A semana: A confirmação, no último sábado, pelo G20, de que manterá estímulos até que recuperação economica esteja garantida é mais um aval para que o dinheiro abundante pelo mundo continue a elevar o preço dos ativos.
Mesmo a ameaça de taxar bancos para criar um seguro contra crises, não será suficiente para deter a especulação, já que as grandes alavancagens são feitas através dos fundos de investimentos.
Com uma semana de poucos indicadores na economia real que mais sofre com a crise, a americana, o otimismo por aqui deve prevalecer já que o Brasil se tornou a grande vedete dos mercados.
Juros: Com todo otimismo reinante no mercado brasileiro as apostas em uma subida futura da taxa básica de juros por parte do mercado devem se aquecer novamente.
Com isso, os juros futuros na BM&F, mesmo em patamares muito altos, irão subir um pouco.
Câmbio: O movimento de queda na cotação da moeda norte-americana frente ao real na última semana e mais uma vez boatos de novas medidas para conter a queda são a confirmação que o IOF de 2% não foi suficiente.
Tendência natural, sem intervenção normativa, continua de queda, no contexto atual só mesmo um decreto para conter a baixa.
Bolsa de Valores: E lá vai a Bovespa galgar patamares mais altos impulsionada pelo apetite dos investidores em ações de empresas brasileiras.
A sugestão no G20 de taxar os bancos para criar um seguro contra crises deve afetar somente o setor.
As empresas ligadas a commodities devem comandar o movimento altista dos próximos dias.
Atenção em Kepler Weber novamente, tudo indica que teremos mais uma alta pela frente.
“Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado.” Albert Einstein
As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de idéias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.




Caro Waldir,
Interessante observar que o mundo pós-crise se divide hoje entre duas realidades coexistentes. Por um lado a das economias centrais em particular as dos Estados Unidos e Inglaterra extremadamente dependente dos pacotes de estímulo ao setor financeiro e que atualmente apresentam uma fraca recuperação na sua atividade econômica. Por outro lado a dos emergentes, liderados pela China, primeira economia a sair da crise e fator fundamental para a estabilização de preços e aumento na demanda de commodities que tanto beneficiaram a recuperação dos demais emergentes como o Brasil. Agora que a estabilidade financeira parece ter retornado ao cenário internacional as atenções se centram na busca por parte das autoridades econômicas das principais potencias de uma nova senda de equilíbrio. Segundo autoridades norte-americanas o novo equilíbrio encontra-se num aumento de consumo dos países superavitários que possibilitem redução de déficit e estímulo na recuperação das economias centrais. E parece ser que este será o principal assunto da viagem de Obama a China, focando sua artilharia como na o foi feito na era Bush no tão discutido assunto da necessidade de valorização do Yuan. A China sem dúvida vai abanar com uma possível aceleração do ritmo de valorização de sua moeda, mas a mesma vai continuar como nos últimos anos atrelada ao Euro. Sem dúvida a solução para as economias centrais não vai vir por aqui. A China continuará sendo superavitária pelos próximos anos. Bom para o Brasil. Bom para o Oriente Médio e para um player estratégico que fora recentemente esquecido, mas que seguramente voltará a ser destaque na economia mundial nos próximos anos, a Rússia.
Dentro deste cenário de muitas interrogantes as poucas certezas que se tem valem muito. O cenário mais provável para os próximos doze meses e de uma economia mundial em recuperação, liderada pelo espetacular crescimento chinês, a continuidade dos necessários pacotes de estímulos nos desenvolvidos e a continua desvalorização do dólar perante o cesto das principais moedas. A saída segura para estas certezas esta nos bens finitos, petróleo, ouro, commodities agrícolas, minerais. Dentro de este cenário se destaca um player que surfou bem a “marolinha”, pois é o Brasil devido ao seu potencial interno, sua competitividade em produtos básicos, sua capacidade para lidar com a crise, suas Copas do Mundo e Olimpíadas “é a bola da vez”. E continuará sendo nos próximos anos…
Nuvens no horizonte algumas, uma brusca desvalorização do dólar configuraria uma delas, um aumento da inflação também, mas não são cenários prováveis para os próximos meses. A capacidade ociosa nos desenvolvidos continua alta. Sem surpresas no horizonte, com a continuidade dos estímulos o dinheiro vai continuar a fluir, buscando retornos maiores que a taxa básica de juros dos Fed Funds, onde achá-los? Bom, sem duvida Brasil é um porto seguro…
Abraços,
Sebastián