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Ninguém precisa ir a lugar algum

Numa época em que as discussões em torno de uma possível recessão da economia norte-americana vêm criando uma enorme volatilidade nos mercados e nos ativos financeiros no mundo todo, é hora do investidor tomar uma postura mais conservadora ao direcionar os seus investimentos.

Falar em renda fixa em um momento como o de hoje é até muito mais fácil, pois se trata de uma aplicação de pouco risco de mercado e de retorno garantido. O investidor tem que ter atenção especial ao prazo de resgate para que não tenha a necessidade do recurso antes do vencimento e não correr o risco de uma antecipação sujeita à condição que, na maioria das vezes, lhe é desfavorável.

O aumento de preços, inflação, combinado com uma diminuição da participação dos recursos estrangeiros nas aplicações de mais longo prazo no Brasil fizeram com que a curva de juros inclinasse com aumentos expressivos nas taxas mais longas, embutindo assim um possível prêmio de risco maior e uma possível elevação das taxas de juros no futuro.
Como a taxa de juro corrente, a taxa Selic definida pelo Copom, é de 11,25% ao ano, caso ocorra o aumento projetado pelas taxas futuras de juros, sua aplicação já está com esse aumento embutido. Vide a curva do dia 01/02/2008*.

Se considerarmos que uma recessão na economia norte-americana é inevitável, isso de certo provocará uma desaceleração do crescimento do PIB brasileiro. Em menor intensidade que no passado, mas provocará.

Convém ressaltar que a inflação brasileira neste momento subiu em função de um aumento generalizado dos preços das commodities nos mercados internacionais e que, com uma desaceleração na economia americana, esses preços irão recuar naturalmente.

Como nosso crescimento está fortemente ligado à grande expansão do crédito ao consumidor, um recuo nesta demanda de crédito, que já aparece na queda abrupta do consignado, irá frear as expectativas do mercado e do Banco Central no sentido de uma subida de juros.

Se reportarmos ao manual de economia veremos também que o comportamento da taxa de juros é de atingir o pico imediatamente antes de uma recessão para depois caírem abruptamente, como o que está ocorrendo nos EUA.

O Brasil dificilmente irá sofrer uma recessão, mas de certo terá uma retração que levará sua taxa de juro a acompanhar o cenário mundial. Portanto é tempo de cautela e conservadorismo nesse momento. A volatilidade é sedutora à medida que a riqueza troca rapidamente de mãos, mas a ambição de se tornar rico rapidamente pode levar a lugar algum.

Pena que poucos sabem disto.

 

Títulos Públicos Federais *(01/02/2008)
Papel PREFIXADO – LTN – Taxa (% a.a.)/252  
Data de Vencimento  Tx. Indicativas  
01/04/2008           11,2304  
01/07/2008           11,4742  
01/10/2008           11,8059  
01/01/2009           12,0893  
01/04/2009           12,3100  
01/07/2009           12,5005  
01/10/2009           12,6697  
01/01/2010           12,7592  
  
Fonte: Andima

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