O governo Lula pode preparar-se para usar os resultados de outubro para afinar o discurso dos seus colaboradores mais confiáveis, que comandarão, a partir do último trimestre, as batalhas para as eleições presidências de 2006. O quadro permite que o governo faça uso da flexibilidade cambial e tente compensar o desconforto causado pela aceleração da inflação brasileira no terceiro trimestre.
O entusiasmo gerado pelos resultados na economia permite que o governo tenha um menu mais palatável de medidas capazes de reforçar combinações mais confortáveis de déficit externo e reservas nos próximos anos. Um exemplo é o uso que se pretende fazer da folga propiciada pela abundância da receita tributária, permitida pelo overkill representado pela alíquota da Cofins, para permitir medidas que alonguem a dívida pública.
O círculo virtuoso atual é poderoso e favorece um governo que se tem mostrado mais pragmático do que programático.
Com maiores vendas internas, os empresários estão mais dispostos a fazer alianças táticas com um governo que tem mostrado uma folha corrida melhor na ação do que no discurso.
Quanto aos riscos externos que possam reverter um cenário mais otimista, ficam afastados, pelo fato da dominância de boas notícias para os preços e fluxos em função de o mundo continuar, a viver as consequências da preferência revelada pelos seus principais governos. Com isso os bancos centrais mostram-se menos preocupados com o risco de recessão e o resultado líquido, para os devedores mais frágeis, é que o crédito continuará abundante.
O ritmo do crescimento industrial tem sido surpreendente, e o mais saudável é que se tem espalhado por outros setores, o que pode ser observado no crescimento das despesas de investimento nas estatísticas do IBGE do segundo semestre.
Os excessos de entusiasmo podem ser revelados, por outro lado, pela disposição renovada das autoridades em responder às pressões por maior crédito, dirigidas aos setores cuja expansão será capaz de remover obstáculos visíveis ao crescimento da oferta interna.
Os bons cenários que se afiguram com a recuperação, vigorosa e constantes, da economia brasileira aliados à firmeza de Lula nas decisões tomadas, levarão no futuro próximo a possibilidade de ascensão do país a “grau de investimento”.
“Grau de Investimento” propiciará ao país, segundo estimativas, entrada de investimentos da ordem de U$ 20/30 bilhões/ano.
Texto publicado no Forum Projeção em 25/09/2005




“Quanto aos riscos externos que possam reverter um cenário mais otimista, ficam afastados, pelo fato da dominância de boas notícias para os preços e fluxos em função de o mundo continuar, a viver as consequências da preferência revelada pelos seus principais governos. Com isso os bancos centrais mostram-se menos preocupados com o risco de recessão e o resultado líquido, para os devedores mais frágeis, é que o crédito continuará abundante.”
Errou feio em meu caro
Se observar que o texto é de 2005 e ler o texto seguinte de 2007 (Decifra-me ou te devoro. O enigma da Esfinge) entenderá todo o contexto.
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