A despeito do alto grau de preocupação, decorrente da gripe suína se tornar uma pandemia (epidemia generalizada) e se alastrar pelo mundo todo, oportuno avaliar como grande parte dos agentes do mercado financeiro, que teoricamente deveriam ter maior equilíbrio são os primeiros a entrarem em pânico e a fazerem analises precipitada.
Que a mídia faminta por um assunto que ocupe todo seu espaço diário faça suas elucubrações mentais de toda ordem é até um fato natural, o mercado se deixar levar pelo sensacionalismo e precipitar avaliações não é admissível.
Basta que se tenha um fato de grande repercussão nos noticiários para que alguns já saiam com avaliações que na maioria das vezes não se confirmam.
Bastou anunciar que mais de 100 pessoas morreram no México e que outros países tinham registrados casos da gripe suína para dispararem, sem avaliar direito, uma série de avaliações precipitadas: se a gripe é suína empresa que trabalha com carne de porco vai perder muito dinheiro, por outro lado quem trabalha com aves vai ganhar; empresas aéreas também serão muito prejudicadas, já que a locomoção de pessoas irá cair muito; se não terão compradores para carnes suínas a venda de soja também vai cair e empresas ligadas ao setor também irão perder.
Em resumo: o mundo vai ao caos, o vírus influenza irá se espalhar e quem tiver na ponta errada irá quebrar.
O leitor pode achar exagero, mas podem acreditar, presenciei várias situações semelhantes onde alguns passam a imaginar conseqüências de tal forma que lembram mais um filme de ficção.
Para ilustrar um pouco, como até mesmo pessoas do mercado viajam em avaliações, em 1986 quando foi lançado o Plano Cruzado com o congelamento dos preços, fui almoçar com uns amigos do mercado financeiro na churrascaria Marius no Rio de Janeiro. A churrascaria não tinha um preço que se poderia chamar de barato. Quando chegou a conta um dos participantes protestou veementemente e disse que não deveríamos pagar os 10% da taxa de serviços. Já que os preços foram congelados 10% seria um assalto.
A crise financeira de hoje é uma prova, ao contrário do que muitos possam imaginar, que o mercado não é tão racional como parece. Seus componentes não são oráculos financeiros e costumam se guiar pela emoção e o senso comum.
O que se pode tirar de lição desses fatos é que passado o pânico com o tempo e a mudança de assunto, quem se deixou contaminar por avaliações precipitadas, normalmente é quem ficará com o prejuízo, já que comprou ou vendeu ativos com preços avaliados por comoção.
O mundo mais uma vez não irá acabar. Nesses momentos quem tem maior equilíbrio financeiramente tende a se beneficiar.




Waldir,
vc melhor do que sabe que o mercado vive exatamente da falta de bom senso, pois a falta de bom senso cria volatilidade.
Mais uma vez relatado por vc o mundo não irá acabar e passada a “pandemia”, alguns irão sofrer pesados prejuízos em detrimento do alto lucro de outros, pois o mercado só transfere a riqueza.
O que me conforta neste episódio todo ,é que mais uma vez estamos “imunes” a tudo isso.., já que erradicamos todos os carrapatos no Brasil (e não se fala mais em febre maculosa), imagine o que se faremos com um viruzinho vindo de porcos.
Nós sabemos quem são sempre ganhadores em cenários catastróficos.
abraços,
waldemar
ENGRAÇADO DE TUDO ISSO, É QUE A GRIPE É SUINA, MAS NÃO VIMOS NENHUM ANIMAL SER SACRIFICADO.