Em uma semana como a que passamos, os leitores costumam ficar ávidos por informações pelo mercado. A euforia que começou na semana retrasada está ganhando forma junto com a crescente volatilidade dos mercados. É hora de ter cuidado e operar com cautela. Não vou trabalhar neste texto de hoje os papéis o foco da semana é o cenário macro.
Ibovespa
Aparentemente a quinta onda de Elliott esta completa, os 67500 atingidos na semana retrasada se quer foram testados nesta, o que se viu foi exatamente o contrário perdemos as duas LTA e isto não costuma ser um bom sinal. O mercado confirmou o rompimento do CCI/MA, mas este ainda não rompeu o marco zero e sua média não passou a operar abaixo dos 100 pontos, o que é tradicional em bear markets, O MVA nosso indicador de volatilidade continuo em franca ascensão, isto mostra que a queda pode continuar, nos últimos trinta dias o MVA marca alta de praticamente 70%. Soma-se a isto o rompimento do marco zero no DPO (último indicador da imagem), sendo neste caso a confirmação de entrada em um bear market.
Os principais suportes aqui encontrados são a MM50 que foi fortemente testada e respeitada nesta semana, após a perda da MM25 na quarta-feira. Outro suporte testado é a retração de 61,8% de Fibonacci, este ponto de ponto Fibonacci é importantíssimo, se rompido para baixo, com certeza testaremos os 38,2% em pouquíssimo tempo. O respeito deste patamar e possível pivô de alta não estão descartados de forma alguma, neste caso o mercado deverá voltar as suas máximas, também com facilidade. O teste ocorrerá nesta semana.
O mercado provavelmente não vai resistir e deverá entrar em um recuo mais intenso e duradouro. A atenção, assim como destacado na semana passada estará voltada para as commodities. Suportes podem ser encontrados nas linhas de Fibonacci e na MM75 e MM100. Resistências eu só enxergo no topo dos 67500 pontos.
DJIA
O índice norte-americano apresentou muita semelhança com o Ibovespa, houve confirmação do sinal de venda do CCI/MA em padrões semelhantes ao nosso, teste do DPO no marco zero com leve ruptura. Perda da MM25 e respeito a MM50, acima de tudo houve a perda da LTA de longo prazo.
Na retração de Fibonacci houve teste e respeito nos 78,6%. Interessante observar aqui como a queda no mercado brasileiro voltou a ser superior que a queda do mercado norte-americano, seguindo o mesmo padrão da alta dentro de seus respectivos ciclos de tendência.
O VIX – Volatility Index rompeu na semana passada o sua LTB e o rompimento foi muito expressivo, com alta de mais de 35% na semana, o VIX assim como o MAV mede a volatilidade do mercado e a versão a risco do mesmo. Sua alta indica que o mercado está receoso e uma nova trajetória de queda pode mesmo estar por vir. Por isso voltaremos a observar este indicador em nossas análises.
O mercado norte-americano assim como o mercado global em geral deve ter uma semana de testes e novas quedas estão por vir. Volta-se a falar em uma nova e expressiva onda de queda, é bem possível que os leitores vejam e ouçam tal comentário nos noticiários. O mercado está em fase de cautela, especialmente para os mais conservadores e com pouca experiência neste. No atual cenário, fortes quedas não necessariamente vão significar boas oportunidades de compra.
EEM
A imagem do EEM me faz lembrar minha primeira aula sobre análise gráfica onde aprendi que um expressivo volume é mais importante que qualquer outro indicador. A imagem fala por si só e o volume de quarta-feira e sexta-feira é impressionante, além de claramente vendedores. Peço aos leitores que reparem nas barras de volume e as comparem com o fundo que ocorreu em meados de dezembro de 2008 a semelhança é clara. A diferença básica é que lá tínhamos um fundo e aqui um provável topo.
Tal formação ganha ainda mais expressão, devido ao gap de rompimento da LTA e MM25. O movimento é amparado por um suporte de longa duração, mas cuja ruptura projeta queda de pelo menos 9% com objetivo nos US$33.
O cenário apontado aqui para os mercados emergentes não é nada agradável, o mercado está com ares de que vai entrar em um recuo mais prolongado. Nada me surpreenderia se ocorresse a formação de um OCO de queda.
Petrobrás
Está em queda, assim como tudo o que vimos. E não é possível determinar nenhum movimento mais complexo. O Principal suporte está em R$ 33,10.
Vale
Segue o mesmo comentário geral. Principais suportes em R$ 39,25 e R$ 36,70.
Kepler
Respeitou o suporte indicado na semana passada e perdeu volatilidade nos últimos dias. Mas lembro aqui, que papéis como este não seguem a risca os padrões gráficos e seu investimento está normalmente ligado a questões setoriais e de balanços corporativos.
Conclusão
Existe tanto no cenário nacional quanto no cenário internacional a formação de um provável topo e aparentemente poderá ocorrer uma correção de maior duração. E isto deverá se confirmar nos próximos dias desta semana. A presença vendedora tornou-se clara.
Tal movimento só cessara com a demonstração contínua de uma força de compra. Que obviamente pode ocorrer a qualquer momento.
Gostaria de deixar uma clara mensagem aos investidores. No atual cenário a calma e a paciência, seguida da execução precisa da estratégia idealizada pelo investidor é a única chave para o sucesso. O pânico e o desespero são os maiores inimigos. Ainda que o tom deste aviso gráfico seja pessimista é cedo para determinar com mais clareza, caso ocorra, qual tipo de correção teremos.
Rafael Valim Pereira é geógrafo e trader.
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