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	<title>Aviso em Dois &#187; Giovani Damiano</title>
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	<description>ALEA JACTA EST</description>
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		<title>Manual de operações no mercado de futuros – café</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 14:40:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giovani Damiano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[café]]></category>
		<category><![CDATA[Manual de operações no mercado de futuros]]></category>

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		<description><![CDATA[Com alguma pouca experiência como especulador, escrevi este manual inicialmente para mim. Espero que ao compartilhá-lo, sirva como guia geral para quem entra agora no mercado financeiro para investir e especular.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com alguma pouca experiência como especulador, escrevi este manual inicialmente para mim. E espero que ao compartilhá-lo, sirva como guia geral para quem entra agora no mercado financeiro para investir e especular.</p>
<p>As frases entre aspas são notórias sabedoria oral de mercado. O que está escrito é resultado da minha percepção ao operar mais o conhecimento convencional organizado, listado e acrescido de temas das Finanças Comportamentais. Estudei isto e li superficialmente sobre temas da Psicologia para compreender os erros comuns na tomada de decisão.</p>
<p>Comecei minha vida profissional na área de café, então, o viés deste manual vai para esta commodity, mas com poucas alterações pode ser aplicado genericamente.</p>
<p>Críticas e sugestões são bem-vindas.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Manual de operações no mercado de futuros – café</strong></p>
<p>Aspectos gerais e primários a serem seguidos:<br />
1. Justifique os motivos que levaram a entrar na posição. Não são todos os dias que oportunidades de entrada podem ser identificadas.<br />
2. Trace objetivos claros para sair da posição. Sejam eles, alcance do objetivo de preços, reversão do mercado mediante fatores exógenos (isto é, frustração das expectativas) ou etc.<br />
3. A partir destes dois últimos itens, elabore uma agenda anotando os acertos e erros. Quando estes ocorrerem, anote os motivos para criar o aprendizado.<br />
Antes de abrir uma posição:<br />
1. Preste atenção aos fundamentos: nível de oferta e demanda, câmbio (dólar e euro, principalmente), clima, etc.<br />
2. Olhe a agenda semanal de indicadores relevantes a serem divulgados.<br />
3. Espere passar algum tempo depois da abertura do pregão de opções para assumir uma posição. “Amadores abrem o mercado, profissionais fecham-no”.<br />
4. Entre preferencialmente no início do movimento identificado. Ou alguns poucos períodos depois. Quanto mais postergada a entrada, pior. “Trader passa ordem, não passa vontade”.<br />
5. Atenção para a forma com a qual as oscilações do momento afetam a tomada de decisão. Erro cognitivo relacionado: viés da disponibilidade.<br />
6. Uma vez por mês, ocorre vencimento de opções. Nessa data, a volatilidade aumenta muito. Destaque para quando o vencimento da opção refere-se a um mesmo mês de contrato futuro. Logo, evite operações arriscadas. Empiricus recomenda para fundos de investimento deixar o portfólio parado, descansando, sem alavancagem.<br />
7. Se a tendência do mercado é altista (baixista), é mais fácil acertar comprando (vendendo) do que apostando em reversões. “A tendência é sua aliada/amiga”.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Depois de abrir uma posição</strong>:<br />
1. Cuidado com o viés de análise: você não pode procurar apenas motivos favoráveis à sua posição, nem falar apenas com pessoas que pensem e enxerguem o mercado da mesma forma (percepção seletiva). Procure conhecer todos os motivos para uma alta ou baixa e pondere com discernimento.<br />
2. Estratégia provou-se errada? Saia da posição independentemente do prejuízo. Para minimizá-los, usa-se STOPS. Vieses cognitivos relacionados: excesso de otimismo, esperança pela recuperação e ancoragem dada pelo preço de entrada.<br />
3. Não sabe se o mercado vai virar? Espere virar. Siga a estratégia. Acredite que o ciclo é longo o suficiente a ponto de ter lucro com os indicadores ou gráfico. Eventualmente você vai acertar com antecipação de um máximo ou mínimo, mas será por pura sorte. Virou? Zera agora, simples. Perdas fazem parte do jogo. Não espere para tentar ter lucro, ou torcer para que o mercado ande com suas preces para tentar ter uma perda pequena.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Sugestões de experiências anteriores</strong>:<br />
• Lembre-se de observar os suportes e resistências das tendências maiores.<br />
• Preços foram até a máxima do dia e caíram? Dificilmente voltarão a testá-los após uma queda significativa.<br />
• Procure sempre por dias que serão indecisos para fazer daytrade: a estratégia seria traçar um objetivo de lucro que tem em vista o fechamento do dia anterior.<br />
• Observe fechamento anterior e abertura do dia. Ver se o objetivo do daytrade é plausível frente o sentimento geral de mercado. Altas ou quedas muito acentuadas normalmente necessitam de notícias relevantes para o dia.<br />
• Candlestick rompe a resistência, mas fecha abaixo dela: bom indicativo de realização de lucros no momento seguinte para períodos de um dia. Estratégia não testada no daytrade.<br />
• Ação subindo com a bolsa em baixa: é forte pressão altista em cima do papel, e se no dia seguinte a Bovespa subir, a ação dispara; o raciocínio inverso também é verdadeiro. Será que o mesmo se pode dizer de índice CRB e café?</p>
<p><strong>Giovani Damiano  </strong></p>
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		<title>Avaliações Índices de Preços</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 01:45:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giovani Damiano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[igp-di]]></category>
		<category><![CDATA[igpm]]></category>
		<category><![CDATA[índices de preços]]></category>
		<category><![CDATA[ipca]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta quinta-feira, dia 7, O IPCA de junho registrou uma alta de 0,15% sobre maio. Com isso, a evolução do índice no acumulado do primeiro semestre alcançou 3,87% e em 12 meses bateu em 6,71%, acima do teto da meta de 6,5%.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA</strong></p>
<p>O IPCA é o índice de preços que baliza a meta de inflação perseguida pelo Banco Central, em torno da qual gravita a política monetária. É medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) através de uma pesquisa feita em 11 regiões metropolitanas, com famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.<br />
Nesta quinta-feira, dia 7, O IPCA de junho registrou uma alta de 0,15% sobre maio. Com isso, a evolução do índice no acumulado do primeiro semestre alcançou 3,87% e em 12 meses bateu em 6,71%, acima do teto da meta de 6,5%.<br />
As expectativas de mercado são de que o índice continue bem comportado no trimestre civil iniciado em julho, mas, a não ser que o índice registre deflação mensal em julho e agosto, o acumulado em 12 meses continuará subindo. Isso pela simples razão de que, nesses mesmos meses de 2010, a variação do IPCA ficou muito perto de zero.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="523">
<tbody>
<tr>
<td rowspan="2" width="155"><strong>Instituição</strong></td>
<td colspan="2" width="123"><strong>        IPCA</strong></td>
<td colspan="2" width="123"><strong>        IGPM</strong></td>
<td colspan="2" width="123"><strong>       IGP-DI</strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="61"><strong>2011</strong></td>
<td width="61"><strong>2012</strong></td>
<td width="61"><strong>2011</strong></td>
<td width="61"><strong>2012</strong></td>
<td width="61"><strong>2011</strong></td>
<td width="61"><strong>2012</strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="155">BC &#8211; Alexandre Tombini</td>
<td width="61">&lt; 6,5%</td>
<td width="61">4,5%</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
</tr>
<tr>
<td width="155">Bradesco</td>
<td width="61">6,1%</td>
<td width="61">4,5%</td>
<td width="61">5,7%</td>
<td width="61">4,5%</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
</tr>
<tr>
<td width="155">Santander</td>
<td width="61">6,1%</td>
<td width="61">6,0%</td>
<td width="61">8,5%</td>
<td width="61">5,6%</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
</tr>
<tr>
<td width="155">Credit Suisse</td>
<td width="61">6,3%</td>
<td width="61">5,3%</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">6,0%</td>
<td width="61">4,5%</td>
</tr>
<tr>
<td width="155">Citi Bank</td>
<td width="61">6,5%</td>
<td width="61">5,3%</td>
<td width="61">6,59%</td>
<td width="61">5,12%</td>
<td width="61">6,7%</td>
<td width="61">5,1%</td>
</tr>
<tr>
<td width="155">MB Associados</td>
<td width="61">&gt; 6,5%</td>
<td width="61">&gt; 6,5%</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
</tr>
<tr>
<td width="155">Tendências Consultoria</td>
<td width="61">6,6%</td>
<td width="61">5,2%</td>
<td width="61">7,0%</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
<td width="61">-</td>
</tr>
<tr>
<td width="155"> </td>
<td width="61"> </td>
<td width="61"> </td>
<td width="61"> </td>
<td width="61"> </td>
<td width="61"> </td>
<td width="61"> </td>
</tr>
<tr>
<td width="155">Focus &#8211; 07/01/2011</td>
<td width="61">5,34%</td>
<td width="61">4,50%</td>
<td width="61">5,53%</td>
<td width="61">4,50%</td>
<td width="61">5,50%</td>
<td width="61">4,50%</td>
</tr>
<tr>
<td width="155">Focus &#8211; 08/07/2011</td>
<td width="61">6,31%</td>
<td width="61">5,20%</td>
<td width="61">5,94%</td>
<td width="61">5,00%</td>
<td width="61">5,76%</td>
<td width="61">5,00%</td>
</tr>
<tr>
<td width="155"> </td>
<td width="61"> </td>
<td width="61"> </td>
<td width="61"> </td>
<td width="61"> </td>
<td width="61"> </td>
<td width="61"> </td>
</tr>
<tr>
<td colspan="7" width="523">Fontes diversas | Elaboração: INTL FCStone (GD)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Como, a partir de setembro de 2010, o IPCA voltou a subir, é bem possível que, mesmo com elevações mensais no último trimestre de 2011, o acumulado em 12 meses recue, encerrado o ano civil dentro do intervalo estabelecido pelo sistema de metas.</p>
<p>Isso porque os índices de preços no Brasil costumam ter o formato de “U”: começam e terminam o ano em alta, e apresentam um vale nos meses de junho, julho e agosto por fatores sazonais, como a safra de grãos e cana-de-açúcar.</p>
<p>No entanto, o fator deflacionista dos alimentos que vem há quatro meses, deverá retomar o avanço nos preços devido aos riscos climáticos de meio de ano. Também acabou o alívio no preço dos transportes, que tem como principal componente o custo dos combustíveis, já que em plena safra da cana-de-açúcar no Centro-Sul, os preços do açúcar e álcool estão num dos níveis históricos mais altos já alcançados para este período de colheita.</p>
<p>Outra pressão de preços vem da massa salarial, cujos reajustes vêm acontecendo em níveis superiores aos da inflação. A atual conjuntura é de confluência de forte escassez de mão de obra (até mesmo de baixa qualificação) que coincide com o período de renegociação salarial de importantes categorias profissionais – metalúrgicos, bancários, petroleiros e petroquímicos. A demanda continua aquecida, numa situação em que a oferta segue relativamente mais fraca. Como avança acima de 16% ao ano, o crédito também ajuda a aumentar a procura de bens e serviços no mercado.</p>
<p>É a partir desse desencontro entre oferta e procura que é preciso entender a disparada da inflação de serviços: foi de 0,6%, em junho; de 5,5%, no primeiro semestre; e de 8,7% em 12 meses. Convém lembrar que esse setor não pode contar com o reforço que a indústria e o comércio vêm tendo das importações.</p>
<p>O crescimento da massa real de salários é bom para o consumidor e excelente para as vendas. No entanto, representa um aumento de custos para as empresas. O problema é que elas estão mudando a forma de fazer preços, simplesmente tem havido repasse dos aumentos para os produtos. Esta avaliação é feita por Mendonça de Barros (MB Associados) através de uma reunião informal com um empresário do setor de embalagens de papelão.</p>
<p><strong>IPCA e Selic</strong></p>
<p>O mercado apostava fortemente que a inflação nos meses de junho, julho e agosto fosse de zero ou até negativa, o que não aconteceu em junho e as expectativas são de que também não devem ocorrer neste mês e no próximo. Uma inflação mais salgada significa que o governo deve aumentar a dose das medidas que vem adotando no intuito de segurá-la. Ou seja, o processo de alta da taxa de juros Selic deve ser maior do que se imaginava.</p>
<p>No encerramento da semana passada, os diversos vencimentos de juros futuros subiram com consistência, mostrando aumento nas apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) terá de fazer mais duas elevações na taxa Selic. Uma em julho, já embutida no preço, e outra em agosto, que segue atraindo adeptos. Outros agentes de mercado já passaram a trabalhar com três novas altas: além das duas já citadas, mais uma em outubro.</p>
<p><strong>Poder de compra do brasileiro</strong></p>
<p>A inflação brasileira fez a mercadoria “made in Brazil” atingir um preço em dólares 147% maior do que há 17 anos. Um exemplo da perda do poder de compra do dólar é a cesta básica, que custava US$ 67 em São Paulo em julho de 1994, segundo informações do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em maio de 2011, dado mais recente da entidade, o valor estava em estava em US$ 167 – uma alta de 150%. Nos Estados Unidos, a inflação nos últimos 17 anos foi de 52%.</p>
<p><strong>Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC</strong></p>
<p>É a média do custo de vida nas 11 principais regiões metropolitanas do país para famílias com renda de 1 até 8 salários mínimos, também medido pelo IBGE. Compõe-se do cruzamento de dois parâmetros: a pesquisa de preços de nove regiões de produção econômica, cruzada com a pesquisa de orçamento familiar (POF), que abrange famílias com renda de 1 a 6 salários mínimos.</p>
<p>No entanto, o INPC é um índice mais próximo à realidade do trabalhador, por ser composto principalmente de bens básicos. E é utilizado no cálculo que ajusta o salário mínimo, que é o resultado da soma do INPC do ano anterior com o crescimento do PIB de dois anos atrás.</p>
<p>Pela sua metodologia de cálculo, pode-se perceber que seu comportamento é análogo ao IPCA. Exceto pela ênfase dada nos preços dos itens que afetam as famílias com orçamento mais restrito. Assim, os fundamentos do INPC podem ser colocados em sua grande maioria como os mesmos que são para o indicador oficial de inflação.</p>
<p><strong>Índice Geral de Preços – IGP (IGP-M e IGP-DI)</strong></p>
<p>O IGP-M/FGV é calculado mensalmente pela FGV e é divulgado no final de cada mês de referência. Atualmente é o índice utilizado para a correção de contratos de aluguel e como indexador de algumas tarifas como energia elétrica.</p>
<p>O IGP-M/FGV analisa as mesmas variações de preços consideradas no IGP-DI/FGV, ou seja, o Índice de Preços por Atacado (IPA), que tem peso de 60% do índice, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% e o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), representando 10% do IGP-M. Abaixo as diferenças no período de coleta dos IGP’s:</p>
<table border="0" cellspacing="1" cellpadding="0" width="450">
<tbody>
<tr>
<td colspan="26">Períodos de Coleta de Preços</td>
</tr>
<tr>
<td colspan="10">Mês Anterior</td>
<td colspan="16">Mês de Referência</td>
</tr>
<tr>
<td>11</td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%">21</td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%">01</td>
<td width="4%"><strong> </strong></td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%">10</td>
<td width="4%"><strong> </strong></td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%">20</td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td width="4%"> </td>
<td>30</td>
</tr>
<tr>
<td colspan="16">IGP – 10</td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
</tr>
<tr>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td colspan="16">IGP &#8211; M</td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
</tr>
<tr>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td colspan="16">IGP &#8211; DI</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>            Fonte: FGV</p>
<p>Dessa forma, com o aquecimento da economia brasileira, fato que pode ser comprovado pelo baixo nível de desemprego somado a um bom avanço do PIB, o resultado é um reajuste dos preços. Com mais dinheiro em circulação, há maior demanda por parte da população, não só por produtos finais, como também por serviços. Como este indicador tem um componente que envolve o setor de serviços, este aquecimento também fundamenta as projeções de uma maior leitura nos próximos meses.</p>
<p>Assim como no caso do INPC, somam-se as políticas de transferência de renda por parte do governo federal e como políticas habitacionais (“Minha Casa Minha Vida”) que estimulam maior procura por imóveis por famílias que até então viviam marginalizadas. O efeito conjunto é um aquecimento do mercado imobiliário nas principais regiões metropolitanas do país, que têm seus aluguéis corridos, seguindo a lógica da “oferta e demanda”. Como aluguéis apresentam maior correção no início dos anos, os maiores avanços neste indicador ocorrem nos meses de janeiro e fevereiro dos anos referência.</p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p>Há, sim, pressões previsíveis no sentido de elevar a inflação no futuro próximo. Reajustes salariais, problemas com a oferta de etanol, etc. Mas, por outro lado, há a ação do governo, através de políticas monetária e fiscal. Eventuais mudanças na conjuntura econômica, sobretudo a internacional, que também afeta os preços internos, e vive tempos de grande instabilidade e incertezas, são continuamente monitoradas pelo Banco Central. Portanto, acreditamos que o índice oficial de inflação (IPCA) deve ficar dentro da meta neste ano (abaixo de 6,5%). E afirmar com 18 meses de antecedência que em 2012 o IPCA fugirá do centro da meta de 2012, de 4,5%, é duvidar da competência técnica do BC, que vem fechando o cerco monetário através de diversos instrumentos e sinalizações<a href="http://avisoemdois.com.br/wp-admin/post.php?action=edit&amp;post=11038&amp;message=10#_ftn1">[1]</a> ao mercado.</p>
<table border="0" cellpadding="0" width="800">
<tbody>
<tr>
<td width="231"><strong> INTL     FCStone</strong></td>
<td colspan="2"><strong>Giovani Damiano</strong><br />
Consultor em Gerenciamento de Risco</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top">Av. Duque de Caxias, 882 &#8211; sala 301<br />
Novo Centro, Maringá &#8211; PR<br />
CEP: 87.020-025</td>
<td width="297">
<table border="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td width="26%">Fone</td>
<td width="74%">55 44 3033 6800</td>
</tr>
<tr>
<td width="26%">Cel</td>
<td width="74%">55 11 6912 8115</td>
</tr>
<tr>
<td>Yahoo IM:</td>
<td>giovanidamiano@ymail.com</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
<td width="264"> </td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> </p>
<p>Colaboraram:</p>
<p><strong>Flávio Antunes</strong> – INTL FCStone – Depto de Planejamento, Pesquisa e Projetos Especiais</p>
<p><strong>Cassiano J B M Trovão</strong> – doutorando Instituto de Economia Unicamp</p>
<p>Agradecimentos:</p>
<p><strong>Waldir Kiel</strong>, <strong>Étore Baroni</strong> e <strong>Vinicius Xavier</strong></p>
<p> “As informações e comentários aqui contidos tem a finalidade única de informar e não devem ser utilizadas como estratégias de negócios. Apesar da informação ser confidencial não podemos garantir sua exatidão e integridade. Negociações em commodities envolvem riscos e você deve entender completamente estes riscos antes de iniciar negociações.</p>
<p><a href="http://avisoemdois.com.br/wp-admin/post.php?action=edit&amp;post=11038&amp;message=10#_ftnref1">[1]</a> Algumas das sinalizações são as pesquisas feitas pelo BC junto ao mercado há alguns meses. Em uma delas perguntava sobre qual seria a taxa de juros neutra no país. Apesar das dificuldades de calcular uma variável não observável é relativamente óbvio que a taxa neutra deva ser inferior do que é praticado no Brasil. A mensagem implícita era: vejam, estamos aplicando juros acima da neutralidade, logo a política atual é contracionista. Em outra pesquisa o BC perguntou o quanto representaria, em pontos base de SELIC, o aumento dos compulsórios praticados em dezembro do ano passado. O mercado calculou como pode, afinal não havia série histórica relevante e estimar o impacto configura um exercício econométrico com um tanto de arbitrariedade. No final alcançado, deveria ser algo entre 100 e 200 pontos base. Fica claro que isso é um instrumento de comunicação – e persuasão – para aperfeiçoamento do sistema de expectativas.</p>
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		<item>
		<title>&#8220;Mais do mesmo&#8221;</title>
		<link>http://avisoemdois.com.br/colunas/mais-do-mesmo/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2011 15:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giovani Damiano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O momento é de reconhecer a validade da hipótese básica que orienta a política econômica (fiscal, monetária e cambial) brasileira: o mundo caminha para alguns anos de alta volatilidade e baixo crescimento. Sendo que esta é a única certeza que podemos ter, no mínimo, até fim de 2012.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já faz pelo menos um ano e meio que estamos escutando mais do mesmo: calote da Grécia e efeito sistêmico para os demais países europeus. Como bancos franceses, italianos e alemães detêm títulos da dívida pública grega, o contágio ocorreria no sistema monetário europeu como um todo, afetando o nível de crédito da economia européia. Com uma crise de crédito, deteriora-se gravemente o nível dos investimentos, que são o motor propulsor de qualquer economia. E a crise creditícia e monetária implica invariavelmente numa recessão.</p>
<p>Isso significa que a tarefa imediata consiste em preservar os bancos europeus. O FMI propõe uma capitalização, provavelmente subestimada, de 200 bilhões de euros. A dificuldade é definir a origem destes recursos. Os Tesouros nacionais estão quebrados e, em última análise, estão afundando junto com os bancos. Hoje, fala-se que sairá do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês). Mas se o EFSF já é pequeno, menor ainda será se tiver mais funções. Outro candidato quase inevitável a salvador é o BCE. De qualquer forma, essa operação ao menos tentará impedir a perda de confiança entre bancos e a perda de confiança do público neles. Posteriormente, será preciso recuperar as outras economias vulneráveis – tarefa nem um pouco clara.</p>
<p>Já a economia dos Estados Unidos não consegue exibir melhora em seus indicadores econômicos: desemprego continua próximo da casa dos 9,0% – com eventuais incrementos marginais –, resultado do PIB com frequência vem abaixo do esperado, preço dos imóveis apontando um duplo mergulho, problemas fiscais com rebaixamento pela S&amp;P do rating soberano do país, e assim por diante. A única ressalva positiva é a melhora ao longo deste ano no índice de confiança do consumidor norte-americano, o que é um bom sinal para uma economia altamente consumista, mas, ruim se vermos o outro lado, os rendimentos que as famílias têm para gastar. Agora, não existe mais o efeito riqueza da valorização dos ativos como foi até 2008 para favorecer o consumo.</p>
<p>Os dois quantitative easings (política de afrouxamento monetário) dos EUA podem não ter surtido efeitos para a conjuntura econômica dos EUA, mas de fato impediu que o país entrasse numa severa recessão ao evitar um efeito deflacionário nos ativos em conjunto com uma crise de crédito. Semana passada foi anunciada a operação twist, que tem objetivo de reduzir os juros de longo prazo e estimular o nível de investimentos. O que o mercado se questiona é, se os dois programas anteriores que injetaram quase US$ 1,8 trilhão não fizeram a economia crescer, por que agora novos US$ 400 bilhões o fariam? O presidente do Fed, que é o maior estudioso da crise de 1929, entende que crescimento nunca foi o objetivo, mas sim fazer a economia não ir para o buraco. Um ponto a destacar é que esse excesso de dólares transbordou dos EUA e foi inflar o preço das commodities e também valorizar o real.</p>
<p>Para completar o quadro, as economias maduras estão sobre-endividadas e têm hoje espaço limitado para ampliar os gastos públicos. Além disso, essas nações esgotaram os instrumentos convencionais de política monetária – as taxas de juros estão próximas de zero e, em alguns casos, são negativas.</p>
<p>O resultado recente disso tudo, foi, a partir de agosto, o fechamento agressivo da curva de juros dos títulos do tesouro norte-americano (Treasuries), uma queda importante da bolsa em diversos países, uma elevação generalizada do CDS dos países (inclusive de países de fora da zona do Euro, o que não havia ocorrido até então), além de uma elevação significativa do indicador VIX (índice de volatilidade do mercado acionário dos EUA). E esta semana começa amena com a sinalização da redução dos juros por parte do Banco Central Europeu.</p>
<p>No resumido cenário traçado acima, não há perspectivas de mudança. O momento é de reconhecer a validade da hipótese básica que orienta a política econômica (fiscal, monetária e cambial) brasileira: o mundo caminha para alguns anos de alta volatilidade e baixo crescimento. Sendo que esta é a única certeza que podemos ter, no mínimo, até fim de 2012.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Giovani Damiano</strong> &#8211; economista e consultor em gerenciamento de risco da FCStone</p>
<p>*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.<br />
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de idéias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.</p>
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		<title>Movimento das commodities na semana</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 16:10:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giovani Damiano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[commodities]]></category>
		<category><![CDATA[q2]]></category>
		<category><![CDATA[quantitative easing]]></category>

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		<description><![CDATA[O mercado acordou na segunda-feira com a notícia da morte de Osama Bin Laden. Inicialmente a expectativa gerada foi de uma estabilização da violência no Oriente Médio, mas que não elimina os riscos da turbulência em países como a Líbia. De qualquer forma, as cotações do petróleo desabaram]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="lightbox" href="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/wti.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10437" title="wti" src="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/wti-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>O mercado acordou na segunda-feira com a notícia da morte de Osama Bin Laden. Inicialmente a expectativa gerada foi de uma estabilização da violência no Oriente Médio, mas que não elimina os riscos da turbulência em países como a Líbia. De qualquer forma, as cotações do petróleo desabaram ao longo da semana, retornando a patamares de dois meses atrás (gráfico), claro que não por causa do Osama, mas devido ao aumento a aversão a risco nos mercados. Este movimento negativo foi generalizado entre as commodities, o que pode ser observado através do índice CRB, que despencou mais de 7,5% nesta semana.</p>
<p>Os temores e incertezas quanto ao rumo da economia fazem os agentes econômicos aumentarem sua preferência pela liquidez, já diria Keynes. Por isso, há fuga de capitais especulativos em busca de investimentos mais líquidos e de menor remuneração. O maior porto seguro para isto ainda são os títulos de dívida norte-americanos e o próprio dólar – que deram uma balançada recentemente após o rebaixamento da perspectiva de rating pela S&amp;P. Pela banal lei da oferta e procura, explica-se porque o dólar sobe e as commodities caem: na verdade, a saída de ativos arriscados, no caso, commodities, envolve apenas o encerramento de posições compradas, que automaticamente são trocadas pela moeda dos Estados Unidos, uma vez que denominam o valor das commodities.</p>
<p>Claro que também pode haver especuladores que acentuem o movimento de queda nas cotações por entrar na ponta vendedora, acentuando a baixa. De qualquer forma, o mercado precisa reagir no curto prazo às informações que recebe, uma vez que a melhor definição de preço que existe durante as negociações é “consenso momentâneo de valor”. Os valores são projetados com base em estimativas futuras supondo tudo mais dentro do esperado ou constante – para os economistas, o termo seria coeteris paribus.</p>
<p>Nesta semana o que veio fora do esperado foram os dados pouco animadores nos Estados Unidos e Europa. O Departamento de Trabalho dos EUA divulgou um aumento de 43 mil no número de pessoas que entraram com pedido de auxílio-desemprego na semana passada, sendo que analistas esperavam um declínio de 19 mil nos pedidos. O BCE manteve a taxa de juro da zona do euro em 1,25 por cento na quinta-feira, e os mercados interpretaram os comentários de seu presidente, Jean-Claude Trichet, como sugerindo que o banco poderia esperar até julho para uma próxima alta.</p>
<p>Relevante foi o comentário do banco central chinês em seu documento trimestral sobre a política monetária doméstica: a estabilização dos preços ao consumidor na China e o gerenciamento das expectativas de inflação são prioridades. A instituição observou que &#8220;é imperativo manter a intensidade necessária da macroregulamentação a fim de consolidar e melhorar os alcances dos esforços já efetuados e impulsionar a tendência do desenvolvimento econômico&#8221;. Esta notícia foi um importante fator que pressionou as commodities.</p>
<p>Nas palavras de Paulo Gala, segue resumo do quadro econômico global: “Iniciando pela China, que construiu nos últimos 15 anos uma Europa em casas e criou nos últimos 2 anos o equivalente a 2 trilhões de dólares em créditos. A grande preocupação hoje é segurar a inflação e controlar o superaquecimento. O motor do crescimento passou a ser a construção civil, também. O governo chinês vem apertando o crédito, e vai continuar. Subidas de juros, aumentos de requerimentos de capital para bancos, uma macroprudência à la China. Aliás, o mundo emergente de modo geral trabalha nesse registro. A Índia aumentou recentemente a taxa juros. Um aumento maior do que se esperava. Coréia do Sul, Brasil e outros seguem o mesmo caminho. Por aqui o BC já avisou que enquanto a inflação não voltar para a meta, não para de aumentar juros. Então, mesmo que seja de 25 em 25 bps, podemos seguir assim até o final de 2012. Não vai ser fácil colocar esse IPCA nos 4,5% ao ano de novo”.</p>
<p>Além disso, nos EUA, em junho termina o quantitative easing 2 e a economia americana continua combalida. Os cortes de gasto público vão dificultar ainda mais a recuperação. Terminando os estímulos, algum tempo depois os juros devem subir, e o consenso é de que isso aconteça ano que vem.</p>
<p><strong>Giovani Damiano</strong></p>
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		<title>O risco do hedge: comentários para o mercado de café</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Mar 2011 05:46:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giovani Damiano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
		<category><![CDATA[hedge]]></category>
		<category><![CDATA[mercado de café]]></category>
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		<category><![CDATA[risco de hedge]]></category>

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		<description><![CDATA[Para aqueles que acreditam que hedge é suficiente para se proteger do risco de preços, lamentamos informar que não, não é. Este artigo esclarece que em algumas ocasiões, o hedge pode estar sujeito a tantos lucros ou prejuízos quanto especulação com contratos futuros.  Em vista disso, assumir no mercado de derivativos uma posição contrária à do mercado à vista – definição de hedge – não é suficiente para garantir margens operacionais mínimas à comercialização de determinados tipos de café físico.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Para aqueles que acreditam que hedge é suficiente para se proteger do risco de preços, lamentamos informar que não, não é. Este artigo esclarece que em algumas ocasiões, o hedge pode estar sujeito a tantos lucros ou prejuízos quanto especulação com contratos futuros. Em vista disso, assumir no mercado de derivativos uma posição contrária à do mercado à vista – definição de hedge – não é suficiente para garantir margens operacionais mínimas à comercialização de determinados tipos de café físico.<br />
Essas margens, sejam estas lucrativas ou não no momento da proteção, necessitam de um gerenciamento ininterrupto. Devem-se acompanhar rigorosamente as posições assumidas e as mudanças nos mercados para eventualmente alterar a estratégia frente aos novos fatos. O intuito é maximizar a rentabilidade do hedge, definindo quando encerrar antecipadamente a posição no físico ou quando alterar a estratégia no mercado de futuros. Para cada cenário de possibilidades, uma atitude reativa deve estar previamente traçada.<br />
Todos os participantes das atividades comerciais de uma commodity estão sujeitos ao risco de variação de preços locais, que dependem essencialmente dos fundamentos e das cotações internacionais, além do desempenho da economia mundial. Como a proteção que pode ser feita é limitada, para contornar esta situação, existe uma ferramenta estatística para minimizar o risco.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Risco de preços para os diferentes participantes<br />
</strong>Os produtores são os que correm os maiores riscos: preocupações com disponibilidade de mão-de-obra, clima, qualidade do solo, pragas, manipulação na pós-colheita, eventuais furtos e etc. Enfim, além de terem que se preocupar com o processo produtivo que resultam no tipo de café, também precisam ficar atentos às cotações do mercado físico para saber se os esforços foram lucrativos ou não. A indústria precisa apenas se preocupar em quando comprar e em quanto pagar no mercado local para processar o café. Já os maquinistas compram de cooperativas, corretores ou produtores para beneficiar o grão e têm a mesma preocupação da indústria. Os exportadores também compram internamente a preços locais, mas para futuramente embarcar com base em referenciais externos, isto é, vendem a preços externos em dólar, por isso sofrem riscos adicionais com as variações cambiais.<br />
Em todos os casos, existe um intervalo temporal entre a operação de compra e/ou venda, e nesse período a variação de preços pode tanto ser favorável como desfavorável. No sentido de mitigar essas variações, existe a opção em preservar a rentabilidade (positiva ou negativa) do negócio através do hedge. A proteção pode ocorrer em contratos futuros, opções, contratos a termo e swaps. As duas primeiras ocorrem nas bolsas de futuros, enquanto as duas últimas, no mercado de balcão (overt-the-counter, ou OTC). No artigo, abordaremos apenas a proteção através das bolsas.<br />
Há também os corretores internacionais, que são o meio de comunicação entre os compradores externos e os vendedores nacionais. Eles recebem comissão pelo volume de negócios feitos e preços praticados. Estes agentes não são relevantes para este artigo por não terem necessidade de hedgear (proteger) o café. O hedge que devem fazer é com o câmbio, para proteger o poder de compra de sua comissão em moeda local.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Conceito de diferencial<br />
</strong>O tipo de café é definido pela bebida, peneira (tamanho do grão) e quantidade e tipos de defeitos (natureza intrínseca e extrínseca). O café negociado na bolsa de Nova Iorque é o arábica tipo “C” (café lavado). Já na bolsa de Londres, é o café robusta. A bolsa dá o referencial de um tipo específico de café, assim grãos inferiores sofrem um deságio, pois valem menos, e superiores, um ágio por valer mais. A diferença de cotações entre a qualidade da bolsa com outros tipos é chamada de diferencial.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Função das bolsas<br />
</strong>As bolsas internacionais de futuros teoricamente refletem, em tempo real, o preço justo do café em nível global. Elas são necessárias, pois a produção ocorre em poucas esferas locais, enquanto o consumo é geograficamente disperso. Como o consumidor quer pagar o menor preço possível por determinado tipo de café, ele vai procurar a região que esteja vendendo ao melhor preço e embutir o custo de transporte para saber qual a melhor opção. Por isso, não importa qual o preço adequado que o produtor deveria receber em cima dos custos incorridos, vende mais quem cobra menos. Em outras palavras, os mais eficientes têm mais vantagens.<br />
Porém, as bolsas estão sujeitas a diversas variáveis não apenas ligadas ao mercado de café, consequentemente são observadas distorções nos preços dos contratos futuros que podem prejudicar produtores, indústria ou exportadores. De qualquer forma, as oscilações de preço do produto físico podem desfavorecer os agentes ao piorar os preços de venda ou de compra numa data futura, trazendo prejuízos para atividade. Por isso, a importância em se proteger e buscar um fluxo de caixa previamente definido. As estratégias no mercado de futuros e opções são múltiplas, cada qual com seus respectivos custos, podendo atender a qualquer tipo de necessidade, por isso, são customizadas (únicas para cada cliente em específico).<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Risco do hedge<br />
</strong>Vamos discutir agora o basis risk (risco de base ou de prêmio). Basis é igual ao preço presente do físico menos cotação do contrato de bolsa com vencimento futuro (em geral o primeiro contrato vigente). O risco de base é a variação nessa diferença causada por alterações não proporcionais entre os dois preços – que devem estar na mesma unidade de medida ao se realizar o cálculo –, ou seja, é o risco intrínseco ao hedge. Note-se que o cálculo do basis e do diferencial é o mesmo, portanto, o basis risk é tanto a diferença entre a qualidade dos tipos de café, mais o risco que está embutido numa ocasional mudança de preços até o vencimento futuro [1] .<br />
Para visualizar o risco do basis, basta pensar nos oito possíveis cenários de mudança. Só não há alteração quando a subida, descida ou estabilidade é idêntica para o café físico e o contrato futuro. Pequenas variações são toleráveis e esperadas em um hedge, mas as variações bruscas são preocupantes.</p>
<p>[1] A ortodoxia econômica explica que quando as expectativas mudam ou não são satisfeitas, as cotações dos contratos futuros se alteram.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="225">
<tbody>
<tr>
<td width="86" valign="bottom">BASIS</td>
<td width="69" valign="bottom">FÍSICO</td>
<td width="69" valign="bottom">FUTURO</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="4" width="86">aumenta</td>
<td width="69" valign="bottom">sobe</td>
<td width="69" valign="bottom">estável</td>
</tr>
<tr>
<td width="69" valign="bottom">sobe +</td>
<td width="69" valign="bottom">sobe -</td>
</tr>
<tr>
<td width="69" valign="bottom">estável</td>
<td width="69" valign="bottom">desce</td>
</tr>
<tr>
<td width="69" valign="bottom">desce -</td>
<td width="69" valign="bottom">desce +</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="4" width="86">diminui</td>
<td width="69" valign="bottom">estável</td>
<td width="69" valign="bottom">sobe</td>
</tr>
<tr>
<td width="69" valign="bottom">sobe -</td>
<td width="69" valign="bottom">sobe +</td>
</tr>
<tr>
<td width="69" valign="bottom">desce</td>
<td width="69" valign="bottom">estável</td>
</tr>
<tr>
<td width="69" valign="bottom">desce +</td>
<td width="69" valign="bottom">desce -</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Por conta desses oito possíveis cenários, podemos dizer que especular basis tem elevada relação risco/retorno. Já é difícil prever o comportamento futuro da bolsa ou do mercado físico, quanto mais os dois juntos. Entretanto, o comportamento do basis é sazonal, enquanto as oscilações nos contratos futuros e preços de cotação do café físico não seguem um padrão temporal. Por isso, operar basis visando reduzir a vulnerabilidade à volatilidade de preços é uma estratégia adequada. O basis dá a indicação de quando ficar comprado em físico e vendido e futuro ou vice-versa. Mas seu uso é delimitado pela correlação entre o físico e o futuro. Se a correlação for muito baixa, fica difícil enxergar um padrão no basis e, a partir disso, aconselhamos o uso da seguinte ferramenta.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Taxa ótima de hedge<br />
</strong>Vamos imaginar que nossa carteira contenha apenas dois ativos: o café físico e o contrato futuro, cada qual oscilando de maneira distinta, apesar da alta correlação em muitos tipos de café. A volatilidade nos dois preços é o risco de base, conforme vimos. Correlação é o quanto uma variável acompanha a variação da outra numa escala que varia de -1 a + 1. Para minimizar o risco de preços desta carteira, precisamos calcular a proporção de proteção em ambos os ativos de forma a determinar o ponto que minimiza ambas as variâncias e, portanto, o risco.<br />
Não vamos entrar em detalhes sobre os cálculos estatísticos, mas, para constar, basta derivar a variância do basis para encontrar seu ponto de mínimo e achar a taxa ótima de hedge que deve ser feita. Isto é, qual a proporção entre contratos futuros e de café físico negociar. Por exemplo, se o valor encontrado for +70% de hedge, isso significa que para cada 100 sacas compradas (vendidas) de físico, deve-se ter 70 sacas vendidas (compradas) em futuros. Por outro lado, se for -10%, então, para cada 100 sacas compradas (vendidas) de físico, o ideal é também comprar (vender) 10 sacas em contratos futuros. Isso é um hedge, apesar de invertido e parecer uma especulação!<br />
Mesmo ao determinar a taxa ótima de hedge, ainda persistem problemas. Estamos trabalhando com dados históricos e o passado não necessariamente indica o que vai acontecer no futuro. Isso quer dizer que a proporção de hedge feita hoje pode mostrar-se inadequada amanhã. Além do mais, existe a dificuldade na seleção do tamanho da amostra. Misturar períodos que claramente tem um padrão estatístico de preços diferentes é um erro. Em conclusão, saber calcular a taxa ótima de hedge não é suficiente se estes dois fatores anteriores não forem ponderados pela sensibilidade do analista.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Conclusão</strong><br />
Para casos em que as correlações entre as variáveis aleatórias começam a se alterar e perder a relevância ou até inverter, pensar nessa ferramenta de minimizar a variância da carteira é uma forma de proteção adequada, apesar de anti-intuitiva ao indicar um hedge, que para os leigos, mais se caracterizaria como especulação. A sensibilidade dos analistas está em reunir os argumentos para explicar qual o tamanho da amostra usar e por quanto tempo serão válidos. Esse tipo de informação é o que valoriza e diferencia as análises de uma consultoria.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Giovani Damiano</strong> – economista pela Unicamp, é responsável pelo departamento de Planejamento e Estatísticas da C.R.M. Pharos</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Haroldo Bonfá</strong> – economista pela USP, com experiência de 30 anos na indústria de café, é diretor da C.R.M. Pharos</p>
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		<title>Notas sobre estréias de cinema</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Oct 2010 15:18:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giovani Damiano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divirta.se]]></category>
		<category><![CDATA[Múmias do Faraó]]></category>
		<category><![CDATA[Piranhas em 3D]]></category>
		<category><![CDATA[Tropa de Elite 2]]></category>

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		<description><![CDATA[Deu uma bagunçada geral nos lançamentos dos filmes. Foi anunciada a estréia de “Múmias do Faraó” ficou para o fim do mês.  “Piranhas em 3D” teve também sua estréia adiada.  Vou dar aqui algumas notas dos filmes que estão previstos para hoje, mas confirme. A razão da bagunça é o sucesso do Tropa de Elite 2 que ser mantido em cartaz.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deu uma bagunçada geral nos lançamentos dos filmes. Foi anunciada a estréia de “Múmias do Faraó” ficou para o fim do mês. “Piranhas em 3D” teve também sua estréia adiada. Vou dar aqui algumas notas dos filmes que estão previstos para hoje, mas confirme. A razão da bagunça é o sucesso do Tropa de Elite 2 que ser mantido em cartaz.</p>
<p><strong>Como Esquecer</strong><br />
<a rel="lightbox" href="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/20_como_esquecer280.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-8595" title="20_como_esquecer280" src="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/20_como_esquecer280-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>(Como Esquecer, Brasil, 2010)<br />
Gênero: Drama<br />
Duração: 100 min.<br />
Diretor (es): Malu de Martino<br />
Elenco: Ana Paula Arósio, Murilo Rosa, Natália Lage, Arieta Corrêa, Bianca Comparato, Pierre Baitelli, Regina Sampaio, Marília Medina, Gillray Coutinho, Analú Prestes<br />
Sinopse: Júlia (Ana Paula Arosio) é uma professora de literatura inglesa que luta para reconstruir sua vida depois de viver uma intensa e duradoura relação amorosa com a enigmática Antônia. Uma trama instigante que fala de pessoas comuns enfrentando os desafios de superar as dores do passado e buscando uma nova chance de encontrar a felicidade.</p>
<p><strong>Juntos pelo Acaso</strong><br />
<a rel="lightbox" href="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/zz33267ef5.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-8596" title="zz33267ef5" src="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/zz33267ef5-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>(Life as We Know It, EUA, 2010)<br />
Gênero: Comédia, Drama, Romance<br />
Duração: 112 min.<br />
Diretor(es): Greg Berlanti<br />
Elenco: Katherine Heigl, Josh Duhamel,Josh Lucas, Alexis Clagett, Brynn Clagett, Brooke Clagett,Hayes MacArthur, Christina Hendricks, Sarah Burns, Jessica St. Clair<br />
Sinopse: Holly Berenson (Katherine Heigl) é uma banqueteira de sucesso e Eric Messer (Josh Duhamel) é um promissor coordenador de esportes. Após um primeiro encontro desastroso, as únicas coisas que compartilham são a antipatia que têm um pelo outro e o amor pela afilhada, Sophie (Alexis Clagett). Quando ambos se tornam a única família de Sophie, vêm obrigados a colocar suas diferenças de lado. Tentando equilibrar ambições profissionais e eventos sociais concorrentes, eles terão que encontrar sentimentos em comum para conseguir viver sob o mesmo teto.</p>
<p><strong>Instinto de Vingança<br />
</strong><a rel="lightbox" href="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/Tell-Tale.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-8597" title="Tell Tale" src="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/Tell-Tale-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>(Tell-Tale Inglaterra, EUA, 2009)<br />
Gênero: Drama, Ficção, Suspense, Terror<br />
Duração: 93 min.<br />
Diretor(es): Michael Cuesta<br />
Elenco: Josh Lucas, Lena Headey, Brian Cox, Beatrice Miller, Jamie Harrold, Michael Kenneth Williams,Pablo Schreiber, Tom Riis Farrell, Ulrich Thomsen, Dallas Roberts<br />
Sinopse: Terry está se recuperando de um transplante de coração, que mudou sua vida. Logo ele se dá conta de que seu coração veio de um assassino e percebe que o órgão tem vontade própria e poderia matá-lo ou levá-lo à loucura.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Lazaro de Oliveira</strong></p>
<p>Lazaro é jornalista cultural que trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, TV Globo, TV Bandeirantes e durante 15 anos chefiou a pauta e reportagem do programa Metrópolis da TV Cultura. Com a colaboração do Lazaro o Aviso em Dois dá mais um passo para atender seu público.<br />
*Todas as colunas anteriores, com dicas e indicações culturais, encontraram-se na seção Divirta-se do Aviso em Dois.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Dólar comercial à vista (spot)</title>
		<link>http://avisoemdois.com.br/educacao-financeira/dolar-comercial-a-vista-spot/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Sep 2010 15:38:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giovani Damiano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
		<category><![CDATA[dólar]]></category>

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		<description><![CDATA[As duplas atuações do BC comprando dólares através de leilão no mercado à vista voltaram a ocorrer nesta semana E durante três dias seguidos, de quarta a sexta-feira. O efeito sobre o câmbio é momentâneo na movimentação do dia, mas sinaliza que o BC está atento ao mercado. Alguma mudança de fato talvez pudesse ser observada se o BC pagasse cotações acima das praticadas pelo mercado]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As duplas atuações do BC comprando dólares através de leilão no mercado à vista voltaram a ocorrer nesta semana E durante três dias seguidos, de quarta a sexta-feira. O efeito sobre o câmbio é momentâneo na movimentação do dia, mas sinaliza que o BC está atento ao mercado. Alguma mudança de fato talvez pudesse ser observada se o BC pagasse cotações acima das praticadas pelo mercado, mas isso não faz parte do seu histórico de atuação. De qualquer forma, a efetividade do leilão à vista depende da boa vontade do mercado. Não adianta o BC anunciar compra se o mercado não quiser vender. Lembramos que agora em 2010, o BC retomou as duas atuações diárias em 15 de abril, quando a moeda rompeu a linha de R$ 1,74. A estratégia se repetiu por mais três vezes quando a moeda voltou a furar esse mesmo R$ 1,74. A última atuação dupla foi no dia 3 de maio. Depois disso, o BC teve &#8220;ajuda&#8221; da crise das dívidas soberanas da Europa, que aumentou a demanda por dólar e levou a moeda para cima de R$ 1,85</p>
<p>Há quem afirme que a força do real seja resultado mais de especulação do que qualquer outra coisa, já que o real é a segunda moeda mais negociada do mundo nos mercados de derivativos, mas não tem aceitação física fora do Brasil. No entanto, a valorização do real contribui para a contenção das expectativas inflacionárias, trazendo-as para proximidades do centro da meta estipulada pelo governo.</p>
<p>É natural que a direção da taxa câmbio seja para baixo. Basta olhar para a posição vendida (aquela que ganha com a queda do dólar) dos bancos no mercado à vista, que passa dos US$ 14 bilhões, e dos estrangeiros, que chega a US$ 5,8 bilhões, no mercado futuro. O raciocínio que embasa a formação dessas posições é bastante lógico. Afinal, são aguardados bilhões de dólares em ingresso da capitalização da Petrobras e outro ingresso via emissão externa de empresas. A grande interrogação é o que acontecerá depois que essa onda de dólares entrarem no país e os agentes zerarem essa posição. Segundo um especialista, “o mercado vive de oscilação, não importa para que lado”, frase que vai de encontro ao caráter especulativo do real nos mercados futuros e se o governo não quisesse a taxa de câmbio no nível em que está já teria tomado outras medidas mais efetivas do que a compra de dólares no mercado à vista. Entre essas medidas, o mesmo especialista defende a limitação na exposição cambial com relação ao patrimônio líquido das instituições. Dessa forma, seria possível limitar o tamanho das posições vendidas e reduzir a pressão de baixa sobre a taxa de câmbio.</p>
<p>Esse movimento especulativo foi identificado pelos economistas do governo que defendem que o mercado seja surpreendido com as compras do Fundo Soberano e com a possibilidade de o Banco Central alterar os limites que os bancos têm para operar com câmbio. Ao contrário do BC, que divulga ao mercado suas operações diárias, a entrada do Fundo não é precedida de uma comunicação. Nesse sentido, o BC e Ministério da Fazenda estão discutindo uma série de medidas para conter uma valorização ainda maior do real, na tentativa de impedir que o dólar recue abaixo dos R$ 1,70. Algumas medidas já são conhecidas e apenas o momento de uso de uma delas é que ainda está em discussão: a oferta de &#8220;swap cambial reverso&#8221;, que equivale a uma compra de dólar no mercado futuro. Esse tipo de operação é usado para equilibrar as apostas no mercado futuro sobre a tendência do dólar. Os rumores são de que o Tribunal de Contas da União (TCU) teria desaconselhado a operação pelo seu elevado custo. Esse impedimento, no entanto, já foi removido. O BC já dispõe de pareceres jurídicos garantindo a operação e eliminando os temores do TCU. A questão agora é acertar a estratégia em que o timing e o elemento surpresa se reforcem e impeçam a excessiva valorização do real. Mas, é intrigante uma surpresa avisada, não?!</p>
<p>Quanto à capitalização da Petrobrás, que muitos identificam como um momento de vulnerabilidade para a excessiva valorização do real, a operação poderia ser administrada sem afetar fortemente o mercado de câmbio. O governo poderá estabelecer um cronograma para o ingresso dos dólares da participação estrangeira na capitalização. A Petrobrás não precisa trazer os dólares de uma única vez, poderia deixar dinheiro lá fora para, por exemplo, pagar fornecedores estrangeiros e isso impediria que a tendência baixista do dólar se mantivesse. Segundo um analista, passada a operação da estatal, a tendência será por valorização do dólar, por causa do crescente aumento do déficit em conta corrente do Brasil (que registra as operações do País com o exterior). Pois, além da expectativa de entrada do dinheiro relativo à capitalização da Petrobrás e do aumento das captações externas, outro fator tem contribuído, há mais tempo, para a alta do real: a especulação de investidores que querem aproveitar a diferença entre a taxa de juros brasileira e a de outros países, sobretudo desenvolvidos. Aqui, a taxa básica (Selic) está em 10,75% ao ano. Nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, está perto de zero.</p>
<p>Em se tratando de dólares no exterior, segundo dados do BC a soma não internada no país totalizava US$ 17,3 bilhões até o mês passado. E a pergunta que fica é o que o exportador faz com esses US$ 17 bi? Numa tentativa de conter o ingresso de dólares no país, o Ministério da Fazenda, em 2008, autorizou o exportador a deixar até 100% dos recebíveis de exportação no exterior. E é isso que eles estão fazendo. Mas não faz sentido pensar que os exportadores estão apenas esperando a cotação do dólar ficar mais favorável à conversão ou para atender seus compromissos. Pois, mesmo com a taxa desfavorável ainda seria mais interessante trazer o dinheiro e aplicar no mercado local, que oferece rendimento mais atraente do que os juros pagos no mercado externo. Uma solução possível é repassar esses dólares aos bancos, que vendem a moeda no mercado local ao BC – que estimula a formação de posição vendida comprando dólares em quantidade superior ao fluxo. Feito isso, o banco repassa esses reais aos exportados cobrando um juro mais alto que o praticado pelo mercado. Agora, a primeira vista isso não deve preocupar a autoridade monetária. Afinal, o aumento da posição vendida dos bancos no mercado à vista tem contraparte em moeda que está no exterior. No caso de alta do preço da divisa americana, esse exportador desmancha a operação que tiver com o banco e ingressa com a moeda no mercado local. Moeda essa que dará cobertura à posição vendida do banco. Claro que o banco pode ter alguma perda dependendo da variação cambial em questão.</p>
<p>Na pesquisa do Boletim Focus do BC a expectativa do mercado para taxa de câmbio no final do ano, após 23 semanas cravada em R$ 1,80, caiu novamente e está em R$ 1,77. A previsão de déficit em conta corrente mantém-se em US$ 50,00 bilhões. A projeção da balança comercial manteve-se inalterada pela quinta vez consecutiva em US$ 15,00 bilhões. O IPCA – que desde nosso relatório semanal de 31/05 a 04/06 afirmamos estar em trajetória de baixa – pela primeira vez no ano fica abaixo de 5%, indo para 4,97%,</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Giovani Damiano</strong> é estudante de Economia e trader</p>
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		<title>Planos de Aposentadoria</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 15:49:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giovani Damiano</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Fundo de investimento]]></category>
		<category><![CDATA[plano de previdência privada]]></category>
		<category><![CDATA[Planos de Aposentadoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Fundo de investimento: investidor é o cotista do fundo, coloca o dinheiro diretamente no fundo.

Plano de previdência privada: seja PGBL ou VGBL, investidor dá dinheiro para uma seguradora e esta aplica em fundos diversos de acordo com os critérios do aplicador. São dois gestores, o do fundo e o do plano. A seguradora gerencia o plano, mas investe em fundo que possui seu gestor próprio/respectivo.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Fundo de investimento e plano de previdência privada</strong></p>
<p>Fundo de investimento: investidor é o cotista do fundo, coloca o dinheiro diretamente no fundo.</p>
<p>Plano de previdência privada: seja PGBL ou VGBL, investidor dá dinheiro para uma seguradora e esta aplica em fundos diversos de acordo com os critérios do aplicador. São dois gestores, o do fundo e o do plano. A seguradora gerencia o plano, mas investe em fundo que possui seu gestor próprio/respectivo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL)</strong></p>
<p><strong><br />
</strong>Existem dois principais planos de previdência no Brasil: PGBL e VGBL. Ambos são alternativas de investimentos para a pessoa física que visa o longo prazo, isto é, mais de 10 anos, para servir como aposentadoria.<br />
PGBL tem um diferimento tributário através da dedução do IR que o VGBL não possui. O investimento no PGBL é entendido pelo governo uma despesa que pode ser abatida do IR até um limite de 12% do rendimento tributável (ou salário anual total), diferentemente do VGBL. No resgate, no PGBL a dedução será cobrada sobre todo o resgate, não apenas sobre os juros, uma vez que o imposto de renda (IR) é postergado, enquanto no VGBL, o IR será apenas sobre os juros.<br />
PGBL é específico para pessoas que têm renda tributável (assalariados), contribuintes do INSS (assalariados atendem automaticamente este requisito por ter seu salário já descontado do INSS) e para aqueles que no ano de efetuação do investimento, precisam declarar imposto no modelo completo. Para quem não atende a estes três requisitos, ou quer investir acima dos 12% de seu rendimento tributável, sobra apenas o VGBL como alternativa para investimento em plano de previdência privada.<br />
Nesta modalidade de aplicação em previdência, além de escolher entre PGBL e VGBL, o investidor deve escolher entre tributação progressiva e regressiva. A progressiva tem tributação similar ao de salário, variando de 0% a 27,5% dependendo do patamar no qual o valor do saque ou resgate está inserido. No caso regressivo, a tributação é sobre o prazo de aplicação, variando de 35% até 10% ao longo de 10 anos, sendo que vai caindo de 5% em 5% a cada dois anos. A escolha, entretanto, deve ser feita, não apenas com base no tempo, pois se o resgate for feito depois de 10 anos, mas se os resgates/saques forem de, por exemplo, mil reais por mês, ficando abaixo da zona de tributação, é mais adequado optar pela forma progressiva. Assim, as variáveis a serem consideradas são em quanto tempo o dinheiro pode ficar parado e quanto se estima sacar.<br />
Os custos dos planos são o custo de carregamento e a taxa de administração. O primeiro é o custo que fica para seguradora no momento da aplicação, já a taxa de administração refere-se à cobrança feita pela gestão do fundo de investimento. E, independentemente da rentabilidade do fundo, ambas as taxas serão cobradas do valor aplicado pela pessoa. Alguns fundos também utilizam uma cobrança adicional caso batam a performance de algum índice de referência.<br />
Mesmo que a seguradora seja muito bem regulamentada pela SUSEP e disponha de grandes reservas, o risco de quebra existe. Para eventuais dúvidas que surjam quanto à solidez da instituição, existe a portabilidade dos planos de previdência entre seguradoras, mas o regime progressivo e regressivo e escolha entre PGBL e VGBL não podem ser alterados.<br />
Outro ponto é que a seguradora aplica o dinheiro do investidor, mas este define em que tipo de fundo que quer sua aplicação. Há apenas o detalhe de que não existe o plano de previdência de 100% em ações, a parcela pode variar entre 0% e máximo de 49% em renda variável. De qualquer forma, pode haver a troca de um plano mais agressivo para um mais conservador. Inclusive, existem, no mercado, planos chamados de ciclo de vida, no qual a porcentagem de ações no total vai reduzindo conforme a pessoa vai envelhecendo.<br />
Para finalizar, além de escolher o tipo de plano (PGBL ou VGBL) e tributação (progressiva ou regressiva), também se pode definir a forma de resgate e idade da aposentadoria. Na época em que a pessoa for completar a idade especificada, a seguradora entra em contato para saber como proceder. As opções são, por exemplo, saque total ou parcial. Neste último caso, o objetivo seria uma renda mensal vitalícia ou por alguns anos com uma correção contínua feita pelo IPCA ou IGPM mais alguma coisa.</p>
<p><strong>Críticas</strong></p>
<p>A “vantagem” dos dois planos é a taxa punitiva dada pelo resgate antecipado. Isso estimula e cria o hábito de poupar para a aposentadoria. Porém, devem-se fazer as contas na ponta do lápis, incluindo taxa de administração (2%) mais carrego (1,5%). Para calcular a rentabilidade líquida, basta (a conta é arredondada) subtrair a rentabilidade anual do fundo (já devidamente descontada do IR – para isso basta multiplicar a rentabilidade por [1-(%doIR/100)]) desses 3,5%. A partir disso, podem ser comparados com poupança (não incide IR), Tesouro Direto, que são os títulos da dívida pública do Brasil (IR é regressivo de acordo com prazo, sendo a menor tributação de 15% para aplicações com mais de 720 dias) e índice Bovespa (IR retido na fonte, mas não lembro os valores). Ah, além disso, tudo, para saber o juro real (rentabilidade real) é necessário o desconto da inflação (IPCA com meta governamental de 4,5% para o fim do ano) – subtraia a rentabilidade líquida de 4,5%.<br />
Aqui segue o link da rentabilidade dos 60 melhores fundos (peguei o primeiro link que vi no Google): <a href="http://vocesa.abril.com.br/organize-suas-financas/materia/9120-tabela-fundo-de-garantia.html">http://vocesa.abril.com.br/organize-suas-financas/materia/9120-tabela-fundo-de-garantia.html</a>  A seguir têm-se as rentabilidades de diversos fundos do Banco do Brasil (peguei especificamente este banco porque um fundo seu está na primeira posição da lista anterior, detalhe que ele tem curiosamente menos de 3 anos): <a href="http://www2.brasilprev.com.br/NossosPlanos/Rentabilidade/Paginas/default.aspx">http://www2.brasilprev.com.br/NossosPlanos/Rentabilidade/Paginas/default.aspx<br />
</a>Após a comparação apenas uma ressalva, todas as instituições financeiras possuem “n” planos de previdência ou fundos de investimento. Assim, podem chutar “n” diferentes estratégias para cada plano e a que se der melhor recebe esse tipo de marketing. Assim, se houvesse mérito de uma instituição, ela teria de ser a dominante no segmento. Mas também posso criticar dizendo que talvez ainda haja alguns títulos nas carteiras de RF da época em que a taxa básica de juros no Brasil chegou há 40% ao ano a alguns anos, ainda no mandato de Fernando Henrique Cardoso e no contexto de uma crise econômica. Além do mais, a máxima “retornos passados não são garantia rentabilidade futura” ainda é válida, em outras palavras, nada garante que um fundo excepcional continue superando os outros consistentemente e repetidamente.<br />
Enfim, eu particularmente prefiro adotar a seguinte estratégia para montar a aposentadoria: parcela em renda variável de acordo com a idade (de preferência montado uma carteira representativa do índice Bovespa) e o restante em Tesouro Direto, sem cupons, com saque superior a dois anos.<br />
Ou então, quer risco médio? Já que não se pode adivinhar com precisão o risco futuro de uma ação – em termos técnicos, inferir o desvio-padrão –, faça como Nassim Taleb, compre de 85% a 90% em títulos públicos (zero de risco) e o restante invista diluidamente em opções (máximo de risco). Mas existe o problema do fator tempo correndo o valor da opção, por isso das aplicações homeopáticas. A idéia é que caso surjam eventos positivos imprevisíveis, você obtém ganhos espetaculares, ou perde-se tudo caso venha o apocalipse.</p>
<p><strong>Giovani Damiano</strong> é estudante de Economia e trader</p>
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		<title>Auto-sabotagem</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 12:38:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giovani Damiano</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças Comportamentais]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste artigo, falaremos superficialmente sobre um problema com que o trader deve saber lidar: ele mesmo. As Finanças Comportamentais estudam os vieses heurísticos comuns na tomada de decisões, dentre os quais, alguns que afetam diretamente os investimentos.
Por Giovani Damiano]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Neste artigo, falaremos superficialmente sobre um problema com que o trader deve saber lidar: ele mesmo. As Finanças Comportamentais estudam os vieses heurísticos comuns na tomada de decisões, dentre os quais, alguns que afetam diretamente os investimentos. Mas, aqui vamos apenas abordar um ponto que cabe mais à esfera psicológica/psicanalítica aprofundar.</p>
<p>Sejam com nós mesmos, com amigos ou com colegas profissionais, já tivemos conhecimento de diversos exemplos de trades “burros”. Defino-os como sendo aqueles em que ficamos tentando entender por que entramos numa posição na qual havia fortes indícios para se assumir exatamente a ponta contrária. E na maioria dos trades burros também não há stop, o que é ainda mais estranho, porque está é a forma mais simples de gerenciar riscos, delimitando pontos de entrada e saída (isto é, lucros e prejuízos máximos). No abandono dos stops, as Finanças Comportamentais dão uma mão dizendo que ocorreu esperança pela recuperação através do otimismo exagerado ou excesso de confiança na tomada de decisão. Para esses casos aparentemente inexplicáveis de erros, a Psicologia e Psiquiatria contribuem elucidativamente.</p>
<p>Dr. Alexander Elder em sua longa experiência como psiquiatra convenceu-se de que a maioria dos fracassos da vida resulta de um desejo inconsciente de fracassar. E explica que isso ocorre quando atuamos como “crianças impulsivas, em vez de como adultos inteligentes”. Observe-se o seguinte caso clínico:<br />
Um importante investidor procurou-me para uma consulta. Seu patrimônio estava sendo destruído por forte alta no dólar, em que assumira grande posição vendida. Analisando seus antecedentes, descobri que ele fora criado às turras com um pai repulsivo e arrogante. Tornara-se conhecido por seus próprios méritos ao apostar muito dinheiro em reversões de tendência em curso. Esse investidor continuou a aumentar sua posição vendida, pois não podia admitir que o mercado, que para ele representava seu pai, fosse maior e mais forte do que ele. (ELDER, 2004, p. 29)<br />
A deflagração da auto-sabotagem ocorreria segundo o também psiquiatra Dr. Flávio Gikovate, da seguinte maneira:<br />
Quando nos aproximamos muito de um estado vivenciado como sendo de plenitude, de que não nos falta nada – e o amor bem-sucedido corresponde a uma das situações nas quais sentimos isso –, passamos a experimentar um medo difuso, a viver uma sensação de ameaça e de riscos iminentes. Parece que alguma grande tragédia passa a nos rondar e, a qualquer momento, nos alcançará. O estado de pânico e pavor pode ser tal que não consigamos vislumbrar outra saída a não ser destruir aquilo que está “provocando” a felicidade e também o medo. (GIKOVATE, 2005, p. 46)<br />
Conclusão e sugestão: “A bagagem mental da infância pode impedir o seu sucesso nos mercados. Você precisa identificar os seus pontos fracos para mudar. Mantenha um diário sobre suas operações de mercado – anote nele as razões que o levaram a entrar ou a sair de todas as posições. Busque padrões repetitivos de sucesso ou fracasso” (ELDER, 2004, p. 29). A solução, então, para resolver isso é a busca pelo autoconhecimento.</p>
<p>Os mercados oferecem muitas oportunidades de autodestruição. Não têm uma solidariedade humana normal. Todos os operadores no mercado tentam bater nos outros. Todos os operadores de mercado são atingidos pelos demais. Afinal, ao contrário do que muitos dizem, investimentos em mercados financeiros não são jogos de soma zero, mas sim de soma negativa: os ganhadores recebem menos do que os perdedores levam de prejuízo porque os intermediadores da operação – corretoras, bolsas e assessores financeiros – precisam receber suas comissões, em outras palavras, as chances estão contra o aplicador.</p>
<p>Outro aspecto ligado a isso é o modo pelo qual o caráter afeta o comportamento do agente no mercado, que pode explicar alguns casos de auto-sabotagem. Note-se a citação: “A culpa não pode existir a não ser depois de determinado grau de sofisticação da razão, que nos permite a operação psíquica um tanto sutil de tentarmos nos colocar no papel de outra pessoa e imaginar o sofrimento dela por conta do que teríamos causado” (GIKOVATE, 2005, p. 24). A partir disso, pode-se dizer que pessoas com caráter generoso não são as mais adequadas a participar dos mercados, pois, se ficarem preocupadas com o bem-estar de seus semelhantes, poderão se sentir culpadas por serem bem-sucedidas, isto é, tirar dinheiro dos outros, já que para isso, é necessário que haja o fracasso na outra ponta. Assim, podem, através de um mecanismo inconsciente causado pelo seu altruísmo pernicioso, devolver seus ganhos na busca de uma equidade distributiva social, visando um bem-estar geral. Logo, o trader pode até compreender como outro agente se frustra e se sente diante de uma perda – isto é denominado de empatia afetiva, que é relacionada à habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia –, mas, para o caso específico de um caráter generoso, a identificação precisa ser eliminada para não desencadear a auto-sabotagem.</p>
<p>Cada investidor tem seus próprios demônios a exorcizar no esforço de tornar-se um profissional bem sucedido. Pelo exposto acima, pode-se dizer que os vencedores precisam pensar sentir e agir de maneira diferente dos perdedores. Uma regra para a profissionalização dos investimentos financeiros seria “olhar para dentro de si mesmo, deixar de lado as ilusões e mudar as velhas maneiras de ser, pensar e agir. A mudança é difícil, mas se quiser ser um investidor profissional, você deve empenhar-se em mudar sua personalidade” (ELDER, 2004, p. 46). Assim, não é de se estranhar que algumas corretoras brasileiras ofereçam serviços de psicólogos a seus clientes.</p>
<p>Para qualquer tentativa de mudança temos que conseguir nos livrar das crenças. Isso não é fácil, pois elas funcionam como nosso alicerce intelectual, como base de uma estrutura psíquica que nos sustenta ao mesmo tempo em que nos empobrece. As crenças nos reasseguram nos impedem de termos de conviver com dúvidas. Acontece que, como dizia Ortega, nosso vigor intelectual está diretamente relacionado com nossa capacidade de suportar dúvidas. Costumamos preferir explicações apressadas e singelas ao convívio doloroso com as dúvidas. Porém, a criatividade humana depende de nos dispormos a vivenciar o estado de desconforto próprio dos que não sabem e que são os que poderão, em algum momento, ter idéias – e não apenas repetir com pompa as velhas crenças. (GIKOVATE, 2005, p. 88)</p>
<p>Referências:</p>
<p>ELDER, Alexander. Como se tornar um operador e investidor de sucesso. 13a ed. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2004. 305 p.<br />
GIKOVATE, Flávio. O mal, o bem e mais além: egoístas, generosos e justos. São Paulo: MG Editores, 2005. 155 p.</p>
<p><strong>Giovani Damiano</strong> é estudante de Economia e trader</p>
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		<title>A dinâmica de preços do café</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 21:37:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giovani Damiano</dc:creator>
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		<category><![CDATA[A dinâmica de preços do café]]></category>
		<category><![CDATA[café]]></category>

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		<description><![CDATA[A crise dos PIIGS levou a quedas conjuntas nos mercados acionários, e, estranhamente também, nos mercados de commodities agrícolas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A crise dos PIIGS (sigla em inglês para Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) levou a quedas conjuntas nos mercados acionários, e, estranhamente também, nos mercados de commodities agrícolas. Estas quedas são movimentos de aversão ao risco dos investidores, e, portanto, busca por liquidez, isto é, fuga para o dólar e títulos dos Estados Unidos, ou qualquer outro título público de renda fixa de país pouco arriscado. Nesta “crise recente”, commodities agrícolas assumiram um movimento declinante e generalizado, sendo que algumas foram contra seus fundamentos de médio prazo – por exemplo, açúcar e café.</p>
<p>Em períodos turbulentos, de elevada incerteza sobre o futuro, é comum uma preocupação dos empresários e investidores, que se tornam menos dispostos a arriscar. Ao fazer uma avaliação de viabilidade de investimentos, podemos realizar um fluxo de caixa descontado, ou seja, projetamos nossa receita para o período por vir e descontamos pela taxa de juros vigente. Dessa forma, se a rentabilidade do projeto mostrar-se maior do que a taxa de juros, ocorre o investimento, caso contrário, opta-se por aplicar o dinheiro à taxa de juros básica da economia e livre de risco. Assim, o desempenho da economia é uma variável fundamental nesta análise.</p>
<p>Esse raciocínio faz sentido toda vez que uma piora das variáveis macro e sócio-econômicas afetar o consumo específico do bem produzido pela empresa, que deve tomar a decisão de investir agora ou não. Os riscos da empresa são: i) não investir e ser dominada pelas concorrentes, e ii) injetar capital na forma fixa e ter rendimentos abaixo do esperado, ocasionando perdas, seja por ter tomado crédito com juros do empréstimo avaliados abaixo do retorno esperado, seja por ter tido um elevado custo de oportunidade.</p>
<p>Entretanto, existem alguns segmentos da economia que produzem produtos inelásticos à renda-demanda. A medida é calculada através da divisão da variação percentual da renda sobre a variação percentual da demanda. A inelasticidade implica que indivíduos que ficaram duas vezes mais ricos não demandarão duas vezes mais produtos de primeira necessidade. Em outras palavras, itens essenciais ao ser humano, como alimentação e remédios, sempre serão consumidos independentemente da conjuntura econômica, quer dizer, da condição financeira do consumidor.</p>
<p>Para o caso específico do café, podemos, então, afirmar o mesmo. O consumo de café varia muito pouco com a renda. Se a economia vai bem ou mal, pouco importa, uma vez que as mesmas quantidades de xícara de café serão bebidas. É claro que, indo a fundo, podemos dizer que o consumo gourmet (ou mesmo o out of home), isto é aquela diferenciação de consumo buscando mostrar status, é prejudicado com uma crise econômica, mas para o consumo geral, o hábito de tomar um cafézinho não é posto de lado em tais circunstâncias.</p>
<p>Abaixo temos um gráfico com as cotações do primeiro contrato futuro de café (março de 2010) em NY. Neste período de queda, afirmo que não se verificou nenhuma alteração nos fundamentos do café. E na verdade, as cotações deveriam estar com tendência altista se sofressem apenas a pressão da oferta, demanda, políticas governamentais, clima e etc.</p>
<p><a rel="lightbox" href="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/NYmarço.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-5387" title="NYmarço" src="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/NYmarço-300x155.jpg" alt="" width="300" height="155" /></a>Em síntese dos fundamentos, há uma expectativa de quebra de safra na Colômbia e América Central – ambas repetindo o mal desempenho da colheita anterior –, a possibilidade do clima ter afetado seriamente a quantidade e qualidade do café brasileiro e, além disso, um possível programa vietnamita que visa retirar 3 milhões de sacas do mercado. Tudo isso associado a um simultâneo aumento do consumo mundial, que se mantém, desde 2007, em nível superior à produção, segundo dados da Organização Internacional do Café (OIC).</p>
<p>Enfim, os preços caíram. O movimento de aversão ao risco levou os fundos a venderem contratos, ou para fechar posições compradas ou para apostar na queda das cotações. Se estivéssemos falando de petróleo – commodity que é um indicativo do consumo de energia e, por tabela, da atividade econômica global – faria sentido essa queda. Mas estamos falando de um produto agrícola inelástico à renda-demanda.</p>
<p>Não vamos contrariar os fatos, afirmando sobre o absurdo da queda, mas, pelo contrário, vamos tentar entender a dinâmica dos mercados.</p>
<p>Basicamente, há quatro tipos principais de participantes no mercado: os hedgers, os arbitradores, os especuladores tradicionais e os especuladores de índice (index speculators). Os index speculators são hedge funds, fundos de pensão, fundos que gerenciam o patrimônio de universidades, companhias de seguro de vida, fundos de riqueza soberana e bancos.</p>
<p>Até os anos 2000, a Norma do Investidor Prudente (Prudent Investor rule) impedia que fundos de investimento aplicassem em commodities.</p>
<p>Porém, o colapso do mercado de ações em 2000 e a publicação de estudos atestando que as commodities não estão correlacionadas com ações levaram ao uso de contratos futuros como forma de reduzir o risco de portfólio. Isso permitiu ao Goldman, Sachs &amp; Co., assim como a outros, ter êxito ao empurrar contratos futuros para os investidores prudentes como uma nova classe de ativos.</p>
<p>A estratégia dos index speculators é o buy and hold (compra e segura), isto é, eles apenas assumem posições compradas (long), alocando uma parcela de sua carteira em commodities. Para simplificar a alocação, foi criado um índice futuro de commodities – daí o termo speculator index.</p>
<p>Os dois maiores são o SP-GSCI e DJ-AIG. Se o índice de preços sobe, os especuladores de índice ganham dinheiro. Entretanto, como os futuros de commodities não pagam dividendos, a única possibilidade de retorno é através no aumento dos preços dos contratos futuros. Por esta razão, comprar um índice futuro de commodities é essencialmente uma atividade especulativa.</p>
<p>Para ilustrar o ponto, em 2002 havia US$ 50 bilhões de dólares dos fundos administrados (managed moneys) aplicados neste índices, crescendo para mais de US$ 100 bilhões em 2006 e acima de US$ 300 bilhões no auge em 2008. No final de 2009, os ativos totais sob gestão em fundos de commodities atingiram US$ 257 bilhões, conforme o Barclays.</p>
<p><a rel="lightbox" href="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/Wray2009.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-5389" title="Wray2009" src="http://avisoemdois.com.br/assets/imagery/Wray2009-300x186.jpg" alt="" width="300" height="186" /></a></p>
<p>A correlação que este gráfico mostra é notória: fluxos maiores levaram ao aumento de preços. Todavia, correlações nunca provam relações de causa e efeito. E, na verdade, a causa e efeito, neste caso, seguem uma via de mão dupla: preços maiores encorajam maiores influxos, e maiores influxos geram preços mais altos. Mesmo com esta advertência, a evidência aponta um movimento especulativo impulsionando fortemente os preços das commodities.</p>
<p>Esse fenômeno acarreta outro efeito: mudanças no preço à vista da commodity. A ortodoxia econômica diz que os fundamentos determinam os preços à vista, e a expectativa futura gera as cotações para os contratos futuros. Mudanças de preços são frequentemente algo local, com o consumo geograficamente disperso. Para que produtores vendam seu produto agrícola às cooperativas ou outros intermediários, é necessário ter uma referência de preços para se realizar negócios com a indústria processadora ou outro agente. Diferentemente do mercado físico, o mercado de futuros é nacional ou, na maioria dos casos, internacional, e os preços futuros estão prontamente disponíveis e teoricamente refletem a oferta e demanda em tempo real. Logo, o mercado físico de commodities precisa confiar no mercado de futuros como fonte primária de informação sobre os preços. E, disso, pode-se concluir que as mudanças de preços nos mercados futuros são diretamente transmitidas aos preços à vista.</p>
<p>De qualquer forma, para entender o quadro geral de queda nas cotações do café, deve ser compreendido também o uso de softwares alimentados com determinados parâmetros estatísticos – algoritmos – que dão ordens automáticas de compra ou venda nas bolsas (1), também chamados de robot traders. Um dos itens que define as operações destes robôs no mercado de commodities é a cotação do dólar. No caso do café, eles devem usar o dollar index, conseqüentemente o euro (2) , e o real – a nossa moeda é utilizada pela importância mundial da produção brasileira de café. Como a crise derrubou as cotações do euro, e como as commodities têm forte correlação negativa com o dólar, os preços do café desabaram – o real também se desvalorizou acompanhando o movimento global.</p>
<p>A dinâmica das bolsas potencializa estes efeitos, pois também existem gatilhos armados com ordens de stop gain ou stop loss ou mesmo as negociações dos robot traders, em que se os preços rompem determinados suportes ou resistências, um forte volume de negócios é desencadeado automaticamente. E isso dá uma força à tendência do movimento que pode levar a outro patamar importante de preços causando nova enxurrada de ordens. Isto é, o mercado fica mais volátil.</p>
<p>Cria-se, além do mais, uma perversidade nos agentes. A partir de um determinado momento, outros aplicadores em café perceberão que quando a conjuntura econômica vai mal, é hora de vender café. E fazem isso racionalmente, ignorando os fundamentos ao buscar antecipar as vendas dos grandes players para não perder dinheiro. Este quadro cria e alimenta uma bola de neve, em que um quer sair antes do outro para perder menos, gerando, assim, uma volatilidade maior do que seria normal para as cotações.</p>
<p>Em suma e concluindo, fica caracterizado um mercado no qual preços são a resultante de forças entre os fundamentos da commodity e a (re)alocação de portfólio de grandes fundos. Por conseguinte, dependendo do tamanho das posições assumidas pelos agentes que não estão envolvidos com o aspecto físico do café no total de contratos negociados, o desempenho e estado de expectativas da economia tornam-se muito mais importantes para precificação dos contratos futuros, em detrimento e impassível às razões reais e fundamentadas disso. E como se já não bastasse os produtores sofrerem os riscos envolvidos na produção – principalmente clima –, no momento da comercialização tornam-se meros expectadores do jogo de mercado sofrendo a tirania exógena dos preços.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Giovani Damiano</strong> é estudante de Economia e trader</p>
<p>Referências:</p>
<p>WRAY, L. Randall. Money manager capitalism and the global financial crisis. The Levy Economics Institute of Bard College, Working Paper No. 578, Setembro de 2009.</p>
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<p>(1) Nos Estados Unidos, os algoritmos representam 60% das transações à vista e metade do fluxo que vai para futuros e opções, enquanto aqui a participação é de apenas 6% no segmento Bovespa e inferior a 1% na BM&amp;F. Mas, como esse tipo de negociação só começou a virar realidade no Brasil com o fim do pregão viva voz, enterrado de vez em julho de 2009, a expectativa é de crescimento dos negócios. (Fonte: jornal Valor Econômico)</p>
<p>(2) O AVISO EM DOIS publicou um artigo em 2 de dezembro de 2009 que dava alguns detalhes sobre o dollar index. O título, bastante criativo, é “O dollar index”.</p>
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