Divirta.se

Alô, Alô Terezinha

Para abrir a coluna nesta segunda-feira, um dia em que São Paulo descansa vamos de cinema e livro.
Cinema:
Alô, Alô Terezinha dirigido por Nelson Hoineff é um documentário sobre o autor da frase que dá nome ao filme, Abelardo Barbosa, Chacrinha. O filme não conta a como surgiu o Chacrinha e nem pretende, segue a máxima citada por ele em alguns programas “vim confundir e não para explicar”. O documentário mostra quem foi essa figura que criou ídolos e que foi um bufão  frente as câmeras. O filme entrou em cartaz no dia 30 de setembro quando então Chacrinha  faria 92 anos.   O filme se vale de depoimentos de cantores que no início da carreira tiveram ajuda do “Velho Guerreiro”. Estão lá Gilberto Gil, Cauby P eixoto, Elba Ramalho, Fábio Jr. E de  velhos calouros que nunca desistiram de cantar mesmo levando as buzinadas. E principalmente as dançarinas que ainda vivem a nostalgia de um dia terem sido as cobiçadas Chacretes que só tinham como rival as mulatas do Sargentelli. Alguém se lembra? O documentário mostra como elas vivem hoje, uma chacrete virou evangélica, outra é atriz pornô, uma outra dona de lanchonete, e outras que acabaram tendo uma vida prosaica. O filme bem ao estilo Hoineff é cruel. Como se não bastasse o fim do glamour de ser Chacrete e cair na triste realidade de que seu tempo já passou Hoineff abusa um pouco da situação como a de expor uma das chacretes já com idade avançada praticamente nua dançando num chafariz.  Um filme que demonstra a força que o velho guerreiro tinha na época e que as novas gerações desconhecem.
Quanto dura o amor? Dirigido por Roberto Moreira com Silvia Lourenço, Danni Carlos, Maria Clara Spinelli. Fabio Herford e Paulo Vilhena.  Todos a sua maneira se apaixonam como Marina (Silvia Lourenço) que vem do interior para se tornar atriz e deslumbrada com a cidade se apaixona. A advogada Suzana (Maria Clara Spinelli) bem formal e metódica corresponde com muito medo às investidas de um outro advogado. E Jay (Fabio Herford) que não é correspondido. Cada um a sua maneira se entrega sem saber se vai dar certo o que justifica o título do filme. O segredo do filme está no texto de Tio Vânia de Anton Tchecov onde apesar dos fracassos vale a pena lutar.
Livro
As vozes do Sótão, Paulo Rodrigues editora. Cosac Naify. Esse é a terceiro livro de Paulo Rodrigues. Um livro de duas partes curiosamente dividido. Na primeira parte narra as lembranças da infância e as paginas são brancas com letras bordô. Na segunda parte é sua vida em Montevidéu onde as paginas são bordô com letras brancas. São como memórias, reais ou não, onde ao escrever vai divagando, onde uma idéia puxa o outra formando uma grande teia e que aos pouco vamos tendo noção do livro. Ele escreve na terceira pessoa sobre ele mesmo. Isso permite que manipule sua história e possa entendê-la através do distanciamento.
Honoráveis BANDIDOS , Mylton Severiano e Palmério Dória. Geração Editorial.  Esse livro é uma grande reportagem sobre o Senador José Sarney. As grandes reportagens deixaram os jornais e revistas  e que só encontram espaço em livros. Não se pretende que seja uma obra histórica e que será alvo de criticas de historiadores. É uma obra onde ao pesquisar a vida política de Sarney os jornalistas o comparam a um chefe da máfia onde o poder é centralizado e todos dependem de seus favores. Uma política que nasceu na UDN e cujas qualidades era conspirar para estar no governo. Portanto Sarney representa uma classe de políticos que seja qual for o presidente Collor ou Lula sempre e stará no poder defendendo seus interesses que não são os da nação. Sarney deixou a presidência do partido da ditadura sem problemas de consciência para se aliar à oposição. Afonso Arinos define assim a UDN “Havia duas direitas antidemocráticas aninhadas na UDN: uma que detestava a herança varguista e aspirava a ditadura militar por motivos políticos e outra que tendia também para a ditadura militar, mas por reacionarismo econômico e hostilidade ao progresso social”
Lazaro de Oliveira

Para abrir a coluna nesta segunda-feira, um dia em que São Paulo descansa vamos de cinema e livros.

Cinema:

Alô, Alô Terezinha dirigido por Nelson Hoineff é um documentário sobre o autor da frase que dá nome ao filme, Abelardo Barbosa, Chacrinha. O filme não conta a como surgiu o Chacrinha e nem pretende, segue a máxima citada por ele em alguns programas “vim confundir e não para explicar”. O documentário mostra quem foi essa figura que criou ídolos e que foi um bufão  frente as câmeras. O filme entrou em cartaz no dia 30 de setembro quando então Chacrinha  faria 92 anos. alo-alo-terezinha-poster01.jpg Ele  se vale de depoimentos de cantores que no início da carreira tiveram ajuda do “Velho Guerreiro”. Estão lá Gilberto Gil, Cauby P eixoto, Elba Ramalho, Fábio Jr. E de  velhos calouros que nunca desistiram de cantar mesmo levando as buzinadas. E principalmente as dançarinas que ainda vivem a nostalgia de um dia terem sido as cobiçadas Chacretes que só tinham como rival as mulatas do Sargentelli. Alguém se lembra? O documentário mostra como elas vivem hoje, uma chacrete virou evangélica, outra é atriz pornô, uma outra dona de lanchonete, e outras que acabaram tendo uma vida prosaica. O filme bem ao estilo Hoineff é cruel. Como se não bastasse o fim do glamour de ser Chacrete e cair na triste realidade de que seu tempo já passou Hoineff abusa um pouco da situação como a de expor uma das chacretes já com idade avançada praticamente nua dançando num chafariz.  Um filme que demonstra a força que o velho guerreiro tinha na época e que as novas gerações desconhecem.

Quanto dura o amor? Dirigido por Roberto Moreira com Silvia Lourenço, Danni Carlos, Maria Clara Spinelli. Fabio Herford e Paulo Vilhena.quanto_dura_o_amor.jpg Todos a sua maneira se apaixonam como Marina (Silvia Lourenço) que vem do interior para se tornar atriz e deslumbrada com a cidade se apaixona. A advogada Suzana (Maria Clara Spinelli) bem formal e metódica corresponde com muito medo às investidas de um outro advogado. E Jay (Fabio Herford) que não é correspondido. Cada um a sua maneira se entrega sem saber se vai dar certo o que justifica o título do filme. O segredo do filme está no texto de Tio Vânia de Anton Tchecov onde apesar dos fracassos vale a pena lutar.

Livros

As vozes do Sótão, Paulo Rodrigues editora. Cosac Naify. Esse é a terceiro livro de Paulo Rodrigues. Um livro de duas partes curiosamente dividido.vozes.png Na primeira parte narra as lembranças da infância e as paginas são brancas com letras bordô. Na segunda parte é sua vida em Montevidéu onde as paginas são bordô com letras brancas. São como memórias, reais ou não, onde ao escrever vai divagando, onde uma idéia puxa o outra formando uma grande teia e que aos pouco vamos tendo noção do livro. Ele escreve na terceira pessoa sobre ele mesmo. Isso permite que manipule sua história e possa entendê-la através do distanciamento.

Honoráveis BANDIDOS , Mylton Severiano e Palmério Dória. Geração Editorial.  Esse livro é uma grande reportagem sobre o Senador José Sarney.honoraveis_convite.jpg As grandes reportagens deixaram os jornais e revistas  e que só encontram espaço em livros. Não se pretende que seja uma obra histórica e que será alvo de criticas de historiadores. É uma obra onde ao pesquisar a vida política de Sarney os jornalistas o comparam a um chefe da máfia onde o poder é centralizado e todos dependem de seus favores. Uma política que nasceu na UDN e cujas qualidades era conspirar para estar no governo. Portanto Sarney representa uma classe de políticos que seja qual for o presidente Collor ou Lula sempre e stará no poder defendendo seus interesses que não são os da nação. Sarney deixou a presidência do partido da ditadura sem problemas de consciência para se aliar à oposição. Afonso Arinos define assim a UDN “Havia duas direitas antidemocráticas aninhadas na UDN: uma que detestava a herança varguista e aspirava a ditadura militar por motivos políticos e outra que tendia também para a ditadura militar, mas por reacionarismo econômico e hostilidade ao progresso social”

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois  dá mais um passo para atender seu público.

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