a do Maestro Ernesto Nazareth, que conviveu na infância com os batuques do morro e com Debussy tocado ao piano por sua mãe. Nazareth mesclou essas influências às danças de salão da época e criou o que ele mesmo chamou de “tango brasileiro”.
O estilo posteriormente ficou conhecido como Choro ou Chorinho. Nazareth sempre transitou entre o popular e o erudito. Obteve apenas dois sucessos: as músicas Odeon e Brejeiro. Pouco conhecido entre a população e menosprezado pela academia, o compositor foi alvo de polêmicas, sendo defendido por Mário de Andrade. No início da década de 30, Nazareth já com 80 anos, apresentou distúrbios mentais e foi internado numa casa de repouso. Fugiu e permaneceu desaparecido na Floresta da Tijuca durante 3 dias. Foi encontrado morto no dia da inauguração do primeiro desfile de carnaval no Rio de Janeiro, em 31.
O livro conta também a história de Pixinguinha que praticamente unificou a linguagem do estilo Choro. Fez sucesso no Brasil e mundo afora com seu grupo Os Oito Batutas. Ficaram famosas as viagens do grupo à França e à Argentina, país do qual tiveram de sair quase que sorrateiramente (em virtude do envolvimento com mulheres alheias). Pra conseguir a fuga, foi necessário que um dos Batutas se fingisse de morto (literalmente).Pixinguinha, autor de preciosidades como Rosa, 1 x 0, Carinhoso, Naquele Tempo e Samba do Urubu, entre outras inúmeras, se tornou um músico de respeito no Brasil, arranjador oficial da rádio Nacional. Apesar disso, não guardou dinheiro e nos anos 50 já não era tão lembrado. Foi aí que apareceu Benedito Lacerda propondo a gravação de um disco.
Pixinguinha já não conseguia mais desempenhar com precisão a flauta, então fez o acompanhamento no sax. Benedito propôs a gravação condicionando Pixinguinha a dividir a autoria das músicas com ele, Benedito. Até hoje muitos acham que foi uma atitude de má fé, mas há quem diga que se não fosse por Benedito, Pixinguinha não seria relembrado como é ainda hoje.
Outra história interessante é a de Jacob do Bandolim, um músico autodidata que, já famoso, dedicou-se ao estudo da linguagem musical com a intenção de poder tocar de forma exata a Suíte Retratos, composta por Radamés Gnattalli. A suíte composta por 4 movimentos homenageava quatro compositores importantes da história do choro. Jacob levou 6 anos estudando a composição até que se sentiu apto a gravá-la, num exemplo de auto-superação.
“Chorinho do Brasil”
• João Pernambuco, Dilermando Reis, Radamés Gnattali, Baden Powell e Jacob do Bandolim estão entre os grandes artistas que fazem parte deste Box fantástico intitulado Chorinho do Brasil. Ao todo, o repertório traz 70 clássicos do estilo, dividido em cinco CDs. Destaques para “Espírito Infantil” (A Cor do Som) “Vê se Gostas” (Waldir Azevedo), “Eu Quero é Sossego” (Paulo Moura), “Choro Negro” (Paulinho da Viola), “Segura Ele” (Copinha & Zé da Velha) e “Batuque” (Radamés Gnattali). Imperdível!
• Artista: VÁRIOS
• Ano: 2008
• Procedência: Nacional
• Label: Warner
Disco 1
1. Pó de Mico – João Pernambuco
2. Reboliço – João Pernambuco
3. Sonho de Magia – João Pernambuco
4. Magoado – João Pernambuco
5. Sons de Carrilhões – Dilermando Reis
6. Caxinguelê – Dilermando Reis
7. Contratempo – Dilermando Reis
8. Vê se Te Agrada – Dilermando Reis
9. Tempo de Criança – Radamés Gnattali
10. Jongo – Baden Powell
11. Odeon – Baden Powell
12. Ingênuo – Baden Powell
13. Abismo de Rosas – Baden Powell
14. Samba Novo – Baden Powell
Disco 2
1. Treme-Treme – Jacob do Bandolim
2. Glória – Jacob do Bandolim
3. Feia – Jacob do Bandolim
4. Cabuloso – Jacob do Bandolim
5. Remeleixo – Deo Rian & Quinteto Villa-Lobos
6. Deu Abóbora na Retreta – Deo Rian
7. Paciente – Deo Rian & Quinteto Villa-Lobos
8. Santinha – Deo Rian & Quinteto Villa-Lobos
9. Poesia e Amor – Deo Rian & Quinteto Villa-Lobos
10. Ernesto Nazareth – Joel Nascimento
11. Chiquinha Gonzaga – Joel Nascimento
12. Conversa Mole – Joel Nascimento
13. Noites Cariocas – Joel Nascimento
14. Assanhado – a Cor do Som
Disco 3
1. Dominante – Época de Ouro
2. Naquele Tempo – Época de Ouro
3. Um a Zero – Época de Ouro
4. Sensível – Época de Ouro
5. Sofres Porque Queres – Waldir Azevedo
6. Lamentos – Dilermando Reis
7. Abelardo – Época de Ouro
8. Os Oito Batutas – Época de Ouro
9. Seresteiro – Época de Ouro
10. Vasconcelos em Apuros – Época de Ouro
11. O Rasga – Época de Ouro
12. Acerta o Passo – Part. Esp. de Paulinho da Viola
13. Ainda Me… – Deo Rian & Quinteto Villa-Lobos
14. Carinhoso – Radamés Gnattali
Disco 4
1. Ouro Sobre Azul – Eudóxia de Barros
2. Sarambeque – Eudóxia de Barros
3. Coração que Sente – Eudóxia de Barros
4. Nenê – Eudóxia de Barros
5. Odeon – Eudóxia de Barros
6. Digo – Eudóxia de Barros
7. Gotas de Ouro – Eudóxia de Barros
8. Brejeiro – Waldir Azevedo
9. Menino de Ouro – Deo Rian
10. Tupinambá – Época de Ouro
11. Ameno Resedá – Radamés Gnattali
12. Batuque – Radamés Gnattali
13. Expansiva – Radamés Gnattali
14. Apanhei-Te Cavaquinho – Radamés Gnattali
Disco 5
1. Proezas do Sólon – Zé da Velha
2. Segura Ele – Copinha & Zé da Velha
3. O Amolador – Copinha
4. Cavaquinho Seresteiro – Abel Ferreira
5. Choro Negro – Part. Esp.- Paulinho da Viola
6. Brejeiro – a Cor do Som
7. Espírito Infantil – a Cor do Som
8. Dagmar – os Novos Baianos
9. Pororocas – a Cor do Som
10. Ecos – Joel Nascimento
11. Vê se Gostas – Waldir Azevedo
12. Sai da Frente – Abel Ferreira
13. Eu Quero é Sossego – Paulo Moura
14. Urubu Malandro – Paulo Moura
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.




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