O desenho “Mary e Max, Uma Amizade Diferente” é um desenho para adultos e seus problemas são retratados na relação de amizade entre Mary Dinkle (voz de Toni Collette), uma garota solitária que mora nos subúrbios de Melbourne, Austrália, e Max Horovitz (voz de Philip Seymour Hoffman), um judeu obeso de 44 anos que sofre de um tipo de autismo e vive na caótica Nova York. Maru encontra endereço de Max numa lista telefônica e resolve enviar uma carta tão sincera quanto pode uma criança escrever. Max, solitário, é receptivo e nasce aí uma amizade de 20 anos. E como toda amizade há momentos de grande sinceridade e ternura, momento de grandes confissões e é claro algum desentendimento. Escolhido para a noite de abertura do Festival Sundance de Cinema e para a competição da mostra Generation 14plus, do Festival Internacional de Cinema de Berlim, Mary e Max é um filme de animação “stop motion” do diretor/roteirista Adam Elliot e da produtora Melanie Coombs, ambos premiados pela Academia de Hollywood causou um estranhamento tanto pela história quanto pela figura dos personagens.
Nessa jornada em que Mary a fase adulta e Max de meia idade para a terceira nos leva a uma jornada que revela amizade, autismo, taxidermia, psiquiatria, alcoolismo, a origem dos bebês, obesidade, cleptomania, diferenças sexuais, confiança, transa de cachorros, diferenças religiosas, agorafobia e muitas outras surpresas da vida.
Mary e Max Gênero: Animação. Diretor/Roteirista: Adam Elliot. Vozes: Toni Collette (Mary), Philip Seymour Hoffman (Max), Barry Humphries (Narrador) e Eric Bana (Damien).
“Sede de vingança” é do mesmo diretor de “Oldboy”, Chan-wook Park. É um filme de vampiro que foge aos filmes feito para adolescente. Pra quem conhece a cinematografia do diretor sabe o quanto de cruel ele tira da vida. Se entendermos que os filmes de vampiros para adolescentes tem o significado do rito de passagem, esse de Chan-wook Park é a máxima “homens devoram homens” nessa luta do cotidiano. A história gira em torno de um padre (Song Kang-ho, de “O Hospedeiro”), que se torna voluntário de um projeto secreto de desenvolvimento de vacinas, mas durante o experimento é infectado por um vírus e morre. Porém, uma transfusão de sangue recebida antes de sua morte o traz milagrosamente à vida, transformando-o em um vampiro.
As observações sobre a vida que o diretor Chan-wook Park faz torna o filme sensível, com humor drama e romance e o roteiro causa certo estranhamento. A aceitação do padre em ser vampiro, aquele que sobrevive sugando o outro, mostra a dualidade entre a vida que imaginamos e a vida real. E é esse terror que se trata filme. Cenas de terror na medida, a fotografia e a edição são primorosas como convém ao cinema asiático.
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.




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