Avisos e Comentários

Aviso Semanal # 1

A semana: A despeito de todos os dados econômicos e corporativos ruins que estão sendo divulgados mundo afora, com destaque hoje para o primeiro déficit em conta corrente do Japão em 13 anos, déficit de U$ 1,8 bilhões em janeiro, os mercados devem, ao longo da semana buscar uma breve recuperação.
Notícias e dados que estão sendo divulgados atualmente são reflexos do furacão econômico que arrasou as economias desenvolvidas, portanto dentro do esperado.
O momento agora é de olhar pro futuro, para o que vem pela frente.
A fala de Ben Bernanke no sábado sinalizando que o BC americano usará todas as ferramentas necessárias para estabilizar os mercados, na Europa o governo Britânico assumindo o controle de até 77% das ações do Lloyds, o governo Belga acertando termo de compra do Fortis pelo BNP Paribas que ficará com 75% do banco, vão mostrando que a estatização está sendo o caminho escolhido para a tentativa de salvamento e recuperação da crise financeira que assolou o mundo.

Juros: O mercado de juros deve trabalhar na expectativa do tamanho do corte na taxa básica de juros promovida pelo Copom na próxima quarta feira.
A pressão dos setores produtivos e da classe trabalhadora através dos sindicatos, para um corte agressivo na taxa está cada dia maior, enquanto os argumentos conservadores por parte dos membros do Copom ficam cada vez menores.
Na dúvida do tamanho do corte o melhor a se fazer é ficar aplicado em taxa pré.

Câmbio: O momento de saída maior de divisas parece ter ficado para trás, assim como os problemas com derivativos de câmbio em inúmeras empresas já quase que totalmente assimilados, com uma menor pressão na cotação da moeda norte americana.
A tendência no médio e longo prazo é de queda na cotação do U$ em relação ao real.
 
Bolsa de Valores: No mesmo raciocínio para os juros e câmbio de que o pior já passou, as bolsas devem ensaiar uma recuperação ao longo da semana. Dependendo do tamanho do corte nos juros pelo BC brasileiro, que pode chegar de 1,50% a 2,00%, a recuperação pode se tornar mais vigorosa.
Olho na cotação internacional do petróleo que está ensaiando uma alta mais forte pra semana.

 

Aviso: As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, o autor está isento de qualquer responsabilidade sobre as decisões de investimento dos seus leitores.
O Aviso em dois tem como finalidade a troca de idéias com os leitores e participantes do mercado financeiro.

COMENTÁRIOS

Nenhum comentário em “Aviso Semanal # 1”

  1. Realmente interessante à coluna inaugural. Gostaria humildemente de deixar algumas impressões que tem destacado minha atenção:

    Os dados de exportação do Japão de janeiro impressionam. As exportações da segunda maior economia do mundo caíram mais de 45% em relação a Janeiro do ano passado. No curto prazo, o comercio internacional parece ser o grande afetado da retração da economia global. Dado certamente não positivo para as economias asiáticas que tanto tem favorecido o crescimento dos demais emergentes nos últimos anos. O risco aqui é uma socialização dos “déficits em conta corrente” e aumento do protecionismo. O protecionismo seria um retrocesso brutal. Temos visto alguns indícios e não podemos descartá-lo. O Brasil deve se opor firmemente a isto.

    Duas impressões em relação às intervenções recentes nos mercados financeiros e na economia real. A primeira é que os governos ficaram atrás da curva mais uma vez e a proporção e a velocidade de ajustes dos mercados superam o entendimento das autoridades. Sem dúvida a sofisticação do mercado avançou enormemente nos últimos anos, os governos assistiram. Agora estão pagando a conta. Segundo Bernanke será feito tanto esforço quanto seja necessário. Difícil precisar o necessário. Os próprios democratas estão limitando os esforços, pronunciando-se contra uma injeção massiva. O dólar vai ter que fluir muito, perdendo consideravelmente valor no meio prazo. Em segundo lugar, me chama poderosamente a atenção o fato de que na próxima reunião do G-20 a pauta não seja consenso. Enquanto a economia mundial derrete, liderem europeus desejam tratar problemas de regulamentação de mercados. Já os Estados Unidos, mais dispostos a ação, propõem debates sobre adoções globais de pacotes de estímulo. A leitura real e que a região Euro conta com certas limitantes que restringem a adoção de medidas contra-ciclicas. Se a situação macroeconômica global apresentar piora, a União Européia para poder sobreviver deverá afrouxar paulatinamente restrições de déficit fiscal e endividamento dos países membros. Medidas que já causam debates entre países membros. Sem dúvida um desafio a mais para a Europa…

    A situação no curto não é fácil para os mercados financeiros. A criação secundária de dinheiro sofreu grandes reduções desde meados do ano passado que a injeção de base monetária não está podendo conter. O resultado é a temida deflação de preços globais. A desaceleração e desemprego global aumentam os riscos do sistema. O dinheiro não circula e a deflação se retro alimenta. Where is the money? No curto certezas em bens finitos o em alguma arbitragem que não inclua risco de crédito. Bens finitos devem ser olhados caso a caso. Apontar hoje a bens finitos é olhar mais cuidadosamente os movimentos da China e de seus parceiros asiáticos…

    Sebastián Laguarda

    Por Sebastián | março 9, 2009, 12:34
  2. Sebastian

    O caminho da estarização já foi iniciado.
    Vamos ver se isso será suficiente para reativar a confiança e o crédito nas economias que foram devastadas pela crise.

    Abraços

    Waldir

    Por waldir | março 12, 2009, 19:08

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