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A cereja do bolo

Ao taxar a entrada do capital estrangeiro, menos o investimento direto, com um Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2%, as autoridades monetárias brasileiras sinalizaram a pretensão de achar que podem controlar o imenso fluxo de capitais e as operações arbitradas de toda ordem em diversas praças, deste mundo globalizado.
Pior do que alterar as regras do jogo é achar que essa idéia proveniente do mercado seja a “cereja do bolo” no controle da queda do dólar frente ao real, até mesmo porque, o ingresso de recursos não é tão grande o quanto se propaga.
Vamos aos números: O total de entradas em 2009, até a segunda semana de outubro, pelo mapa do BC, foi de US$ 7, 564 bilhões pelo câmbio comercial (US$ 106,7 bilhões de exportações e US$ 99,2 bilhões de importações) e US$ 4,4 bilhões pelo financeiro (US$ 245,8 bilhões de compras para aplicação em ações, em títulos de dívida privados e do Tesouro, os investimentos de empresas estrangeiras em suas filiais; e, na mão inversa, US$ 241,4 bilhões enviados para saldar dívidas externas, investimentos de firmas nacionais, remessa de lucros.
O saldo líquido dos fluxos é de US$ 11, 982 bilhões. O BC tirou por meio de leilões US$ 15, 444 bilhões, ou US$ 3,4 bilhões líquidos, o que não representa uma “enxurrada” como diz o noticiário econômico.
Com o dólar perdendo valor no mundo todo, a queda no mercado brasileiro, mesmo com esse fluxo menor, está muito calcada na arbitragem de taxa de juros. Sendo assim porque é que o Banco Central não reduz a taxa básica a níveis civilizados?
Em termos de fundamentos econômicos Brasil, nada muda.
A mudança mais importante com essa medida está na liquidez dos mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Ficando muito mais custoso para o capital externo entrar e sair a todo o momento, e por esta razão, a partir de agora, passar a operar muito mais que antes os papéis brasileiros, ADRs, e a arbitragem de moedas e juros em NDF Reais x Dólar (Non Deliverable Forward).
A liquidez será basicamente o diferencial, “a cereja do bolo”. Passado breve tempo o mercado assimila a medida e volta ao entusiasmo anterior, com dólar em queda e bolsa de valores em alta.
Taxa de juros? Esse é um problema a parte, um caso de submissão econômica-cultura que o governo Lula mesmo tendo avançado nas questões sociais não conseguiu ainda remover.

 

Maximo Emiliani é Economista, pós-graduando em Ciências Sociais e trader

As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores. O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de idéias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

COMENTÁRIOS

Nenhum comentário em “A cereja do bolo”

  1. PLAFT!
    PLAFT!
    PLAFT!

    Belo texto. Concordo inteiramente com a visão.

    Abraços

    Por Rafael Valim Pereira | outubro 20, 2009, 20:45
  2. Melhor análise impossível.
    Parabéns.

    Por Ricardo T. | outubro 21, 2009, 3:01

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