Educação Financeira

Juros no Brasil voltam a subir

Dispense alguns minutos de sua atenção e entenda o raciocínio simples e objetivo:

Quando o investidor brasileiro se dirige a uma agência bancária ou liga para seu consultor de investimentos para saber como andam os rendimentos das aplicações financeiras, logo recebe as seguintes respostas: aplicação 1 está dando 90% do CDI, a 2 tem dado mais que 100% chegando muitas vezes a 100,50/101%, a outra 3 tem maior risco e ultimamente, com essa incerteza do mercado tem dado 85%, mas já chegou a render 110%. Sempre um percentual do CDI.
Não é assim?

Pois então. Se a base de remuneração financeira das aplicações é o CDI e até mesmo os investimentos em renda variável (bolsa de valores) se referencia no indicador, então vamos converter a taxa dos empréstimos que tomamos juntos as instituições credenciadas no mesmo parâmetro de que quando emprestamos a elas.
Para facilitar o raciocínio, imaginemos que toda aplicação financeira feita por qualquer investidor, renda a taxa “privilegiada” que as grandes quantias financeiras rendem, ou seja, 100% do CDI. Que espetáculo!
Agora vamos à notícia publicada logo após o corte de 1,50% ao ano na taxa básica de juros (Selic):
Bancos anunciam redução de juros após corte da Selic

Diferentes bancos anunciaram redução nos juros para seus clientes logo após a decisão do Copom de cortar a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto.

O Banco do Brasil anunciou redução dos encargos financeiros em diversas linhas de crédito destinadas às pessoas físicas e às empresas. As novas taxas serão válidas a partir desta sexta-feira, dia 13.

Nas linhas de crédito fixo e rotativo destinadas às pessoas físicas foram reduzidas as taxas de diversos produtos. No cheque especial, a taxa máxima passou de 7,91% ao mês para 7,85%.

No crédito para material de construção, as taxas para os prazos de 2 a 24 meses, passaram de 1,78% a 2,53% ao mês para 1,74% a 2,51% ao mês.

Itaú
O Itaú informou que fará reduções a partir de segunda-feira, dia 16. Serão beneficiados os clientes que utilizam o empréstimo pessoal parcelado (Crediário Automático para PF e Giropré PJ) e cheque especial.

Os juros do cheque especial para pessoa física no Itaú vão de 8,87% para 8,75% ao mês. No crédito automático, cai de 7,01% para 6,89% ao mês.

Unibanco
O Unibanco, que se fundiu com o Itaú, também informou que vai reduzir, a partir do dia 16, a taxa máxima cobrada no crédito pessoal parcelado (CPP) e no cheque especial para pessoa física.

A redução será de 0,12 ponto percentual sobre as taxas mensais, o que corresponde ao repasse integral do corte de 1,5 ponto percentual efetuado na Selic, que é anual.

Bradesco
O Bradesco informou que cobrará novas taxas já a partir desta quinta-feira.

O banco diminuiu os juros das operações de cheque especial, crédito pessoal, CDC para veículos, leasing de veículos, capital de giro, antecipação de recebíveis e conta garantida. As reduções vão de 0,05 a 0,12 ponto percentual por mês.

Santander e Real
O Grupo Santander Brasil, que reúne os Bancos Santander e Real, também vai reduzir suas taxas de crédito pessoal, cheque especial, crédito consignado e cartões de crédito. Isso representará uma redução mensal entre 0,13% a 0,15% nas taxas cobradas atualmente.

A taxa de cheque especial baixará de 9,70% para 9,57% ao mês, a taxa máxima de crédito pessoal será
reduzida de 6,36% para 6,23% ao mês e a taxa mínima do consignado, de 1,65% para 1,52% ao mês. O cartão de crédito Santander Internacional baixará de 12,85% para 12,70% ao mês.

Convertendo tudo para CDI as taxas ficariam assim:
Na aplicação não muda nada, quem antes recebia 100% do CDI, 12,75% ao ano, irá receber 11,25% que será a taxa do CDI e, portanto 100% do CDI.
Condensando a notícia em apenas três exemplos e convertendo a taxa anual do CDI para taxa mensal do CDI praticado teremos:
O Banco do Brasil reduziu a taxa máxima do cheque especial de 7,91% (687,03% do CDI) para 7,85% (779,68% do CDI) ao mês.
Os juros do cheque especial no Itaú vão de 8,87% (782,55% do CDI) para 8,75% ao mês (880,53% do CDI)
Santander e Real a taxa mínima do empréstimo consignado passará de 1,65% (164,17% do CDI) para 1,52% (170,33% do CDI) ao mês e a taxa do cheque especial passará de 9,70% (865,14% do CDI) para 9,57% (972,42% do CDI) ao mês.

Os juros que valem de fato para a economia caíram ou subiram?
A matemática está ai. Feita a conversão, as taxas de empréstimos dos bancos subiram no percentual do CDI.
Se captar a taxa flutuante (CDI) é bom para as instituições porque o público investidor não consegue tomar emprestado no mesmo referencial?
Ou, se a taxa de empréstimo das instituições é sempre pré-fixada, porque o investidor encontra tanta dificuldade para aplicar em pré-fixado?
Além de tomar em indexado e aplicar em pré-fixado com os juros declinantes ser um excelente negócio, ajuda a mascarar o tamanho do spread bancário.
Quando os juros estão subindo o sistema continua o mesmo, a diferença é que a taxa de empréstimos, pré-fixada, sobe muito mais ainda.

Que pais é este?
Com a palavra você, caro leitor.

COMENTÁRIOS

6 Comentários em “Juros no Brasil voltam a subir”

  1. Olá Waldir, excelente reflexão, e no olho do furacão! Gostaria de registrar minha indignação com o sistema bancário brasileiro, isso é um desrespeito muito grande. Um amigo jornalista realizou uma série de reportagens especiais sobre o lucro bancário no Brasil e o dossier é impressionante. Fica aqui esta indicação de leitura, para quem tiver interesse em se aprofundar mais no tema:
    http://www.radiobras.gov.br/abrn/brasilagora/materia.phtml?materia=217344

    Não é à toa que brasileiro odeia banco, e por isso, inclusive, no Brasil, correspondentes bancários como caixas lotéricas ou até papelarias, acabam fazendo tanto sucesso. A figura do banco, da agência bancária, é absolutamente tenebrosa. Deus me livre ficar na mão de banqueiro!

    Waldir, excelente texto, mais uma vez, obrigado!

    Por Rodrigo Gonçalves | março 12, 2009, 10:25
  2. Muito bem sacado essa matéria. E o que mais espanta é que a maior reclamação da sociedade era justamente o SPREAD bancário. E mesmo com uma queda nominal de quase 12% nas taxas de juros o spread bancário sem mostrar muito esforço consegue subir.
    Que país é este ?
    Eu lhes digo.
    País dos banqueiros meu caro leitor!!!!

    Por Marcelo Marques | março 12, 2009, 15:33
  3. País dos banqueiro mesmo. Tem toda razão.

    Por waldir | março 12, 2009, 19:03
  4. Obrigado Rodrigo.
    O texto deixou bem claro o tamanho do spread bancário no Brasil.

    Por waldir | março 12, 2009, 19:04
  5. Waldir, vc vai acabar sendo excomungado pelo setor bancário…como já sugeri vc tem que pegar o patrocínio do site com o Tesouro Nacional.
    Eles tbm não devem gostar muito de Bancos.
    São sempre operados na rolagem da dívida.

    Por Rui Pinto | março 12, 2009, 22:46
  6. Mesmo com essa redução, vocês acham que LCI ainda é o melhor negócio? Estou com um dinheiro na poupança e pretendo investir no curto prazo (6 meses a 1 ano) com baixo risco. Qual a melhor sugestão? Obrigado.

    Por Raoni | abril 12, 2012, 11:01

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