Aos poucos a vida vai retornando ao normal e o cinema passa a ser uma opção para tempos de chuva. Por enquanto só o filme de Sherlock Holmes está sendo anunciado como estréia. O filme é dirigido por Guy Richie tendo no Robert Downey Jr. no papel de Sherlock Holmes e Jude Law como seu leal parceiro Watson. É um bom divertimento, mas não é o clássico Holmes e Watson. Um dos erros mais frequentes em adaptações modernosas destroem o espírito original da obra. Nas adaptações feitas para cinema busca na sua modernização atender o público jovem que gosta de filmes de aventura e ação. Foi assim com “Missão Impossível” que era muito mais de esperteza, planos bem arquitetado, de astúcia. O mesmo acontece com “Sherlock Holmes” Guy Richie. O romance escrito no final do século 19 por Arthur Conan Doyle numa época de racionalismo em que a ciência era tudo. Dentro desse cenário de ciência versus a força bruta Conan Doyle escreve Sherlock Holmes. É a consolidação da literatura policial começada com Edgar Alan Poe. Doyle bem se esforçou, tentou a ficção científica, as novelas históricas, até a poesia e obras que andaram próximas do espiritismo e do sobrenatural. Foi um autor tolerado a escrever estas coisas e ganhou a imortalidade graças ao detetive que ele pôs a viver em Baker Street 221, na cidade de Londres, na companhia do Dr. John Watson, um médico que viera do Afeganistão adoentado e que se tornará no cronista desse detetive que trabalhava com lógica dedutiva e alegados métodos científicos.
Um Estudo em Vermelho, publicada no Beeton’s Christmas Annual de 1887, e que foi a primeira vez em que Sherlock Holmes apareceu. Holmes era parcialmente baseado em seu professor de sua época na universidade, Joseph Bell, a quem Conan Doyle escreveu: “É mais do que certo que é a você a quem eu devo Sherlock Holmes… Com base no centro de dedução, na interferência e na observação que ouvi você inculcar, tentei construir um homem.”. As futuras histórias a apresentar Sherlock Holmes foram publicadas na inglesa Strand Magazine.
Sherlock um astuto observador, e de raciocínio lógico dedutivo precisava de alguém com que dialogar expor seu raciocínio e foi criado o médico Watson. Nasce o bordão “Elementar caro Watson” que abria toda explicação lógica engendrada por Holmes e em nenhum momento aparece no filme. Holmes passa a resolver os casos com muita desenvoltura e algum tédio e para dar mais emoção e valorizar o herói foi criado um inimigo a altura de Holmes, o professor Moriarty.
O filme é interessante e mistura cérebro e músculo. Há um talento de Guy Richie para criar uma história cheias de viravoltas como no filme Rock ‘n Rolla – A Grande Roubada. Watson não é só a personagem a quem Sherlock se dirigiu para explicar suas deduções. É também um lutador e serviu ao exército de sua majestade. Sherlock que abandona o chapéu e o cachimbo mais não o violino e gosta de luta livre. O filme diverte, mas a grande surpresa é que Brad Pitt que está sendo convidado para o papel do professor Moriarty
Lazaro de Oliveira
Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.




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