A taxa básica de juros, Selic, foi enfim reduzida para um patamar abaixo dos dois dígitos, 9,25% ao ano. Este novo cenário irá provocar uma mudança cultural profunda na economia, no spread bancário e nas aplicações e empréstimos feitos por investidores.
Uma semana após o anúncio feito pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil da redução de 1 ponto percentual na taxa básica de juros, já podemos ter uma noção mais concreta de como ficou o chamado spread.
Como a taxa básica Selic é parâmetro para rendimento das aplicações financeiras e caiu muito mais que a taxa de empréstimos, o spread bancário voltou a subir.
Caso essa tendência de queda na taxa Selic permaneça, apesar de o Banco Central não mostrar, incrivelmente, essa disposição no relato da ata do Copom, o spread irá aumentar ainda mais. Quando a taxa de juros básica é elevada os bancos sobem suas taxas de empréstimos em uma velocidade maior, quando ela vai sendo reduzida eles colocam o pé no freio na queda destas taxas.
Repararam que os empréstimos bancários são feitos sempre a taxa pré-fixada, enquanto a maioria das captações (aplicações do investidor) é feita a taxa pós-fixada (percentual do CDI)?
Quando os bancos emprestam a taxa pré, sabem exatamente o quanto irão receber por cada empréstimo realizado.
Por que os investidores não passam a fazer mais aplicações pré-fixadas, com a certeza de quanto irão resgatar no vencimento das aplicações?
Pensem a respeito.
Em se tratando ainda de aplicações, onde a partir de agora devemos ter mais critérios, tenho visto nos últimos dias uma avalanche de desinformação financeira dita por alguns “especialistas”, não só em blogs e sites financeiros, mas principalmente nos grandes e maiores veículos da mídia.
Desinformação em insistirem, por desconhecimento ou má fé, em considerar aplicações em fundos de investimentos e em títulos pós-fixados como os atrelados ao rendimento do CDI-over, como aplicações pré-fixadas.
Bastou a taxa ser reduzida para 9,25% ao ano e a discussão sobre a concorrência da poupança com outras aplicações voltou à tona, que imediatamente despejou um monte de bobagens por aí.
Uma das maiores besteiras ditas é que com taxa de juros mais baixa a emissão de “títulos pré-fixados” para captação de recursos junto ao mercado pelas empresas irá aumentar substancialmente.
Quando vamos ler o conteúdo da matéria encontramos análises sobre emissões já feitas e outras que poderão se realizar, todas atreladas a um percentual do CDI.
Já disse aqui neste espaço algumas vezes e vou tornar a repetir: aplicação pré-fixada é aquela em que o rendimento e prazo são definidos no momento inicial da operação. Fundo de investimento pré tem entrada e saída de investidores a todo tempo e por isso é obrigado a marcar as suas cotas diárias pelo valor de sua carteira no mercado. Como os preços dos ativos no mercado flutuam, sua carteira flutua também e com isso deixam de se tornar aplicação pré-fixada.
Título atrelado ao rendimento de um indexador seja o CDI, IGP-M, IPCA e taxa over, são títulos pós-fixados.
Como a redução da taxa de juro veio para ficar definitivamente e a competição entre as aplicações financeiras irá aumentar, o investidor deve prestar especial atenção aos produtos que lhe serão oferecidos.
Podem ter certeza que “inovações financeiras” e títulos com risco/retorno baixos irão rechear a carteira de alguns fundos de investimentos para atrair incautos.
Não se esqueçam que a taxa de juros baixa pelo mundo foi um fator preponderante na colocação dos títulos subprimes que acabaram por desencadear a recente crise financeira mundial.
Olhos abertos investidores. Jabuti subiu na árvore!
Como Jabuti não sobe em árvore, se ele está nela é por alguém colocou ele lá.
Coluna mensal, Renda fixa, publicada no portal Infomoney em 24/06/2009




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