Aviso Semanal – 05

semanal

A semana
O evento mais importante na semana que passou foi sem dúvida a decisão do Banco Central dos EUA, em uma decisão esperada, optar pela manutenção da taxa de juros. O comunicado que segui a decisão foi tão morno que suscitou mais dúvidas que certezas quanto à caminhada da taxa de juros, passando a sensação que o FED também espera por Trump e suas medidas econômicas anunciadas na campanha.
Tirando a acusação de manipulação da taxa de câmbio realizada por outros países e a ameaça de sepultar a lei de regulação financeira Dodd-Frank o presidente americano até o momento não tomou medidas concretas em relação à propagada reforma dos impostos corporativos, aos estímulos fiscais e ao protecionismo. Quanto mais o tempo passar maior será o desconforto dos agentes econômicos.
No cenário interno as preocupações com o déficit nas contas públicas voltaram a aumentar já que as despesas não sinalizam queda e as perspectivas para as receitas continuam sombrias. A situação dos estados e municípios se agrava a cada dia.
A equipe econômica não se deu conta que apreciar demasiadamente a moeda depois de uma brutal recessão só atrasa a retomada econômica, em especial de um país de modelo exportador, mais cedo ou mais tarde o déficit externo será mais um motivo de preocupação.

 

Juros
O mercado de juros futuros continua na sua trajetória de queda, não só pelo recuo dos índices de inflação, mas também pela atividade econômica que continua sem perspectivas de melhoras no médio prazo.
Expectativa para a semana: Continuidade da queda, em toda curva futura de juros

 

Câmbio
Como comentado acima a apreciação forçada pelo Banco Central do Brasil no intuito de quere mostrar um cenário de maior confiança no país e conter os índices de inflação não se sustenta por muito tempo, em breve estaremos descolados de toda correlação de juros e câmbio externa. A reclamação de Trump em relação à desvalorização excessiva de outras moedas deveria servir de alerta ao Brasil e não de entusiasmo, enquanto nosso maior parceiro comercial, China, desvaloriza o Yuan inexplicavelmente valorizamos o Real.
Expectativa para a semana: Semana fechando em R$ 3,12/3,17 por dólar

 

Bolsa de Valores
A recente divulgação que as ações da Vale do Rio Doce e do Itaú/Unibanco respondem por 20% do movimento de toda a Bovespa evidencia que a recente valorização do índice não corresponde às expectativas de melhoras na economia, Vale está atualmente fortemente atrelada à cotação do minério de ferro que disparou na China e Itaú/Unibanco a manutenção do pornográfico spread bancário ainda por longo tempo.
Se o cenário externo para o mercado bursátil está repleto de incertezas o interno requer uma cautela redobrada neste momento.
Expectativa para encerramento da semana: 63.000/64.000

 

“Fracassar não é cair; é recusar-se a levantar.” Provérbio Chinês

 

*As opiniões aqui contidas são pessoais e não representam recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Desta forma, os autores estão isentos de quaisquer responsabilidades sobre as decisões de investimentos tomadas por seus leitores.
O Aviso em Dois tem como finalidade a troca de ideias, informações e conhecimentos técnicos com os leitores e participantes do mercado financeiro.

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Economista e Palestrante. CEO do Portal Aviso em Dois e do Projeto Arrisque

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