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Tá cada vez mais down o high mercado

Aproveitando a chegada da Sonda espacial Phoenix ao planeta Marte, gostaria de mandar um recado aos hipotéticos habitantes daquele planeta:

Alô, alô marciano
Aqui quem fala é da terra
Pra variar os preços em guerra
Vocês não imaginam a loucura
As commodities tão lá nas alturas porque
Tá cada vez mais down o high mercado

Os marcianos, se de fato existirem, e entenderem as questões sociais e econômicas que o planeta Terra viveu e vive neste momento, de certo irão dizer: vêm aí mais mudanças, como tantas que já aconteceram na história desta civilização terráquea.

Nesses últimos dias muitos fatos têm me levado a refletir sobre a política econômica atual. Assisti palestras de duas figuras das mais importantes no cenário econômico nacional, uma do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, num evento do broadcast, frisando a necessidade da “racionalidade” nas decisões do Banco Central e outra do presidente do Banco Itaú, Roberto Setúbal, na Bloomberg, defendendo a elevação da taxa de juros, pois o Brasil não está preparado para crescer acima de 4,5% do PIB, se crescer a demanda excedente irá provocar aumento de preços. Além de lido e ouvido comentários constantes de outros tantos economistas e palpiteiros da imprensa de plantão, visando estabelecer um senso comum de como a política econômica tem que ser aplicada para conter esse absurdo de fugir ao centro da meta.
Um dos motes da moda é dizer que sem o IG de mais uma agência de risco ainda não seremos plenos para receber aquela enxurrada de dinheiro que está lá, só aguardando mais um sinal verde para ingressar no país. Outros com os alertas de que o país precisa realizar mais reformas, governo diminuir os gastos e outros tantos argumentos que trarão a verdadeira confiança externa.

Confiança em investimentos é semelhante à liberdade, não se ganha, se conquista, o Brasil conquistou e está conquistando nos mercados por sua competência. Pois não é possível que nos dias de hoje, depois de tantas falhas grotescas no processo de avaliação, aquele que busca retorno e segurança de seus investimentos, que é o que move o capital pelo mundo, se guie apenas pelas boas notas daqueles que na realidade deveriam é trocar de nome de agências de risco para risco de agência.

Isso tudo me fez lembrar da noção de “racionalidade objetiva” de Max Weber, muito bem analisada pelo professor de sociologia da UFJF, Jessé de Souza: “Weber logra transformar a percepção de uma ‘racionalidade objetiva’ que se impõe aos sujeitos de modo independente de sua vontade, no fundamento mesmo de uma ’sociologia compreensiva’, toda voltada a captar o ’sentido subjetivo’ das ações humanas. É que, no ‘racionalismo moderno’, são os pressupostos da ‘ação eficaz’, no sentido de efetivamente transformadora da realidade externa, que a tornam ‘compreensível’ para todos, permitindo a ‘evidência intersubjetiva’ que garante a cientificidade de proposições e descrições da realidade.”

Diante do exposto é de se questionar esse “racionalismo moderno” chamado de meta de inflação que muitos países aderiam dentro de um contexto global onde o equilíbrio de preços foi por um tempo mais conseqüência da integração dos mercados, gerando competitividade e maior equilíbrio nos preços do que das políticas monetárias locais. Por um tempo a inflação, com raras exceções, foi varrida do planeta, saíram de moda, todos viviam num tênue equilíbrio.

Hoje com a chamada periferia global crescendo vertiginosamente, puxada pelo continente asiático, principalmente por China e sua revolução industrial demandando importações maciças de alimentos e de matérias-primas, além de uma produção interna de carvão, metais e hidrocarbonetos muito pequena para alimentar o seu, cada vez maior, mercado de consumo, aliado ainda ao fato dos Bancos Centrais das chamadas nações desenvolvidas estarem injetando algumas centenas de bilhões de dólares, dando mais liquidez a um mercado já muito liquido, para evitar uma crise de maiores conseqüências provocada pelos subprimes, o preço de commodities só tinha mesmo é que disparar, provocando naturalmente uma inflação em todos os cantos do planeta. Por esta razão fica difícil admitir que aumentos em taxas de juros locais sejam capazes de conter essa escalada de preços em seus territórios locais.

Preços mundiais nunca estiveram tão ligados às moedas como hoje, prova são as cotações do petróleo.

Com dólar aqui cotado a R$ 1,64, tudo está em ordem, o que me preocupa é o dia que essa moeda subir, qual será o comportamento dos preços?

No Brasil o presidente do Banco Central vive hoje uma peregrinação em palestras e na imprensa buscando argumentos, ora demanda aquecida, ora com aumentos não só nos preços de alimentos, mas do petróleo, aço e etc., mais parecendo justificativa de uma premunição que ele vem avisando e está se configurando. Alerta tanto que quem não estimava aumentar seus preços acaba por aderir ao movimento e aumentando seu preço também.

Aprendi nesses anos de mercado que Banco Central não fala, fala por meio de suas atuações. Os mercados é quem devem reagir ao policymaker.

Interessante é observar, como num “consenso” de inflação passageira e com o Banco Central preventivo e rápido, leva as taxas de juros dos prazos mais longos, janeiro 2010, o contrato mais negociado, a 14,50% ao ano?

Fui perguntado sobre quais seriam as conseqüências no mercado de renda fixa com o Brasil atingindo o chamado Grau de Investimento.

Acredito que fundamentalmente mude pouco e que um ingresso maior de recursos de certo irá acontecer, não só pelo IG, mas principalmente por uma taxa de juros tão alta.

Antes de tudo é bom saber que hoje, mesmo com um montante de R$ 1,35 trilhão, o Brasil possui um mercado de renda fixa quase inexistente. Digo isso porque o mercado secundário de títulos pré-fixados movimenta pouco mais de R$ 2 bilhões, em média, diariamente o que é irrisório perante o tamanho da dívida.

Isso é muito ruim, pois um mercado forte de pré-fixados mostra maior confiança e eficiência da taxa de juros na economia, mercado fraco acaba elevando os custos da dívida, pois uma das avaliações principais quando se compra um ativo é o nível de liquidez do mesmo, menor a liquidez maior será a taxa de retorno pedida pelos investidores, isso é básico.

Cabe salientar, porém, que hoje o pequeno investidor possui uma excelente alternativa que é o Tesouro Direto, onde ele compra e vende títulos pré-fixados, com liquidez e rentabilidade de mercado, o Tesouro está de parabéns e aconselho a quem não conhece procurar se informar junto ao seu corretor e no site do tesouro – www.tesouro.fazenda.gov.br, com informações completas de como investir.

Neste momento, com as taxas de juros subindo é muito importante saber que quando se aplica em fundos de renda fixa o investidor não tem na prática uma aplicação de renda fixa pura e tradicional, isso porque pela própria natureza dos fundos, com entradas e saídas de cotistas e com a marcação diária da cota, a taxa de juros subindo, a carteira tem que ser obrigatoriamente marcada a mercado, a cota automaticamente acaba se desvalorizando, se alguns cotistas sacam então, o administrador tem que vender parte da carteira a preços de mercado e realizar a perda batendo imediatamente na cota.

Renda Fixa, prazo e taxa de juros pré estabelecidos, só com títulos pré-fixados, do tesouro ou privado (CDB-RDB).

Continuem alertas que o mercado americano ainda não se resolveu, a crise de crédito e a desaceleração da economia continuam rondando Wall Street e os demais mercados mundiais. A taxa de juros por aqui está num patamar que fica difícil de imaginar como as contas públicas irão suportar esse ônus por tanto tempo? Mas podem ficar tranqüilos que por maior que seja o risco de uma improvável crise local, título do governo é o melhor Porto Seguro. Governos raramente quebram, os riscos são menores que o setor privado, daí o conceito de “risco soberano.” Alguns acabam dando um corte na correção esporadicamente. Governos costumam bancar os infortúnios dos mercados para evitar o risco sistêmico.

Que diga o FED.
Até quando não sabemos.
Por isso, tá cada vez mais…

Down, down, down
O high mercado

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