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A arte de interpretar, o teatro

A arte de interpretar pertence sem dúvida ao teatro, excluo aqui a encenação demagógica dos políticos que atuam para uma platéia que querem votos em vez de palmas.

Nesse próximo período deve ser exibido em canal pago o filme “Frost/Nixon” baseado num fato real. Três anos depois de renunciar Nixon atende ao pedido do jornalista britânico David Frost para dar uma série de entrevistas que seriam gravadas. Frost de principio não deveria causar problemas por ser um apresentador limitado que apresentava um programa de entretenimento. Ao fim da última gravação Nixon se revela, como se dessa conta de suas arbitrariedades. De esquecido Nixon volta a ser noticia. Escrito pelo dramaturgo Peter Morgan (especialista em ficcionalizar a vida pessoal de líderes poderosos, e autor do elogiado “A Rainha”, dirigido por Stephen Frears). O espetáculo foi encenado em Londres e na Broadway, ganhando prêmios importantes e recebendo muitos comentários positivos.

Outro filme que faz esse mesmo caminho é o brasileiro “Tempos de Paz” baseado no texto teatral de Bosco Brasil, também roteirista, “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”. É o embate entre o polonês Clausewitz que escolhe começar uma nova vida no Brasil logo após o termino da Segunda Guerra Mundial. Na imigração se depara com Segismundo, ex torturador do regime Vargas que agora trabalha na alfândega. Autoritário e despótico, características adquirida durante o exercício de torturador resolve se confrontar com o pobre polonês que escolheu o Brasil por causa da sonoridade do falar do brasileiro.

Tanto “Tanto Tempos de Paz” como “Frost/Nixon” nasceram como dramaturgia teatral e seus atores foram convidados para fazer o filme. Outra característica em comum é que a dramaticidade se dá no confronto de dois personagens. Tony Ramos (Segismundo) e Dan Stullbach (Clausewitz) em “Em Tempos de Paz” e Michael Sheen (Frost) e Frank Langella (Nixon) em “Frost/Nixon” construíram seu personagens para o palco que exige mais do que um simples atuar para a câmera. No palco gestos, expressões são acompanhadas pelo público. Um fazer do personagem cujo recurso é só a atuação. O drama está no conflito entre os personagens.

Os dois textos foram sucessos durante suas respectivas temporadas. Ron Howard foi mais feliz em explorar os dois atores do que Daniel Filho que ao criar o personagem do médico exagerou na dramaticidade. Pode ser que os dois filmes possam ser considerado como teatro filmado, não importa. O que se vê é a bela atuação de Tony Ramos (Segismundo) e Dan Stullbach (Clausewitz) e Michael Sheen (Frost) e Frank Langella (Nixon) construído no palco e que ficaram registrados nos filmes. Vale à pena dar uma olhada e veremos que atuar é mais do que explodir carros e saltar de edifícios.

Lazaro de Oliveira

Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.

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